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Campanha da Fraternidade convoca fiéis a ajudar necessitados

Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Lançamento ocorreu na noite desta quarta-feira, na Catedral do Carmo, em Santo André


Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

26/02/2020 | 21:14


Em missa realizada na noite de hoje (26) pelo bispo da arquidiocese de Santo André, Dom Pedro Cipollini, na Catedral Nossa Senhora do Carmo, em Santo André, a Igreja Católica realizou o lançamento da Campanha da Fraternidade 2020. Com o tema "Fraternidade e vida: dom e compromisso" e o lema "Viu, sentiu compaixão e cuidou dele", a campanha é uma convocação aos fieis para que cuidem e amparem os mais necessitados.

Em sua homilia, Dom Pedro destacou que a quaresma, período de 40 dias que começa hoje e segue até a Páscoa, deve ser para os católicos tempo de acompanhar os passos de Jesus Cristo, fazendo cada vez mais as obras do reino de Deus. O religioso citou que o exemplo de Cristo foi o de ser generoso e obediente ao Pai, e que a palavra de Deus pede para que todos estejam abertos em uma atitude de amor aos irmãos. "É tempo de renovar nossa relação com Deus, com nossos irmãos e conosco", pontuou.

Dom Pedro também afirmou que a compaixão e a misericórdia são os princípios do agir cristão. "Esse sistema que nós vivemos não tem compaixão, é cada um por si. É necessário justiça, igualdade e democracia, mas sem ajuda aos pobres e últimos da terra, sem ajuda prática aos excluídos, não há conversão, mas também não há progresso humano", concluiu. "A Campanha da Fraternidade nos convida a imprimir uma nova direção na história, colocar a cultura, a economia, recursos materiais, religiões e igrejas para olhar e defender os ultimos da terra, promovendo sua dignidade", finalizou.

Após a missa, Dom Pedro falou que a campanha trata da conversão social. “O tema é baseado na parábola do Bom Samaritano, aquele que ajudou o homem ferido e assaltado, que estava caído no chão. A Bíblia não é apenas para a nossa vida íntima, mas para todos os nossos relacionamentos”, pontuou. “Criar uma mentalidade social de compaixão é ter políticas públicas para os mais pobres, ver a necessidade dos mais pobres”, citou.

“Hoje não tem nada planejado para quem é pobre. A nossa sociedade não tem misericórdia, não tem compaixão. Olha o nosso sistema de saúde. A corrupção, a roubalheira, é falta de compaixão. Em alguns lugares ainda sobre para fazer umas migalhinhas, mas em outros lugares não sobram. É preciso ter compaixão para o governo da sociedade”, pontuou.

Para o religioso, o sistema atual é perverso e coloca o crescimento econômico acima do bem estar das pessoas. “Quando vão falar que o País melhorou apontam o crescimento do PIB (produto interno bruto, a soma das riquezas produzidas) e não da felicidade.”

Questionado sobre o atual momento político e as recentes notícias de que estão sendo convocadas manifestações para o dia 15 de março contra os Poderes Legislativo (Congresso) e Judiciário (Supremo Tribunal Federal), e se isso seria uma ameaça à democracia, defendida em sua homilia, Dom Pedro avaliou a situação como de ambiguidade.

"Uma coisa que parece boa, mas no fundo é ruim. Querendo combater o Congresso e o Supremo, isso é o começo do fim. Jamais se pode fazer isso. Não estou dizendo que são perfeitos, mas é preciso olhar os erros que estão sendo cometidos. Os três poderes, cada um veja o erro que está fazendo, e não querer criticar o outro”, afirmou.

“O Executivo tem que ver o que está fazendo de errado, o Congresso e o Supremo também, tem que começar a ver e não pode achar que é perfeito”, afirmou. Dom Pedro conclamou que todos os poderes constituídos aproveitem a quaresma para fazer uma autocrítica, um exame de consciência, como a Igreja Católica está fazendo. “A partir dessa autocrítica, se proponha a unir a nação. Se o Brasil continuar nesse caminho de desunião e de acirramento dos ânimos vamos perder mais do que já perdemos de tempo. Estamos em uma situação onde os valores humanos estão decadentes”, completou.

Dom Pedro caracterizou a situação como “uma crise antropológica.” “O ser humano está perdendo os valores que faz com que o ser humano tenha dignidade. Não tem mais princípios, vale tudo. Um relativismo ético. Só é bom o que é bom para mim. Temos que levar a sério as responsabilidade com os outros. Uma pessoa que exerce um cargo não pode exercer para si e para sua família. É uma visão distorcida. Todos os cargos são em favor dos outros e não para si”, finalizou.
 



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Campanha da Fraternidade convoca fiéis a ajudar necessitados

Lançamento ocorreu na noite desta quarta-feira, na Catedral do Carmo, em Santo André

Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

26/02/2020 | 21:14


Em missa realizada na noite de hoje (26) pelo bispo da arquidiocese de Santo André, Dom Pedro Cipollini, na Catedral Nossa Senhora do Carmo, em Santo André, a Igreja Católica realizou o lançamento da Campanha da Fraternidade 2020. Com o tema "Fraternidade e vida: dom e compromisso" e o lema "Viu, sentiu compaixão e cuidou dele", a campanha é uma convocação aos fieis para que cuidem e amparem os mais necessitados.

Em sua homilia, Dom Pedro destacou que a quaresma, período de 40 dias que começa hoje e segue até a Páscoa, deve ser para os católicos tempo de acompanhar os passos de Jesus Cristo, fazendo cada vez mais as obras do reino de Deus. O religioso citou que o exemplo de Cristo foi o de ser generoso e obediente ao Pai, e que a palavra de Deus pede para que todos estejam abertos em uma atitude de amor aos irmãos. "É tempo de renovar nossa relação com Deus, com nossos irmãos e conosco", pontuou.

Dom Pedro também afirmou que a compaixão e a misericórdia são os princípios do agir cristão. "Esse sistema que nós vivemos não tem compaixão, é cada um por si. É necessário justiça, igualdade e democracia, mas sem ajuda aos pobres e últimos da terra, sem ajuda prática aos excluídos, não há conversão, mas também não há progresso humano", concluiu. "A Campanha da Fraternidade nos convida a imprimir uma nova direção na história, colocar a cultura, a economia, recursos materiais, religiões e igrejas para olhar e defender os ultimos da terra, promovendo sua dignidade", finalizou.

Após a missa, Dom Pedro falou que a campanha trata da conversão social. “O tema é baseado na parábola do Bom Samaritano, aquele que ajudou o homem ferido e assaltado, que estava caído no chão. A Bíblia não é apenas para a nossa vida íntima, mas para todos os nossos relacionamentos”, pontuou. “Criar uma mentalidade social de compaixão é ter políticas públicas para os mais pobres, ver a necessidade dos mais pobres”, citou.

“Hoje não tem nada planejado para quem é pobre. A nossa sociedade não tem misericórdia, não tem compaixão. Olha o nosso sistema de saúde. A corrupção, a roubalheira, é falta de compaixão. Em alguns lugares ainda sobre para fazer umas migalhinhas, mas em outros lugares não sobram. É preciso ter compaixão para o governo da sociedade”, pontuou.

Para o religioso, o sistema atual é perverso e coloca o crescimento econômico acima do bem estar das pessoas. “Quando vão falar que o País melhorou apontam o crescimento do PIB (produto interno bruto, a soma das riquezas produzidas) e não da felicidade.”

Questionado sobre o atual momento político e as recentes notícias de que estão sendo convocadas manifestações para o dia 15 de março contra os Poderes Legislativo (Congresso) e Judiciário (Supremo Tribunal Federal), e se isso seria uma ameaça à democracia, defendida em sua homilia, Dom Pedro avaliou a situação como de ambiguidade.

"Uma coisa que parece boa, mas no fundo é ruim. Querendo combater o Congresso e o Supremo, isso é o começo do fim. Jamais se pode fazer isso. Não estou dizendo que são perfeitos, mas é preciso olhar os erros que estão sendo cometidos. Os três poderes, cada um veja o erro que está fazendo, e não querer criticar o outro”, afirmou.

“O Executivo tem que ver o que está fazendo de errado, o Congresso e o Supremo também, tem que começar a ver e não pode achar que é perfeito”, afirmou. Dom Pedro conclamou que todos os poderes constituídos aproveitem a quaresma para fazer uma autocrítica, um exame de consciência, como a Igreja Católica está fazendo. “A partir dessa autocrítica, se proponha a unir a nação. Se o Brasil continuar nesse caminho de desunião e de acirramento dos ânimos vamos perder mais do que já perdemos de tempo. Estamos em uma situação onde os valores humanos estão decadentes”, completou.

Dom Pedro caracterizou a situação como “uma crise antropológica.” “O ser humano está perdendo os valores que faz com que o ser humano tenha dignidade. Não tem mais princípios, vale tudo. Um relativismo ético. Só é bom o que é bom para mim. Temos que levar a sério as responsabilidade com os outros. Uma pessoa que exerce um cargo não pode exercer para si e para sua família. É uma visão distorcida. Todos os cargos são em favor dos outros e não para si”, finalizou.
 

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