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Natália Larangeira sai da Ossa para integrar a Orquestra Filarmônica de Buenos Aires


Miriam Gimenes
Do Diário do Grande ABC

03/03/2020 | 23:16


Faltam poucas horas para tudo mudar na vida da maestrina Natália Larangeira. É que ela, que desde 2015 é regente assistente da Ossa (Orquestra Sinfônica de Santo André), embarca hoje rumo à Argentina, onde assume o mesmo cargo na OFBA (Orquestra Filarmônica de Buenos Aires) na temporada 2020. A alternância de países se dá em razão da sua participação em concurso internacional que selecionou a nova auxiliar do maestro Enrique Arturo Diemecke, regente titular da orquestra e também diretor-geral artístico e de produção do Teatro Colón, um dos mais importantes do mundo.

Natália, 32 anos, foi escolhida entre participantes de todo o mundo e a seleção foi feita em duas fases. “Primeiro analisaram todo histórico como regente, a produção artística, concertos, cursos. Depois teve uma fase presencial (em Buenos Aires), que foi um ensaio com orquestras de uma hora e 15 minutos onde pude ensaiar algumas obras de vários períodos diferentes da história da música, bastante contrastantes”, explica. Para esta última fase foram chamados apenas oito participantes. Eram pessoas de vários lugares (havia só ela e outro brasileiro), com carreira internacional, alguns fazendo mestrado fora. Eles contabilizaram todas as notas e a orquestra escolheu por voto quem seria o vencedor para ser empossado no cargo”, acrescenta a eleita, que revela quase ter desistido do processo no meio do caminho.

Segundo ela, tanto os familiares como os músicos da orquestra e, principalmente o maestro Abel Rocha, foram grandes incentivadores para que não desistisse. “Já ouvi muito ‘não’ na vida, já fiz muita prova e muitas vezes pensei em desistir. É uma carreira muito difícil, ainda mais sendo mulher, tendo de conciliar a maternidade e todas as obrigações que temos no dia a dia. Um dia antes de sair o resultado (da prova presencial) eu tinha declinado, cancelando a participação no processo seletivo. Pensei: ‘Não sei se vou aguentar ouvir mais um ‘não’’. Teria de valer muito a pena para poder abrir mão de algumas coisas que estou construindo no Brasil. Conversei com o maestro, que me incentivou. “Ele disse: ‘Não é justo desistir por medo, insegurança. Você vai sim, vamos dar um jeito’”, lembra.

E Natália foi. “Quando soube do resultado quase não acreditei. Aliás, não estou acreditando até agora (risos). Isso é uma conquista não só da minha carreira, mas todo mundo que apostou em mim.” Mãe de Lorenzo, 5 anos, a maestrina embarca para Buenos Aires e, assim que se estabelecer e encontrar escola para o pequeno, vem buscá-lo. “Ele me acompanha desde bebê neste mundo da música. Quando entrei na Ossa, o amamentava entre um intervalo e outro. Está todo animado com essa possibilidade de viajar, aprender outra língua.” Vez por outra Natália terá de voltar ao Brasil, já que, na cidade onde mora, Indaiatuba, mantém o projeto social Camerata Comunidade, em parceria com a prefeitura local.

Ela diz que, viajar, para ela nunca foi problema. “Quando entrei para Ossa, morando em Indaiatuba, chegava a levar três horas e meia para vir aos ensaios. Tinha gente que falava que eu era louca, mas usava desse tempo para estudar.” E como se vê daqui dez anos? “Sempre em busca do próximo passo. Sou uma pessoa que não se acomoda, estou sempre inquieta. Vou estar atrás de adquirir mais conhecimento. Hoje estou no mestrado, acredito que estarei finalizando meu doutorado, para seguir em carreira acadêmica. Também espero que meu projeto em Indaiatuba esteja mais fortalecido para que eu possa inspirar outras pessoas e fazer a diferença na vida delas através da música”, finaliza. Que assim seja. 



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Natália Larangeira sai da Ossa para integrar a Orquestra Filarmônica de Buenos Aires

Miriam Gimenes
Do Diário do Grande ABC

03/03/2020 | 23:16


Faltam poucas horas para tudo mudar na vida da maestrina Natália Larangeira. É que ela, que desde 2015 é regente assistente da Ossa (Orquestra Sinfônica de Santo André), embarca hoje rumo à Argentina, onde assume o mesmo cargo na OFBA (Orquestra Filarmônica de Buenos Aires) na temporada 2020. A alternância de países se dá em razão da sua participação em concurso internacional que selecionou a nova auxiliar do maestro Enrique Arturo Diemecke, regente titular da orquestra e também diretor-geral artístico e de produção do Teatro Colón, um dos mais importantes do mundo.

Natália, 32 anos, foi escolhida entre participantes de todo o mundo e a seleção foi feita em duas fases. “Primeiro analisaram todo histórico como regente, a produção artística, concertos, cursos. Depois teve uma fase presencial (em Buenos Aires), que foi um ensaio com orquestras de uma hora e 15 minutos onde pude ensaiar algumas obras de vários períodos diferentes da história da música, bastante contrastantes”, explica. Para esta última fase foram chamados apenas oito participantes. Eram pessoas de vários lugares (havia só ela e outro brasileiro), com carreira internacional, alguns fazendo mestrado fora. Eles contabilizaram todas as notas e a orquestra escolheu por voto quem seria o vencedor para ser empossado no cargo”, acrescenta a eleita, que revela quase ter desistido do processo no meio do caminho.

Segundo ela, tanto os familiares como os músicos da orquestra e, principalmente o maestro Abel Rocha, foram grandes incentivadores para que não desistisse. “Já ouvi muito ‘não’ na vida, já fiz muita prova e muitas vezes pensei em desistir. É uma carreira muito difícil, ainda mais sendo mulher, tendo de conciliar a maternidade e todas as obrigações que temos no dia a dia. Um dia antes de sair o resultado (da prova presencial) eu tinha declinado, cancelando a participação no processo seletivo. Pensei: ‘Não sei se vou aguentar ouvir mais um ‘não’’. Teria de valer muito a pena para poder abrir mão de algumas coisas que estou construindo no Brasil. Conversei com o maestro, que me incentivou. “Ele disse: ‘Não é justo desistir por medo, insegurança. Você vai sim, vamos dar um jeito’”, lembra.

E Natália foi. “Quando soube do resultado quase não acreditei. Aliás, não estou acreditando até agora (risos). Isso é uma conquista não só da minha carreira, mas todo mundo que apostou em mim.” Mãe de Lorenzo, 5 anos, a maestrina embarca para Buenos Aires e, assim que se estabelecer e encontrar escola para o pequeno, vem buscá-lo. “Ele me acompanha desde bebê neste mundo da música. Quando entrei na Ossa, o amamentava entre um intervalo e outro. Está todo animado com essa possibilidade de viajar, aprender outra língua.” Vez por outra Natália terá de voltar ao Brasil, já que, na cidade onde mora, Indaiatuba, mantém o projeto social Camerata Comunidade, em parceria com a prefeitura local.

Ela diz que, viajar, para ela nunca foi problema. “Quando entrei para Ossa, morando em Indaiatuba, chegava a levar três horas e meia para vir aos ensaios. Tinha gente que falava que eu era louca, mas usava desse tempo para estudar.” E como se vê daqui dez anos? “Sempre em busca do próximo passo. Sou uma pessoa que não se acomoda, estou sempre inquieta. Vou estar atrás de adquirir mais conhecimento. Hoje estou no mestrado, acredito que estarei finalizando meu doutorado, para seguir em carreira acadêmica. Também espero que meu projeto em Indaiatuba esteja mais fortalecido para que eu possa inspirar outras pessoas e fazer a diferença na vida delas através da música”, finaliza. Que assim seja. 

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