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Tensão desnecessária


Do Diário do Grande ABC

27/02/2020 | 09:30


Como se já não houvesse problemas suficientes para tumultuar o ambiente no Brasil, entre eles a chegada do coronavírus, cujo primeiro paciente foi confirmado no domingo, eis que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) resolveu criar mais um. A imprópria divulgação de vídeo convocando a população a ir para as ruas protestar contra o Congresso, feita do aparelho celular particular do chefe da Nação, cria instabilidade institucional própria de repúblicas de bananas. Se já estava difícil para o Executivo aprovar as reformas necessárias para o desenvolvimento do País, como a administrativa, imagine-se agora.


A crescente animosidade entre dois poderes é deletéria para a democracia. O que espera o presidente da República ao conturbar o cenário político? Ao insultar o Congresso e insuflar representantes da extrema-direita a invocarem intervenção militar, Bolsonaro faz o oposto do que se espera de um líder à altura do cargo que ocupa: distensionar os espíritos.

Desde que microfones indiscretos captaram a polêmica acusação de que parlamentares são chantagistas, feita pelo ministro do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, esvaiu-se o clima de otimismo quanto ao futuro das reformas previstas para este ano. Em vez de agir para serenar os ânimos, posto que será o seu governo o maior beneficiado pelas reformulações fiscal e administrativa, que urgem, Bolsonaro faz exatamente o contrário. A divulgação do vídeo concitando a população aos atos antidemocráticos de 15 de março adicionou gasolina ao fogo.

Diante de recorrentes ataques às instituições e do vilipêndio diário da liturgia do cargo, Bolsonaro começa a despertar insatisfações importantes no seio da sociedade. Além da oposição, analistas isentos já falam em crime de responsabilidade, que daria margem a pedido de impeachment. O papel de vítima do sistema, ou “de tudo que está aí”, como gosta de dizer, certamente irá reavivar o ânimo de boa parte dos eleitores que lhe deram a vitória em 2018, assegurando-lhe popularidade. Terá sido, porém, benéfico ao País? 



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Tensão desnecessária

Do Diário do Grande ABC

27/02/2020 | 09:30


Como se já não houvesse problemas suficientes para tumultuar o ambiente no Brasil, entre eles a chegada do coronavírus, cujo primeiro paciente foi confirmado no domingo, eis que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) resolveu criar mais um. A imprópria divulgação de vídeo convocando a população a ir para as ruas protestar contra o Congresso, feita do aparelho celular particular do chefe da Nação, cria instabilidade institucional própria de repúblicas de bananas. Se já estava difícil para o Executivo aprovar as reformas necessárias para o desenvolvimento do País, como a administrativa, imagine-se agora.


A crescente animosidade entre dois poderes é deletéria para a democracia. O que espera o presidente da República ao conturbar o cenário político? Ao insultar o Congresso e insuflar representantes da extrema-direita a invocarem intervenção militar, Bolsonaro faz o oposto do que se espera de um líder à altura do cargo que ocupa: distensionar os espíritos.

Desde que microfones indiscretos captaram a polêmica acusação de que parlamentares são chantagistas, feita pelo ministro do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, esvaiu-se o clima de otimismo quanto ao futuro das reformas previstas para este ano. Em vez de agir para serenar os ânimos, posto que será o seu governo o maior beneficiado pelas reformulações fiscal e administrativa, que urgem, Bolsonaro faz exatamente o contrário. A divulgação do vídeo concitando a população aos atos antidemocráticos de 15 de março adicionou gasolina ao fogo.

Diante de recorrentes ataques às instituições e do vilipêndio diário da liturgia do cargo, Bolsonaro começa a despertar insatisfações importantes no seio da sociedade. Além da oposição, analistas isentos já falam em crime de responsabilidade, que daria margem a pedido de impeachment. O papel de vítima do sistema, ou “de tudo que está aí”, como gosta de dizer, certamente irá reavivar o ânimo de boa parte dos eleitores que lhe deram a vitória em 2018, assegurando-lhe popularidade. Terá sido, porém, benéfico ao País? 

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