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Alta no preço dos hortifrúti anula a redução na carne

 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Pressionado pelas enchentes, valor de legumes e verduras provoca aumento da cesta básica na região


Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

17/02/2020 | 23:15


Apesar de ser a primeira vez desde outubro que o preço da carne bovina sofre redução nos supermercados da região, a alta no valor dos hortifrúti invalidou a queda, deixando a cesta básica do Grande ABC da última semana mais cara para o consumidor. Os preços de legumes, verduras e frutas tiveram alta de até 13,33% (caso do tomate), principalmente por causa das fortes chuvas no início da última semana na Região Metropolitana, elevando o valor total da compra em R$ 6, totalizando R$ 684,83.

Os dados são da Craisa (Companhia Regional de Abastecimento Integrado de Santo André), em pesquisa que considera a cotação de 34 itens baseados no consumo de uma família de quatro pessoas, com dois adultos e duas crianças. Na semana anterior em que a cesta havia sido cotada (última de janeiro), ela custava R$ 678,83. Já nos mesmos mês e semana de 2019, ela saia por R$ 58,34 a menos – ou seja, em 12 meses a alta foi de 9,31%.

Os números corroboram com a perspectiva de aumento da Craisa na última semana, quando o superintendente Reinaldo Messias estimou impacto de média de 30% no valor dos produtos por causa do fechamento da Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo) e crescimento na procura pela unidade andreense devido ao alagamento do posto da Capital e perda de produtos pelas enchentes.

Além do tomate, a cebola e a laranja tiveram acréscimo nos valores. De acordo com o engenheiro agrônomo responsável pelo levantamento, Fábio Vezzá De Benedetto, a oferta de produtos ficou prejudicada. “A Ceagesp é baliza de preços. Como ela foi prejudicada pelas chuvas, esse é o principal motivo para o encarecimento dos hortifrúti. Isso ainda deve repercutir nesta e na próxima semanas”, disse. “Produtos como batata, cebola e tomate são muito procurados, não só pelas famílias, mas também pelos restaurantes e indústrias. Haverá prejuízo de qualidade porque a oferta foi prejudicada e os produtos que não iam chegar ao mercado, como, por exemplo, aquela cebola mais feia que ia picar na indústria, acaba indo parar nas prateleiras. Isso pressiona os preços”, destacou Benedetto.

O fenômeno acontece ao mesmo tempo em que as carnes bovinas de primeira (coxão mole) e segunda (acém) apresentaram queda na pesquisa, o que não acontecia desde outubro. Na última semana, as proteínas recuaram, respectivamente, 0,16% (R$ 30,41 o quilo) e 1,67% (R$ 22,41), porém, ainda continuam em patamares altos na comparação com o mesmo período do ano passado (o acréscimo nos valores é de 36,06% e 42,91% em 12 meses).

Desde o fim do ano passado o preço da carne disparou pelas exportações à China e alta do dólar. Como consequência, as alternativas ao consumo da proteína bovina ficaram mais caras (leia mais abaixo).

“Houve recuo nesta semana. Isso aconteceu principalmente pela pouca demanda nessa época. As famílias estão com um monte de contas para pagar, como IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores) e IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano). Então, a procura não é tão alta porque se compra menos para economizar. A carne suína pode ser uma alternativa”, disse o engenheiro agrônomo.

Benedetto aconselha que os consumidores tenham atenção ao lavar as frutas e legumes, mesmo acreditando que elas não tenham entrado em contato com a água das enchentes. Ele crê ainda que as altas podem durar nas próximas semanas, com potencial de chegar a meses. “Vai culminar com o período de chuvas de verão. Se chover por muitos dias, isso vai acabar prejudicando a safra, já que não é possível fazer a colheita.”

Procura maior faz custo dos ovos disparar

Alternativas ao consumo da carne bovina no prato das famílias, o frango e o ovo tiveram alta nos preços. O quilo da carne branca está 0,27% mais cara, chegando a R$ 7,46. A dúzia de ovos brancos registrou um aumento ainda mais expressivo, de 6,05%, com custo de R$ 6,49.

Os números são da pesquisa da cesta básica da Craisa (Companhia Regional de Abastecimento Integrado de Santo André) e são referentes à última semana.

A dúzia de ovos teve alta de 22,68% em relação ao mesmo período do ano passado e o frango, de 28,84%. Para o engenheiro agrônomo responsável pelo levantamento dos números, Fábio Vezzá De Benedetto, a alta está relacionada ao aumento da procura e também do dólar.

“Pelo fato de os preços das commodities (bens classificados como matérias-primas e que têm o preço determinado pela oferta e procura internacional) serem cotadas em dólar, o ovo e o frango acabam sofrendo por causa do aumento do preço do milho”, disse. “Além disso, com a alta da carne bovina, as pessoas acabaram procurando esses produtos como alternativa para substituição da mistura. Ou seja, houve maior procura e consequentemente aumento de preços.”

O especialista acredita que a tendência é a de que os preços desacelerem aos poucos, assim como a carne. Para economizar, a dica é comparar os preços em diferentes locais. 



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Alta no preço dos hortifrúti anula a redução na carne

Pressionado pelas enchentes, valor de legumes e verduras provoca aumento da cesta básica na região

Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

17/02/2020 | 23:15


Apesar de ser a primeira vez desde outubro que o preço da carne bovina sofre redução nos supermercados da região, a alta no valor dos hortifrúti invalidou a queda, deixando a cesta básica do Grande ABC da última semana mais cara para o consumidor. Os preços de legumes, verduras e frutas tiveram alta de até 13,33% (caso do tomate), principalmente por causa das fortes chuvas no início da última semana na Região Metropolitana, elevando o valor total da compra em R$ 6, totalizando R$ 684,83.

Os dados são da Craisa (Companhia Regional de Abastecimento Integrado de Santo André), em pesquisa que considera a cotação de 34 itens baseados no consumo de uma família de quatro pessoas, com dois adultos e duas crianças. Na semana anterior em que a cesta havia sido cotada (última de janeiro), ela custava R$ 678,83. Já nos mesmos mês e semana de 2019, ela saia por R$ 58,34 a menos – ou seja, em 12 meses a alta foi de 9,31%.

Os números corroboram com a perspectiva de aumento da Craisa na última semana, quando o superintendente Reinaldo Messias estimou impacto de média de 30% no valor dos produtos por causa do fechamento da Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo) e crescimento na procura pela unidade andreense devido ao alagamento do posto da Capital e perda de produtos pelas enchentes.

Além do tomate, a cebola e a laranja tiveram acréscimo nos valores. De acordo com o engenheiro agrônomo responsável pelo levantamento, Fábio Vezzá De Benedetto, a oferta de produtos ficou prejudicada. “A Ceagesp é baliza de preços. Como ela foi prejudicada pelas chuvas, esse é o principal motivo para o encarecimento dos hortifrúti. Isso ainda deve repercutir nesta e na próxima semanas”, disse. “Produtos como batata, cebola e tomate são muito procurados, não só pelas famílias, mas também pelos restaurantes e indústrias. Haverá prejuízo de qualidade porque a oferta foi prejudicada e os produtos que não iam chegar ao mercado, como, por exemplo, aquela cebola mais feia que ia picar na indústria, acaba indo parar nas prateleiras. Isso pressiona os preços”, destacou Benedetto.

O fenômeno acontece ao mesmo tempo em que as carnes bovinas de primeira (coxão mole) e segunda (acém) apresentaram queda na pesquisa, o que não acontecia desde outubro. Na última semana, as proteínas recuaram, respectivamente, 0,16% (R$ 30,41 o quilo) e 1,67% (R$ 22,41), porém, ainda continuam em patamares altos na comparação com o mesmo período do ano passado (o acréscimo nos valores é de 36,06% e 42,91% em 12 meses).

Desde o fim do ano passado o preço da carne disparou pelas exportações à China e alta do dólar. Como consequência, as alternativas ao consumo da proteína bovina ficaram mais caras (leia mais abaixo).

“Houve recuo nesta semana. Isso aconteceu principalmente pela pouca demanda nessa época. As famílias estão com um monte de contas para pagar, como IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores) e IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano). Então, a procura não é tão alta porque se compra menos para economizar. A carne suína pode ser uma alternativa”, disse o engenheiro agrônomo.

Benedetto aconselha que os consumidores tenham atenção ao lavar as frutas e legumes, mesmo acreditando que elas não tenham entrado em contato com a água das enchentes. Ele crê ainda que as altas podem durar nas próximas semanas, com potencial de chegar a meses. “Vai culminar com o período de chuvas de verão. Se chover por muitos dias, isso vai acabar prejudicando a safra, já que não é possível fazer a colheita.”

Procura maior faz custo dos ovos disparar

Alternativas ao consumo da carne bovina no prato das famílias, o frango e o ovo tiveram alta nos preços. O quilo da carne branca está 0,27% mais cara, chegando a R$ 7,46. A dúzia de ovos brancos registrou um aumento ainda mais expressivo, de 6,05%, com custo de R$ 6,49.

Os números são da pesquisa da cesta básica da Craisa (Companhia Regional de Abastecimento Integrado de Santo André) e são referentes à última semana.

A dúzia de ovos teve alta de 22,68% em relação ao mesmo período do ano passado e o frango, de 28,84%. Para o engenheiro agrônomo responsável pelo levantamento dos números, Fábio Vezzá De Benedetto, a alta está relacionada ao aumento da procura e também do dólar.

“Pelo fato de os preços das commodities (bens classificados como matérias-primas e que têm o preço determinado pela oferta e procura internacional) serem cotadas em dólar, o ovo e o frango acabam sofrendo por causa do aumento do preço do milho”, disse. “Além disso, com a alta da carne bovina, as pessoas acabaram procurando esses produtos como alternativa para substituição da mistura. Ou seja, houve maior procura e consequentemente aumento de preços.”

O especialista acredita que a tendência é a de que os preços desacelerem aos poucos, assim como a carne. Para economizar, a dica é comparar os preços em diferentes locais. 

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