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Alá, meu bom Alá


Rodolfo de Souza

27/02/2020 | 07:00


Dizem que, em momento tão difícil como o que se vive neste vasto rincão, o povo não vai para as ruas como deveria fazer. Com a coragem e a determinação de um chileno, essa gente faria muito bem se fechasse as vias públicas para fazer delas o seu palco de protesto. Isso, segundo a opinião de quem também não vai, claro.

Mas quem falou que a população não se lança de corpo e alma num movimento em prol de um País mais justo, lá no asfalto, tal como faria um francês? Sim, ele o faz, mas sem briga. São carnavalescos, artistas, compositores, passistas, ritmistas e muita gente a cantar e sambar todo o seu descontentamento, pela avenida, que é o seu campo de batalha, templo sagrado da liberdade de expressão. E é lá que a plateia, que também é povo, esbanja entusiasmo e canta alto a sua angústia, com o peito carregado de emoção, batuque e melodia. E nos lábios, um sorriso, no coração, a garra que acabou por transformar o Carnaval em símbolo de luta.

Seja aqui em Sampa, seja no Rio, seja no Nordeste, seja lá onde for, a vastíssima população brasileira segue entoando seu hino de liberdade que se faz no ritmo de samba, maracatu, axé, forró e demais remelexos que mexem com as cadeiras de brasileiros, contentes por erguer bem alto a voz para dizer que basta.

Não importa se o movimento se dá no sambódromo ou pelas ruas, na infinidade de blocos espalhados por esta imensa Pátria da música, do deboche, do grito, até então contido na garganta.

E o Carnaval ganha o mundo por meio dos milhões de câmeras que tudo registram e tudo fazem para que as imagens ganhem o espaço e alcancem os lares de bilhões de pessoas. Cenas que as redes sociais recebem e não se cansam de comentar e repassar. Aí o mundo fica sabendo que a maior festa deste sertão perdeu um pouco de seu brilho quando seus enredos se voltaram para a crítica, para o desabafo, para dizer que a violência invadiu seus barracões e agora despeja balas num povo que já não aguenta mais.

E, embora tenha a marca do protesto a maior festa brasileira, é preciso admitir que os foliões demonstraram muita garra e desejo de que o próximo Carnaval venha mesmo só para se festejar e se alegrar. Ainda que o desalento faça de tudo para impedir que a esperança ganhe espaço no seio dessa gente massacrada que tenta, a duras penas, sobreviver em meio ao caos.

Quarta-Feira de Cinzas, e muitos ainda se espalham pelas ruas das cidades para festejar a despedida de um Carnaval de sucesso. Embora, não tão feliz como os de épocas passadas, mas, sem dúvida, muito bem-sucedido no quesito protesto. Aliás, nota dez para este quesito é o que deveriam dar os jurados para todas as escolas e também para o folião de rua.

Quarta-Feira de Cinzas em que a chuva cai mansa lá fora, e eu preparo este texto para que possa ser degustado nesta quinta-feira (hoje), quando o Carnaval terá acabado e deixado aquele gostinho de ‘quero mais’.



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Alá, meu bom Alá

Rodolfo de Souza

27/02/2020 | 07:00


Dizem que, em momento tão difícil como o que se vive neste vasto rincão, o povo não vai para as ruas como deveria fazer. Com a coragem e a determinação de um chileno, essa gente faria muito bem se fechasse as vias públicas para fazer delas o seu palco de protesto. Isso, segundo a opinião de quem também não vai, claro.

Mas quem falou que a população não se lança de corpo e alma num movimento em prol de um País mais justo, lá no asfalto, tal como faria um francês? Sim, ele o faz, mas sem briga. São carnavalescos, artistas, compositores, passistas, ritmistas e muita gente a cantar e sambar todo o seu descontentamento, pela avenida, que é o seu campo de batalha, templo sagrado da liberdade de expressão. E é lá que a plateia, que também é povo, esbanja entusiasmo e canta alto a sua angústia, com o peito carregado de emoção, batuque e melodia. E nos lábios, um sorriso, no coração, a garra que acabou por transformar o Carnaval em símbolo de luta.

Seja aqui em Sampa, seja no Rio, seja no Nordeste, seja lá onde for, a vastíssima população brasileira segue entoando seu hino de liberdade que se faz no ritmo de samba, maracatu, axé, forró e demais remelexos que mexem com as cadeiras de brasileiros, contentes por erguer bem alto a voz para dizer que basta.

Não importa se o movimento se dá no sambódromo ou pelas ruas, na infinidade de blocos espalhados por esta imensa Pátria da música, do deboche, do grito, até então contido na garganta.

E o Carnaval ganha o mundo por meio dos milhões de câmeras que tudo registram e tudo fazem para que as imagens ganhem o espaço e alcancem os lares de bilhões de pessoas. Cenas que as redes sociais recebem e não se cansam de comentar e repassar. Aí o mundo fica sabendo que a maior festa deste sertão perdeu um pouco de seu brilho quando seus enredos se voltaram para a crítica, para o desabafo, para dizer que a violência invadiu seus barracões e agora despeja balas num povo que já não aguenta mais.

E, embora tenha a marca do protesto a maior festa brasileira, é preciso admitir que os foliões demonstraram muita garra e desejo de que o próximo Carnaval venha mesmo só para se festejar e se alegrar. Ainda que o desalento faça de tudo para impedir que a esperança ganhe espaço no seio dessa gente massacrada que tenta, a duras penas, sobreviver em meio ao caos.

Quarta-Feira de Cinzas, e muitos ainda se espalham pelas ruas das cidades para festejar a despedida de um Carnaval de sucesso. Embora, não tão feliz como os de épocas passadas, mas, sem dúvida, muito bem-sucedido no quesito protesto. Aliás, nota dez para este quesito é o que deveriam dar os jurados para todas as escolas e também para o folião de rua.

Quarta-Feira de Cinzas em que a chuva cai mansa lá fora, e eu preparo este texto para que possa ser degustado nesta quinta-feira (hoje), quando o Carnaval terá acabado e deixado aquele gostinho de ‘quero mais’.

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