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O dia em que a novela parou

 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Rede Globo dispensa atores em grupo de risco e muda a programação


Miriam Gimenes
Do Diário do Grande ABC

16/03/2020 | 23:30


Há pelo menos cinco décadas uma prática não muda na rotina da maioria dos brasileiros: acompanhar os capítulos de sua novela preferida, seja ela das 18h, 19h ou 21h. Isso até a chegada do coronavírus (Covid-19), que começou na China de maneira implacável, tomou a Europa – principalmente a Itália – e na última semana tem acometido o Brasil. O estado de pandemia levou a Rede Globo a uma medida emergencial: dispensou os atores em grupo de risco, principalmente os que têm mais de 50 anos, suspendeu as gravações de Amor de Mãe e agora estuda o que será colocado no lugar quando acabarem os capítulos já gravados.

 A novela da faixa das 21h, protagonizada por Regina Casé, Adriana Esteves e Taís Araújo, é a mais atingida. As duas primeiras, por terem mais do que 50 anos, foram dispensadas das gravações, que estão canceladas. A iniciativa pode levar a novela, que tem ainda alguns capítulos gravados, a ter um ‘final de temporada’, ou seja, sair do ar. O mesmo deve acontecer com Salve-se Quem Puder, das 19h. Já Éramos Seis, das 18h, que está nas últimas semanas, sofrerá adaptações.

 Em nota, a Globo disse que “os executivos passaram o fim de semana acompanhando a situação e avaliando vários cenários. Haverá uma reunião hoje (ontem) que une a programação do canal Globo, o jornalismo e os estúdios para novas decisões relacionadas à grade. Assim que elas forem tomadas, todos serão comunicados”. Segundo o colunista do Diário, Flávio Ricco, no lugar de Amor de Mãe entra a reprise de Fina Estampa (2011), de Aguinaldo Silva.

 O doutor em teledramaturgia pela USP Mauro Alencar diz compreender a iniciativa da emissora. “Nesses casos extremos, até onde consigo enxergar, é uma medida que deve ser tomada e isso só engrandece qualquer empresa mundial, principalmente uma de comunicação. Mostra até a importância da empresa, e sua preocupação no quesito social”, ressalta. Alencar lembra de um episódio pontual em que a emissora teve também de tomar medida drástica. “Quando faleceu o ator Jardel Filho, protagonista da novela Sol de Verão, em 1983, o autor, Manoel Carlos, ficou sem condições de terminar a novela. O Lauro Cesar Muniz a encerrou às pressas e, em seguida, colocou a reprise da novela O Casarão. É um caso particular, mas em uma pandemia dessa, me sinto confortável de saber que a Globo e todas as empresas do mundo tomem tal atitude. A situação é apocalíptica.”

 Telespectadora das novelas, principalmente de Éramos Seis, a confeiteira Tais Orsioli, de Santo André, diz achar ruim a mudança de grade, principalmente para as pessoas que não têm acesso aos canais fechados. “Porque fica maçante tanta informação (sobre o coronavírus), até repetitivo. São os idosos (do grupo de risco) que mais assistem à televisão.” E as novelas, para ela, fazem parte da rotina das famílias. “Logo, se não tiver capítulos novos, a emissora deve colocar alguma outra novela ou série no lugar, ou até mesmo abrir o horário para filmes, até normalizar”, acredita.



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O dia em que a novela parou

Rede Globo dispensa atores em grupo de risco e muda a programação

Miriam Gimenes
Do Diário do Grande ABC

16/03/2020 | 23:30


Há pelo menos cinco décadas uma prática não muda na rotina da maioria dos brasileiros: acompanhar os capítulos de sua novela preferida, seja ela das 18h, 19h ou 21h. Isso até a chegada do coronavírus (Covid-19), que começou na China de maneira implacável, tomou a Europa – principalmente a Itália – e na última semana tem acometido o Brasil. O estado de pandemia levou a Rede Globo a uma medida emergencial: dispensou os atores em grupo de risco, principalmente os que têm mais de 50 anos, suspendeu as gravações de Amor de Mãe e agora estuda o que será colocado no lugar quando acabarem os capítulos já gravados.

 A novela da faixa das 21h, protagonizada por Regina Casé, Adriana Esteves e Taís Araújo, é a mais atingida. As duas primeiras, por terem mais do que 50 anos, foram dispensadas das gravações, que estão canceladas. A iniciativa pode levar a novela, que tem ainda alguns capítulos gravados, a ter um ‘final de temporada’, ou seja, sair do ar. O mesmo deve acontecer com Salve-se Quem Puder, das 19h. Já Éramos Seis, das 18h, que está nas últimas semanas, sofrerá adaptações.

 Em nota, a Globo disse que “os executivos passaram o fim de semana acompanhando a situação e avaliando vários cenários. Haverá uma reunião hoje (ontem) que une a programação do canal Globo, o jornalismo e os estúdios para novas decisões relacionadas à grade. Assim que elas forem tomadas, todos serão comunicados”. Segundo o colunista do Diário, Flávio Ricco, no lugar de Amor de Mãe entra a reprise de Fina Estampa (2011), de Aguinaldo Silva.

 O doutor em teledramaturgia pela USP Mauro Alencar diz compreender a iniciativa da emissora. “Nesses casos extremos, até onde consigo enxergar, é uma medida que deve ser tomada e isso só engrandece qualquer empresa mundial, principalmente uma de comunicação. Mostra até a importância da empresa, e sua preocupação no quesito social”, ressalta. Alencar lembra de um episódio pontual em que a emissora teve também de tomar medida drástica. “Quando faleceu o ator Jardel Filho, protagonista da novela Sol de Verão, em 1983, o autor, Manoel Carlos, ficou sem condições de terminar a novela. O Lauro Cesar Muniz a encerrou às pressas e, em seguida, colocou a reprise da novela O Casarão. É um caso particular, mas em uma pandemia dessa, me sinto confortável de saber que a Globo e todas as empresas do mundo tomem tal atitude. A situação é apocalíptica.”

 Telespectadora das novelas, principalmente de Éramos Seis, a confeiteira Tais Orsioli, de Santo André, diz achar ruim a mudança de grade, principalmente para as pessoas que não têm acesso aos canais fechados. “Porque fica maçante tanta informação (sobre o coronavírus), até repetitivo. São os idosos (do grupo de risco) que mais assistem à televisão.” E as novelas, para ela, fazem parte da rotina das famílias. “Logo, se não tiver capítulos novos, a emissora deve colocar alguma outra novela ou série no lugar, ou até mesmo abrir o horário para filmes, até normalizar”, acredita.

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