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Infelizmente, hoje não tem encenação

Claudinei Plaza/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Tradicional na região, Paixão de Cristo do Senhor do Bonfim, em Santo André, não será realizada hoje


Vinícius Castelli
Do Diário do Grande ABC

10/04/2020 | 00:01


 Uma vez ao ano, uma multidão se junta para assistir a uma das mais disputadas encenações da Paixão de Cristo do Grande ABC, realizada no Santuário Senhor do Bonfim, no Parque das Nações, em Santo André, e recebe cerca de 5.000 fiéis. Porém, a tradicional celebração da Igreja Católica não será realizada hoje.

O tema escolhido foi ‘O Amor Não é Amado. Estamos em Stand-by’, e o trabalho em torno da apresentação começou em outubro. No entanto, justamente no ano em que o evento chegaria à 20ª edição os fiéis serão privados da apresentação por causa do novo coronavírus. “Infelizmente, seguindo a determinação da Diocese de Santo André, nenhuma Paixão de Cristo será possível (de ser realizada) este ano por conta desta pandemia”, explica Fernando Fernandes, 45 anos, coordenador do núcleo de artes cênicas do Santuário Senhor do Bonfim.

Mas as pessoas não ficarão desamparadas. Segundo Fernandes, é possível conferir várias das edições anteriores realizadas no santuário por meio da internet (www.youtube.com/channel/UCcQisjE2DJMDbKlwnWboMew), inclusive a do ano passado.

O ator Fernando Martins, 38, que iria interpretar Jesus nesta edição – seria a terceira vez neste papel – e atua há mais de 15 anos nas obras da Paixão de Cristo, explica que seu trabalho estava sendo elaborado desde que recebeu o convite, no segundo semestre do ano passado.

Ele conta que nunca se trata do mesmo Jesus nas peças. “Neste ano ele tinha envolvimento emocional com Francisco de Assis, mesmo eles não tendo se relacionado temporalmente, mas sim espiritualmente, em tempos diferentes”, diz.

“A figura do Jesus medieval com o qual Francisco se envolveu era magro. Iniciei ali uma dieta com nutricionista, ligada a esportes, e eliminei dez quilos para estar pronto com esse Jesus mais magro, para ir caracterizando o personagem”, explica o ator. Além disso, passou a deixar barba e cabelo crescer.

“Todo o preparativo foi assim, com estudo, com encontros no mínimo três vezes por semana, ensaios e laboratórios também em casa. A gente se prepara para que a mensagem não seja a mesma todos os anos, que seja algo diferente e que alcance o coração das pessoas, tentando, de alguma forma, se aproximar do que foi o Cristo, dos trejeitos que a gente imagina e estuda. Teologicamente temos aparato para entender como era Cristo naquele tempo”, diz.

Martins lamenta que a peça não seja apresentada, mas sabe que é a decisão correta. “Me sinto fazendo o certo, temos que nos isolar, nos proteger e proteger aqueles que há 20 anos vão rezar conosco na Paixão de Cristo. E fazer o que é certo nem sempre é fácil. Me sinto entristecido, pois é um momento espiritual muito forte para nossa comunidade. Mas me sinto aliviado por saber do amor de Cristo por nós e que isto vai passar. E fazemos da forma que estamos fazendo, nos isolando, vai passar com menos pessoas sendo vitimadas por essa doença.”

O elenco escalado para atuar tem 71 atores, entre jovens, adolescentes, adultos e crianças, além de mais de 50 pessoas envolvidas nas equipes técnicas. Para uma nova data, a coordenação terá que casar a agenda de todos. “Envolve muitas pessoas, cada uma com seu compromisso, com suas atividades”, diz o coordenador.

Mas, ainda assim, Fernandes não perdeu as esperanças de mostrá-la ao público posteriormente. “Essa edição, dos 20 anos, ainda que não aconteça neste período de Semana Santa, será realizada. Não sei se neste ano, no próximo, mas não abrimos mão do tema ‘O Amor Não é Amado. Estamos em stand-by’”, explica.

Projeto começou pequeno, mas cresceu ao longo de 20 anos
Fernando Fernandes, coordenador do núcleo de artes cênicas do Santuário Senhor do Bonfim, em Santo André, se recorda do embrião do projeto das apresentações da Paixão de Cristo e de como tudo foi ganhando corpo ao longo dos últimos 20 anos.

“Começamos em 2001, na rua. Depois foi para o estacionamento do Santuário”, explica, com orgulho. Ele lembra que começaram a trabalhar para a encenação da Paixão de Cristo por iniciativa do santuário, como forma de envolver os jovens da comunidade.

Mas o trabalho foi além: “Conseguimos transformar em algo maior do que só uma apresentação de jovens e envolver toda a comunidade”, diz. Fernandes explica que atualmente toda a paróquia se envolve. “Crianças, adultos, adolescentes, um monte de gente”, comenta.

O coordenador diz ter percebido também, ao longo do tempo, a evolução técnica do trabalho realizado. “Com tema e abordagem diferentes, na tentativa de transmitir a história da Paixão de Cristo, que é, a princípio, imutável. Você vai falar sempre sobre o mesmo personagem, Jesus, que viveu há 2.000 anos, sobre sua paixão, morte, ressurreição. Mas conseguimos trabalhar de diferentes perspectivas.”


Mais famoso do País, evento em em Pernambuco teve de ser adiado

A mais famosa apresentação da Paixão de Cristo no Brasil é realizada em Pernambuco. Trata-se de megaprodução apresentada a céu aberto, no Teatro Nova Jerusalém, em Fazenda Nova, distrito de Brejo da Madre de Deus.

Neste ano, seria a 54ª edição. Mas, pela primeira vez em sua história, não será encenada durante a Semana Santa. “Nada poderia justificar isso, a não ser o valor inestimável da vida, o dom maior de cada ser humano. Consideramos que preservar vidas é o mais importante neste momento”, diz a nota da coordenação.

Diante da situação, a Paixão de Cristo de Nova Jerusalém foi adiada para setembro, entre os dias 2 e 7.



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Infelizmente, hoje não tem encenação

Tradicional na região, Paixão de Cristo do Senhor do Bonfim, em Santo André, não será realizada hoje

Vinícius Castelli
Do Diário do Grande ABC

10/04/2020 | 00:01


 Uma vez ao ano, uma multidão se junta para assistir a uma das mais disputadas encenações da Paixão de Cristo do Grande ABC, realizada no Santuário Senhor do Bonfim, no Parque das Nações, em Santo André, e recebe cerca de 5.000 fiéis. Porém, a tradicional celebração da Igreja Católica não será realizada hoje.

O tema escolhido foi ‘O Amor Não é Amado. Estamos em Stand-by’, e o trabalho em torno da apresentação começou em outubro. No entanto, justamente no ano em que o evento chegaria à 20ª edição os fiéis serão privados da apresentação por causa do novo coronavírus. “Infelizmente, seguindo a determinação da Diocese de Santo André, nenhuma Paixão de Cristo será possível (de ser realizada) este ano por conta desta pandemia”, explica Fernando Fernandes, 45 anos, coordenador do núcleo de artes cênicas do Santuário Senhor do Bonfim.

Mas as pessoas não ficarão desamparadas. Segundo Fernandes, é possível conferir várias das edições anteriores realizadas no santuário por meio da internet (www.youtube.com/channel/UCcQisjE2DJMDbKlwnWboMew), inclusive a do ano passado.

O ator Fernando Martins, 38, que iria interpretar Jesus nesta edição – seria a terceira vez neste papel – e atua há mais de 15 anos nas obras da Paixão de Cristo, explica que seu trabalho estava sendo elaborado desde que recebeu o convite, no segundo semestre do ano passado.

Ele conta que nunca se trata do mesmo Jesus nas peças. “Neste ano ele tinha envolvimento emocional com Francisco de Assis, mesmo eles não tendo se relacionado temporalmente, mas sim espiritualmente, em tempos diferentes”, diz.

“A figura do Jesus medieval com o qual Francisco se envolveu era magro. Iniciei ali uma dieta com nutricionista, ligada a esportes, e eliminei dez quilos para estar pronto com esse Jesus mais magro, para ir caracterizando o personagem”, explica o ator. Além disso, passou a deixar barba e cabelo crescer.

“Todo o preparativo foi assim, com estudo, com encontros no mínimo três vezes por semana, ensaios e laboratórios também em casa. A gente se prepara para que a mensagem não seja a mesma todos os anos, que seja algo diferente e que alcance o coração das pessoas, tentando, de alguma forma, se aproximar do que foi o Cristo, dos trejeitos que a gente imagina e estuda. Teologicamente temos aparato para entender como era Cristo naquele tempo”, diz.

Martins lamenta que a peça não seja apresentada, mas sabe que é a decisão correta. “Me sinto fazendo o certo, temos que nos isolar, nos proteger e proteger aqueles que há 20 anos vão rezar conosco na Paixão de Cristo. E fazer o que é certo nem sempre é fácil. Me sinto entristecido, pois é um momento espiritual muito forte para nossa comunidade. Mas me sinto aliviado por saber do amor de Cristo por nós e que isto vai passar. E fazemos da forma que estamos fazendo, nos isolando, vai passar com menos pessoas sendo vitimadas por essa doença.”

O elenco escalado para atuar tem 71 atores, entre jovens, adolescentes, adultos e crianças, além de mais de 50 pessoas envolvidas nas equipes técnicas. Para uma nova data, a coordenação terá que casar a agenda de todos. “Envolve muitas pessoas, cada uma com seu compromisso, com suas atividades”, diz o coordenador.

Mas, ainda assim, Fernandes não perdeu as esperanças de mostrá-la ao público posteriormente. “Essa edição, dos 20 anos, ainda que não aconteça neste período de Semana Santa, será realizada. Não sei se neste ano, no próximo, mas não abrimos mão do tema ‘O Amor Não é Amado. Estamos em stand-by’”, explica.

Projeto começou pequeno, mas cresceu ao longo de 20 anos
Fernando Fernandes, coordenador do núcleo de artes cênicas do Santuário Senhor do Bonfim, em Santo André, se recorda do embrião do projeto das apresentações da Paixão de Cristo e de como tudo foi ganhando corpo ao longo dos últimos 20 anos.

“Começamos em 2001, na rua. Depois foi para o estacionamento do Santuário”, explica, com orgulho. Ele lembra que começaram a trabalhar para a encenação da Paixão de Cristo por iniciativa do santuário, como forma de envolver os jovens da comunidade.

Mas o trabalho foi além: “Conseguimos transformar em algo maior do que só uma apresentação de jovens e envolver toda a comunidade”, diz. Fernandes explica que atualmente toda a paróquia se envolve. “Crianças, adultos, adolescentes, um monte de gente”, comenta.

O coordenador diz ter percebido também, ao longo do tempo, a evolução técnica do trabalho realizado. “Com tema e abordagem diferentes, na tentativa de transmitir a história da Paixão de Cristo, que é, a princípio, imutável. Você vai falar sempre sobre o mesmo personagem, Jesus, que viveu há 2.000 anos, sobre sua paixão, morte, ressurreição. Mas conseguimos trabalhar de diferentes perspectivas.”


Mais famoso do País, evento em em Pernambuco teve de ser adiado

A mais famosa apresentação da Paixão de Cristo no Brasil é realizada em Pernambuco. Trata-se de megaprodução apresentada a céu aberto, no Teatro Nova Jerusalém, em Fazenda Nova, distrito de Brejo da Madre de Deus.

Neste ano, seria a 54ª edição. Mas, pela primeira vez em sua história, não será encenada durante a Semana Santa. “Nada poderia justificar isso, a não ser o valor inestimável da vida, o dom maior de cada ser humano. Consideramos que preservar vidas é o mais importante neste momento”, diz a nota da coordenação.

Diante da situação, a Paixão de Cristo de Nova Jerusalém foi adiada para setembro, entre os dias 2 e 7.

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