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Os dois jeitos do Martins, cronista e sociólogo

São dois livros, um mesmo autor, com duas abordagens diferenciadas e ambas brilhantes


Ademir Medici
Do Diário do Grande ABC

12/08/2011 | 00:00


"No mesmo local, quando não havia cigarros a repartir, fazíamos uma roda de masturbação coletiva".

José de Souza Martins, Uma Arqueologia da Memória Social, p. 211.

"O pão era sagrado e fortemente simbólico, um símbolo de fartura. Ter pão à mesa representava a bondade de Deus na vida das famílias de trabalhadores, a recompensa divina pelo suor derramado no trabalho" (p. 325).

"Há memória do que pode ser lembrado. Há memória do que se quer lembrar. Mas, há também, memória do que se quer esquecer" (p.456).

* * *

São dois livros, um mesmo autor, com duas abordagens diferenciadas e ambas brilhantes. José de Souza Martins, o autor, lança amanhã, em Santo André, um livro com suas memórias pessoais e outro sobre a política brasileira. Ambos lembram sua participação quinzenal (com uma crônica) e semanal (com um artigo e/ou ensaio) no Estadão.

O livro de memórias é leve, romanceado, comovente. Emociona; o da política é incisivo, perturbador, provocante, desafiador. Os dois livros seguram o leitor na fala do professor que mostra o seu lado jornalista.

O livro de memórias começa como uma história de Agatha Christie. Prossegue lembrando muito a prosa de Pedro Nova. Consubstancia-se, mesmo, ao estilo José de Souza Martins. O leitor se sente ao lado do autor, ora numa aldeia de Portugal, em 1976, procurando pelos seus; ora no campo do Corintinha de São Caetano em 1953, cenário do irmão craque de bola.

O Grande ABC é o cenário maior do livro, com belos personagens revividos, dom Jorge Marcos de Oliveira, o bispo; Paulo Licio Rizzo, o reverendo, hoje nome de rua em São Bernardo; personagens anônimos, como o chacareiro da Light; padre Ézio puxando o cântico Queremos Deus, homens e santos....

Então você folheia o livro da política e se vê, frente a frente, com temas do Brasil moderno que discute as pastorais sociais da Igreja e as origens do capitalismo buscadas no escravismo e no latifúndio. Coisa muita séria posta à reflexão pelo professor que estudou em São Caetano, Zona Leste de São Paulo, Santo André, USP e partiu por este mundo de Deus, dentro e fora do Brasil. Trabalhando, sempre trabalhando.

José de Souza Martins fala da cachorra Lembrança e seus filhotes Cuitelo e Malhado, de Nhô Galdino, da caçada de tatu. A descrição da mudança vivida em Guaianases é magistral: "Mudança de pobre é assim mesmo. Muita coisa fica para trás, pois o espaço de uma moradia é sempre insuficiente".

Lembrança e Malhado ficaram, Cuitelo seguiu no caminhão. Relembra o bom Martins: "Lembro ainda daqueles olhos, daquele adeus, de ter chorado por dentro e pedido a Deus que cuidasse dela e do Malhado".

A POLÍTICA DO BRASIL, lúmpen e místico (Contexto, São Paulo, 2011, 253 páginas); Uma Arqueologia da Memória Social, autobiografia de um moleque de fábrica (Ateliê Editorial, São Paulo, 2011, 464 páginas). Lançamento: amanhã, sábado, 13, às 11h, na Alpharrabio Livraria e Editora. Endereço: Rua Eduardo Monteiro, 151, Santo André.

SEMANA OCTAVIANO GAIARSA 

O Jornalista
Texto: Ângelo Gaiarsa Neto 

Inicialmente os textos de Octaviano Gaiarsa eram manuscritos; curiosamente - ainda que médico - possuía uma letra de boa qualidade mantida por dezenas de anos.

Em toda a sua existência utilizou três máquinas de escrever: a Remington Rand que ganhou do pai, usada de 1939 a 1953; uma Olivetti (1955 a 1970) e uma IBM elétrica, a sua preferida, que o acompanhou a partir de 1971.

Tentamos, eu e dois de meus irmãos, fazer com que ele utilizasse um microcomputador. Tentativas infrutíferas. Papai manteve-se fiel à sua máquina de escrever elétrica de esfera, com as manhas da correção de texto com tinta branca e tudo.

Nas máquinas, escreveu sobre assuntos os mais variados e colaborou ativamente com a imprensa do Grande ABC. Merecem destaque as mais de 600 crônicas que publicou no jornal O Repórter na sua coluna O comentário. 

JORNAIS
Desde a juventude, Gaiarsa foi um obstinado colecionador de jornais publicados em nossa região - base do livro A Cidade que Dormiu Três Séculos. Possuía 16 coleções, da primeira Folha do Povo (1928) ao Jornal de Santo André (1951 - 1959), passando pelos O Imparcial, O São Bernardo, O Município, Borda do Campo e a nova Folha do Povo (1948 - 1953).

Além das coleções as mais completas possíveis, possuía o exemplar número um de cada jornal. As coleções foram doadas em vida ao amigo e jornalista Valdenízio Petrolli; atualmente os originais acham-se no acervo do Serviço de Memória de São Bernardo; as coleções foram informatizadas, sendo possível obter cópias em CD.

AMANHÃ NA SEMANA OCTAVIANO GAIARSA
O bibliotecário

DIÁRIO HÁ 30 ANOS

Quarta-feira, 12 de agosto de 1981 

Manchete - Cassação de Grillo (Lincoln, prefeito de Santo André) pedida por comissão especial da Câmara

Editorial - Em Santo André, dois poderes estiolados

Capital & Trabalho - Reunião entre Mercedes-Benz e sindicato nada define.

Política (Aleksandar Jovanovic) - Prefeitos da região podem debater crise do emprego até em Brasília.

Mauá - Apae dispensa professores e 50 crianças.

Movimento estudantil - Uma pindura de 35 mil cruzeiros no Dia do Advogado: a vítima foi o Restaurante O Forno, do Center-Shop, hoje Shopping Metrópole, em São Bernardo.

Vôlei feminino - Pelo Sul-Americano em disputa no Pedro Dell'Antonia, em Santo André, Brasil 3, Paraguai 0. Nesse jogo as brasileiras não perderam nenhum ponto. Mas o Peru, pentacampeão, vencia todos os seus jogos também.

EM 12 DE AGOSTO DE... 

1531 - A esquadra de Martim Afonso de Souza chega à Cananéia, litoral paulista. 

1911 - Nascimento de Mario Moreno, o celebre Cantinflas, humorista mexicano. 

HOJE 

Dia Internacional da Juventude, Dia Interamericano de Qualidade do Ar, Dia do Cortador de Cana, Dia Nacional das Artes, Dia Nacional de Luta Contra a Violência no Campo e por Reforma Agrária.

MUNICÍPIO PAULISTA 

Cananéia, fundado por Martim Afonso de Souza, o segundo mais antigo do Brasil. O primeiro é São Vicente, também fundado por Martim Afonso de Souza.

SANTOS DO DIA

Beatriz, Euplúsio, Felicíssima, Graciliano, Hilária, Isidoro Bajanka, Joana Francisca de Chantal e Tito de Alencar.

São Inocêncio XI (Itália 1611 - 1689). Foi papa. Considerado o Pai dos Pobres. 

FONTES: Folhinha do Sagrado Coração de Jesus, Vozes, 2011; site: www.paulinas.org.br.

FALECIMENTOS 

SANTO ANDRÉ

José Silvério de Freitas, 74. Natural de São Caetano. Anteontem, em São Bernardo. Cemitério Curuçá.

Francisca da Silva Campos, 61. Natural de São Paulo (SP). Dia 8, em São Bernardo. Cemitério Curuçá. 

SÃO BERNARDO

Benedita Aparecida Tartaro Zoboli, 86. Natural de Icaturama (SP). Anteontem. Cemitério de Vila Euclides.

Idemar de Moura, 82. Natural de Nova Lima (MG). Dia 9. Cemitério Jardim da Colina.

Nelson Gomes da Silva, 82. Natural de São Paulo (SP). Dia 8. Cemitério da Paulicéia.

Sebastião Rodrigues de Matos, 72. Natural de Caetité (BA). Dia 9. Cemitério dos Casa.

Luiz Alberto Pacheco Nogueira, 63. Natural de Porto Alegre (MG). Dia 9. Cemitério da Paulicéia. 

SÃO CAETANO

(Cemitério das Lágrimas)

Yolanda Aparecida Petreca Parente, 81. Natural de Guaxupé (MG). Dia 4.

Conceição Barranco, 80. Natural de Marília (SP). Dia 6.

João da Silva Carvalho, 71. Natural de Jequi (BA). Dia 4.

Maria dos Anjos Bueno da Conceição, 70. Natural de Pesqueira (PE) Dia 3. 

DIADEMA

Cecilia Rodrigues Pereira, 68. Natural de Açucena (MG). Anteontem, em São Bernardo. Cemitério Municipal.



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Os dois jeitos do Martins, cronista e sociólogo

São dois livros, um mesmo autor, com duas abordagens diferenciadas e ambas brilhantes

Ademir Medici
Do Diário do Grande ABC

12/08/2011 | 00:00


"No mesmo local, quando não havia cigarros a repartir, fazíamos uma roda de masturbação coletiva".

José de Souza Martins, Uma Arqueologia da Memória Social, p. 211.

"O pão era sagrado e fortemente simbólico, um símbolo de fartura. Ter pão à mesa representava a bondade de Deus na vida das famílias de trabalhadores, a recompensa divina pelo suor derramado no trabalho" (p. 325).

"Há memória do que pode ser lembrado. Há memória do que se quer lembrar. Mas, há também, memória do que se quer esquecer" (p.456).

* * *

São dois livros, um mesmo autor, com duas abordagens diferenciadas e ambas brilhantes. José de Souza Martins, o autor, lança amanhã, em Santo André, um livro com suas memórias pessoais e outro sobre a política brasileira. Ambos lembram sua participação quinzenal (com uma crônica) e semanal (com um artigo e/ou ensaio) no Estadão.

O livro de memórias é leve, romanceado, comovente. Emociona; o da política é incisivo, perturbador, provocante, desafiador. Os dois livros seguram o leitor na fala do professor que mostra o seu lado jornalista.

O livro de memórias começa como uma história de Agatha Christie. Prossegue lembrando muito a prosa de Pedro Nova. Consubstancia-se, mesmo, ao estilo José de Souza Martins. O leitor se sente ao lado do autor, ora numa aldeia de Portugal, em 1976, procurando pelos seus; ora no campo do Corintinha de São Caetano em 1953, cenário do irmão craque de bola.

O Grande ABC é o cenário maior do livro, com belos personagens revividos, dom Jorge Marcos de Oliveira, o bispo; Paulo Licio Rizzo, o reverendo, hoje nome de rua em São Bernardo; personagens anônimos, como o chacareiro da Light; padre Ézio puxando o cântico Queremos Deus, homens e santos....

Então você folheia o livro da política e se vê, frente a frente, com temas do Brasil moderno que discute as pastorais sociais da Igreja e as origens do capitalismo buscadas no escravismo e no latifúndio. Coisa muita séria posta à reflexão pelo professor que estudou em São Caetano, Zona Leste de São Paulo, Santo André, USP e partiu por este mundo de Deus, dentro e fora do Brasil. Trabalhando, sempre trabalhando.

José de Souza Martins fala da cachorra Lembrança e seus filhotes Cuitelo e Malhado, de Nhô Galdino, da caçada de tatu. A descrição da mudança vivida em Guaianases é magistral: "Mudança de pobre é assim mesmo. Muita coisa fica para trás, pois o espaço de uma moradia é sempre insuficiente".

Lembrança e Malhado ficaram, Cuitelo seguiu no caminhão. Relembra o bom Martins: "Lembro ainda daqueles olhos, daquele adeus, de ter chorado por dentro e pedido a Deus que cuidasse dela e do Malhado".

A POLÍTICA DO BRASIL, lúmpen e místico (Contexto, São Paulo, 2011, 253 páginas); Uma Arqueologia da Memória Social, autobiografia de um moleque de fábrica (Ateliê Editorial, São Paulo, 2011, 464 páginas). Lançamento: amanhã, sábado, 13, às 11h, na Alpharrabio Livraria e Editora. Endereço: Rua Eduardo Monteiro, 151, Santo André.

SEMANA OCTAVIANO GAIARSA 

O Jornalista
Texto: Ângelo Gaiarsa Neto 

Inicialmente os textos de Octaviano Gaiarsa eram manuscritos; curiosamente - ainda que médico - possuía uma letra de boa qualidade mantida por dezenas de anos.

Em toda a sua existência utilizou três máquinas de escrever: a Remington Rand que ganhou do pai, usada de 1939 a 1953; uma Olivetti (1955 a 1970) e uma IBM elétrica, a sua preferida, que o acompanhou a partir de 1971.

Tentamos, eu e dois de meus irmãos, fazer com que ele utilizasse um microcomputador. Tentativas infrutíferas. Papai manteve-se fiel à sua máquina de escrever elétrica de esfera, com as manhas da correção de texto com tinta branca e tudo.

Nas máquinas, escreveu sobre assuntos os mais variados e colaborou ativamente com a imprensa do Grande ABC. Merecem destaque as mais de 600 crônicas que publicou no jornal O Repórter na sua coluna O comentário. 

JORNAIS
Desde a juventude, Gaiarsa foi um obstinado colecionador de jornais publicados em nossa região - base do livro A Cidade que Dormiu Três Séculos. Possuía 16 coleções, da primeira Folha do Povo (1928) ao Jornal de Santo André (1951 - 1959), passando pelos O Imparcial, O São Bernardo, O Município, Borda do Campo e a nova Folha do Povo (1948 - 1953).

Além das coleções as mais completas possíveis, possuía o exemplar número um de cada jornal. As coleções foram doadas em vida ao amigo e jornalista Valdenízio Petrolli; atualmente os originais acham-se no acervo do Serviço de Memória de São Bernardo; as coleções foram informatizadas, sendo possível obter cópias em CD.

AMANHÃ NA SEMANA OCTAVIANO GAIARSA
O bibliotecário

DIÁRIO HÁ 30 ANOS

Quarta-feira, 12 de agosto de 1981 

Manchete - Cassação de Grillo (Lincoln, prefeito de Santo André) pedida por comissão especial da Câmara

Editorial - Em Santo André, dois poderes estiolados

Capital & Trabalho - Reunião entre Mercedes-Benz e sindicato nada define.

Política (Aleksandar Jovanovic) - Prefeitos da região podem debater crise do emprego até em Brasília.

Mauá - Apae dispensa professores e 50 crianças.

Movimento estudantil - Uma pindura de 35 mil cruzeiros no Dia do Advogado: a vítima foi o Restaurante O Forno, do Center-Shop, hoje Shopping Metrópole, em São Bernardo.

Vôlei feminino - Pelo Sul-Americano em disputa no Pedro Dell'Antonia, em Santo André, Brasil 3, Paraguai 0. Nesse jogo as brasileiras não perderam nenhum ponto. Mas o Peru, pentacampeão, vencia todos os seus jogos também.

EM 12 DE AGOSTO DE... 

1531 - A esquadra de Martim Afonso de Souza chega à Cananéia, litoral paulista. 

1911 - Nascimento de Mario Moreno, o celebre Cantinflas, humorista mexicano. 

HOJE 

Dia Internacional da Juventude, Dia Interamericano de Qualidade do Ar, Dia do Cortador de Cana, Dia Nacional das Artes, Dia Nacional de Luta Contra a Violência no Campo e por Reforma Agrária.

MUNICÍPIO PAULISTA 

Cananéia, fundado por Martim Afonso de Souza, o segundo mais antigo do Brasil. O primeiro é São Vicente, também fundado por Martim Afonso de Souza.

SANTOS DO DIA

Beatriz, Euplúsio, Felicíssima, Graciliano, Hilária, Isidoro Bajanka, Joana Francisca de Chantal e Tito de Alencar.

São Inocêncio XI (Itália 1611 - 1689). Foi papa. Considerado o Pai dos Pobres. 

FONTES: Folhinha do Sagrado Coração de Jesus, Vozes, 2011; site: www.paulinas.org.br.

FALECIMENTOS 

SANTO ANDRÉ

José Silvério de Freitas, 74. Natural de São Caetano. Anteontem, em São Bernardo. Cemitério Curuçá.

Francisca da Silva Campos, 61. Natural de São Paulo (SP). Dia 8, em São Bernardo. Cemitério Curuçá. 

SÃO BERNARDO

Benedita Aparecida Tartaro Zoboli, 86. Natural de Icaturama (SP). Anteontem. Cemitério de Vila Euclides.

Idemar de Moura, 82. Natural de Nova Lima (MG). Dia 9. Cemitério Jardim da Colina.

Nelson Gomes da Silva, 82. Natural de São Paulo (SP). Dia 8. Cemitério da Paulicéia.

Sebastião Rodrigues de Matos, 72. Natural de Caetité (BA). Dia 9. Cemitério dos Casa.

Luiz Alberto Pacheco Nogueira, 63. Natural de Porto Alegre (MG). Dia 9. Cemitério da Paulicéia. 

SÃO CAETANO

(Cemitério das Lágrimas)

Yolanda Aparecida Petreca Parente, 81. Natural de Guaxupé (MG). Dia 4.

Conceição Barranco, 80. Natural de Marília (SP). Dia 6.

João da Silva Carvalho, 71. Natural de Jequi (BA). Dia 4.

Maria dos Anjos Bueno da Conceição, 70. Natural de Pesqueira (PE) Dia 3. 

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