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Lula nega recebimento de propinas em interrogatório da Operação Zelotes



19/02/2020 | 18:39


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a negar, em interrogatório nesta quarta, 19, que tenha recebido propinas em troca da edição da Medida Provisória 471, de 2009, que dispôs sobre benefícios fiscais a montadoras de veículos. O petista afirmou que a denúncia é uma "ilação". "Há muita má fé, muita inverdade."

O petista prestou depoimento na 10.ª Vara Criminal Federal, em Brasília, onde compareceu às 14h30 desta quarta, 19, e respondeu a perguntas do juiz federal Vallisney de Oliveira, responsável pela Operação Zelotes, e também do Ministério Público Federal, e de sua própria defesa.

O ex-presidente negou ter se reunido com o lobista Mauro Marcondes, a quem conhece desde os anos 1970. "Eu tenho conhecimento do Mauro Marcondes desde 1975, quando eu assumi a presidência do sindicato dos metalúrgicos do ABC, e o Mauro Marcondes era diretor de recursos humanos da Volkswagen. Então, todo e qualquer problema que o sindicato tinha com 44 mil trabalhadores da Volks a relação era com o Mauro Marcondes."

"A vida do Mauro Marcondes fora da relação sindical não me interessa, não é da minha conta se ele conversou com a Mitsubishi. Se alguém conversou com ele, não é problema meu. O que eu acho grave é o MP fazer uma ilação de que tudo isso foi feito para dar dinheiro para o PT. Por isso que eu tô aqui", disse.

Lula também rechaçou depoimento do ex-ministro Antonio Palocci, que relatou pagamentos ao filho de Lula, Luís Cláudio, em troca da MP 627 e a negociação dos caças Grippen, no governo Dilma Rousseff - esta alvo de outra ação na Zelotes. No mesmo depoimento, o delator mencionou suposto acerto na venda de MPs ao setor automobilístico. Sobre este trecho específico, Lula foi questionado.

"A única explicação é porque ele deveria estar ganhando um premio para fazer delação num processo em Curitiba. Talvez, ele tenha sido prestado a contribuir com o MP , com as mentiras já contadas para tentar passar um tom de verdade", afirmou.

Nesta ação penal, o petista responde pelo crime de corrupção passiva por, supostamente, ter participado da "venda" da Medida Provisória (MP) 471, de 2009, que prorrogou os incentivos fiscais para montadoras instaladas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. O caso foi revelado pelo Estado em 2015 e investigado na Operação Zelotes.

Na denúncia, a Procuradoria sustenta que representantes das montadoras prometeram o pagamento de "vantagens indevidas" a intermediários do esquema e a agentes políticos, entre eles Lula e Carvalho.

A Marcondes e Mautoni Empreendimentos - empresa do lobista Mauro Marcondes Machado, que representava a CAOA (Hyundai) e a MMC Automotores (Mitsubishi do Brasil) - teria ofertado R$ 6 milhões a Lula e Carvalho. O destino do dinheiro, segundo o MPF, seria o custeio de campanhas eleitorais do PT.



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Lula nega recebimento de propinas em interrogatório da Operação Zelotes


19/02/2020 | 18:39


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a negar, em interrogatório nesta quarta, 19, que tenha recebido propinas em troca da edição da Medida Provisória 471, de 2009, que dispôs sobre benefícios fiscais a montadoras de veículos. O petista afirmou que a denúncia é uma "ilação". "Há muita má fé, muita inverdade."

O petista prestou depoimento na 10.ª Vara Criminal Federal, em Brasília, onde compareceu às 14h30 desta quarta, 19, e respondeu a perguntas do juiz federal Vallisney de Oliveira, responsável pela Operação Zelotes, e também do Ministério Público Federal, e de sua própria defesa.

O ex-presidente negou ter se reunido com o lobista Mauro Marcondes, a quem conhece desde os anos 1970. "Eu tenho conhecimento do Mauro Marcondes desde 1975, quando eu assumi a presidência do sindicato dos metalúrgicos do ABC, e o Mauro Marcondes era diretor de recursos humanos da Volkswagen. Então, todo e qualquer problema que o sindicato tinha com 44 mil trabalhadores da Volks a relação era com o Mauro Marcondes."

"A vida do Mauro Marcondes fora da relação sindical não me interessa, não é da minha conta se ele conversou com a Mitsubishi. Se alguém conversou com ele, não é problema meu. O que eu acho grave é o MP fazer uma ilação de que tudo isso foi feito para dar dinheiro para o PT. Por isso que eu tô aqui", disse.

Lula também rechaçou depoimento do ex-ministro Antonio Palocci, que relatou pagamentos ao filho de Lula, Luís Cláudio, em troca da MP 627 e a negociação dos caças Grippen, no governo Dilma Rousseff - esta alvo de outra ação na Zelotes. No mesmo depoimento, o delator mencionou suposto acerto na venda de MPs ao setor automobilístico. Sobre este trecho específico, Lula foi questionado.

"A única explicação é porque ele deveria estar ganhando um premio para fazer delação num processo em Curitiba. Talvez, ele tenha sido prestado a contribuir com o MP , com as mentiras já contadas para tentar passar um tom de verdade", afirmou.

Nesta ação penal, o petista responde pelo crime de corrupção passiva por, supostamente, ter participado da "venda" da Medida Provisória (MP) 471, de 2009, que prorrogou os incentivos fiscais para montadoras instaladas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. O caso foi revelado pelo Estado em 2015 e investigado na Operação Zelotes.

Na denúncia, a Procuradoria sustenta que representantes das montadoras prometeram o pagamento de "vantagens indevidas" a intermediários do esquema e a agentes políticos, entre eles Lula e Carvalho.

A Marcondes e Mautoni Empreendimentos - empresa do lobista Mauro Marcondes Machado, que representava a CAOA (Hyundai) e a MMC Automotores (Mitsubishi do Brasil) - teria ofertado R$ 6 milhões a Lula e Carvalho. O destino do dinheiro, segundo o MPF, seria o custeio de campanhas eleitorais do PT.

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