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Transparência sobre o uso da cloroquina


Antonio Carlos Lopes

20/04/2020 | 07:00


Diante da gravidade da Covid-19 e do crescente número de opiniões infundadas sobre o tratamento da doença, venho compartilhar com você, caro leitor, minha opinião sobre o uso da cloroquina e de corticoides no controle da pandemia mundial. Não é um palpite, mas uma certeza adquirida em décadas de exercício clínico da medicina.

É relevante registrar que a Covid-19 é uma patologia essencialmente clínica, exigindo a colaboração de infectologistas e intensivistas para combatê-la. Trata-se de uma condição muito grave, principalmente no caso de pacientes que já possuem doenças prévias.

O vírus provoca a liberação de toxinas, grandes responsáveis pelas lesões ao pulmão e ao rim. Porém, não é possível ter 100% de convicção das consequências para o organismo ainda no início da doença. Assim, quanto mais cedo o vírus for destruído, melhor.

A cloroquina, largamente utilizada no tratamento da malária e também de outras doenças prevalentes nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, é a melhor indicação no combate ao mecanismo viral. Com o potencial de destruir o agente invasor, mas não de regenerar o pulmão, a cloroquina deve ser aplicada logo nos primeiros sintomas da doença. Uma vez que, se o pulmão já estiver lesado, não haverá mais a possibilidade de recuperá-lo por completo.

Por não ser um medicamento muito conhecido no País, seu surgimento provoca incertezas. Foram buscar recomendações na literatura médica e se depararam com os efeitos colaterais, que são raros. Aliás, todo remédio tem consequências e é dever do profissional de medicina conhecê-las, mas isso não limita seu uso.

Há dez anos, descobriu-se que a cloroquina age também como antiviral. Tenho prescrito esse medicamento há mais de 40 anos, sem constatar paciente algum com qualquer tipo de complicações. Em vista de sua eficiência no combate à pandemia, tais efeitos colaterais são desprezíveis.

Por outro lado, é mais do que urgente ressaltar que o medicamento não pode ser utilizado como forma de prevenção, muito menos como automedicação. É responsabilidade do médico avaliar a situação do paciente e receitá-lo.

A Covid-19 tornou-se exercício de opiniões insustentáveis. Entre as sugestões levantadas, está até o corticoide. Uma ideia que provavelmente surgiu por interesses econômicos e é completamente avessa à fisiopatologia da doença. Na verdade, um completo absurdo, a ser contraindicado.

Lamento o uso político da cloroquina, retardando sua aplicação prática; e do corticoide, colocando-o perigosamente em evidência. É necessário know-how para contribuir à polêmica e colocar o interesse da comunidade como objetivo primeiro.

Antonio Carlos Lopes é presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica e professor afiliado do HMASP (Hospital Militar de Área de São Paulo). E-mail: acontece@acontecenoticias.com.br



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Transparência sobre o uso da cloroquina

Antonio Carlos Lopes

20/04/2020 | 07:00


Diante da gravidade da Covid-19 e do crescente número de opiniões infundadas sobre o tratamento da doença, venho compartilhar com você, caro leitor, minha opinião sobre o uso da cloroquina e de corticoides no controle da pandemia mundial. Não é um palpite, mas uma certeza adquirida em décadas de exercício clínico da medicina.

É relevante registrar que a Covid-19 é uma patologia essencialmente clínica, exigindo a colaboração de infectologistas e intensivistas para combatê-la. Trata-se de uma condição muito grave, principalmente no caso de pacientes que já possuem doenças prévias.

O vírus provoca a liberação de toxinas, grandes responsáveis pelas lesões ao pulmão e ao rim. Porém, não é possível ter 100% de convicção das consequências para o organismo ainda no início da doença. Assim, quanto mais cedo o vírus for destruído, melhor.

A cloroquina, largamente utilizada no tratamento da malária e também de outras doenças prevalentes nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, é a melhor indicação no combate ao mecanismo viral. Com o potencial de destruir o agente invasor, mas não de regenerar o pulmão, a cloroquina deve ser aplicada logo nos primeiros sintomas da doença. Uma vez que, se o pulmão já estiver lesado, não haverá mais a possibilidade de recuperá-lo por completo.

Por não ser um medicamento muito conhecido no País, seu surgimento provoca incertezas. Foram buscar recomendações na literatura médica e se depararam com os efeitos colaterais, que são raros. Aliás, todo remédio tem consequências e é dever do profissional de medicina conhecê-las, mas isso não limita seu uso.

Há dez anos, descobriu-se que a cloroquina age também como antiviral. Tenho prescrito esse medicamento há mais de 40 anos, sem constatar paciente algum com qualquer tipo de complicações. Em vista de sua eficiência no combate à pandemia, tais efeitos colaterais são desprezíveis.

Por outro lado, é mais do que urgente ressaltar que o medicamento não pode ser utilizado como forma de prevenção, muito menos como automedicação. É responsabilidade do médico avaliar a situação do paciente e receitá-lo.

A Covid-19 tornou-se exercício de opiniões insustentáveis. Entre as sugestões levantadas, está até o corticoide. Uma ideia que provavelmente surgiu por interesses econômicos e é completamente avessa à fisiopatologia da doença. Na verdade, um completo absurdo, a ser contraindicado.

Lamento o uso político da cloroquina, retardando sua aplicação prática; e do corticoide, colocando-o perigosamente em evidência. É necessário know-how para contribuir à polêmica e colocar o interesse da comunidade como objetivo primeiro.

Antonio Carlos Lopes é presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica e professor afiliado do HMASP (Hospital Militar de Área de São Paulo). E-mail: acontece@acontecenoticias.com.br

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