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Série que estreia na SescTV fala sobre vida e obra do pedagogo e intelectual brasileiro

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O trabalho é dirigido por Cristiano Burlan, que dividiu sua trajetória em cinco episódios


Miriam Gimenes
Do Diário do Grande ABC

26/02/2020 | 23:54


O intelectual e pedagogo Paulo Freire, considerado o patrono da educação brasileira, nunca teve seu nome tão em voga quanto nos dias atuais. Ele, que acaba de ser enredo da escola de samba Águia de Ouro, vencedora do Carnaval de São Paulo –, e sua metodologia têm sofrido ataques do governo federal, tanto que chegou a ser chamado de ‘energúmeno’ pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) –, também terá sua vida contada em série documental, a Paulo Freire – Um Homem do Mundo, que estreia dia 17, às 19h, na Sesc TV para ser assistida on demand no site do canal em sesctv.org.br.

O trabalho é dirigido por Cristiano Burlan, que dividiu sua trajetória em cinco episódios: A Formação do Pensamento; As 40 Horas de Angicos; O Exílio; Do Pátio do Colégio à Pedagogia do Oprimido e O Mundo Não É, Está Sendo. “A ideia surgiu porque fui querer entender quem é Paulo Freire, porque tinha preconceito com ‘frases de caminhão’ (atribuídas a ele) e vi que, antes de mais nada, ele era um humanista. Isso se relaciona bastante com meu trabalho”, explica o diretor gaúcho.
Freire nasceu em 1921, em Recife, Pernambuco. Na década de 1960 criou um método de alfabetização de adultos, aplicado pela primeira vez em 1963 em um grupo de 300 trabalhadores de canaviais do Rio Grande do Norte. O resultado de sua metodologia em tempo recorde – 45 dias – inspirou o Plano Nacional de Alfabetização, que multiplicaria pelo País a pedagogia freireana, tempos depois considerada subversiva pelos militares porque, para ele, a educação era uma ferramenta de transformação da sociedade. Acabou por ser preso durante a ditadura e exilado no Chile, em 1968.

Defensor do diálogo e o respeito entre a diversidade de opiniões, ele nunca apoiou a doutrinação política ou partidária de seus alunos, como tem sido difundido atualmente. Tanto que uma de suas frases era que “defendia uma educação que forme e não uma educação que treine”.

“Paulo Freire fala de uma coisa que é o diálogo, ele era um pouco socrático, porque Sócrates provocava no outro a escuta, então ele falava sobre o diálogo e a escuta, uma troca. Pode parecer algo muito óbvio, mas é difícil de executar. Ele também me ensinou sobre a humildade. Não era uma pessoa que fez um projeto de alfabetização, é um filosofo da educação. Pensou e criticou a política de educação”, analisa Burlan.

Depois do exílio e de dar aula na Universidade Harvard, nos Estados Unidos, Freire voltou para o Brasil, em 1980. Passou a lecionar na PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) e na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

Durante o governo de Luiza Erundina na Prefeitura de São Paulo, de 1989 a 1991, à época pelo PT, Freire foi secretário de Educação. “Essa prefeitura da Erundina foi muito importante para quem não tem voz e Paulo Freire fez parte disso, plantou sementes que reverberam até hoje.” O educador morreu em 1997, vítima de infarto.

A lei que deu a ele o título de patrono foi aprovada em 2012 no Congresso. Freire foi o brasileiro mais laureado com títulos de doutor honoris causa no mundo, já que pelo menos 35 universidades, de diversos países, fizeram homenagens a ele.  



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