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Taxas longas fecham em queda firme com exterior, recuo do dólar e mensagem do BC



08/04/2020 | 18:16


Os juros futuros de longo prazo ampliaram a trajetória de queda durante a tarde, renovando mínimas na reta final da sessão regular, em linha com o aumento do apetite por ativos de risco no exterior na etapa vespertina. A melhora no humor já vinha do começo da tarde, com o anúncio da desistência de Bernie Sanders de participar da disputa pela Casa Branca, e ganhou força após a divulgação da ata do Federal Reserve e da disparada nos preços do petróleo. O dólar em queda firme e declarações do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, lidas como sinais de que a autoridade monetária deve optar por alívio mais brando na Selic também ajudaram a curva a perder inclinação. Os juros curtos sustentaram viés de alta por toda a sessão, mas já nos últimos minutos do pregão migraram para a estabilidade.

O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 fechou com taxa de 3,205%, ante 3,208% ontem no ajuste, e a do DI para janeiro de 2022 caiu de 4,061% para 4,02%. O DI para janeiro de 2027 terminou com taxa de 7,60%, de 7,742%. O dólar fechou em R$ 5,1430 no mercado à vista.

Enquanto os DIs curtos sustentaram sinal positivo desde cedo, os longos mostravam alta moderada pela manhã alinhados à pressão no câmbio, mas depois viraram para queda quando o dólar também passou a cair. E assim, conduzidos pelo exterior e pela moeda, percorreram o dia. Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset, vê o movimento das taxas também como correção ainda não finalizada da "estilingada" do trecho longo após a explosão da pandemia no Brasil em meados de março. "A curva ainda não devolveu a pancada", disse, lembrando que a mensagem do Banco Central, de que há pouco espaço para novos cortes da Selic, ajuda nesse movimento de ajuste.

Pela comunicação do BC o ciclo de afrouxamento não deve avançar muito mais, tanto pelas declarações de Campos Neto a respeito do câmbio - "podemos atuar muito mais forte do que temos feito até então" - como por suas preocupações com a ponta longa da curva de juros reiteradamente enfatizadas. "Neste momento, a curva de DI muito inclinada acaba distorcendo o crédito", disse, em evento virtual "Conversa com Campos Neto", promovido pelo Credit Suisse.

Entre os indicadores, a quarta-feira trouxe a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) mostrando queda de 1% em fevereiro ante janeiro, pior do que indicava o piso das estimativas coletadas pelo Projeções Broadcast (-0,70%). Assim como os do varejo ontem, o número não conseguiu mexer com as taxas porque o que importa agora para o mercado são os indicadores a partir de março, que mudaram totalmente o panorama da economia nos próximos meses.



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Taxas longas fecham em queda firme com exterior, recuo do dólar e mensagem do BC


08/04/2020 | 18:16


Os juros futuros de longo prazo ampliaram a trajetória de queda durante a tarde, renovando mínimas na reta final da sessão regular, em linha com o aumento do apetite por ativos de risco no exterior na etapa vespertina. A melhora no humor já vinha do começo da tarde, com o anúncio da desistência de Bernie Sanders de participar da disputa pela Casa Branca, e ganhou força após a divulgação da ata do Federal Reserve e da disparada nos preços do petróleo. O dólar em queda firme e declarações do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, lidas como sinais de que a autoridade monetária deve optar por alívio mais brando na Selic também ajudaram a curva a perder inclinação. Os juros curtos sustentaram viés de alta por toda a sessão, mas já nos últimos minutos do pregão migraram para a estabilidade.

O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 fechou com taxa de 3,205%, ante 3,208% ontem no ajuste, e a do DI para janeiro de 2022 caiu de 4,061% para 4,02%. O DI para janeiro de 2027 terminou com taxa de 7,60%, de 7,742%. O dólar fechou em R$ 5,1430 no mercado à vista.

Enquanto os DIs curtos sustentaram sinal positivo desde cedo, os longos mostravam alta moderada pela manhã alinhados à pressão no câmbio, mas depois viraram para queda quando o dólar também passou a cair. E assim, conduzidos pelo exterior e pela moeda, percorreram o dia. Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset, vê o movimento das taxas também como correção ainda não finalizada da "estilingada" do trecho longo após a explosão da pandemia no Brasil em meados de março. "A curva ainda não devolveu a pancada", disse, lembrando que a mensagem do Banco Central, de que há pouco espaço para novos cortes da Selic, ajuda nesse movimento de ajuste.

Pela comunicação do BC o ciclo de afrouxamento não deve avançar muito mais, tanto pelas declarações de Campos Neto a respeito do câmbio - "podemos atuar muito mais forte do que temos feito até então" - como por suas preocupações com a ponta longa da curva de juros reiteradamente enfatizadas. "Neste momento, a curva de DI muito inclinada acaba distorcendo o crédito", disse, em evento virtual "Conversa com Campos Neto", promovido pelo Credit Suisse.

Entre os indicadores, a quarta-feira trouxe a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) mostrando queda de 1% em fevereiro ante janeiro, pior do que indicava o piso das estimativas coletadas pelo Projeções Broadcast (-0,70%). Assim como os do varejo ontem, o número não conseguiu mexer com as taxas porque o que importa agora para o mercado são os indicadores a partir de março, que mudaram totalmente o panorama da economia nos próximos meses.

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