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Saudade, doce saudade!


Rodolfo de Souza

12/03/2020 | 00:01


 O senso mais comum deste mundo de meu Deus determina que uma existência por estas bandas nunca é isenta de boa dose de saudade. Isso mesmo.

Ela tem o poder de arrebatar o ser humano, sobretudo, aquele que passou de meia-idade. Não que seja exclusividade dos mais velhos, mas é sobre eles que, quase sempre, recai com mais pujança.

Esse assunto veio à tona quando, em conversa com meu irmão madrugada adentro, notei sua emoção um tanto aguçada, à flor da pele. Usava, na ocasião, a tecnologia para falar comigo, tendo em vista a distância que nos separava. 

Percebi até que se tornara refém das músicas antigas que ouvia e da cerveja que tomava. Uma bebida, diga-se de passagem, tem esse poder de nos remeter à antiguidade de nossas vidas, só para chatear. 

E, no despertar do novo dia, parecia mesmo carregar um caminhão de sentimento nostálgico, o maninho. Sugeriu-me até que jogasse algumas palavras no branco desta folha digital, para que o leitor também se lançasse a reflexão acerca do assunto. Leitor este, saudosista de longa data, que certamente dividiria conosco o anseio pelas coisas do passado. Concordei de imediato. Mesmo porque, gosto de bulir com o que vai no âmago das pessoas, aquelas de maior sensibilidade, sabe? 

E foi assim que, analisando o perfil saudosista, me ocorreu que longe desse tipo de crise existencial viviam homens e mulheres que por aqui perambularam nos primórdios da vida humana. O número de pessoas a proclamar seu amor pelos acontecimentos de outrora é que me levou a esta constatação. 

Lembrei-me principalmente de que, quando bem jovem, eu também ouvia o mesmo discurso dos mais velhos, que certamente ouviram coisa parecida dos seus ancestrais, e assim por diante, até alcançar a era do <CF160>homo sapiens e sua pacata vida natural.

Entretanto, é preciso admitir que saudade é mesmo bicho tinhoso que corrói o peito de todos, sem distinção. Quantos homens não morrem de saudade do tempo em que ostentavam vasta cabeleira? Quanto aos que ainda possuem cabelos, quanta saudade de sua cor preta! Saudade do rosto jovem, da pele sem vincos...

Mas não só a aparência causa nostalgia, dirá o leitor que lembra também das pessoas que se foram, deixando muita saudade. Claro! Concordo desde já com seu aparte, caríssimo companheiro de estrada. Essa gente, quando passa a habitar outras planícies, normalmente nos bota sentimentais como o diabo, parafraseando Drummond. Sobretudo se rola música na calada da noite, e o copo é a única companhia no momento. Ambos sempre nos remetem a lembranças das quais não conseguimos escapulir. Até porque, gostamos delas. São companheiras nos momentos de solidão.

Concluí ainda que, além de se apresentar de diferentes formas, a saudade também possui diferentes nacionalidades. Logicamente que não consigo imaginar como são as boas lembranças de um egípcio ou de um afegão. Tampouco me passam pela cabeça as doces memórias de alguém que vive na Mongólia. Como será a saudade de quem mora num país seguro, de economia estável, é outra questão que me faz perder o sono. 

Talvez porque nós, habitantes deste imenso pasto varonil, ultimamente passamos os dias mergulhados nas lembranças de tempo em que se pensava que a vida era difícil.



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Saudade, doce saudade!

Rodolfo de Souza

12/03/2020 | 00:01


 O senso mais comum deste mundo de meu Deus determina que uma existência por estas bandas nunca é isenta de boa dose de saudade. Isso mesmo.

Ela tem o poder de arrebatar o ser humano, sobretudo, aquele que passou de meia-idade. Não que seja exclusividade dos mais velhos, mas é sobre eles que, quase sempre, recai com mais pujança.

Esse assunto veio à tona quando, em conversa com meu irmão madrugada adentro, notei sua emoção um tanto aguçada, à flor da pele. Usava, na ocasião, a tecnologia para falar comigo, tendo em vista a distância que nos separava. 

Percebi até que se tornara refém das músicas antigas que ouvia e da cerveja que tomava. Uma bebida, diga-se de passagem, tem esse poder de nos remeter à antiguidade de nossas vidas, só para chatear. 

E, no despertar do novo dia, parecia mesmo carregar um caminhão de sentimento nostálgico, o maninho. Sugeriu-me até que jogasse algumas palavras no branco desta folha digital, para que o leitor também se lançasse a reflexão acerca do assunto. Leitor este, saudosista de longa data, que certamente dividiria conosco o anseio pelas coisas do passado. Concordei de imediato. Mesmo porque, gosto de bulir com o que vai no âmago das pessoas, aquelas de maior sensibilidade, sabe? 

E foi assim que, analisando o perfil saudosista, me ocorreu que longe desse tipo de crise existencial viviam homens e mulheres que por aqui perambularam nos primórdios da vida humana. O número de pessoas a proclamar seu amor pelos acontecimentos de outrora é que me levou a esta constatação. 

Lembrei-me principalmente de que, quando bem jovem, eu também ouvia o mesmo discurso dos mais velhos, que certamente ouviram coisa parecida dos seus ancestrais, e assim por diante, até alcançar a era do <CF160>homo sapiens e sua pacata vida natural.

Entretanto, é preciso admitir que saudade é mesmo bicho tinhoso que corrói o peito de todos, sem distinção. Quantos homens não morrem de saudade do tempo em que ostentavam vasta cabeleira? Quanto aos que ainda possuem cabelos, quanta saudade de sua cor preta! Saudade do rosto jovem, da pele sem vincos...

Mas não só a aparência causa nostalgia, dirá o leitor que lembra também das pessoas que se foram, deixando muita saudade. Claro! Concordo desde já com seu aparte, caríssimo companheiro de estrada. Essa gente, quando passa a habitar outras planícies, normalmente nos bota sentimentais como o diabo, parafraseando Drummond. Sobretudo se rola música na calada da noite, e o copo é a única companhia no momento. Ambos sempre nos remetem a lembranças das quais não conseguimos escapulir. Até porque, gostamos delas. São companheiras nos momentos de solidão.

Concluí ainda que, além de se apresentar de diferentes formas, a saudade também possui diferentes nacionalidades. Logicamente que não consigo imaginar como são as boas lembranças de um egípcio ou de um afegão. Tampouco me passam pela cabeça as doces memórias de alguém que vive na Mongólia. Como será a saudade de quem mora num país seguro, de economia estável, é outra questão que me faz perder o sono. 

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