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Correria, improvisos e até fogo: os bastidores do retorno das 1000 Milhas do Brasil

 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Leo Alves
Do Garagem360

17/02/2020 | 18:18


Neste domingo, uma das provas mais tradicionais do automobilismo brasileiro foi realizada em Interlagos. Após um hiato de 12 anos, a 1000 Milhas do Brasil foi realizada neste domingo (16) na pista paulistana. O Garagem360 esteve presente no local, porém de uma maneira diferente. Em vez de acompanhar a corrida como um espectador comum, estive nos boxes trabalhando como fiscal durante as 11 horas de disputa (entre 0h e 11h, já que as 373 voltas não foram completadas antes desse tempo limite). A seguir, entenda como foi ter visto de perto o trabalho dos boxes e quais são as principais particularidades de uma corrida de endurance.

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1000 Milhas do Brasil: fiscal de boxes

Minha tarefa era simples: após estudar o regulamento, bastava monitorar se as equipes cumpririam as regras durante as paradas nos boxes. Além disso, era preciso pedir para os pilotos assinarem a súmula assim que saltassem dos carros. Dessa forma, os comissários teriam um controle do tempo em que cada um deles ficou ao volante.

Fiquei posicionado entre os boxes 6 e 7, e fui responsável pelo monitoramento dos carros nº 9 (Chevrolet Omega) e nº 73 (Protótipo Spyder). Há pouco o que destacar sobre a minha função em si. Porém, há muito o que comentar sobre os bastidores da corrida. Por ser uma prova de longa duração, a durabilidade é mais importante que a velocidade. Prova disso é o MRX Tubarão, protótipo que foi o pole position, mas abandou a corrida ainda na madrugada.

Omega guerreiro

Durante os pit stops, o trabalho da equipe do Omega começou a chamar a atenção pela dedicação dos seus membros. Além de reabastecer, trocar os pneus e os pilotos, as paradas serviam para que três litros de óleo fossem colocados no motor do carro. Até pensei que o procedimento seria feito apenas uma vez, mas acabou se tornando constante. Pior: o uso foi tão intenso que zerou o estoque de óleo da equipe. A solução foi comprar mais em um posto de combustível.

Mesmo assim, o Omega resistia de maneira valente na pista. Entretanto, o carro quebrou na curva do lago por volta da oitava hora de corrida. Contrariando as expectativas, foi o diferencial que quebrou — o motor seguia firmemente. Ele voltou aos pits de guincho e, após muito trabalho, o diferencial foi trocado e o carro voltou para a pista após mais uma troca de óleo.

LEIA MAIS: Passo a passo: como trocar o pneu de um carro

Honda confirma primeira morte por conta dos airbags da Takata no Brasil

Nos minutos finais, o time chamou o carro de volta pois temia que uma nova quebra impedisse a conclusão da corrida. O Omega entrou no pit faltando 10 minutos para o fim e recebeu uma limpeza completa para cruzar a linha de chegada. Liberado faltando 1 minuto para o fim, ele recebeu a bandeirada com muita festa de sua equipe. No fim, o quinto lugar serviu ainda garantiu um lugar no pódio aos três pilotos do carro nº 9.

Susto

O reabastecimento é algo que sempre preocupa no automobilismo. Líder da prova, o Ginetta G55 entrou para os boxes já na manhã de domingo, para realizar uma de suas últimas paradas. Entretanto, algo deu errado e um incêndio aconteceu durante o procedimento. Vi de longe as labaredas e o cenário lembrava o de um filme. O controle do incêndio foi rápido e a maior preocupação era se ninguém havia se machucado. Por sorte, foi apenas um susto e sem maiores consequências. Nem mesmo o carro foi afetado, já que a G55 retornou para a pista e ainda faturou a prova.

Experiência única

Ter visto de perto uma corrida de longa duração foi uma oportunidade inesquecível. Evidentemente que o cansaço físico é o que mais joga contra. O corpo reclama mais de dores do que de sono, mesmo após ficar 24 h sem dormir. É gratificante ver todo o trabalho dos times para voltar à pista mesmo após as quebras. Isso não é comum em uma corrida de Stock Car ou Fórmula 1, por exemplo, já que muitas vezes nem compensa arrumar o carro. Porém, no endurance é diferente. Nunca se sabe o que pode acontecer em uma disputa tão longa e, se dá para consertar o bólido, então pode ter certeza que ele será arrumado para voltar à disputa.

Pena que apenas 12 carros participaram da competição. Entretanto, as 1000 Milhas do Brasil já está garantida para 2021, e com a expectativa de que mais carros participem, o que sempre é bom, principalmente em uma corrida tão tradicional e com quase 60 anos de história.



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Correria, improvisos e até fogo: os bastidores do retorno das 1000 Milhas do Brasil

Leo Alves
Do Garagem360

17/02/2020 | 18:18


Neste domingo, uma das provas mais tradicionais do automobilismo brasileiro foi realizada em Interlagos. Após um hiato de 12 anos, a 1000 Milhas do Brasil foi realizada neste domingo (16) na pista paulistana. O Garagem360 esteve presente no local, porém de uma maneira diferente. Em vez de acompanhar a corrida como um espectador comum, estive nos boxes trabalhando como fiscal durante as 11 horas de disputa (entre 0h e 11h, já que as 373 voltas não foram completadas antes desse tempo limite). A seguir, entenda como foi ter visto de perto o trabalho dos boxes e quais são as principais particularidades de uma corrida de endurance.

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1000 Milhas do Brasil: fiscal de boxes

Minha tarefa era simples: após estudar o regulamento, bastava monitorar se as equipes cumpririam as regras durante as paradas nos boxes. Além disso, era preciso pedir para os pilotos assinarem a súmula assim que saltassem dos carros. Dessa forma, os comissários teriam um controle do tempo em que cada um deles ficou ao volante.

Fiquei posicionado entre os boxes 6 e 7, e fui responsável pelo monitoramento dos carros nº 9 (Chevrolet Omega) e nº 73 (Protótipo Spyder). Há pouco o que destacar sobre a minha função em si. Porém, há muito o que comentar sobre os bastidores da corrida. Por ser uma prova de longa duração, a durabilidade é mais importante que a velocidade. Prova disso é o MRX Tubarão, protótipo que foi o pole position, mas abandou a corrida ainda na madrugada.

Omega guerreiro

Durante os pit stops, o trabalho da equipe do Omega começou a chamar a atenção pela dedicação dos seus membros. Além de reabastecer, trocar os pneus e os pilotos, as paradas serviam para que três litros de óleo fossem colocados no motor do carro. Até pensei que o procedimento seria feito apenas uma vez, mas acabou se tornando constante. Pior: o uso foi tão intenso que zerou o estoque de óleo da equipe. A solução foi comprar mais em um posto de combustível.

Mesmo assim, o Omega resistia de maneira valente na pista. Entretanto, o carro quebrou na curva do lago por volta da oitava hora de corrida. Contrariando as expectativas, foi o diferencial que quebrou — o motor seguia firmemente. Ele voltou aos pits de guincho e, após muito trabalho, o diferencial foi trocado e o carro voltou para a pista após mais uma troca de óleo.

LEIA MAIS: Passo a passo: como trocar o pneu de um carro

Honda confirma primeira morte por conta dos airbags da Takata no Brasil

Nos minutos finais, o time chamou o carro de volta pois temia que uma nova quebra impedisse a conclusão da corrida. O Omega entrou no pit faltando 10 minutos para o fim e recebeu uma limpeza completa para cruzar a linha de chegada. Liberado faltando 1 minuto para o fim, ele recebeu a bandeirada com muita festa de sua equipe. No fim, o quinto lugar serviu ainda garantiu um lugar no pódio aos três pilotos do carro nº 9.

Susto

O reabastecimento é algo que sempre preocupa no automobilismo. Líder da prova, o Ginetta G55 entrou para os boxes já na manhã de domingo, para realizar uma de suas últimas paradas. Entretanto, algo deu errado e um incêndio aconteceu durante o procedimento. Vi de longe as labaredas e o cenário lembrava o de um filme. O controle do incêndio foi rápido e a maior preocupação era se ninguém havia se machucado. Por sorte, foi apenas um susto e sem maiores consequências. Nem mesmo o carro foi afetado, já que a G55 retornou para a pista e ainda faturou a prova.

Experiência única

Ter visto de perto uma corrida de longa duração foi uma oportunidade inesquecível. Evidentemente que o cansaço físico é o que mais joga contra. O corpo reclama mais de dores do que de sono, mesmo após ficar 24 h sem dormir. É gratificante ver todo o trabalho dos times para voltar à pista mesmo após as quebras. Isso não é comum em uma corrida de Stock Car ou Fórmula 1, por exemplo, já que muitas vezes nem compensa arrumar o carro. Porém, no endurance é diferente. Nunca se sabe o que pode acontecer em uma disputa tão longa e, se dá para consertar o bólido, então pode ter certeza que ele será arrumado para voltar à disputa.

Pena que apenas 12 carros participaram da competição. Entretanto, as 1000 Milhas do Brasil já está garantida para 2021, e com a expectativa de que mais carros participem, o que sempre é bom, principalmente em uma corrida tão tradicional e com quase 60 anos de história.

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