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‘Desde o início, a intenção delas era matar’

André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Delegado Paul Henry Verduraz detalha recortes da investigação de morte de Família em São Bernardo


Bia Moço
Do Diário do Grande ABC

24/02/2020 | 07:00


Prestes a completar 30 anos de carreira, Paul Henry Verduraz, delegado titular da Deic (Delegacia de Investigações Criminais) de São Bernardo, encabeçou a investigação do caso da família Gonçalves. O casal Romuyuki e Flaviana, 43 e 40 anos, e o filho caçula deles, Juan Victor, 15, foram encontrados carbonizados no porta-malas do carro da família na Estrada do Montanhão, no dia 28 de janeiro. O crime foi arquitetado pela filha mais velha deles, Anaflávia, 24, e sua namorada, Carina, 31. A execução contou com a ajuda de mais três participantes. Em entrevista exclusiva ao Diário, Verduraz detalha recortes da investigação. 

O caso da família morta em Santo André e carbonizada dentro do carro em São Bernardo foi um dos mais bárbaros dos últimos anos e chamou a atenção em todo o País, inclusive porque a filha mais velha do casal está entre os acusados. Eles falam que o plano era apenas roubar, mas acabou em tragédia. O senhor já sabe por que o desfecho foi tão trágico? É possível dizer que os envolvidos de alguma forma se espelharam no caso da Suzane Richthofen para planejar o assalto ou até os assassinatos?
É um caso bem parecido com o da Suzane von Richthofen. A principal semelhança que tem é, em primeiro lugar, que estamos convictos de que a intenção delas era matar, e não só roubar. Não é um roubo que não deu certo, era um assassinato premeditado. Embora também temos certeza de que eles pretendiam roubar porque chegaram a estudar, inclusive, a possibilidade de ficar com o seguro de vida dos pais de Anaflávia. Além disso, a grande semelhança com o caso Richthofen é como as meninas conseguiram atrair os rapazes para praticar o crime, mentindo que a Anaflávia era abusada pelo pai, assim como a Suzane inventou.

O comportamento das meninas chega a se assemelhar com o da Suzane?
O comportamento das duas é de querer negociar cada passo da defesa, oferecendo trocas com o sistema da Justiça criminal para diminuir pena. Querem entregar a arma do crime para pleitear diminuição de pena, negociar confissão para conseguir benefício de lei. Esse tipo de jogo vão querer fazer daqui até depois da condenação. Foi esse o comportamento que a Suzane adotou ao longo de toda a jornada dela, embora ela nunca tenha conseguido nenhuma vantagem com relação aos demais réus, porque ela não demonstrou arrependimento.

Em algum momento da investigação e dos depoimentos que prestou Anaflávia mostrou algum sinal de arrependimento? De maneira geral, como foi e tem sido o comportamento dela?
Até agora não vimos nenhum tipo de arrependimento da Anaflávia. Não demonstra nenhuma emoção. Comportamento totalmente frio.

E os demais envolvidos?
Eles acreditam que foram enganados, até porque, perceberam que parte do que elas disseram era mentira, principalmente em relação ao abuso da Anaflávia. A Carina é fria.

Muito se comenta que a companheira da Anaflávia a convenceu a tramar o ataque à família, pelo menos com relação ao roubo de quantia que a família teria na casa. A investigação chegou a essa conclusão ou a ação envolveu todo o grupo desde o início do plano?
No início houve contradições nos depoimentos e cada um jogava a culpa no outro. Mas agora, sem dúvida nenhuma, já conseguimos extrair a verdade dos fatos com base no conjunto de elementos que temos, inclusive com depoimentos deles. O plano partiu das duas, da vontade das duas, que depois veio a se alinhar com os meninos. Os meninos foram procurados para execução do crime, e foram elas que arquitetaram toda a trama criminosa.

Já é possível, com base no que a investigação avançou, dizer qual ou quais das versões realmente mostram como foi a participação de cada um?
Sem dúvida nenhuma já é possível falar qual a participação de cada um no crime. Já está tudo esclarecido, e vai ficar mais claro na reconstituição. Será estabelecido pela polícia em um relatório final, colocado à disposição da Justiça, e tenho certeza de que ficará claro no fim do inquérito policial para todos quem fez o quê. Sobre adiantar algo, não é o momento oportuno.

Já temos data para a reconstituição da cena?
Ainda não tem data marcada, porque precisa ajustar com laudos e peritos. Ainda é cedo adiantar data, mas deve sair semana que vem (nesta semana). Dentro de 15 dias devemos ter a solução de todo o caso finalizada e apresentar o inquérito concluído.

Há ainda alguma dúvida quanto à motivação?
O interesse era somente financeiro. Sem dúvida nenhuma ela (Anaflávia) queria matar os pais para se beneficiar com a sucessão dos bens. O casal pretendia maquiar essa morte com o roubo. Elas achavam que, com isso, passariam impunes e se beneficiariam com a herança. Não acho que elas pensaram que seriam descobertas em algum momento.

Uma semana antes a Anaflávia havia feito publicação nas redes sociais, em homenagem ao irmão, que estava completando 15 anos. Essa demonstração de carinho já foi uma forma de mascarar a ação que estava prevista?
Tem coisas surpreendentes que serão reveladas ainda sobre a frieza que elas tiveram no tratamento com os familiares nos momentos que antecedem esse crime. A frieza da Anaflávia é surpreendente e revoltante até. Mas isso será revelado no final das investigações.

Também muito se comenta que os envolvidos foram, digamos, amadores em todos os sentidos na execução do crime. O senhor concorda com essa percepção? Por quê?
Sim, sem dúvida. Elas trancarem a porta da casa, tentando simular um roubo, contar uma história fantasiosa de agiotas e achar que não seriam descobertas pela polícia, com atitudes básicas que jamais iriam passar despercebidas pela investigação. Não tem sentido achar que aquilo ia dar certo. Acho que, qualquer um, com uma inteligência média, não poderia acreditar que aquele plano daria certo. Tinha câmera também. Era pouco provável que saíssem ilesas. Mas, enfim, esperar o que de uma pessoa que põe fim na própria família, né? É triste.

Quais pontos o senhor acha que foram fundamentais para levar à descoberta dos culpados com rapidez?
O ponto-chave foi o momento da decisão da prisão das duas. Foi uma decisão de coragem porque poderia levar, como levou, ao sucesso da investigação, puxar o fio que desenrolou o resto do novelo, mas também se fosse uma decisão errada poderia acabar com a minha carreira. Prender a filha da família que acabou de ser carbonizada, e não fosse ela parte do crime, enterrava minha carreira.

Como o senhor chegou à conclusão de que a filha era parte do crime?
Ela (Anaflávia) estava contando historinhas, falando mal da mãe. Eu pensei que aquilo não era normal, a menina falando coisas horríveis da própria mãe, que estava ainda com o corpo quente, que tinha acabado de ser morta. E ela continuava, contou que a família devia para agiota, e aquilo foi me incomodando. Aí chega uma ligação do 1º Distrito falando que uma testemunha contou que havia uma terceira pessoa dentro da casa, sendo um homem, de cerca de 1,90 metro, que colocou o carro da família de ré na garagem e carregou com algo pesado. Caiu por terra a história que elas sustentavam, de que só tinha as duas e a família em casa, e que saíram para pagar o tal agiota. Foi aí que falei ‘para tudo’. Liguei para o juiz e disse que queria a prisão delas, porque tinha uma terceira pessoa na cena. Elas estavam mentindo. Chegou o mandato de prisão, anunciei que elas estavam presas, e foi então que elas começaram a falar.

O que foi que elas disseram, em princípio?
Deram o nome do primo da Carina, o Juliano. Na casa dele encontramos parte dos objetos roubados. Aí foi um atrás do outro. Chegamos no Guilherme e, por fim, no Jonathan. Sem brincadeira, depois que prendemos as duas, em 24 horas tivemos todo o caso solucionado na mão, fomos só atrás das provas e envolvidos.

O senhor disse que elas queriam matar a família desde o início. Como chegaram nesta conclusão?
Todo mundo está falando e achando que era um roubo que deu errado e saiu morte, porque só tiveram acesso aos depoimentos das meninas, do Juliano e do Guilherme. Mas ninguém teve acesso ao que o Jonathan fala, que foi o último a ser preso. E ele fala: ‘Nós íamos matar, nós não íamos roubar’. Ele entregou tudo, falou a real. A versão dele foi isenta de tudo, sem combinado.

Qual o envolvimento de cada um na cena do crime?
Na execução todos participaram, somente a Anaflávia ficou fora . Os outros todos estavam no quarto do Juan, onde os três foram mortos, na cama do menino. Os corpos foram levados sem vida até a estrada, e somente lá foram queimados. A Carina colocou a roupa da sogra, o uniforme da loja, para se disfarçar e sair com o carro da família.

Aliás, todos os envolvidos já estão presos ou existe algum suspeito ainda à solta?
Todo mundo preso. Está fechado o caso.

Como está a situação dos jovens que teriam receptado produtos levados da casa pelo grupo? Há suspeita de que tiveram algum envolvimento no caso além do fato de estarem com os itens?
Nenhum envolvimento. Somente estavam guardando aqueles pertences.

Há quantos anos o senhor atua como delegado? Nesse tempo o senhor esteve à frente ou participou da investigação de um caso de tanta crueldade?
Faço 30 anos de carreira no dia 1º de junho. Em 2003 tivemos um caso emblemático, o da Érika, a agente de viagens que foi sequestrada, torturada e jogada viva na represa e acabou morrendo afogada.

Com quase 30 anos de carreira, boa parte no Grande ABC, o senhor já pensa em se aposentar?
Estou me preparando para encerrar minha carreira profissional. Estou prestando concurso para ser professor da academia de polícia. Quero transformar minha experiência em aulas, justamente de investigação policial, que é minha matéria preferida. Estou muito feliz de ter voltado para São Bernardo. Eu tinha que voltar para cá, tinha de terminar a carreira aqui, que é minha segunda casa. Minha vida profissional foi quase toda no Grande ABC.



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‘Desde o início, a intenção delas era matar’

Delegado Paul Henry Verduraz detalha recortes da investigação de morte de Família em São Bernardo

Bia Moço
Do Diário do Grande ABC

24/02/2020 | 07:00


Prestes a completar 30 anos de carreira, Paul Henry Verduraz, delegado titular da Deic (Delegacia de Investigações Criminais) de São Bernardo, encabeçou a investigação do caso da família Gonçalves. O casal Romuyuki e Flaviana, 43 e 40 anos, e o filho caçula deles, Juan Victor, 15, foram encontrados carbonizados no porta-malas do carro da família na Estrada do Montanhão, no dia 28 de janeiro. O crime foi arquitetado pela filha mais velha deles, Anaflávia, 24, e sua namorada, Carina, 31. A execução contou com a ajuda de mais três participantes. Em entrevista exclusiva ao Diário, Verduraz detalha recortes da investigação. 

O caso da família morta em Santo André e carbonizada dentro do carro em São Bernardo foi um dos mais bárbaros dos últimos anos e chamou a atenção em todo o País, inclusive porque a filha mais velha do casal está entre os acusados. Eles falam que o plano era apenas roubar, mas acabou em tragédia. O senhor já sabe por que o desfecho foi tão trágico? É possível dizer que os envolvidos de alguma forma se espelharam no caso da Suzane Richthofen para planejar o assalto ou até os assassinatos?
É um caso bem parecido com o da Suzane von Richthofen. A principal semelhança que tem é, em primeiro lugar, que estamos convictos de que a intenção delas era matar, e não só roubar. Não é um roubo que não deu certo, era um assassinato premeditado. Embora também temos certeza de que eles pretendiam roubar porque chegaram a estudar, inclusive, a possibilidade de ficar com o seguro de vida dos pais de Anaflávia. Além disso, a grande semelhança com o caso Richthofen é como as meninas conseguiram atrair os rapazes para praticar o crime, mentindo que a Anaflávia era abusada pelo pai, assim como a Suzane inventou.

O comportamento das meninas chega a se assemelhar com o da Suzane?
O comportamento das duas é de querer negociar cada passo da defesa, oferecendo trocas com o sistema da Justiça criminal para diminuir pena. Querem entregar a arma do crime para pleitear diminuição de pena, negociar confissão para conseguir benefício de lei. Esse tipo de jogo vão querer fazer daqui até depois da condenação. Foi esse o comportamento que a Suzane adotou ao longo de toda a jornada dela, embora ela nunca tenha conseguido nenhuma vantagem com relação aos demais réus, porque ela não demonstrou arrependimento.

Em algum momento da investigação e dos depoimentos que prestou Anaflávia mostrou algum sinal de arrependimento? De maneira geral, como foi e tem sido o comportamento dela?
Até agora não vimos nenhum tipo de arrependimento da Anaflávia. Não demonstra nenhuma emoção. Comportamento totalmente frio.

E os demais envolvidos?
Eles acreditam que foram enganados, até porque, perceberam que parte do que elas disseram era mentira, principalmente em relação ao abuso da Anaflávia. A Carina é fria.

Muito se comenta que a companheira da Anaflávia a convenceu a tramar o ataque à família, pelo menos com relação ao roubo de quantia que a família teria na casa. A investigação chegou a essa conclusão ou a ação envolveu todo o grupo desde o início do plano?
No início houve contradições nos depoimentos e cada um jogava a culpa no outro. Mas agora, sem dúvida nenhuma, já conseguimos extrair a verdade dos fatos com base no conjunto de elementos que temos, inclusive com depoimentos deles. O plano partiu das duas, da vontade das duas, que depois veio a se alinhar com os meninos. Os meninos foram procurados para execução do crime, e foram elas que arquitetaram toda a trama criminosa.

Já é possível, com base no que a investigação avançou, dizer qual ou quais das versões realmente mostram como foi a participação de cada um?
Sem dúvida nenhuma já é possível falar qual a participação de cada um no crime. Já está tudo esclarecido, e vai ficar mais claro na reconstituição. Será estabelecido pela polícia em um relatório final, colocado à disposição da Justiça, e tenho certeza de que ficará claro no fim do inquérito policial para todos quem fez o quê. Sobre adiantar algo, não é o momento oportuno.

Já temos data para a reconstituição da cena?
Ainda não tem data marcada, porque precisa ajustar com laudos e peritos. Ainda é cedo adiantar data, mas deve sair semana que vem (nesta semana). Dentro de 15 dias devemos ter a solução de todo o caso finalizada e apresentar o inquérito concluído.

Há ainda alguma dúvida quanto à motivação?
O interesse era somente financeiro. Sem dúvida nenhuma ela (Anaflávia) queria matar os pais para se beneficiar com a sucessão dos bens. O casal pretendia maquiar essa morte com o roubo. Elas achavam que, com isso, passariam impunes e se beneficiariam com a herança. Não acho que elas pensaram que seriam descobertas em algum momento.

Uma semana antes a Anaflávia havia feito publicação nas redes sociais, em homenagem ao irmão, que estava completando 15 anos. Essa demonstração de carinho já foi uma forma de mascarar a ação que estava prevista?
Tem coisas surpreendentes que serão reveladas ainda sobre a frieza que elas tiveram no tratamento com os familiares nos momentos que antecedem esse crime. A frieza da Anaflávia é surpreendente e revoltante até. Mas isso será revelado no final das investigações.

Também muito se comenta que os envolvidos foram, digamos, amadores em todos os sentidos na execução do crime. O senhor concorda com essa percepção? Por quê?
Sim, sem dúvida. Elas trancarem a porta da casa, tentando simular um roubo, contar uma história fantasiosa de agiotas e achar que não seriam descobertas pela polícia, com atitudes básicas que jamais iriam passar despercebidas pela investigação. Não tem sentido achar que aquilo ia dar certo. Acho que, qualquer um, com uma inteligência média, não poderia acreditar que aquele plano daria certo. Tinha câmera também. Era pouco provável que saíssem ilesas. Mas, enfim, esperar o que de uma pessoa que põe fim na própria família, né? É triste.

Quais pontos o senhor acha que foram fundamentais para levar à descoberta dos culpados com rapidez?
O ponto-chave foi o momento da decisão da prisão das duas. Foi uma decisão de coragem porque poderia levar, como levou, ao sucesso da investigação, puxar o fio que desenrolou o resto do novelo, mas também se fosse uma decisão errada poderia acabar com a minha carreira. Prender a filha da família que acabou de ser carbonizada, e não fosse ela parte do crime, enterrava minha carreira.

Como o senhor chegou à conclusão de que a filha era parte do crime?
Ela (Anaflávia) estava contando historinhas, falando mal da mãe. Eu pensei que aquilo não era normal, a menina falando coisas horríveis da própria mãe, que estava ainda com o corpo quente, que tinha acabado de ser morta. E ela continuava, contou que a família devia para agiota, e aquilo foi me incomodando. Aí chega uma ligação do 1º Distrito falando que uma testemunha contou que havia uma terceira pessoa dentro da casa, sendo um homem, de cerca de 1,90 metro, que colocou o carro da família de ré na garagem e carregou com algo pesado. Caiu por terra a história que elas sustentavam, de que só tinha as duas e a família em casa, e que saíram para pagar o tal agiota. Foi aí que falei ‘para tudo’. Liguei para o juiz e disse que queria a prisão delas, porque tinha uma terceira pessoa na cena. Elas estavam mentindo. Chegou o mandato de prisão, anunciei que elas estavam presas, e foi então que elas começaram a falar.

O que foi que elas disseram, em princípio?
Deram o nome do primo da Carina, o Juliano. Na casa dele encontramos parte dos objetos roubados. Aí foi um atrás do outro. Chegamos no Guilherme e, por fim, no Jonathan. Sem brincadeira, depois que prendemos as duas, em 24 horas tivemos todo o caso solucionado na mão, fomos só atrás das provas e envolvidos.

O senhor disse que elas queriam matar a família desde o início. Como chegaram nesta conclusão?
Todo mundo está falando e achando que era um roubo que deu errado e saiu morte, porque só tiveram acesso aos depoimentos das meninas, do Juliano e do Guilherme. Mas ninguém teve acesso ao que o Jonathan fala, que foi o último a ser preso. E ele fala: ‘Nós íamos matar, nós não íamos roubar’. Ele entregou tudo, falou a real. A versão dele foi isenta de tudo, sem combinado.

Qual o envolvimento de cada um na cena do crime?
Na execução todos participaram, somente a Anaflávia ficou fora . Os outros todos estavam no quarto do Juan, onde os três foram mortos, na cama do menino. Os corpos foram levados sem vida até a estrada, e somente lá foram queimados. A Carina colocou a roupa da sogra, o uniforme da loja, para se disfarçar e sair com o carro da família.

Aliás, todos os envolvidos já estão presos ou existe algum suspeito ainda à solta?
Todo mundo preso. Está fechado o caso.

Como está a situação dos jovens que teriam receptado produtos levados da casa pelo grupo? Há suspeita de que tiveram algum envolvimento no caso além do fato de estarem com os itens?
Nenhum envolvimento. Somente estavam guardando aqueles pertences.

Há quantos anos o senhor atua como delegado? Nesse tempo o senhor esteve à frente ou participou da investigação de um caso de tanta crueldade?
Faço 30 anos de carreira no dia 1º de junho. Em 2003 tivemos um caso emblemático, o da Érika, a agente de viagens que foi sequestrada, torturada e jogada viva na represa e acabou morrendo afogada.

Com quase 30 anos de carreira, boa parte no Grande ABC, o senhor já pensa em se aposentar?
Estou me preparando para encerrar minha carreira profissional. Estou prestando concurso para ser professor da academia de polícia. Quero transformar minha experiência em aulas, justamente de investigação policial, que é minha matéria preferida. Estou muito feliz de ter voltado para São Bernardo. Eu tinha que voltar para cá, tinha de terminar a carreira aqui, que é minha segunda casa. Minha vida profissional foi quase toda no Grande ABC.

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