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No Rio de Janeiro, enterros ficaram mais rápidos e sem abraços

Tomaz Silva/ Fotos Públicas  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


03/04/2020 | 07:40


Apenas quatro familiares acompanharam, na tarde de quarta-feira (2), o enterro de Nazareno Costa, de 72 anos, no Cemitério São Francisco Xavier, no Caju (região portuária do Rio). Os coveiros vestiam luvas, máscaras e outros equipamentos de proteção. Costa morreu com suspeita de covid-19. O enterro, realizado antes de o resultado do exame ficar pronto e confirmar ou descartar a contaminação, exigiu os cuidados especiais.

"Os coveiros estavam parecendo astronautas", disse o pastor Ismael China, amigo da família e convidado a prestar assistência espiritual. "Normalmente a gente encheria dois ônibus com amigos e familiares e traria ao cemitério para acompanhar a cerimônia, mas nessa situação não dá, seria perigoso."

Integrante da Assembleia de Deus Ministério Plantar, no Jacarezinho (zona norte do Rio), China lamentou que a suspeita de contaminação tenha impedido amigos de se despedir de Nazareno e impossibilitado os abraços de consolo. "Acompanhei vários velórios e enterros nas últimas semanas, e este é o primeiro envolvendo alguém suspeito de ter morrido por coronavírus. Todo enterro é triste, mas essa situação é diferente, pior ainda. É uma pena, não tem aquele momento afetivo, não podemos cumprimentar as pessoas", afirmou.

"Os familiares que conviveram com o senhor Nazareno nos últimos dias, antes de ele adoecer, continuam tensos, porque não sabem se foram contaminados. E a mulher dele é idosa", completou ele.

Segundo China, Costa morava em Belford Roxo, na região metropolitana do Rio. "No sábado a filha dele, Patrícia, me ligou contando que o pai estava doente e havia sido internado. Em três dias seu Nazareno morreu", narrou. "Ele teve gripe, e tudo leva a crer que foi mesmo o coronavírus." Abalada, a família de Costa preferiu não conversar com a reportagem.

Velório pela internet

Para evitar o risco de contaminação, o Cemitério da Penitência, vizinho do São Francisco Xavier, oferece o velório virtual, criado antes da pandemia. O pacote inclui cerimonial com projeção de vídeo com mensagens de despedida, pétalas de rosa e gelo seco, em capela para até 150 pessoas. Tudo custava R$ 4,5 mil ou R$ 5,5 mil, conforme a capela escolhida, mas até 30 de abril a parte virtual não será cobrada.

Em março, o número de velórios online aumentou 33% em relação a fevereiro. O serviço de cremação cresceu 44,4%. Com base nos atestados de óbito, a administração do cemitério informou que em março atendeu nove casos confirmados e quatro suspeitos de covid-19.

O cemitério também restringiu o tempo de duração dos velórios. Agora, devem ocorrer em no máximo duas horas e para casos suspeitos de covid-19 em uma hora. Nesses, as cerimônias são em tendas abertas, com o caixão fechado. O visor pode ficar aberto por 30 minutos, mas com um vidro de proteção interna que evita contato do corpo com o ambiente. Em casos confirmados da doença, o corpo é cremado, sem velório.

Outras medidas adotadas foram aumentar a oferta de álcool em gel; distanciamento entre as cadeiras na capela; permitir o acesso à capela de apenas dez pessoas por vez; e orientar que só uma pessoa de cada vez tenha acesso ao caixão.

A concessionária Rio Pax, que administra seis cemitérios, entre eles o de São João Batista, em Botafogo (zona sul), passou a recomendar velório a céu aberto, com poucos familiares, em casos de covid-19. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



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No Rio de Janeiro, enterros ficaram mais rápidos e sem abraços


03/04/2020 | 07:40


Apenas quatro familiares acompanharam, na tarde de quarta-feira (2), o enterro de Nazareno Costa, de 72 anos, no Cemitério São Francisco Xavier, no Caju (região portuária do Rio). Os coveiros vestiam luvas, máscaras e outros equipamentos de proteção. Costa morreu com suspeita de covid-19. O enterro, realizado antes de o resultado do exame ficar pronto e confirmar ou descartar a contaminação, exigiu os cuidados especiais.

"Os coveiros estavam parecendo astronautas", disse o pastor Ismael China, amigo da família e convidado a prestar assistência espiritual. "Normalmente a gente encheria dois ônibus com amigos e familiares e traria ao cemitério para acompanhar a cerimônia, mas nessa situação não dá, seria perigoso."

Integrante da Assembleia de Deus Ministério Plantar, no Jacarezinho (zona norte do Rio), China lamentou que a suspeita de contaminação tenha impedido amigos de se despedir de Nazareno e impossibilitado os abraços de consolo. "Acompanhei vários velórios e enterros nas últimas semanas, e este é o primeiro envolvendo alguém suspeito de ter morrido por coronavírus. Todo enterro é triste, mas essa situação é diferente, pior ainda. É uma pena, não tem aquele momento afetivo, não podemos cumprimentar as pessoas", afirmou.

"Os familiares que conviveram com o senhor Nazareno nos últimos dias, antes de ele adoecer, continuam tensos, porque não sabem se foram contaminados. E a mulher dele é idosa", completou ele.

Segundo China, Costa morava em Belford Roxo, na região metropolitana do Rio. "No sábado a filha dele, Patrícia, me ligou contando que o pai estava doente e havia sido internado. Em três dias seu Nazareno morreu", narrou. "Ele teve gripe, e tudo leva a crer que foi mesmo o coronavírus." Abalada, a família de Costa preferiu não conversar com a reportagem.

Velório pela internet

Para evitar o risco de contaminação, o Cemitério da Penitência, vizinho do São Francisco Xavier, oferece o velório virtual, criado antes da pandemia. O pacote inclui cerimonial com projeção de vídeo com mensagens de despedida, pétalas de rosa e gelo seco, em capela para até 150 pessoas. Tudo custava R$ 4,5 mil ou R$ 5,5 mil, conforme a capela escolhida, mas até 30 de abril a parte virtual não será cobrada.

Em março, o número de velórios online aumentou 33% em relação a fevereiro. O serviço de cremação cresceu 44,4%. Com base nos atestados de óbito, a administração do cemitério informou que em março atendeu nove casos confirmados e quatro suspeitos de covid-19.

O cemitério também restringiu o tempo de duração dos velórios. Agora, devem ocorrer em no máximo duas horas e para casos suspeitos de covid-19 em uma hora. Nesses, as cerimônias são em tendas abertas, com o caixão fechado. O visor pode ficar aberto por 30 minutos, mas com um vidro de proteção interna que evita contato do corpo com o ambiente. Em casos confirmados da doença, o corpo é cremado, sem velório.

Outras medidas adotadas foram aumentar a oferta de álcool em gel; distanciamento entre as cadeiras na capela; permitir o acesso à capela de apenas dez pessoas por vez; e orientar que só uma pessoa de cada vez tenha acesso ao caixão.

A concessionária Rio Pax, que administra seis cemitérios, entre eles o de São João Batista, em Botafogo (zona sul), passou a recomendar velório a céu aberto, com poucos familiares, em casos de covid-19. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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