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Miriam Gimenes

01/03/2020 | 23:48


Foi durante a elaboração de um livro político que o escritor Javier Arancibia Contreras ouviu uma frase: ‘Hoje, meu filho Pedro pulou da janela do seu apartamento’. Digeriu nos dias seguintes a afirmação soprada pelo seu subconsciente e dela partiu para escrever o romance Crocodilo (Companhia das Letras, 184 páginas, R$ 64,90). Com o título, o quarto do gênero em sua carreira, o também jornalista – que fez parte da Redação do Diário de 2000 a 2003 –, acaba de receber o prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) como melhor romance de 2019.

A frase mencionada foi dita pelo veterano jornalista Ruy. Casado com Marta por mais de três décadas, no início do relacionamento perderam um filho ainda na gestação, mas depois ela conseguiu engravidar de Pedro. O homem, então com 45 anos, teve de se acostumar a ser pai, um sonho que não nutria.

Para completar, nos últimos tempos só pensava em trabalho. Até ter a constatação de que seu único filho, de 28 anos, havia pulado do apartamento que morava, no 11º andar. Ressentido, ele tenta, nos dias subsequentes à morte do rapaz, entender o que o levou a tomar essa atitude.

Mas muito mais do que acompanhar essa angústia paterna, o livro faz um retrospecto de todo relacionamento familiar e toca em pontos que qualquer um, seja mãe ou pai, se depara diariamente, além de chamar atenção para este tema, tão em voga na atualidade.

“Suicídio é uma palavra muito dura. Só quem passa por isso, quem tem parentes ou amigos próximos que cometeram este ato, pode falar com maior precisão. Eu cheguei a conversar com uma pessoa ou outra, mas sempre é difícil falar sobre o assunto. Elas preferem se resguardar no silêncio da coisa. É uma dor muito incômoda porque, na verdade, é mais do que morrer. É uma morte provocada”, analisa o autor, que usa diversos exemplos na publicação de pessoas de sucesso que cessaram a própria vida. O tema é denso, mas o desfecho surpreende.
Tanto que conquistou os críticos e Contreras, que já concorreu ao Jabuti com Soy Loco por Ti, América, diz ter tido uma grata surpresa. “É uma avaliação feita por críticos que você não conhece, nem sabe que seu livro está sendo lido. Além de ser meu primeiro prêmio, é um reconhecimento importante e abre uma perspectiva boa para o livro, principalmente por aprofundar o tema”, finaliza.
 



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Miriam Gimenes

01/03/2020 | 23:48


Foi durante a elaboração de um livro político que o escritor Javier Arancibia Contreras ouviu uma frase: ‘Hoje, meu filho Pedro pulou da janela do seu apartamento’. Digeriu nos dias seguintes a afirmação soprada pelo seu subconsciente e dela partiu para escrever o romance Crocodilo (Companhia das Letras, 184 páginas, R$ 64,90). Com o título, o quarto do gênero em sua carreira, o também jornalista – que fez parte da Redação do Diário de 2000 a 2003 –, acaba de receber o prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) como melhor romance de 2019.

A frase mencionada foi dita pelo veterano jornalista Ruy. Casado com Marta por mais de três décadas, no início do relacionamento perderam um filho ainda na gestação, mas depois ela conseguiu engravidar de Pedro. O homem, então com 45 anos, teve de se acostumar a ser pai, um sonho que não nutria.

Para completar, nos últimos tempos só pensava em trabalho. Até ter a constatação de que seu único filho, de 28 anos, havia pulado do apartamento que morava, no 11º andar. Ressentido, ele tenta, nos dias subsequentes à morte do rapaz, entender o que o levou a tomar essa atitude.

Mas muito mais do que acompanhar essa angústia paterna, o livro faz um retrospecto de todo relacionamento familiar e toca em pontos que qualquer um, seja mãe ou pai, se depara diariamente, além de chamar atenção para este tema, tão em voga na atualidade.

“Suicídio é uma palavra muito dura. Só quem passa por isso, quem tem parentes ou amigos próximos que cometeram este ato, pode falar com maior precisão. Eu cheguei a conversar com uma pessoa ou outra, mas sempre é difícil falar sobre o assunto. Elas preferem se resguardar no silêncio da coisa. É uma dor muito incômoda porque, na verdade, é mais do que morrer. É uma morte provocada”, analisa o autor, que usa diversos exemplos na publicação de pessoas de sucesso que cessaram a própria vida. O tema é denso, mas o desfecho surpreende.
Tanto que conquistou os críticos e Contreras, que já concorreu ao Jabuti com Soy Loco por Ti, América, diz ter tido uma grata surpresa. “É uma avaliação feita por críticos que você não conhece, nem sabe que seu livro está sendo lido. Além de ser meu primeiro prêmio, é um reconhecimento importante e abre uma perspectiva boa para o livro, principalmente por aprofundar o tema”, finaliza.
 

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