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Primeiro emprego diminui 34% na indústria em 1 ano

Alto índice de importação no Brasil, favorecido pelo dólar
baixo, prejudica a competitividade das metalúrgicas do País


Pedro Souza
do Diário do Grande ABC

01/05/2012 | 07:00


O alto índice de importação no País, favorecido pelo dólar baixo, na casa de R$ 1,89, prejudica a competitividade das indústrias brasileiras, que perdem mercado frente aos produtos similares de outros países, vendidos a um custo menor. Com isso a produção nacional diminui e, consequentemente, se reduz também a necessidade de mão de obra.

Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, apenas 263 jovens foram admitidos para ocupar o primeiro emprego na indústria metalúrgica da região, um dos segmentos mais fortes da economia do Grande ABC. O volume de contratações foi 34% menor do que o registrado no mesmo período do ano passado.

O MTE informou que os dados do primeiro emprego se referem aos aprendizes, que podem ter até 24 anos. E muitos deles já tiveram outros empregos e, mesmo em tempos de desindustrialização, buscam formação para entrarem no setor.

Dados do ministério apontam, ainda, que no primeiro bimestre a indústria acumulou saldo negativo de 1.573 postos de trabalho, considerando todos os perfis de trabalhadores, enquanto que em janeiro e fevereiro do ano passado, o montante era de 2.079. O resultado representa retração de 175%.

A queda reflete a postura que a indústria vem seguindo constantemente. A ordem é buscar menor custo e maior eficiência. Agora é obrigação diminuir os gastos e produzir o máximo com maior qualidade para enfrentar o cenário de desindustrialização. E os jovens à procura do primeiro emprego na área acabam enfrentando as barreiras da baixa qualificação para responder aos anseios do setor.

Para o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano, Aparecido Inácio da Silva, o Cidão, a redução nas admissões de primeiro emprego foi uma surpresa. "Não tinha conhecimento sobre esses dados", afirmou.

No entanto, ele destacou que o sindicato tem parceria com o Instituto GM em cursos técnicos, que são oferecidos, em maioria, para os filhos e parentes dos associados. "De 2002 até agora, já formamos 5.000 alunos. Posso lhe assegurar que 30% estão no mercado de metalurgia", disse Cidão.

Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá, Cícero Firmino Martinha também se mostrou surpreso com o baixo volume de contratação de primeiro emprego. Mas destacou que a entidade faz parceria com o Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) para oferecer aos associados e seus parentes cursos de aprendizarem e técnicos, o que eleva as chances de aceitação nas empresas.

O vice-diretor da Escola Senai A. Jacob Lafer, de Santo André, Sidnei Antonio Munhato, destacou que janeiro e fevereiro são meses de baixo índice de contratação nas empresas. Mas lembrou que a base está fortificada. Somente na unidade, 1.100 alunos cursam aulas de metalmecânica e eletroeletrônica. "E temos entre 75% e 80% deles empregados."

É o caso de Felipe Bertoni de Oliveira, que já foi vendedor e fotógrafo e, aos 19 anos, cursa o primeiro semestre de mecânica de usinagem no Senai. "Gosto muito da área. De manhã trabalho como aprendiz. De tarde estou aqui no Senai. E, de noite, curso técnico em mecatrônica", detalhou o estudante. Seu objetivo é se graduar em engenharia mecatrônica e atuar em grandes empresas.

Não muito diferente é o caso de Mariana Araújo Borburema, 18 anos. Uma entre poucas meninas que se interessam pela indústria metalúrgica, ela teve grande estímulo dos parentes, principalmente do seu pai, para que entrasse no curso de aprendizagem do Senai. Além de visualizar futura faculdade de mecatrônica, espera ser efetivada na empresa onde atua como aprendiz.

O Senai possui sete unidades no Grande ABC. Os cursos de aprendizagem são para jovens com idade mínima de 14 anos. As aulas técnicas são para quem está no 2° ano do Ensino Médio. Ambos são gratuitos. Para ingressar nas aulas, os interessados passam por processo seletivo.



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