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Celso Daniel, centralizador ou aglutinador?

Dezoito anos após a sua morte, Celso Daniel (1951-2002) tem a figura pública ainda discutida, como demonstra o professor Alexandre Takara, orientador da Memória


Ademir Medici
Do Diário do Grande ABC

23/03/2020 | 00:01


Professor Takara está escrevendo livro com o título Subsídios para a História de Educação e Cultura no ABC, em que ressalta a figura de Celso Daniel.

Na opinião de Takara, Celso Daniel colocava a cidade de Santo André acima do partido, daí o slogan da sua primeira administração, ‘Direito à Cidade’ (1989-1992), não utilizado nas gestões seguintes.

Afirma o professor Takara: “Celso Daniel conseguiu aglutinar pessoas das mais diversas orientações políticas”. 

Trinta anos depois...

Texto: Alexandre Takara

Memória, de 29 de fevereiro, na seção Diário há 30 anos, traz uma crítica do PT à atuação do prefeito Celso Daniel:

- O prefeito Celso Daniel é centralizador – diz o diretório municipal do PT.

- Núcleos do partido enumeram problemas.

- O prefeito não ouve nem o partido nem a bancada – declara o vereador petista João Batista.

Na verdade, o prefeito foi um aglutinador. Numa questão de perspectiva: o PT e a bancada queriam ser ouvidos e ter acatadas suas decisões. 

O prefeito queria ouvir os moradores da cidade, mais do que o partido. Daí fundamentar-se no dístico ‘Direito à Cidade’ e criar o projeto ‘Santo André, Cidade Futuro’, infelizmente interrompido com a sua morte.

Tão importante foi esse projeto, que o Museu de Santo André Dr. Octaviano Armando Gaiarsa – informa a historiadora Suzana Kleeb – está organizando os documentos relativos a esse projeto, para colocá-los à disposição dos pesquisadores. 

Segundo a Suzana, a relação dos participantes desse projeto se compõe de operários e empresários, estudantes e professores, clientes e doutores, sindicatos de operários e entidades empresariais, ricos e pobres, moradores de periferia e dos bairros consolidados. 

Assim, se demonstra que a perspectiva de Celso Daniel era mais ampla do que a de seu partido, o PT.


São Paulo em debate 

Março de 1920. São Paulo, Capital, ganhava novo prefeito, Firmiano de Morais Pinto, posse registrada na primeira sessão preparatória do Senado Estadual, do qual fazia parte José Luiz Flaquer, o Dr. Flaquer de Santo André.

Ao mesmo tempo, um debate ocorria pelas páginas do jornal O Estado de S. Paulo.

Com o título ‘Do que São Paulo precisa’, Luiz Pereira Barreto defendia a arborização ou formosura da Capital. Escrevia ele, dirigindo-se ao novo prefeito: “É pecado mortal, ilustre dr. Firmiano, é erro imperdoável desprezar os nossos guapuruvús e preferir os desgraçados ligustros japônicos”.

Feijó Junior, citando outro intelectual, Milciades Porchat, rebatia: “Antes do plantio de árvores nas suas ruas e praças, é preciso arrasar os antros de perdição”.

O articulista referia-se às casas de prostituição, que tinham vários nomes:

- Casas de entrevistas

- Cabeças de serpentes

- Almofadismo

- Donjoanismo

- Melindrosas

Citando as nomenclaturas, Feijó Junior concluía: “Uma raça só será forte, física e intelectualmente, se for absolutamente moralizada”.

Na coluna Coisas da Cidade, o articulista que se assinava ‘P’ mudava de assunto: “Em São Paulo não existe uma rua, uma travessa, nem ao menos uma viela com o nome de Dom Pedro II, o grande imperador do Brasil”.

Aproximava-se o centenário da Independência: “É quase o centenário do início do governo de Pedro II, bom seria que um dos nossos vereadores se lembrasse”.

Há 100 anos a epidemia da gripe espanhola já havia passado. 

Claro que ninguém sabia que um século depois o mundo se veria às voltas com esse tal de coronavírus.

Diário há meio século... 

Domingo, 22 de março de 1970 – Ano 12, edição 1192

Teatro – Movimento católico da igreja matriz de São Caetano encenava Paixão e Morte de Jesus Cristo. Direção: Guilherme Fournier, que interpretava Jesus Cristo. E mais: Luiz David, Nelson David, João Dadi, Nelson Soós, Atílio Rinaldi, Benedito Florêncio e Maria Aparecida.

Futebol – Começa a Copa João Ramalho, envolvendo seleções da maior parte das sete cidades. 

Competição teria a transmissão da Rádio Diário, com Rolando Marques, Jurandir Martins, Aristides Vital, Nelson Pacheco, Sidney Lima. Patrocínio: Cavalinho, “o fino em caninha”.

Em 23 de março de...

1920 – A polícia de costumes proíbe a exibição, em todo o Estado de São Paulo, da fita cinematográfica Defraudando o Público, da Fox Filmes.

Dois dias antes a fita figurava em programas de cinemas da Capital.

1940 – Ministério da Educação e Saúde baixa portaria estabelecendo que a história do Brasil deverá constituir uma disciplina autônoma da história da civilização.

1950 – Circulava o número 1 da Revista de História, editada pelo Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo.

Um dos objetivos da revista: constituir-se em traço de união entre a faculdade e os professores de história do ensino normal e secundário de todo o País.

Nota – Neste ano de 2020,  Revista de História chega ao número 179.

Santos do dia 

TURIBIO DE MOGROVEJO. Espanha, 1538; Peru, 23-3-1606. 

Arcebispo de Lima. Fundou o seminário local. Publicou um catecismo na língua Quéchua. Recomendou aos párocos que se preocupassem com o fato de as casas dos índios terem mesas para comer e camas para dormir.



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Celso Daniel, centralizador ou aglutinador?

Dezoito anos após a sua morte, Celso Daniel (1951-2002) tem a figura pública ainda discutida, como demonstra o professor Alexandre Takara, orientador da Memória

Ademir Medici
Do Diário do Grande ABC

23/03/2020 | 00:01


Professor Takara está escrevendo livro com o título Subsídios para a História de Educação e Cultura no ABC, em que ressalta a figura de Celso Daniel.

Na opinião de Takara, Celso Daniel colocava a cidade de Santo André acima do partido, daí o slogan da sua primeira administração, ‘Direito à Cidade’ (1989-1992), não utilizado nas gestões seguintes.

Afirma o professor Takara: “Celso Daniel conseguiu aglutinar pessoas das mais diversas orientações políticas”. 

Trinta anos depois...

Texto: Alexandre Takara

Memória, de 29 de fevereiro, na seção Diário há 30 anos, traz uma crítica do PT à atuação do prefeito Celso Daniel:

- O prefeito Celso Daniel é centralizador – diz o diretório municipal do PT.

- Núcleos do partido enumeram problemas.

- O prefeito não ouve nem o partido nem a bancada – declara o vereador petista João Batista.

Na verdade, o prefeito foi um aglutinador. Numa questão de perspectiva: o PT e a bancada queriam ser ouvidos e ter acatadas suas decisões. 

O prefeito queria ouvir os moradores da cidade, mais do que o partido. Daí fundamentar-se no dístico ‘Direito à Cidade’ e criar o projeto ‘Santo André, Cidade Futuro’, infelizmente interrompido com a sua morte.

Tão importante foi esse projeto, que o Museu de Santo André Dr. Octaviano Armando Gaiarsa – informa a historiadora Suzana Kleeb – está organizando os documentos relativos a esse projeto, para colocá-los à disposição dos pesquisadores. 

Segundo a Suzana, a relação dos participantes desse projeto se compõe de operários e empresários, estudantes e professores, clientes e doutores, sindicatos de operários e entidades empresariais, ricos e pobres, moradores de periferia e dos bairros consolidados. 

Assim, se demonstra que a perspectiva de Celso Daniel era mais ampla do que a de seu partido, o PT.


São Paulo em debate 

Março de 1920. São Paulo, Capital, ganhava novo prefeito, Firmiano de Morais Pinto, posse registrada na primeira sessão preparatória do Senado Estadual, do qual fazia parte José Luiz Flaquer, o Dr. Flaquer de Santo André.

Ao mesmo tempo, um debate ocorria pelas páginas do jornal O Estado de S. Paulo.

Com o título ‘Do que São Paulo precisa’, Luiz Pereira Barreto defendia a arborização ou formosura da Capital. Escrevia ele, dirigindo-se ao novo prefeito: “É pecado mortal, ilustre dr. Firmiano, é erro imperdoável desprezar os nossos guapuruvús e preferir os desgraçados ligustros japônicos”.

Feijó Junior, citando outro intelectual, Milciades Porchat, rebatia: “Antes do plantio de árvores nas suas ruas e praças, é preciso arrasar os antros de perdição”.

O articulista referia-se às casas de prostituição, que tinham vários nomes:

- Casas de entrevistas

- Cabeças de serpentes

- Almofadismo

- Donjoanismo

- Melindrosas

Citando as nomenclaturas, Feijó Junior concluía: “Uma raça só será forte, física e intelectualmente, se for absolutamente moralizada”.

Na coluna Coisas da Cidade, o articulista que se assinava ‘P’ mudava de assunto: “Em São Paulo não existe uma rua, uma travessa, nem ao menos uma viela com o nome de Dom Pedro II, o grande imperador do Brasil”.

Aproximava-se o centenário da Independência: “É quase o centenário do início do governo de Pedro II, bom seria que um dos nossos vereadores se lembrasse”.

Há 100 anos a epidemia da gripe espanhola já havia passado. 

Claro que ninguém sabia que um século depois o mundo se veria às voltas com esse tal de coronavírus.

Diário há meio século... 

Domingo, 22 de março de 1970 – Ano 12, edição 1192

Teatro – Movimento católico da igreja matriz de São Caetano encenava Paixão e Morte de Jesus Cristo. Direção: Guilherme Fournier, que interpretava Jesus Cristo. E mais: Luiz David, Nelson David, João Dadi, Nelson Soós, Atílio Rinaldi, Benedito Florêncio e Maria Aparecida.

Futebol – Começa a Copa João Ramalho, envolvendo seleções da maior parte das sete cidades. 

Competição teria a transmissão da Rádio Diário, com Rolando Marques, Jurandir Martins, Aristides Vital, Nelson Pacheco, Sidney Lima. Patrocínio: Cavalinho, “o fino em caninha”.

Em 23 de março de...

1920 – A polícia de costumes proíbe a exibição, em todo o Estado de São Paulo, da fita cinematográfica Defraudando o Público, da Fox Filmes.

Dois dias antes a fita figurava em programas de cinemas da Capital.

1940 – Ministério da Educação e Saúde baixa portaria estabelecendo que a história do Brasil deverá constituir uma disciplina autônoma da história da civilização.

1950 – Circulava o número 1 da Revista de História, editada pelo Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo.

Um dos objetivos da revista: constituir-se em traço de união entre a faculdade e os professores de história do ensino normal e secundário de todo o País.

Nota – Neste ano de 2020,  Revista de História chega ao número 179.

Santos do dia 

TURIBIO DE MOGROVEJO. Espanha, 1538; Peru, 23-3-1606. 

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