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Investigação profunda


Do Diário do Grande ABC

07/04/2020 | 23:59


Ao ser flagrada em “tenebrosas transações”, como bem definia a letra de Vai Passar, um dos clássicos de Chico Buarque, a Ecovias, concessionária que administra as estradas do Sistema Anchieta-Imigrantes, decidiu fechar acordo de R$ 650 milhões com o Ministério Público de São Paulo para escapar da responsabilização penal por ter, reiteradamente, pago propina para vencer as concorrências públicas de fachada promovidas pelos governos do PSDB. Não é a primeira vez que empresas do grupo EcoRodovias, ao qual pertence, recorrem ao expediente. Foi a mesma coisa quando esquema parecido foi flagrado no Paraná. No Sul, gastou R$ 400 milhões.

A montanha de dinheiro – mais de um bilhão de reais! – dá ideia do nível de corrupção envolvida na terceirização de estradas paulistas e paranaenses. No caso de São Paulo, é certo que a verba deve ter sido pulverizada entre apaniguados dos governadores Mário Covas, Geraldo Alckmin e José Serra. É preciso identificar quem são esses políticos. Eles têm de pagar por terem lesado a sociedade. O acordo com a Ecovias não deve ser apenas pecuniário. É necessário resgatar a credibilidade das concessões públicas, instrumento importante para garantir a qualidade dos serviços. Tal objetivo, porém, não será alcançado sem que seja promovida ampla investigação para apontar, um por um, todos os envolvidos neste assalto aos cofres estaduais.

No fato relevante em que, na noite de segunda-feira, comunicou ao mercado o acordo fechado com o MP, a empresa que pagou propina a engravatados tucanos cita “compromisso com a integridade”. Que a responsabilidade transborde das palavras para as ações e a concessionária entregue às autoridades os nomes de todos os políticos que, por décadas, locupletaram-se do esquema criminoso que, em última instância, obriga os motoristas a pagarem R$ 27,40, o maior preço nominal cobrado pelo serviço em estradas brasileiras, a cada vez que passam por um pedágio do SAI. Seria maneira ainda mais digna de mostrar que, de fato, está arrependida das transgressões penais que cometeu. 



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Investigação profunda

Do Diário do Grande ABC

07/04/2020 | 23:59


Ao ser flagrada em “tenebrosas transações”, como bem definia a letra de Vai Passar, um dos clássicos de Chico Buarque, a Ecovias, concessionária que administra as estradas do Sistema Anchieta-Imigrantes, decidiu fechar acordo de R$ 650 milhões com o Ministério Público de São Paulo para escapar da responsabilização penal por ter, reiteradamente, pago propina para vencer as concorrências públicas de fachada promovidas pelos governos do PSDB. Não é a primeira vez que empresas do grupo EcoRodovias, ao qual pertence, recorrem ao expediente. Foi a mesma coisa quando esquema parecido foi flagrado no Paraná. No Sul, gastou R$ 400 milhões.

A montanha de dinheiro – mais de um bilhão de reais! – dá ideia do nível de corrupção envolvida na terceirização de estradas paulistas e paranaenses. No caso de São Paulo, é certo que a verba deve ter sido pulverizada entre apaniguados dos governadores Mário Covas, Geraldo Alckmin e José Serra. É preciso identificar quem são esses políticos. Eles têm de pagar por terem lesado a sociedade. O acordo com a Ecovias não deve ser apenas pecuniário. É necessário resgatar a credibilidade das concessões públicas, instrumento importante para garantir a qualidade dos serviços. Tal objetivo, porém, não será alcançado sem que seja promovida ampla investigação para apontar, um por um, todos os envolvidos neste assalto aos cofres estaduais.

No fato relevante em que, na noite de segunda-feira, comunicou ao mercado o acordo fechado com o MP, a empresa que pagou propina a engravatados tucanos cita “compromisso com a integridade”. Que a responsabilidade transborde das palavras para as ações e a concessionária entregue às autoridades os nomes de todos os políticos que, por décadas, locupletaram-se do esquema criminoso que, em última instância, obriga os motoristas a pagarem R$ 27,40, o maior preço nominal cobrado pelo serviço em estradas brasileiras, a cada vez que passam por um pedágio do SAI. Seria maneira ainda mais digna de mostrar que, de fato, está arrependida das transgressões penais que cometeu. 

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