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Covid-19: pacientes curados retomam a vida

Nario Barbosa/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Fé, força de vontade, tratamento intensivo e isolamento ajudaram munícipes a vencer os desafios impostos pelo novo coronavírus


Vinicius Castelli
Yasmin Assagra

19/04/2020 | 07:00


 Em tempos em que a vida corria normalmente, sem pandemia, tampouco medo desenfreado de contaminação por novo coronavírus e isolamento físico, coisas comuns como ir à padaria e pedir um pão na chapa, fazer um passeio no parque ou planejar um encontro entre amigos no fim de semana eram coisas que simplesmente aconteciam. Tomar um sorvete era simplesmente tomar um sorvete.

Com a chegada da pandemia da Covid-19 tudo mudou e a vida virou de ponta cabeça. Maria Aparecida Polpeta Gusmão, 58 anos, de São Caetano, é cabeleireira e teve de parar de trabalhar. Não só por causa da determinação do governo do Estado e das prefeituras da região, que decretaram o fechamento temporário de alguns comércios, mas por ter sido uma das pessoas infectadas pelo novo coronavírus.

E com a chegada da doença, prazeres como degustar uma xícara de chá ou sentir o sabor de uma simples bolacha sumiram por um tempo. Maria chega ao fim de sua quarentena amanhã. Nova para retomar sua vida, ainda que, por ora, só dentro de casa. “A gente fica ansiosa para acabar logo. Agora estou muito feliz. Tem hora que dá um pouquinho de medo, não sei como as pessoas lá fora vão reagir, existe o preconceito”, assume Maria.

A cabeleireira teve uma dor lombar dia 17 de março. Algo que já havia lhe acontecido. Foi ao pronto-socorro em São Caetano. Na fila, viu gente tossindo, com sintomas de gripe. Levou três horas até ser atendida. Foi medicada e voltou para casa. Três dias depois começou a ter dor de cabeça. “Não podia ver uma brecha de luz que parecia que ia morrer de dor e a boca muito amarga. Já não sentia gosto de nada, não conseguia comer, começou a me dar febre, diarreia e vômito”, explica.

Maria passou vários dias sem comer. E estava com medo de voltar ao pronto-socorro. Depois de vários dias, a família a levou ao médico. Fez exame de sangue, pois acharam que era dengue. Até que foi, de fato, diagnosticada com Covid-19. “Fiquei internada do dia 2 ao dia 6. Tive bastante tosse, mas não precisei de respirador”, diz.

Histórias parecidas com a da Maria Aparecida se repetem diariamente. O consultor Alexandre Carlovich, 50, também de São Caetano, segue em isolamento após tratamento pelo novo coronavírus. Carlovich já possuía comorbidades, como diabete, pressão alta, colesterol e, mesmo tomando remédios frequentemente para controlar as doenças, prejudicou a saúde quando contraiu a temida Covid-19.

O consultor chegou do Rio de Janeiro no dia 17 de março e no domingo seguinte, dia 22, já apresentava o quadro de febre, tosse fraca e dores no corpo. “Eu só queria ficar deitado, com febre que oscilava muito. Até que no dia 27 de março resolvi procurar ajuda médica”, comenta. “No pronto atendimento já me direcionaram para fazer alguns exames, inclusive o da Covid-19. No resultado, apresentou pneumonia e me isolaram em um quarto. Fiquei sem celular, televisão e sem receber visitas. Apenas na companhia de médicos e enfermeiros”, comenta.

O consultor ficou 12 dias internado e fala sobre os exames realizados para testar o novo coronavírus. “Fiz dois, um mantiveram no laboratório do próprio hospital, e a tomografia, pela qual foi constatada a Covid-10. O outro (teste) permanece em análise”, explica.

Carlovich, que segue em isolamento domiciliar até pelo menos até quarta-feira, falar sobre como conseguiu se manter durante todos esses dias. “Foram 12 dias muito difíceis, de incertezas, por questão de saúde e de ter que ficar longe da minha família. Então, com minha fé e controle das minhas emoções consegui permanecer bem”, finaliza.

NOVA FASE
Agora, Maria e Alexandre celebram a nova fase, o que inclui dar ainda mais valor às coisas que antes poderiam ser tratadas como simples. “Pode parecer uma coisa muito boba. Eu sempre gostei muito de chá, mas nos dias que estava sem paladar, quando meu marido vinha com o chá era a pior coisa. Depois que o paladar voltou, tomo meu chá como uma coisa muito deliciosa. Você volta à vida”, conta Maria.

Já Alexandre permanece agradecendo amigos, colegas de trabalho e, especialmente, a família por toda a ajuda. “Minha mulher fez praticamente tudo sozinha em casa e devo muito a ela. Hoje, com a saúde recuperada, tento fazer meus exercícios em casa e retomar aos poucos o trabalho. O impacto foi grande, mas vamos conseguir.”

Na região, 281 pessoas tiveram alta médica desde início da pandemia
Segundo dados dos boletins epidemiológico das Prefeituras, em média 281 pacientes já receberam altas médicas por conta do novo coronavírus. Diante desses casos, Santo André é a cidade que mais registra altas médicas, totalizando 122.

Em seguida, o município de São Caetano contabiliza 56 casos, sendo mais que a metade do sexo masculino, entre 20 e 40 anos e a maioria das vítimas apresenta doenças cardiovasculares. Diadema também soma 56 casos, 16 destes testaram positivo para a Covid-19 e outros 40 ainda estão em investigação.

O município de São Bernardo registra 33 pacientes que estão liberados do isolamento, sendo 18 homens e 15 mulheres. Desse total, seis tinham idade superior a 60 anos.

Ribeirão Pires, oito moradores cumpriram a quarentena e não apresentam mais sintomas, com idades entre 38 e 48 anos. Apenas um tem 64 anos. Do total de casos positivos, 18 são mulheres e 10 são homens.

Segundo dados, Rio Grande da Serra possui seis pessoas recuperadas da Covid-19. Mauá não respondeu a demanda do Diário.

Tempo de recuperação varia de 14 a 30 dias
Aline Melo

Quem enfrentou a venceu a Covid-19 precisa tomar alguns cuidados antes de retomar ao convívio social. O prazo para retorno às atividades e convivência com outras pessoas é de, no mínimo, 14 dias, podendo chegar a até 30, dependendo da gravidade do caso e das condições de saúde do paciente. Coordenador da comissão de infecção hospitalar do Hospital Pedro Ernesto, da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), Marcos Junqueira do Lago afirmou que os pacientes curados, basicamente, são divididos em dois grupos: os que se internaram e os que não precisaram nem de hospitalização.

“De forma geral, para quem ficou isolado em casa, 14 dias depois do diagnóstico já pode retomar as atividades. Esse é um prazo que tem sido consensual no Brasil, mas em outros países, como a Inglaterra, estão considerando três semanas”, pontuou. Lago destacou que a doença é muito nova e que embora existam muitos estudos, ainda existem questões que estão sendo investigadas. “Quem esteve internado, vai depender muito de que complicações o paciente teve, quais são as comorbidades que já existem e a equipe que o atendeu é quem vai determinar isso. Temos relatos de pessoas que precisaram de até 30 dias”, completou.

Biomédico do Laboratório Rocha Lima em São Caetano, Rafael Padovani salientou que durante a chamada fase aguda ou período de viremia, estágio em que as pessoas ainda têm sintomas e transmitem o vírus, o isolamento deve ser total. “Com uma boa evolução do quadro, o paciente vai estar curado entre 14º e 20º dia após a contaminação, caso seja possível identificar quando isso ocorreu”, afirmou.

Padovani explicou que existem testes que podem identificar se a pessoa contaminada ainda está transmitindo os vírus ou se já apresenta os anticorpos. “Cerca de 20% dos testes que estamos realizando já mostram que as pessoas se curaram”, pontuou.

A psicóloga Amanda Cavalcanti relatou que para quem enfrentou o isolamento por conta do contágio pelo novo coronavírus, pode haver sintomas de ansiedade e até, em alguns casos, de estresse pós-traumático. “É importante nesse momento a pessoa tentar identificar o que já era dela e o que é novo, pela situação que está vivendo agora”, pontuou. Amanda afirmou que por ser uma doença nova, é natural que desperte medo. “Nesse momento, o autocuidado é importante. Não só lavar as mãos, manter a higiene, mas se perceber, se olhar, e se necessário, buscar ajuda profissional”, concluiu.



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Covid-19: pacientes curados retomam a vida

Fé, força de vontade, tratamento intensivo e isolamento ajudaram munícipes a vencer os desafios impostos pelo novo coronavírus

Vinicius Castelli
Yasmin Assagra

19/04/2020 | 07:00


 Em tempos em que a vida corria normalmente, sem pandemia, tampouco medo desenfreado de contaminação por novo coronavírus e isolamento físico, coisas comuns como ir à padaria e pedir um pão na chapa, fazer um passeio no parque ou planejar um encontro entre amigos no fim de semana eram coisas que simplesmente aconteciam. Tomar um sorvete era simplesmente tomar um sorvete.

Com a chegada da pandemia da Covid-19 tudo mudou e a vida virou de ponta cabeça. Maria Aparecida Polpeta Gusmão, 58 anos, de São Caetano, é cabeleireira e teve de parar de trabalhar. Não só por causa da determinação do governo do Estado e das prefeituras da região, que decretaram o fechamento temporário de alguns comércios, mas por ter sido uma das pessoas infectadas pelo novo coronavírus.

E com a chegada da doença, prazeres como degustar uma xícara de chá ou sentir o sabor de uma simples bolacha sumiram por um tempo. Maria chega ao fim de sua quarentena amanhã. Nova para retomar sua vida, ainda que, por ora, só dentro de casa. “A gente fica ansiosa para acabar logo. Agora estou muito feliz. Tem hora que dá um pouquinho de medo, não sei como as pessoas lá fora vão reagir, existe o preconceito”, assume Maria.

A cabeleireira teve uma dor lombar dia 17 de março. Algo que já havia lhe acontecido. Foi ao pronto-socorro em São Caetano. Na fila, viu gente tossindo, com sintomas de gripe. Levou três horas até ser atendida. Foi medicada e voltou para casa. Três dias depois começou a ter dor de cabeça. “Não podia ver uma brecha de luz que parecia que ia morrer de dor e a boca muito amarga. Já não sentia gosto de nada, não conseguia comer, começou a me dar febre, diarreia e vômito”, explica.

Maria passou vários dias sem comer. E estava com medo de voltar ao pronto-socorro. Depois de vários dias, a família a levou ao médico. Fez exame de sangue, pois acharam que era dengue. Até que foi, de fato, diagnosticada com Covid-19. “Fiquei internada do dia 2 ao dia 6. Tive bastante tosse, mas não precisei de respirador”, diz.

Histórias parecidas com a da Maria Aparecida se repetem diariamente. O consultor Alexandre Carlovich, 50, também de São Caetano, segue em isolamento após tratamento pelo novo coronavírus. Carlovich já possuía comorbidades, como diabete, pressão alta, colesterol e, mesmo tomando remédios frequentemente para controlar as doenças, prejudicou a saúde quando contraiu a temida Covid-19.

O consultor chegou do Rio de Janeiro no dia 17 de março e no domingo seguinte, dia 22, já apresentava o quadro de febre, tosse fraca e dores no corpo. “Eu só queria ficar deitado, com febre que oscilava muito. Até que no dia 27 de março resolvi procurar ajuda médica”, comenta. “No pronto atendimento já me direcionaram para fazer alguns exames, inclusive o da Covid-19. No resultado, apresentou pneumonia e me isolaram em um quarto. Fiquei sem celular, televisão e sem receber visitas. Apenas na companhia de médicos e enfermeiros”, comenta.

O consultor ficou 12 dias internado e fala sobre os exames realizados para testar o novo coronavírus. “Fiz dois, um mantiveram no laboratório do próprio hospital, e a tomografia, pela qual foi constatada a Covid-10. O outro (teste) permanece em análise”, explica.

Carlovich, que segue em isolamento domiciliar até pelo menos até quarta-feira, falar sobre como conseguiu se manter durante todos esses dias. “Foram 12 dias muito difíceis, de incertezas, por questão de saúde e de ter que ficar longe da minha família. Então, com minha fé e controle das minhas emoções consegui permanecer bem”, finaliza.

NOVA FASE
Agora, Maria e Alexandre celebram a nova fase, o que inclui dar ainda mais valor às coisas que antes poderiam ser tratadas como simples. “Pode parecer uma coisa muito boba. Eu sempre gostei muito de chá, mas nos dias que estava sem paladar, quando meu marido vinha com o chá era a pior coisa. Depois que o paladar voltou, tomo meu chá como uma coisa muito deliciosa. Você volta à vida”, conta Maria.

Já Alexandre permanece agradecendo amigos, colegas de trabalho e, especialmente, a família por toda a ajuda. “Minha mulher fez praticamente tudo sozinha em casa e devo muito a ela. Hoje, com a saúde recuperada, tento fazer meus exercícios em casa e retomar aos poucos o trabalho. O impacto foi grande, mas vamos conseguir.”

Na região, 281 pessoas tiveram alta médica desde início da pandemia
Segundo dados dos boletins epidemiológico das Prefeituras, em média 281 pacientes já receberam altas médicas por conta do novo coronavírus. Diante desses casos, Santo André é a cidade que mais registra altas médicas, totalizando 122.

Em seguida, o município de São Caetano contabiliza 56 casos, sendo mais que a metade do sexo masculino, entre 20 e 40 anos e a maioria das vítimas apresenta doenças cardiovasculares. Diadema também soma 56 casos, 16 destes testaram positivo para a Covid-19 e outros 40 ainda estão em investigação.

O município de São Bernardo registra 33 pacientes que estão liberados do isolamento, sendo 18 homens e 15 mulheres. Desse total, seis tinham idade superior a 60 anos.

Ribeirão Pires, oito moradores cumpriram a quarentena e não apresentam mais sintomas, com idades entre 38 e 48 anos. Apenas um tem 64 anos. Do total de casos positivos, 18 são mulheres e 10 são homens.

Segundo dados, Rio Grande da Serra possui seis pessoas recuperadas da Covid-19. Mauá não respondeu a demanda do Diário.

Tempo de recuperação varia de 14 a 30 dias
Aline Melo

Quem enfrentou a venceu a Covid-19 precisa tomar alguns cuidados antes de retomar ao convívio social. O prazo para retorno às atividades e convivência com outras pessoas é de, no mínimo, 14 dias, podendo chegar a até 30, dependendo da gravidade do caso e das condições de saúde do paciente. Coordenador da comissão de infecção hospitalar do Hospital Pedro Ernesto, da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), Marcos Junqueira do Lago afirmou que os pacientes curados, basicamente, são divididos em dois grupos: os que se internaram e os que não precisaram nem de hospitalização.

“De forma geral, para quem ficou isolado em casa, 14 dias depois do diagnóstico já pode retomar as atividades. Esse é um prazo que tem sido consensual no Brasil, mas em outros países, como a Inglaterra, estão considerando três semanas”, pontuou. Lago destacou que a doença é muito nova e que embora existam muitos estudos, ainda existem questões que estão sendo investigadas. “Quem esteve internado, vai depender muito de que complicações o paciente teve, quais são as comorbidades que já existem e a equipe que o atendeu é quem vai determinar isso. Temos relatos de pessoas que precisaram de até 30 dias”, completou.

Biomédico do Laboratório Rocha Lima em São Caetano, Rafael Padovani salientou que durante a chamada fase aguda ou período de viremia, estágio em que as pessoas ainda têm sintomas e transmitem o vírus, o isolamento deve ser total. “Com uma boa evolução do quadro, o paciente vai estar curado entre 14º e 20º dia após a contaminação, caso seja possível identificar quando isso ocorreu”, afirmou.

Padovani explicou que existem testes que podem identificar se a pessoa contaminada ainda está transmitindo os vírus ou se já apresenta os anticorpos. “Cerca de 20% dos testes que estamos realizando já mostram que as pessoas se curaram”, pontuou.

A psicóloga Amanda Cavalcanti relatou que para quem enfrentou o isolamento por conta do contágio pelo novo coronavírus, pode haver sintomas de ansiedade e até, em alguns casos, de estresse pós-traumático. “É importante nesse momento a pessoa tentar identificar o que já era dela e o que é novo, pela situação que está vivendo agora”, pontuou. Amanda afirmou que por ser uma doença nova, é natural que desperte medo. “Nesse momento, o autocuidado é importante. Não só lavar as mãos, manter a higiene, mas se perceber, se olhar, e se necessário, buscar ajuda profissional”, concluiu.

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