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Um ano após anúncio, Ford tem desfecho indefinido

Celso Luiz/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Fábrica de S.Bernardo ainda não foi vendida, mas os interessados negociam com a montadora dos EUA


Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

18/02/2020 | 23:50


Um ano após o anúncio de fechamento da fábrica da Ford em São Bernardo, as negociações para a venda da unidade, no bairro Taboão, seguem longe de um desfecho. Depois de as tratativas com a Caoa não evoluírem, as portas da planta seguem fechadas e cerca de 2.000 trabalhadores que foram dispensados ainda esperam por boa notícia. “O compasso de espera é um luto que não termina”, afirmou o ex-presidente e atual diretor do SMABC (Sindicato dos Metalúrgicos do ABC) Rafael Marques com relação às incertezas sobre o futuro.

O comunicado sobre o fim das operações foi feito pela montadora norte-americana à imprensa em 19 de fevereiro do ano passado, por volta das 16h, quando informou que deixaria de atuar no segmento de caminhões na América do Sul. Como consequência da reestruturação, a empresa anunciou o encerramento das atividades na fábrica da região ao longo de 2019, o que aconteceu definitivamente em outubro. Na unidade eram fabricadas as linhas de caminhões Cargo, F-4000, F-350, além do carro New Fiesta.

O impacto foi instantâneo e teve resposta do sindicato e governos do Estado e municipal. A entidade organizou ações de protesto, como passeata na cidade e paralisação na fábrica, que chegou a durar mais de 40 dias. Além disso, sindicalistas se reuniram com representantes da empresa na matriz dos Estados Unidos, em Dearborn, Michigan, e também com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

Para Marques, que está à frente do Tid Brasil (Instituto Trabalho, Indústria e Desenvolvimento) e participou desde o início das negociações, faltou resistência da região. “Foi oportuno para a Ford (a saída) naquele momento. Avaliou que no âmbito federal teria pouca resistência e que o governo do Estado teria condução um pouco diferente, mas que não iria confrontar diretamente com a empresa, apesar de buscar alternativas. Faltou uma resistência da região contra a ação da Ford, de cobrar compromisso pela história que ela tem no Brasil e benefícios que teve aqui. Não é qualquer coisa, uma planta de mais de 1 milhão de metros quadrados simplesmente apagar a luz e deixar os trabalhadores sem resposta, numa região tão importante como o Grande ABC”, afirmou ele, que também é ex-funcionário da Ford.

Marques declarou que o sindicato fez tudo o que era possível, mas que era necessário uma ação mais efetiva do governo federal, que não se envolveu com a situação, apesar de receber políticos e sindicalistas em reuniões, e até mesmo das prefeituras de outras cidades do Grande ABC. “Muitas pessoas não tiveram a noção de quanto essa decisão foi danosa para todo o País.”

O Estado se empenhou em encontrar um comprador para a unidade, assim como a Prefeitura de São Bernardo, que também chegou a acionar outros órgãos para atuar na questão, como o Ministério Público do Trabalho. No entanto, sem desfecho favorável, agora lavam as mãos.

A Caoa chegou a anunciar publicamente, em setembro do ano passado, no Palácio dos Bandeirantes, junto ao governador João Doria (PSDB), o interesse na fábrica de São Bernardo. Após diversos adiamentos para uma conclusão, o negócio acabou não se concretizando, como foi anunciado no início deste ano.

“A planta ainda desperta interesse de outras montadoras, o que alimenta uma esperança e insegurança enorme. Isso porque nós vimos a frustração dos trabalhadores com a Caoa”, disse Marques. “O ciclo ainda não fechou e estamos ligados a esse processo. Continuamos conversando com a Ford e queremos ser recebidos ainda neste mês para falar sobre as negociações”, afirmou.

O Diário questionou o governo do Estado sobre a questão, que declarou que não havia novidades sobre o assunto e que as negociações aconteciam entre empresas privadas.
A Prefeitura de São Bernardo informou que não há novidades sobre a situação. Assim como a BYD, uma das empresas interessadas na planta.

A Ford disse que “continua fazendo todos os esforços cabíveis para alcançar um resultado positivo”, mas que não há novas movimentações nas negociações.

TRABALHADORES

Muitos dos ex-funcionários da empresa acabaram seguindo outros caminhos, conforme reportagem publicada pelo Diário neste início de ano. Mesmo assim, eles mantêm a esperança.

Leone Cleber Duarte Cruz, 29 anos, que trabalhou na empresa por oito, atualmente é motorista de aplicativo. “Ainda acredito (em uma venda), mas não dá para ficar parado esperando”, disse.

“Foi um ano bem difícil, mas amanhã (hoje) eu também completo um ano com minha franquia no shopping. É óbvio que a gente tem esperança e busca acreditar em reaver o nosso emprego”, contou Antonio Carlos Negreiros Januzzi, 43, que também estava na Ford havia oito.  



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