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Covid-19 mata piloto sem comorbidade

Celso Luiz/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Andreense de 44 anos é mais uma das vítimas da doença; namorada assegura que ele era saudável antes de contrair o novo coronavírus


Bia Moço
Do Diário do Grande ABC

02/04/2020 | 23:04


Não é novidade que a evolução do novo coronavírus desestrutura teorias que tentam explicar a disseminação da doença. Até agora as estatísticas, sobretudo de mortes, seguem padrão mostrando que são acometidas, em sua maioria, pessoas que estão dentro dos grupos de risco, entretanto, a região registrou caso que quebra essa regra. O empresário e piloto César Augusto Visconti, que completaria 44 anos hoje, morreu no dia 30, após seis dias de internação na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital São Luiz de São Caetano. Sem nenhum fator de risco, o morador de Santo André mostra que a Covid-19 não segue padrões.

A namorada de Visconti, Fernanda Lopes Credidio, 39, concedeu entrevista ao Diário, onde relatou o drama vivido pelo empresário durante os 14 dias de evolução do vírus. Moradora de São Bernardo, a advogada está em isolamento total, junto de seus dois filhos, Gustavo, 11, e Beatriz, 7.

Segundo os relatos de Fernanda, no dia 16 o empresário começou a sentir os primeiros sintomas, como tosse seca e mal-estar. “Não pensamos, em momento algum, que poderia ser o (novo) coronavírus, porque o César não fazia parte de nenhum grupo de risco”, relembrou. O empresário chegou a ir ao médico, mas foi diagnosticado com tosse alérgica, cerca de 15 dias antes de morrer.

Oito dias depois, no dia 24, Visconti deu entrada no hospital. Com dores no peito e falta de ar, o empresário foi encaminhado à internação da UTI, já que o quadro fez com que os médicos desconfiassem da Covid-19. No dia seguinte, César ligou para Fernanda avisando que seria entubado, já que apresentava piora. “Me desesperei. Ele disse que, caso acontecesse o pior, queria que suas cinzas fossem jogadas no autódromo de Interlagos”, relembrou a advogada. “Foi a última vez que nos falamos”, lamentou.

Cinco dias depois da entubação, às 16h50 do dia 30, o hospital constatou a morte do empresário. A advogada reclama que não houve orientação. “Sei que sou uma transmissora, já que estava com ele antes de ser internado. Mas ninguém da saúde me procurou para dar instruções e fazer um teste”, desabafou, garantindo que não tem sintomas.

A família se diz “revoltada” sobretudo porque o caso foi divulgado pela Secretaria de Saúde do Estado como se o empresário fosse portador de doença preexistente. “Ele nunca teve nada. Nenhuma doença”, reforçou Fernanda.

O empresário, que também trabalhava como instrutor de pilotagem, deixa uma filha, Yasmim, 15, e seus pais idosos. “Que a morte dele sirva de alerta para população. Somos todos vulneráveis”, frisou a namorada.

Perdi meu herói, diz filho do empresário Andreoli

O empresário de Santo André Carlos Eduardo Andreoli, 59 anos, morreu no dia 27 sob suspeita de ter sido contaminado pela Covid-19. O filho do andreense, Reinner Andreoli, 30, gravou vídeo para o Diário relatando a rápida evolução do quadro do pai, lamentando a perda de seu “herói”.

Segundo Reinner, os sintomas começaram com ele, no dia 21, quando notou que tinha perdido o olfato e paladar, assim como a irmã, Giovanna, 23, que teve a mesma manifestação logo na sequência. “Até então, meu pai estava bem. Ele começou a apresentar os primeiros sintomas a partir do dia 23, segunda-feira, com tosse seca e febre baixa”, relembrou. Na quarta-feira de manhã, o filho levou o pai ao Hospital Santa Helena, em Santo André, onde uma tomografia apontou que os dois pulmões estavam comprometidos pela doença. Andreoli foi entubado e transferido para o Hospital Santa Clara, na Vila Matilde, em São Paulo.

Em dois dias, o empresário teve a morte constatada. “Na quinta-feira fui ao hospital buscar o boletim médico e o quadro do meu pai já era delicado. Na sexta-feira, pela manhã, o hospital ligou pedindo que um familiar fosse até lá e soubemos que às 9h40 ele tinha morrido”, contou Reinner.

A mulher do empresário, Maristela Andreoli, 58, também sofreu consequências da doença. No dia seguinte da morte do marido ela foi internada com 25% dos pulmões comprometidos. “Graças a Deus minha mãe respondeu bem ao tratamento e teve alta. Ela está em casa se recuperando”, afirmou Reinner, explicando que ele e a irmã já se sentem bem.

“O que eu posso falar agora é para as pessoas que puderem, que fiquem em casa. Que possam se cuidar e cuidar dos seus familiares”, orientou o jovem. “Tenho muito orgulho de o ter tido como pai”, finalizou Reinner.



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Covid-19 mata piloto sem comorbidade

Andreense de 44 anos é mais uma das vítimas da doença; namorada assegura que ele era saudável antes de contrair o novo coronavírus

Bia Moço
Do Diário do Grande ABC

02/04/2020 | 23:04


Não é novidade que a evolução do novo coronavírus desestrutura teorias que tentam explicar a disseminação da doença. Até agora as estatísticas, sobretudo de mortes, seguem padrão mostrando que são acometidas, em sua maioria, pessoas que estão dentro dos grupos de risco, entretanto, a região registrou caso que quebra essa regra. O empresário e piloto César Augusto Visconti, que completaria 44 anos hoje, morreu no dia 30, após seis dias de internação na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital São Luiz de São Caetano. Sem nenhum fator de risco, o morador de Santo André mostra que a Covid-19 não segue padrões.

A namorada de Visconti, Fernanda Lopes Credidio, 39, concedeu entrevista ao Diário, onde relatou o drama vivido pelo empresário durante os 14 dias de evolução do vírus. Moradora de São Bernardo, a advogada está em isolamento total, junto de seus dois filhos, Gustavo, 11, e Beatriz, 7.

Segundo os relatos de Fernanda, no dia 16 o empresário começou a sentir os primeiros sintomas, como tosse seca e mal-estar. “Não pensamos, em momento algum, que poderia ser o (novo) coronavírus, porque o César não fazia parte de nenhum grupo de risco”, relembrou. O empresário chegou a ir ao médico, mas foi diagnosticado com tosse alérgica, cerca de 15 dias antes de morrer.

Oito dias depois, no dia 24, Visconti deu entrada no hospital. Com dores no peito e falta de ar, o empresário foi encaminhado à internação da UTI, já que o quadro fez com que os médicos desconfiassem da Covid-19. No dia seguinte, César ligou para Fernanda avisando que seria entubado, já que apresentava piora. “Me desesperei. Ele disse que, caso acontecesse o pior, queria que suas cinzas fossem jogadas no autódromo de Interlagos”, relembrou a advogada. “Foi a última vez que nos falamos”, lamentou.

Cinco dias depois da entubação, às 16h50 do dia 30, o hospital constatou a morte do empresário. A advogada reclama que não houve orientação. “Sei que sou uma transmissora, já que estava com ele antes de ser internado. Mas ninguém da saúde me procurou para dar instruções e fazer um teste”, desabafou, garantindo que não tem sintomas.

A família se diz “revoltada” sobretudo porque o caso foi divulgado pela Secretaria de Saúde do Estado como se o empresário fosse portador de doença preexistente. “Ele nunca teve nada. Nenhuma doença”, reforçou Fernanda.

O empresário, que também trabalhava como instrutor de pilotagem, deixa uma filha, Yasmim, 15, e seus pais idosos. “Que a morte dele sirva de alerta para população. Somos todos vulneráveis”, frisou a namorada.

Perdi meu herói, diz filho do empresário Andreoli

O empresário de Santo André Carlos Eduardo Andreoli, 59 anos, morreu no dia 27 sob suspeita de ter sido contaminado pela Covid-19. O filho do andreense, Reinner Andreoli, 30, gravou vídeo para o Diário relatando a rápida evolução do quadro do pai, lamentando a perda de seu “herói”.

Segundo Reinner, os sintomas começaram com ele, no dia 21, quando notou que tinha perdido o olfato e paladar, assim como a irmã, Giovanna, 23, que teve a mesma manifestação logo na sequência. “Até então, meu pai estava bem. Ele começou a apresentar os primeiros sintomas a partir do dia 23, segunda-feira, com tosse seca e febre baixa”, relembrou. Na quarta-feira de manhã, o filho levou o pai ao Hospital Santa Helena, em Santo André, onde uma tomografia apontou que os dois pulmões estavam comprometidos pela doença. Andreoli foi entubado e transferido para o Hospital Santa Clara, na Vila Matilde, em São Paulo.

Em dois dias, o empresário teve a morte constatada. “Na quinta-feira fui ao hospital buscar o boletim médico e o quadro do meu pai já era delicado. Na sexta-feira, pela manhã, o hospital ligou pedindo que um familiar fosse até lá e soubemos que às 9h40 ele tinha morrido”, contou Reinner.

A mulher do empresário, Maristela Andreoli, 58, também sofreu consequências da doença. No dia seguinte da morte do marido ela foi internada com 25% dos pulmões comprometidos. “Graças a Deus minha mãe respondeu bem ao tratamento e teve alta. Ela está em casa se recuperando”, afirmou Reinner, explicando que ele e a irmã já se sentem bem.

“O que eu posso falar agora é para as pessoas que puderem, que fiquem em casa. Que possam se cuidar e cuidar dos seus familiares”, orientou o jovem. “Tenho muito orgulho de o ter tido como pai”, finalizou Reinner.

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