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Ecovias remonta irregularidades em acordos de mobilidade em SP

Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Empresa delatou conluio para abocanhar concessões; titular de Morando é alvo de ação


Júnior Carvalho
Do Diário do Grande ABC

09/04/2020 | 00:22


Delatado pela Ecovias, administradora do SAI (Sistema Anchieta-Imigrantes), ao Ministério Público, cartel para fraudar licitações de concessão de rodovias paulistas remonta a esquema de irregularidades envolvendo contratos da área de mobilidade em São Paulo nas gestões do PSDB no Estado. O crime revelado nos últimos dias pela própria Ecovias soma-se a um dos principais escândalos que abrangem o tucanato paulista, o da Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A), autarquia atualmente extinta e que era responsável pela construção e gestão de rodovias paulistas.

O caso tem como pivô Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, ex-diretor da Dersa, tido como operador de propinas pagas por empresas a políticos do PSDB estadual. Condenado em ações no âmbito da Operação Lava Jato, Paulo Preto estava preso até o mês passado, quando teve o direito a cumprir a pena em regime domiciliar por ter 71 anos e, portanto, integrar o grupo de risco ao contágio do novo coronavírus.

Paulo Preto é acusado de desviar verbas destinadas às desapropriações das obras do Rodoanel Mário Covas. Um desses processos, inclusive, cita suspeita de superfaturamento no pagamento de indenizações e conta como réu o engenheiro Delson José Amador, então superintendente da Dersa, ex-dirigente do DER (Departamento de Estradas de Rodagem) e hoje secretário de Transportes e Vias Públicas do governo do prefeito de São Bernardo, Orlando Morando (PSDB), como mostrou o Diário em janeiro. O episódio específico do aliado de Morando trata-se de terreno na Zona Sul da Capital para passagem do Trecho Sul, que corta o Grande ABC. Ao todo, a Dersa pagou R$ 5,5 milhões à empresa proprietária da área, valor R$ 3,4 milhões maior do que a quantia estipulada em laudos. Delson nega as acusações.

Na segunda-feira, a Ecovias assinou acordo de delação com a Promotoria visando ressarcir aos cofres R$ 650 milhões por formar conluio com outras companhias – algumas que sequer tinham condições técnicas para assumir os serviços – a fim de burlar concorrências e abocanhar contratos de concessão fechados desde 1998, período que atravessa as gestões dos tucanos Mário Covas, José Serra e Geraldo Alckmin. O trato ainda carece de homologação da Justiça.

O MP não revelou detalhes da investigação envolvendo o cartel da Ecovias. Por meio de nota, a Ecovias destacou que “reafirma seu compromisso com o crescimento sustentável e com transparência em todas as suas relações profissionais”.

TRENS E METRÔS
As gestões do PSDB à frente do Palácio dos Bandeirantes também registram esquema de cartel para obras de trens e metrôs, delatados pela Siemens, e que levou à responsabilização, por parte do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), de dezenas de outras empresas que participaram do conluio. Sobre o caso, o governo paulista se escorava no discurso de que o cartel era formado pelas empresas e que, portanto, não tinham participação da administração estadual.  



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Ecovias remonta irregularidades em acordos de mobilidade em SP

Empresa delatou conluio para abocanhar concessões; titular de Morando é alvo de ação

Júnior Carvalho
Do Diário do Grande ABC

09/04/2020 | 00:22


Delatado pela Ecovias, administradora do SAI (Sistema Anchieta-Imigrantes), ao Ministério Público, cartel para fraudar licitações de concessão de rodovias paulistas remonta a esquema de irregularidades envolvendo contratos da área de mobilidade em São Paulo nas gestões do PSDB no Estado. O crime revelado nos últimos dias pela própria Ecovias soma-se a um dos principais escândalos que abrangem o tucanato paulista, o da Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A), autarquia atualmente extinta e que era responsável pela construção e gestão de rodovias paulistas.

O caso tem como pivô Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, ex-diretor da Dersa, tido como operador de propinas pagas por empresas a políticos do PSDB estadual. Condenado em ações no âmbito da Operação Lava Jato, Paulo Preto estava preso até o mês passado, quando teve o direito a cumprir a pena em regime domiciliar por ter 71 anos e, portanto, integrar o grupo de risco ao contágio do novo coronavírus.

Paulo Preto é acusado de desviar verbas destinadas às desapropriações das obras do Rodoanel Mário Covas. Um desses processos, inclusive, cita suspeita de superfaturamento no pagamento de indenizações e conta como réu o engenheiro Delson José Amador, então superintendente da Dersa, ex-dirigente do DER (Departamento de Estradas de Rodagem) e hoje secretário de Transportes e Vias Públicas do governo do prefeito de São Bernardo, Orlando Morando (PSDB), como mostrou o Diário em janeiro. O episódio específico do aliado de Morando trata-se de terreno na Zona Sul da Capital para passagem do Trecho Sul, que corta o Grande ABC. Ao todo, a Dersa pagou R$ 5,5 milhões à empresa proprietária da área, valor R$ 3,4 milhões maior do que a quantia estipulada em laudos. Delson nega as acusações.

Na segunda-feira, a Ecovias assinou acordo de delação com a Promotoria visando ressarcir aos cofres R$ 650 milhões por formar conluio com outras companhias – algumas que sequer tinham condições técnicas para assumir os serviços – a fim de burlar concorrências e abocanhar contratos de concessão fechados desde 1998, período que atravessa as gestões dos tucanos Mário Covas, José Serra e Geraldo Alckmin. O trato ainda carece de homologação da Justiça.

O MP não revelou detalhes da investigação envolvendo o cartel da Ecovias. Por meio de nota, a Ecovias destacou que “reafirma seu compromisso com o crescimento sustentável e com transparência em todas as suas relações profissionais”.

TRENS E METRÔS
As gestões do PSDB à frente do Palácio dos Bandeirantes também registram esquema de cartel para obras de trens e metrôs, delatados pela Siemens, e que levou à responsabilização, por parte do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), de dezenas de outras empresas que participaram do conluio. Sobre o caso, o governo paulista se escorava no discurso de que o cartel era formado pelas empresas e que, portanto, não tinham participação da administração estadual.  

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