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Gilson Menezes é enterrado em Diadema; Lula vai à despedida

Ex-prefeito, que tinha 70 anos, sofreu complicações renais e esperava transplante de rins; cerimônia promove reencontro com Djalma Bom


Júnior Carvalho
Do Diário do Grande ABC

24/02/2020 | 18:11


Familiares, políticos tradicionais de Diadema e amigos se despediram ontem pela manhã do ex-prefeito Gilson Menezes (PSB, 1983-1988 e 1997-2000), que morreu na madrugada de domingo vítima de complicações renais, aos 70 anos. Entre os que foram ao velório, que ocorreu na Câmara diademense, estava o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), companheiro de petismo e de lutas sindicais que marcaram o Grande ABC nas décadas de 1970 e 1980.

Lula chegou ao local por volta das 8h, acompanhado de Eduardo Suplicy (PT), vereador da Capital, e do ex-prefeito diademense José de Filippi Júnior (PT), que foi de secretário de Gilson a adversário ferrenho do socialista nos anos 2000. O ex-prefeito de São Bernardo e presidente do PT paulista, Luiz Marinho, também compareceu. O ex-presidente cumprimentou os familiares de Gilson e permaneceu no velório por cerca de uma hora, mas teve de ir embora devido ao assédio de militantes e até de populares que viram que o petista estava na cidade.

Reencontro marcante foi registrado durante os minutos em que o ex-presidente esteve no velório: Lula e Djalma Bom (PT), ex-deputado, ex-presidente do PT no Estado e parceiro de Lula na direção do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Vários outros ex-sindicalistas também foram à despedida de Gilson, como o deputado federal Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho (PT). Atual prefeito, Lauro Michels (PV) não foi ao velório porque está viajando. O deputado estadual Márcio da Farmácia (Podemos) esteve presente.

Da Câmara, o corpo foi levado ao cemitério municipal, no Parque Real, onde foi sepultado (leia mais abaixo).

GILSON E O PT
Primeiro prefeito do PT no País, eleito em 1982, Gilson e o petismo tiveram relações turbulentas durante toda a carreira política do ex-prefeito. Ainda no fim do mandato, Gilson deixou o PT depois de perder queda de braço com José Augusto da Silva Ramos (hoje no PSDB) na escolha pelo candidato do partido à sucessão. Nas décadas seguintes, ora filiado ao PSB e ora no PL, Gilson virou um dos principais rivais do PT eleição pós-eleição.

No pleito de 1992, Gilson liderava com folga as pesquisas de intenção de votos, mas teve a candidatura impugnada pela Justiça Eleitoral depois de ter as contas da primeira gestão rejeitadas pela Câmara. Substituído pela então mulher, Eliete Menezes, Gilson acusou o PT de articular para derrubar sua candidatura. Filippi venceu aquela disputa. Quanto anos mais tarde, Gilson desbancou o PT e voltou ao comando da Prefeitura, pelo PSB. Em 2000, novo embate duro com Filippi, que leva a melhor.

A paz é selada apenas em 2008, quando Gilson abre mão de ser candidato e aceita ser vice do PT, em chapa encabeçada por Mário Reali – ambos venceram no primeiro turno. A parceria foi reeditada em 2012, mas foi derrotada pelo hoje prefeito Lauro Michels (PV). Nos últimos anos Gilson retomou as críticas ácidas ao PT, sobretudo desde que o partido passou a figurar os escândalos de corrupção e virou o principal alvo da Operação Lava Jato. O distanciamento ficou evidente em novembro de 2017, quando o PT de Diadema promoveu festa com Lula em comemoração à vitória de 1982 e não teria convidado Gilson para a cerimônia.

Familiares e amigos cantam jingle do ex-prefeito em adeus

O adeus ao ex-prefeito Gilson Menezes (PSB), de Diadema, foi marcado por emoção e agradecimentos à dedicação do socialista no crescimento e desenvolvimento da cidade que governou por dois mandatos.

Durante o sepultamento, familiares, amigos e eleitores de Gilson cantaram jingle de uma das campanhas do ex-prefeito, cuja letra reproduzia virtude atribuída ao político que levou a participação popular nas decisões do governo: “Alguém que luta pelo povo”. “Todos nós somos gratos por ele, que foi um homem simples e que lutou pelo povo. Antes (da primeira gestão de Gilson), Diadema era só barro e foi ele quem começou a mudar isso”, comentou a cuidadora de idosos Eliane Silva, 59, em referência às políticas de urbanização de favelas que marcaram a primeira passagem de Gilson pelo comando do Paço diademense.

O corpo de Gilson chegou na Câmara de Diadema por volta das 17h de domingo – ele estava internado em hospital na cidade de São Bento do Sul (Santa Catarina) havia quase duas semanas após sofrer pico de pressão. Diabético, Gilson já estava com a saúde debilitada nos últimos anos e, no fim do ano passado, se mudou para o Sul para, segundo familiares, aguardar por transplante de rim. O velório ocorreu durante toda a madrugada de domingo para ontem e atraiu diversos militantes do PT, ex-sindicalistas, e políticos da cidade. Por volta das 10h, o corpo foi levado em comboio para o Cemitério Municipal, no Parque Real, com veículo da funerária escoltado por viaturas do Corpo de Bombeiros.

O caixão foi levado até o túmulo pela GCM (Guarda Civil Municipal), que fez breve homenagem por se tratar de um ex-prefeito. No cemitério, poucos políticos acompanharam o enterro e deixaram a família se despedir.

Primeira mulher de Gilson, a ex-vereadora Eliete Menezes (PT) se emocionou por diversas vezes e foi consolada por familiares. Viúva e atual mulher de Gilson, Regina Ponce agradeceu o apoio e as homenagens. “Nós sabemos todo o carinho que ele teve por essa cidade”, disse.

Filho do ex-prefeito, Gilson Menezes Júnior, o Gilsinho (PSB), afirmou que “faltam palavras para dizer o quanto ele foi e sempre será especial”. Gilson também deixou outras três filhas, Alexandra, Luciana e Renata, além de sete netos e dois bisnetos.



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Gilson Menezes é enterrado em Diadema; Lula vai à despedida

Ex-prefeito, que tinha 70 anos, sofreu complicações renais e esperava transplante de rins; cerimônia promove reencontro com Djalma Bom

Júnior Carvalho
Do Diário do Grande ABC

24/02/2020 | 18:11


Familiares, políticos tradicionais de Diadema e amigos se despediram ontem pela manhã do ex-prefeito Gilson Menezes (PSB, 1983-1988 e 1997-2000), que morreu na madrugada de domingo vítima de complicações renais, aos 70 anos. Entre os que foram ao velório, que ocorreu na Câmara diademense, estava o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), companheiro de petismo e de lutas sindicais que marcaram o Grande ABC nas décadas de 1970 e 1980.

Lula chegou ao local por volta das 8h, acompanhado de Eduardo Suplicy (PT), vereador da Capital, e do ex-prefeito diademense José de Filippi Júnior (PT), que foi de secretário de Gilson a adversário ferrenho do socialista nos anos 2000. O ex-prefeito de São Bernardo e presidente do PT paulista, Luiz Marinho, também compareceu. O ex-presidente cumprimentou os familiares de Gilson e permaneceu no velório por cerca de uma hora, mas teve de ir embora devido ao assédio de militantes e até de populares que viram que o petista estava na cidade.

Reencontro marcante foi registrado durante os minutos em que o ex-presidente esteve no velório: Lula e Djalma Bom (PT), ex-deputado, ex-presidente do PT no Estado e parceiro de Lula na direção do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Vários outros ex-sindicalistas também foram à despedida de Gilson, como o deputado federal Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho (PT). Atual prefeito, Lauro Michels (PV) não foi ao velório porque está viajando. O deputado estadual Márcio da Farmácia (Podemos) esteve presente.

Da Câmara, o corpo foi levado ao cemitério municipal, no Parque Real, onde foi sepultado (leia mais abaixo).

GILSON E O PT
Primeiro prefeito do PT no País, eleito em 1982, Gilson e o petismo tiveram relações turbulentas durante toda a carreira política do ex-prefeito. Ainda no fim do mandato, Gilson deixou o PT depois de perder queda de braço com José Augusto da Silva Ramos (hoje no PSDB) na escolha pelo candidato do partido à sucessão. Nas décadas seguintes, ora filiado ao PSB e ora no PL, Gilson virou um dos principais rivais do PT eleição pós-eleição.

No pleito de 1992, Gilson liderava com folga as pesquisas de intenção de votos, mas teve a candidatura impugnada pela Justiça Eleitoral depois de ter as contas da primeira gestão rejeitadas pela Câmara. Substituído pela então mulher, Eliete Menezes, Gilson acusou o PT de articular para derrubar sua candidatura. Filippi venceu aquela disputa. Quanto anos mais tarde, Gilson desbancou o PT e voltou ao comando da Prefeitura, pelo PSB. Em 2000, novo embate duro com Filippi, que leva a melhor.

A paz é selada apenas em 2008, quando Gilson abre mão de ser candidato e aceita ser vice do PT, em chapa encabeçada por Mário Reali – ambos venceram no primeiro turno. A parceria foi reeditada em 2012, mas foi derrotada pelo hoje prefeito Lauro Michels (PV). Nos últimos anos Gilson retomou as críticas ácidas ao PT, sobretudo desde que o partido passou a figurar os escândalos de corrupção e virou o principal alvo da Operação Lava Jato. O distanciamento ficou evidente em novembro de 2017, quando o PT de Diadema promoveu festa com Lula em comemoração à vitória de 1982 e não teria convidado Gilson para a cerimônia.

Familiares e amigos cantam jingle do ex-prefeito em adeus

O adeus ao ex-prefeito Gilson Menezes (PSB), de Diadema, foi marcado por emoção e agradecimentos à dedicação do socialista no crescimento e desenvolvimento da cidade que governou por dois mandatos.

Durante o sepultamento, familiares, amigos e eleitores de Gilson cantaram jingle de uma das campanhas do ex-prefeito, cuja letra reproduzia virtude atribuída ao político que levou a participação popular nas decisões do governo: “Alguém que luta pelo povo”. “Todos nós somos gratos por ele, que foi um homem simples e que lutou pelo povo. Antes (da primeira gestão de Gilson), Diadema era só barro e foi ele quem começou a mudar isso”, comentou a cuidadora de idosos Eliane Silva, 59, em referência às políticas de urbanização de favelas que marcaram a primeira passagem de Gilson pelo comando do Paço diademense.

O corpo de Gilson chegou na Câmara de Diadema por volta das 17h de domingo – ele estava internado em hospital na cidade de São Bento do Sul (Santa Catarina) havia quase duas semanas após sofrer pico de pressão. Diabético, Gilson já estava com a saúde debilitada nos últimos anos e, no fim do ano passado, se mudou para o Sul para, segundo familiares, aguardar por transplante de rim. O velório ocorreu durante toda a madrugada de domingo para ontem e atraiu diversos militantes do PT, ex-sindicalistas, e políticos da cidade. Por volta das 10h, o corpo foi levado em comboio para o Cemitério Municipal, no Parque Real, com veículo da funerária escoltado por viaturas do Corpo de Bombeiros.

O caixão foi levado até o túmulo pela GCM (Guarda Civil Municipal), que fez breve homenagem por se tratar de um ex-prefeito. No cemitério, poucos políticos acompanharam o enterro e deixaram a família se despedir.

Primeira mulher de Gilson, a ex-vereadora Eliete Menezes (PT) se emocionou por diversas vezes e foi consolada por familiares. Viúva e atual mulher de Gilson, Regina Ponce agradeceu o apoio e as homenagens. “Nós sabemos todo o carinho que ele teve por essa cidade”, disse.

Filho do ex-prefeito, Gilson Menezes Júnior, o Gilsinho (PSB), afirmou que “faltam palavras para dizer o quanto ele foi e sempre será especial”. Gilson também deixou outras três filhas, Alexandra, Luciana e Renata, além de sete netos e dois bisnetos.

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