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No Grande ABC, feiras já sentem os reflexos do isolamento social

 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Com avanço da Covid-19, clientela deixou de ir às compras; sindicato é contra suspensão e Estado recomenda manutenção da atividade


Flavia Kurotori
Do Diário do Grande ABC

26/03/2020 | 00:07


Após início da quarentena preventiva ao novo coronavírus, as prefeituras começaram a suspender temporariamente as feiras livres, como é o caso de Santo André (desde segunda-feira), São Bernardo (a partir de sábado) e Ribeirão Pires (a partir de amanhã). Entretanto, desde a última semana, quando orientação de isolamento já estava sendo dada, o movimento nas barracas caiu em média 50%, conforme o Sindicato dos Feirantes ABDMRP (Santo André, São Bernardo, Diadema, Mauá e Ribeirão Pires). Atualmente, são cerca de 2.000 feirantes na região, dos quais pelo menos metade deve parar.

“É difícil estimar as perdas para o setor. Interfere não só na renda familiar dos feirantes, mas também na perda de produtos que já estavam comprados”, explicou Odair Roberto Loureiro, presidente do sindicato. “É lógico que temos que pensar na vida das pessoas em primeiro lugar, os idosos não podem vir (à feira), porém, os filhos e netos podem, assim como está sendo feito nos supermercados. A feira é meio importante de abastecimento e tem locais onde é essencial.”

Para Loureiro, solução seria manter as feiras livres em rodízio, ou seja, montar apenas uma barraca de cada segmento por semana. “Se monto minha barraca (de banana, frutas, verduras ou carnes, por exemplo) na feira de determinado bairro hoje, meu concorrente monta na mesma feira na semana que vem, isso permitiria maior distanciamento entre as barracas e não sofreríamos tanto prejuízo até a situação normalizar”, afirmou. Como ainda não há certeza de quando o cenário mudará, o representante da categoria diz que não é possível estimar prejuízos financeiros e se haverá demissões.

A feirante Simone Lopes de Amorim, proprietária de banca de frutas em São Caetano, também observou que a procura caiu pela metade nos últimos dias e que, embora a orientação seja para que os idosos não saiam de casa, muitos ainda circulam entre as barracas. “Vemos muitos filhos e outros familiares vindo comprar para os mais velhos, mas alguns (idosos) insistem em vir (à feira) porque querem sair de casa”, assinalou.

Na cidade, não há decreto para suspensão das feiras, o que é um alívio para Simone. “Temos contas para pagar e não é só a renda da minha família que é afetada, mas também a dos três funcionários que mantemos”, detalhou. Na barraca, todos os colaboradores estão adotando precauções para evitar contaminação pelo novo coronavírus, tais como uso de luvas, máscara e álcool gel.

Proprietário de barraca de verduras em São Bernardo, onde as feiras estão permitidas até amanhã, Jânio Aureliano de Santana afirmou que não gostaria de parar de trabalhar, contudo, entende a necessidade da medida. “Ficamos com medo da doença. Percebemos que muitas pessoas não sabem da gravidade da Covid-19 e não tomam os cuidados necessários”, relatou.

Na semana passada, as vendas na banca de Aureliano aumentaram em 30%. “As pessoas começaram a ficar em casa e acabaram indo fazer feira, comprando um pouco a mais para guardar. Tanto que nesta semana a procura normalizou e tende a cair”, disse. Com ele, trabalham a mulher e quatro funcionários. “Ainda não deu tempo de planejarmos nada, e estou pagando pelo conserto de um caminhão que bati no início do ano. Poucos feirantes estão tranquilos (financeiramente) nesta situação.”

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado divulgou, ontem, nota recomendando a manutenção das feiras livres, além de sacolões. Gustavo Junqueira, secretário da pasta, defendeu que o setor não pode parar, desde que adote medidas para manter a população abastecida com segurança. “Temos defendido e tomado medidas para apoiar o setor, mantendo a geração de renda e empregos, e, ao mesmo tempo, zelando pela segurança e saúde de todos que atuam nessas atividades e dos próprios consumidores”, afirmou. A pasta encaminhou tal recomendação às prefeituras.

CVC reduz jornada de trabalho e salários para enfrentar crise

A CVC Corp, empresa de turismo sediada em Santo André, anunciou que, a partir de 1º de abril, irá adotar série de medidas para manter a saúde financeira da empresa em meio à pandemia do novo coronavírus. Uma delas é a redução de 50% da jornada de trabalho dos colaboradores, além de cortar 50% do salário de diretores executivos e conselheiros administrativos. Com isso, a companhia prevê gastos recorrentes, que incluem folha de pagamento, impostos e investimentos em projetos prioritários e juros da dívida, na ordem de R$ 50 milhões por mês.

As ações, previstas para durarem até 31 de maio, também incluem suspensão de contratações e promoções, congelamento de vagas, congelamento de banco de horas e proibição de horas extras adicionais, postergação de todos os projetos e investimentos não prioritários, suspensão de todos os investimentos em marketing e renegociação de termos e prazos de pagamento a fornecedores. Ao todo, a companhia emprega 3.000 pessoas em todo o País.

O comunicado, divulgado nesta semana, destacou que no fim do terceiro trimestre de 2019, a CVC Corp tinha posição de caixa e equivalentes de caixa de R$ 411,9 milhões, bem como um saldo de contas a receber de clientes de R$ 3,23 milhões. Destes, cerca de 55% são referentes a contratos de clientes que já realizaram a viagem. Além disso, a empresa tinha saldo de R$ 811 milhões em adiantamentos a fornecedores, que são a maior parte em bilhetes aéreos já pagos de viagens feitas, e saldo de R$ 745,5 milhões com fornecedores. Para tranquilizar os investidores, a companhia salientou que a maior parcela do endividamento tem vencimento a médio e longo prazos – de R$ 1,8 bilhão, R$ 613 milhões vencem em novembro.

HISTÓRICO
As ações da CVC Corp sofrem forte desvalorização desde o ano passado. A possibilidade de falhas contábeis, divulgada pela própria empresa em fato relevante no início deste mês, acentuou a turbulência enfrentada que já incluía efeitos de derrotas jurídicas e comerciais ao longo de 2019. Com a desvalorização dos papéis na bolsa, a companhia chegou a perder mais do dobro do valor de mercado. Dos R$ 6,53 bilhões do último pregão do ano passado, atingiu R$ 1,4 bilhão ontem.

O CEO da companhia, Luiz Fernando Fogaça, anunciou que vai renunciar ao cargo no dia 30. Ele será substituído por Leonel Andrade, executivo que foi diretor-presidente da Smiles, o programa de milhagens da Gol Linhas Aéreas. Ontem, as ações fecharam em R$ 9,35, alta de 11,59%.

Mesmo após fechamento, comércio segura demissões

Entidades responsáveis pelo comércio e shoppings da região afirmam que o setor não está demitindo, mesmo com decretos estadual e municipais de suspensão temporária das atividades em razão do novo coronavírus.

Segundo Tayllison Pereira dos Santos, coordenador administrativo do Sincomércio-ABC (Sindicato do Comércio Varejista do ABC), as empresas estão se adaptando dentro da medida provisória – aprovada nesta semana, cujo objetivo é facilitar as relações de trabalho em meio à pandemia – e convenção coletiva. “O setor jurídico está orientando que os comerciantes adotem sistema de banco de horas ou deem férias coletivas aos funcionários”, explicou. Ele afirmou que, até o momento, a entidade não tem ciência de demissões em nenhum estabelecimento da região.

A Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers) informou que também não há registro de demissões. Apenas destacou que, no Estado, 182 shoppings foram afetados pelos decretos, sendo 93 na Região Metropolitana.

SUPERMERCADOS
No Estado, o movimento presencial nas lojas dos supermercados está voltando ao seu ritmo normal. As vendas cresceram 18,2% na terça-feira, primeiro dia da quarentena determinada pelo governo estadual, em comparação com o dia 25 de fevereiro (também terça-feira). Segundo a Apas (Associação Paulista de Supermercados), o movimento foi similar ao da segunda-fera, indicando normalização da procura.



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No Grande ABC, feiras já sentem os reflexos do isolamento social

Com avanço da Covid-19, clientela deixou de ir às compras; sindicato é contra suspensão e Estado recomenda manutenção da atividade

Flavia Kurotori
Do Diário do Grande ABC

26/03/2020 | 00:07


Após início da quarentena preventiva ao novo coronavírus, as prefeituras começaram a suspender temporariamente as feiras livres, como é o caso de Santo André (desde segunda-feira), São Bernardo (a partir de sábado) e Ribeirão Pires (a partir de amanhã). Entretanto, desde a última semana, quando orientação de isolamento já estava sendo dada, o movimento nas barracas caiu em média 50%, conforme o Sindicato dos Feirantes ABDMRP (Santo André, São Bernardo, Diadema, Mauá e Ribeirão Pires). Atualmente, são cerca de 2.000 feirantes na região, dos quais pelo menos metade deve parar.

“É difícil estimar as perdas para o setor. Interfere não só na renda familiar dos feirantes, mas também na perda de produtos que já estavam comprados”, explicou Odair Roberto Loureiro, presidente do sindicato. “É lógico que temos que pensar na vida das pessoas em primeiro lugar, os idosos não podem vir (à feira), porém, os filhos e netos podem, assim como está sendo feito nos supermercados. A feira é meio importante de abastecimento e tem locais onde é essencial.”

Para Loureiro, solução seria manter as feiras livres em rodízio, ou seja, montar apenas uma barraca de cada segmento por semana. “Se monto minha barraca (de banana, frutas, verduras ou carnes, por exemplo) na feira de determinado bairro hoje, meu concorrente monta na mesma feira na semana que vem, isso permitiria maior distanciamento entre as barracas e não sofreríamos tanto prejuízo até a situação normalizar”, afirmou. Como ainda não há certeza de quando o cenário mudará, o representante da categoria diz que não é possível estimar prejuízos financeiros e se haverá demissões.

A feirante Simone Lopes de Amorim, proprietária de banca de frutas em São Caetano, também observou que a procura caiu pela metade nos últimos dias e que, embora a orientação seja para que os idosos não saiam de casa, muitos ainda circulam entre as barracas. “Vemos muitos filhos e outros familiares vindo comprar para os mais velhos, mas alguns (idosos) insistem em vir (à feira) porque querem sair de casa”, assinalou.

Na cidade, não há decreto para suspensão das feiras, o que é um alívio para Simone. “Temos contas para pagar e não é só a renda da minha família que é afetada, mas também a dos três funcionários que mantemos”, detalhou. Na barraca, todos os colaboradores estão adotando precauções para evitar contaminação pelo novo coronavírus, tais como uso de luvas, máscara e álcool gel.

Proprietário de barraca de verduras em São Bernardo, onde as feiras estão permitidas até amanhã, Jânio Aureliano de Santana afirmou que não gostaria de parar de trabalhar, contudo, entende a necessidade da medida. “Ficamos com medo da doença. Percebemos que muitas pessoas não sabem da gravidade da Covid-19 e não tomam os cuidados necessários”, relatou.

Na semana passada, as vendas na banca de Aureliano aumentaram em 30%. “As pessoas começaram a ficar em casa e acabaram indo fazer feira, comprando um pouco a mais para guardar. Tanto que nesta semana a procura normalizou e tende a cair”, disse. Com ele, trabalham a mulher e quatro funcionários. “Ainda não deu tempo de planejarmos nada, e estou pagando pelo conserto de um caminhão que bati no início do ano. Poucos feirantes estão tranquilos (financeiramente) nesta situação.”

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado divulgou, ontem, nota recomendando a manutenção das feiras livres, além de sacolões. Gustavo Junqueira, secretário da pasta, defendeu que o setor não pode parar, desde que adote medidas para manter a população abastecida com segurança. “Temos defendido e tomado medidas para apoiar o setor, mantendo a geração de renda e empregos, e, ao mesmo tempo, zelando pela segurança e saúde de todos que atuam nessas atividades e dos próprios consumidores”, afirmou. A pasta encaminhou tal recomendação às prefeituras.

CVC reduz jornada de trabalho e salários para enfrentar crise

A CVC Corp, empresa de turismo sediada em Santo André, anunciou que, a partir de 1º de abril, irá adotar série de medidas para manter a saúde financeira da empresa em meio à pandemia do novo coronavírus. Uma delas é a redução de 50% da jornada de trabalho dos colaboradores, além de cortar 50% do salário de diretores executivos e conselheiros administrativos. Com isso, a companhia prevê gastos recorrentes, que incluem folha de pagamento, impostos e investimentos em projetos prioritários e juros da dívida, na ordem de R$ 50 milhões por mês.

As ações, previstas para durarem até 31 de maio, também incluem suspensão de contratações e promoções, congelamento de vagas, congelamento de banco de horas e proibição de horas extras adicionais, postergação de todos os projetos e investimentos não prioritários, suspensão de todos os investimentos em marketing e renegociação de termos e prazos de pagamento a fornecedores. Ao todo, a companhia emprega 3.000 pessoas em todo o País.

O comunicado, divulgado nesta semana, destacou que no fim do terceiro trimestre de 2019, a CVC Corp tinha posição de caixa e equivalentes de caixa de R$ 411,9 milhões, bem como um saldo de contas a receber de clientes de R$ 3,23 milhões. Destes, cerca de 55% são referentes a contratos de clientes que já realizaram a viagem. Além disso, a empresa tinha saldo de R$ 811 milhões em adiantamentos a fornecedores, que são a maior parte em bilhetes aéreos já pagos de viagens feitas, e saldo de R$ 745,5 milhões com fornecedores. Para tranquilizar os investidores, a companhia salientou que a maior parcela do endividamento tem vencimento a médio e longo prazos – de R$ 1,8 bilhão, R$ 613 milhões vencem em novembro.

HISTÓRICO
As ações da CVC Corp sofrem forte desvalorização desde o ano passado. A possibilidade de falhas contábeis, divulgada pela própria empresa em fato relevante no início deste mês, acentuou a turbulência enfrentada que já incluía efeitos de derrotas jurídicas e comerciais ao longo de 2019. Com a desvalorização dos papéis na bolsa, a companhia chegou a perder mais do dobro do valor de mercado. Dos R$ 6,53 bilhões do último pregão do ano passado, atingiu R$ 1,4 bilhão ontem.

O CEO da companhia, Luiz Fernando Fogaça, anunciou que vai renunciar ao cargo no dia 30. Ele será substituído por Leonel Andrade, executivo que foi diretor-presidente da Smiles, o programa de milhagens da Gol Linhas Aéreas. Ontem, as ações fecharam em R$ 9,35, alta de 11,59%.

Mesmo após fechamento, comércio segura demissões

Entidades responsáveis pelo comércio e shoppings da região afirmam que o setor não está demitindo, mesmo com decretos estadual e municipais de suspensão temporária das atividades em razão do novo coronavírus.

Segundo Tayllison Pereira dos Santos, coordenador administrativo do Sincomércio-ABC (Sindicato do Comércio Varejista do ABC), as empresas estão se adaptando dentro da medida provisória – aprovada nesta semana, cujo objetivo é facilitar as relações de trabalho em meio à pandemia – e convenção coletiva. “O setor jurídico está orientando que os comerciantes adotem sistema de banco de horas ou deem férias coletivas aos funcionários”, explicou. Ele afirmou que, até o momento, a entidade não tem ciência de demissões em nenhum estabelecimento da região.

A Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers) informou que também não há registro de demissões. Apenas destacou que, no Estado, 182 shoppings foram afetados pelos decretos, sendo 93 na Região Metropolitana.

SUPERMERCADOS
No Estado, o movimento presencial nas lojas dos supermercados está voltando ao seu ritmo normal. As vendas cresceram 18,2% na terça-feira, primeiro dia da quarentena determinada pelo governo estadual, em comparação com o dia 25 de fevereiro (também terça-feira). Segundo a Apas (Associação Paulista de Supermercados), o movimento foi similar ao da segunda-fera, indicando normalização da procura.

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