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Renato Boaventura:‘Guerra fiscal é o maior câncer do País’

André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Renato Boaventura avalia que a guerra fiscal foi um dos principais fatores para o êxodo das indústrias no Grande ABC


Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

17/02/2020 | 00:01


 A Rhodia completou 100 anos de atividade em Santo André, na Avenida dos Estados, e assistiu neste período à fuga de diversas empresas na região para outros Estados. Para o vice-presidente global de fibras e poliamida da empresa, Renato Boaventura, a guerra fiscal foi um dos principais fatores para o êxodo das indústrias. “É o maior câncer que existe no País”, afirma o engenheiro, de forma taxativa. A despeito do cenário, Boaventura acredita que o Grande ABC pode se fortalecer como polo industrial, mas pede que o governo federal tire do caminho alguns empecilhos que atravancam o crescimento. “O preço do gás é um deles.”


Como o senhor enxerga a importância do setor químico na região? Acha que tem um peso importante no PIB regional e potencial para crescer?

O setor tem importância muito relevante para a região. Nós temos uma indústria instalada e também uma petroquímica. Há uma estrutura e, com certeza, com potencial de crescimento. Quando se fala nisso, a gente também cita muito quais são os entraves de desenvolvimento da indústria no País, de uma maneira geral. A gente vem falando muito sobre isso. Está bem claro para a indústria quais os elementos que atrapalham o crescimento de uma maneira geral e que também impactam a região. Logo de cara, é o custo da energia e principalmente do gás, que é muito relevante para a indústria química. O Brasil hoje tem um dos gases mais caros do mundo. Isso é um dos pontos mais importantes que o governo federal vem dizendo que vai tratar. Nós temos gás, tem uma produção que vem crescendo e tem potencial de crescimento enorme, porém, a gente ainda tem um dos gases mais caros do mundo, que é, inclusive, três vezes mais caro do que nos Estados Unidos e na Europa. Aí é muito difícil de conseguir o crescimento da indústria brasileira em geral.

Se esses entraves forem solucionados, setor químico teria potencial para ser um polo como é o automotivo?

Sem dúvida. Como já tem uma indústria instalada, se você tratar essas questões que são relevantes para o setor, traz um potencial muito interessante de crescimento. Eu tenho certeza de que isso é muito importante para o polo e para as empresas que estão ao redor. A gente está fortemente engajado, e de forma associativa, com a Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química) e Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção), trabalhando para levar esses elementos para o governo para que ele entenda a importância e relevância de ser um player global. Porque, quando a gente ganha competitividade, ganha um potencial de crescimento, porque realmente temos capacidade de expansão para outras regiões.


A Rhodia completou 100 anos, sendo que a empresa começou em Santo André. Esta planta continua interessante?

Sem dúvida. Aqui é um ponto relevante para a nossa cadeia. A Rhodia no Brasil é integrada na cadeia de poliamida, o que significa que a gente integra a petroquímica brasileira, a indústria têxtil e indústria automobilística brasileira. Essa integração é uma agregação de valor interna para o País. A gente fala que o Brasil exporta muita commoditie e nós temos com a Rhodia essa agregação de valor. Essa planta é essencial para acontecer essa integração. Uma parte do nosso processo está em Paulínia, que é o processo inicial químico. O processo final com a produção de polímeros e fios é feito aqui em Santo André. A gente continua investindo na planta. Passamos, de 2015 a 2018, a pior crise no País desde que a Rhodia está aqui e não foi isso que nos inibiu de continuar investindo. Nós visitamos agora uma planta que foi lançada em 2017, tomamos a decisão em 2015, no pico da crise. Em 2018 tivemos uma nova infraestrutura de utilidades, em 2020 vamos continuar nosso caminho de modernização na indústria 4.0. Então, tem um investimento importante para trazer mais tecnologia e integrar de forma mais digital a nossa infraestrutura industrial.Estamos cuidando muito do parque para que ele continue competitivo a nível global.


Como essa planta vai se inserir na indústria 4.0?

Na verdade, já tem muitos elementos. Os nossos sistemas de controle são todos digitais, nos quais são feitos a leitura e o controle do nosso processo, e isso facilita muito a análise e a performance industrial que a gente tem. Também temos carros autônomos que circulam aqui dentro com os nossos materiais. O caminho que a gente enxerga para essa indústria é cada vez mais automação – e não só isso. É exatamente interligar essa automação com a análise de dados e trabalhar a ciência dos dados para melhorar ainda mais os processos.


Quando a gente trata de automação, não tem como não falar de empregos. No passado, a Rhodia chegou a manter quase 10 mil funcionários. Era uma unidade maior e outro momento, mas atualmente são 600. O senhor acredita que seja tendência diminuir esse número ou que ainda seja possível criar vagas?

Existe esse grande debate na indústria e também uma preocupação em outros setores, como serviços e comércio. Na verdade, todos os setores hoje estão sendo impactados pelas novas tecnologias e a indústria 4.0. Isso leva, de uma maneira geral, a mudar um pouco o perfil e a necessidade de competência e trabalho dentro das organizações. Por outro lado, em setores com automação você reduz a necessidade de mão de obra. Existe esse desafio, mas, por outro lado, você usa o ser humano de forma mais interessante porque utiliza muito mais o intelecto das pessoas, não só o trabalho físico e laboral. Vamos reduzir mais? Não, eu acho que tem todo um balanço nessa história. Quanto mais você promove a indústria 4.0, mais se ganha em competitividade e cresce gerando mais empregos. No fim essa roda não para de girar e precisamos fazer ela girar. Então se vai investir em tecnologia, que vai gerar mais competitividade, que vai dar novas oportunidades de investimento e novos empregos. Acho que esse é o caminho que temos que seguir porque, se perde competitividade, também se perdem os empregos. Então, não dá para ficar parado.

Como vocês enxergam essa planta daqui a dez anos? Qual a perspectiva para Santo André no futuro da Rhodia?

Os nossos fios funcionais e sustentáveis hoje representam um terço das nossas vendas. Acredito que, em dez anos, isso deve chegar a 100% ou até antes disso. Os nossos produtos aqui serão 100% sustentáveis ou funcionais. O que eu vejo daqui para frente vai continuar nessa trajetória de cada vez trazer mais produtos com redução de impacto ambiental. Nós lançamos a nossa poliamida biodegradável há quatro anos e é um sucesso enorme. Na época, quando a gente falava disso, a indústria olhava de certa forma sem interesse, mas é impressionante o quanto que em quatro anos o mercado vem entendendo porque é o consumidor que também vem se educando. Daqui a dez anos, o consumidor estará muito mais atento em questão de sustentabilidade. Imagina, a gente teve a crise hídrica, que acho que foi o grande impacto para nós, consumidores, e aconteceu há três, quatro anos. Imagina daqui a dez anos, o jovem que tinha 10, 15 anos de idade começou a entender a questão de cuidar do planeta. 


Como o senhor enxerga a guerra fiscal que dominou as relações entre Estados nas últimas décadas?

Guerra fiscal é o maior câncer que existe no País. Acho que a guerra fiscal foi um grande problema do Grande ABC. Se fala muito da desindustrialização da região e, para mim, um dos grandes fatores para isso foi a guerra fiscal. Porque o Grande ABC já tinha uma indústria instalada e, no fim das contas, outras cidades e outros Estados promoveram a guerra fiscal dando incentivos, de forma totalmente descabida, exagerada, em muitos casos, atraindo investimentos para outras regiões. É uma das piores coisas que você tem no País. Porque você tem Estados que dão mais incentivos para o produto importado, por exemplo, comparando com o produto nacional de outro Estado. Isso não tem cabimento. A guerra fiscal é um dos elementos que mais atrapalham a indústria de uma maneira geral. 


O Grande ABC tem um potencial para virar um polo de tecnologia industrial, para desenvolver tecnologia?

Tem. Acho que o Brasil tem muito a desenvolver nesse caminho. Algumas regiões já saíram na frente, mas outras ainda podem sair, ainda está em tempo, e eu acho que o Grande ABC é uma delas. Porque a região já tem uma indústria instalada e isso facilita. Imagina cidades que não têm nada? Fica muito mais difícil. O Grande ABC é uma região que tem condições de desenvolver um parque tecnológico, um centro tecnológico e essa estrutura ser algo que realmente ajude os setores locais a se desenvolverem. Quando a gente fala de tecnologia, não estamos mais falando só de indústria, são diversos setores.


Uma iniciativa da Prefeitura de Santo André é a tentativa de recuperar o eixo da Avenida dos Estados, onde a Rhodia está instalada. Arrendaram o Moinho Santo André para um grupo argentino, mas, em contrapartida, ainda há muitas empresas ociosas, como o próprio Moinho São Jorge. A Rhodia também tem uma parte desativada. Como essa situação poderia mudar?

Isso volta um pouco para a história do País. Passamos dois, três anos terríveis. Uma depressão no País, em dois anos o PIB encolheu 7%. Infelizmente, o investimento no País caiu muito. No nosso encontro da indústria química nacional (realizado em novembro) a gente destacou isso, que se podia multiplicar por cinco o investimento do setor no País, que hoje está em volta de US$ 1 bilhão se a gente tivesse as condições de competitividade. Voltamos ao caso da mão de obra, do preço do gás. Há a questão do chamado custo ABC, que, com a pressão dos sindicatos, o valor subiu muito, atrapalhou. Houve o fator da guerra fiscal. O terceiro fator nos últimos anos foi a depressão que tivemos no País, mas parece haver uma luz no fim do túnel, com movimento do governo de querer tratar essas questões. Estamos numa região com importante industrialização ainda, próxima ao mercado consumidor, dentro de São Paulo. Todos esses elementos são interessantes na hora de fazer um investimento. Estamos perto de um porto, de uma infraestrutura de estradas. Temos todos os elementos para falar que vale a pena investir no Grande ABC. 



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Renato Boaventura:‘Guerra fiscal é o maior câncer do País’

Renato Boaventura avalia que a guerra fiscal foi um dos principais fatores para o êxodo das indústrias no Grande ABC

Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

17/02/2020 | 00:01


 A Rhodia completou 100 anos de atividade em Santo André, na Avenida dos Estados, e assistiu neste período à fuga de diversas empresas na região para outros Estados. Para o vice-presidente global de fibras e poliamida da empresa, Renato Boaventura, a guerra fiscal foi um dos principais fatores para o êxodo das indústrias. “É o maior câncer que existe no País”, afirma o engenheiro, de forma taxativa. A despeito do cenário, Boaventura acredita que o Grande ABC pode se fortalecer como polo industrial, mas pede que o governo federal tire do caminho alguns empecilhos que atravancam o crescimento. “O preço do gás é um deles.”


Como o senhor enxerga a importância do setor químico na região? Acha que tem um peso importante no PIB regional e potencial para crescer?

O setor tem importância muito relevante para a região. Nós temos uma indústria instalada e também uma petroquímica. Há uma estrutura e, com certeza, com potencial de crescimento. Quando se fala nisso, a gente também cita muito quais são os entraves de desenvolvimento da indústria no País, de uma maneira geral. A gente vem falando muito sobre isso. Está bem claro para a indústria quais os elementos que atrapalham o crescimento de uma maneira geral e que também impactam a região. Logo de cara, é o custo da energia e principalmente do gás, que é muito relevante para a indústria química. O Brasil hoje tem um dos gases mais caros do mundo. Isso é um dos pontos mais importantes que o governo federal vem dizendo que vai tratar. Nós temos gás, tem uma produção que vem crescendo e tem potencial de crescimento enorme, porém, a gente ainda tem um dos gases mais caros do mundo, que é, inclusive, três vezes mais caro do que nos Estados Unidos e na Europa. Aí é muito difícil de conseguir o crescimento da indústria brasileira em geral.

Se esses entraves forem solucionados, setor químico teria potencial para ser um polo como é o automotivo?

Sem dúvida. Como já tem uma indústria instalada, se você tratar essas questões que são relevantes para o setor, traz um potencial muito interessante de crescimento. Eu tenho certeza de que isso é muito importante para o polo e para as empresas que estão ao redor. A gente está fortemente engajado, e de forma associativa, com a Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química) e Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção), trabalhando para levar esses elementos para o governo para que ele entenda a importância e relevância de ser um player global. Porque, quando a gente ganha competitividade, ganha um potencial de crescimento, porque realmente temos capacidade de expansão para outras regiões.


A Rhodia completou 100 anos, sendo que a empresa começou em Santo André. Esta planta continua interessante?

Sem dúvida. Aqui é um ponto relevante para a nossa cadeia. A Rhodia no Brasil é integrada na cadeia de poliamida, o que significa que a gente integra a petroquímica brasileira, a indústria têxtil e indústria automobilística brasileira. Essa integração é uma agregação de valor interna para o País. A gente fala que o Brasil exporta muita commoditie e nós temos com a Rhodia essa agregação de valor. Essa planta é essencial para acontecer essa integração. Uma parte do nosso processo está em Paulínia, que é o processo inicial químico. O processo final com a produção de polímeros e fios é feito aqui em Santo André. A gente continua investindo na planta. Passamos, de 2015 a 2018, a pior crise no País desde que a Rhodia está aqui e não foi isso que nos inibiu de continuar investindo. Nós visitamos agora uma planta que foi lançada em 2017, tomamos a decisão em 2015, no pico da crise. Em 2018 tivemos uma nova infraestrutura de utilidades, em 2020 vamos continuar nosso caminho de modernização na indústria 4.0. Então, tem um investimento importante para trazer mais tecnologia e integrar de forma mais digital a nossa infraestrutura industrial.Estamos cuidando muito do parque para que ele continue competitivo a nível global.


Como essa planta vai se inserir na indústria 4.0?

Na verdade, já tem muitos elementos. Os nossos sistemas de controle são todos digitais, nos quais são feitos a leitura e o controle do nosso processo, e isso facilita muito a análise e a performance industrial que a gente tem. Também temos carros autônomos que circulam aqui dentro com os nossos materiais. O caminho que a gente enxerga para essa indústria é cada vez mais automação – e não só isso. É exatamente interligar essa automação com a análise de dados e trabalhar a ciência dos dados para melhorar ainda mais os processos.


Quando a gente trata de automação, não tem como não falar de empregos. No passado, a Rhodia chegou a manter quase 10 mil funcionários. Era uma unidade maior e outro momento, mas atualmente são 600. O senhor acredita que seja tendência diminuir esse número ou que ainda seja possível criar vagas?

Existe esse grande debate na indústria e também uma preocupação em outros setores, como serviços e comércio. Na verdade, todos os setores hoje estão sendo impactados pelas novas tecnologias e a indústria 4.0. Isso leva, de uma maneira geral, a mudar um pouco o perfil e a necessidade de competência e trabalho dentro das organizações. Por outro lado, em setores com automação você reduz a necessidade de mão de obra. Existe esse desafio, mas, por outro lado, você usa o ser humano de forma mais interessante porque utiliza muito mais o intelecto das pessoas, não só o trabalho físico e laboral. Vamos reduzir mais? Não, eu acho que tem todo um balanço nessa história. Quanto mais você promove a indústria 4.0, mais se ganha em competitividade e cresce gerando mais empregos. No fim essa roda não para de girar e precisamos fazer ela girar. Então se vai investir em tecnologia, que vai gerar mais competitividade, que vai dar novas oportunidades de investimento e novos empregos. Acho que esse é o caminho que temos que seguir porque, se perde competitividade, também se perdem os empregos. Então, não dá para ficar parado.

Como vocês enxergam essa planta daqui a dez anos? Qual a perspectiva para Santo André no futuro da Rhodia?

Os nossos fios funcionais e sustentáveis hoje representam um terço das nossas vendas. Acredito que, em dez anos, isso deve chegar a 100% ou até antes disso. Os nossos produtos aqui serão 100% sustentáveis ou funcionais. O que eu vejo daqui para frente vai continuar nessa trajetória de cada vez trazer mais produtos com redução de impacto ambiental. Nós lançamos a nossa poliamida biodegradável há quatro anos e é um sucesso enorme. Na época, quando a gente falava disso, a indústria olhava de certa forma sem interesse, mas é impressionante o quanto que em quatro anos o mercado vem entendendo porque é o consumidor que também vem se educando. Daqui a dez anos, o consumidor estará muito mais atento em questão de sustentabilidade. Imagina, a gente teve a crise hídrica, que acho que foi o grande impacto para nós, consumidores, e aconteceu há três, quatro anos. Imagina daqui a dez anos, o jovem que tinha 10, 15 anos de idade começou a entender a questão de cuidar do planeta. 


Como o senhor enxerga a guerra fiscal que dominou as relações entre Estados nas últimas décadas?

Guerra fiscal é o maior câncer que existe no País. Acho que a guerra fiscal foi um grande problema do Grande ABC. Se fala muito da desindustrialização da região e, para mim, um dos grandes fatores para isso foi a guerra fiscal. Porque o Grande ABC já tinha uma indústria instalada e, no fim das contas, outras cidades e outros Estados promoveram a guerra fiscal dando incentivos, de forma totalmente descabida, exagerada, em muitos casos, atraindo investimentos para outras regiões. É uma das piores coisas que você tem no País. Porque você tem Estados que dão mais incentivos para o produto importado, por exemplo, comparando com o produto nacional de outro Estado. Isso não tem cabimento. A guerra fiscal é um dos elementos que mais atrapalham a indústria de uma maneira geral. 


O Grande ABC tem um potencial para virar um polo de tecnologia industrial, para desenvolver tecnologia?

Tem. Acho que o Brasil tem muito a desenvolver nesse caminho. Algumas regiões já saíram na frente, mas outras ainda podem sair, ainda está em tempo, e eu acho que o Grande ABC é uma delas. Porque a região já tem uma indústria instalada e isso facilita. Imagina cidades que não têm nada? Fica muito mais difícil. O Grande ABC é uma região que tem condições de desenvolver um parque tecnológico, um centro tecnológico e essa estrutura ser algo que realmente ajude os setores locais a se desenvolverem. Quando a gente fala de tecnologia, não estamos mais falando só de indústria, são diversos setores.


Uma iniciativa da Prefeitura de Santo André é a tentativa de recuperar o eixo da Avenida dos Estados, onde a Rhodia está instalada. Arrendaram o Moinho Santo André para um grupo argentino, mas, em contrapartida, ainda há muitas empresas ociosas, como o próprio Moinho São Jorge. A Rhodia também tem uma parte desativada. Como essa situação poderia mudar?

Isso volta um pouco para a história do País. Passamos dois, três anos terríveis. Uma depressão no País, em dois anos o PIB encolheu 7%. Infelizmente, o investimento no País caiu muito. No nosso encontro da indústria química nacional (realizado em novembro) a gente destacou isso, que se podia multiplicar por cinco o investimento do setor no País, que hoje está em volta de US$ 1 bilhão se a gente tivesse as condições de competitividade. Voltamos ao caso da mão de obra, do preço do gás. Há a questão do chamado custo ABC, que, com a pressão dos sindicatos, o valor subiu muito, atrapalhou. Houve o fator da guerra fiscal. O terceiro fator nos últimos anos foi a depressão que tivemos no País, mas parece haver uma luz no fim do túnel, com movimento do governo de querer tratar essas questões. Estamos numa região com importante industrialização ainda, próxima ao mercado consumidor, dentro de São Paulo. Todos esses elementos são interessantes na hora de fazer um investimento. Estamos perto de um porto, de uma infraestrutura de estradas. Temos todos os elementos para falar que vale a pena investir no Grande ABC. 

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