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Poética autobiográfica

Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Exposição aberta na Oma Galeria, em São Bernardo, traz essência dos artistas


Miriam Gimenes
Do Diário do Grande ABC

14/02/2020 | 23:52


No primeiro álbum da banda Secos e Molhados, gravado em 1973, uma das faixas tinha como título a palavra amor. Ela, que foi musicada pelo português João Ricardo, em cima do poema do seu pai, o poeta e jornalista João Apolinário, diz, em um de seus versos, ‘suave coisa nenhuma’. Tamanha força dessas palavras chamou a atenção de Thierry Freitas, que atualmente atua como assistente curatorial da Pinacoteca do Estado de São Paulo.

Tanto que a usou para nomear a exposição que faz curadoria e está em cartaz na Oma Galeria, em São Bernardo. “Achei que este trecho era representativo para o momento, que é o que significa fazer arte no Brasil. E os trabalhos têm um viés político, mas com delicadeza e uma importância muito grande, uma preocupação para o aspecto formal de composição e de técnica”, explica o curador.

Para compor a mostra escolheu quatro artistas com estilos bem diversos, entre eles Micaela Cyrino, Matheus Chiaratti, Ana Julia Vilela, todos de São Paulo, e a carioca Agrippina Manhattan. “Fui buscar algo em comum com eles e acabei percebendo que todos tratam de maneira explicita de si mesmo. De maneira autobiográfica e confessional falam de experiências pessoais, que podem ser compartilhadas, sentidas e vivenciadas por qualquer pessoa.

Micaela, por exemplo, nasceu portadora de HIV e evidencia em seu trabalho fortes críticas a todo um sistema capitalista e doentio da indústria farmacêutica, que monopoliza os corpos como experimentos e objetos para obtenção monetária.

Já Matheus pinta cenas de histórias clássicas em recipientes de cerâmica, tais personagens e contos são recriados dentro de um contexto atual, transportando o observador para o seu universo autoficcional. A junção dos recipientes de diversos tamanhos e formas, com cores vibrantes, faz alusão a uma forma ritualística que o artista organiza seu pensamento poético.

No espaço dedicado às obras de Ana Julia, cerca de dez peças são locadas na extensão de uma grande pintura realizada sobre as paredes, uma espécie de ‘obra total’. A artista também fala bastante de si. Seu trabalho é uma grande experimentação, um diário sobre o fazer artístico, sobre ser mulher e com textos que manifestam um componente de humor.

Já Agrippina aborda as angústias, medos e lutas de uma mulher transexual que vive as intempéries do dia a dia em um País que mais se mata transexuais no mundo, em seu trabalho cujo luminoso percorre a frase ‘só o desejo não basta’, que revela a urgência de se discutir e compreender a dissidência no mundo.

Freitas diz que convidou também uma amiga sua, a autora e pesquisadora Mariana Cobuci, para colocar pequenas inserções textuais entre as obras. “Nós, juntos, pensamos como organizá-las, quais seriam as conexões possíveis entre elas e transformamos isso em textos, que respostas aos nossos próprios sentimentos em relação às obras”, explica.

Suave Coisa Nenhuma – Exposição. Na Oma Galeria – Rua Carlos Gomes, 69, em São Bernardo. Até 20 de março. Terça a sexta-feira, das. 13h às 19h; sábados, das 10h às 15h. Grátis.  



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Poética autobiográfica

Exposição aberta na Oma Galeria, em São Bernardo, traz essência dos artistas

Miriam Gimenes
Do Diário do Grande ABC

14/02/2020 | 23:52


No primeiro álbum da banda Secos e Molhados, gravado em 1973, uma das faixas tinha como título a palavra amor. Ela, que foi musicada pelo português João Ricardo, em cima do poema do seu pai, o poeta e jornalista João Apolinário, diz, em um de seus versos, ‘suave coisa nenhuma’. Tamanha força dessas palavras chamou a atenção de Thierry Freitas, que atualmente atua como assistente curatorial da Pinacoteca do Estado de São Paulo.

Tanto que a usou para nomear a exposição que faz curadoria e está em cartaz na Oma Galeria, em São Bernardo. “Achei que este trecho era representativo para o momento, que é o que significa fazer arte no Brasil. E os trabalhos têm um viés político, mas com delicadeza e uma importância muito grande, uma preocupação para o aspecto formal de composição e de técnica”, explica o curador.

Para compor a mostra escolheu quatro artistas com estilos bem diversos, entre eles Micaela Cyrino, Matheus Chiaratti, Ana Julia Vilela, todos de São Paulo, e a carioca Agrippina Manhattan. “Fui buscar algo em comum com eles e acabei percebendo que todos tratam de maneira explicita de si mesmo. De maneira autobiográfica e confessional falam de experiências pessoais, que podem ser compartilhadas, sentidas e vivenciadas por qualquer pessoa.

Micaela, por exemplo, nasceu portadora de HIV e evidencia em seu trabalho fortes críticas a todo um sistema capitalista e doentio da indústria farmacêutica, que monopoliza os corpos como experimentos e objetos para obtenção monetária.

Já Matheus pinta cenas de histórias clássicas em recipientes de cerâmica, tais personagens e contos são recriados dentro de um contexto atual, transportando o observador para o seu universo autoficcional. A junção dos recipientes de diversos tamanhos e formas, com cores vibrantes, faz alusão a uma forma ritualística que o artista organiza seu pensamento poético.

No espaço dedicado às obras de Ana Julia, cerca de dez peças são locadas na extensão de uma grande pintura realizada sobre as paredes, uma espécie de ‘obra total’. A artista também fala bastante de si. Seu trabalho é uma grande experimentação, um diário sobre o fazer artístico, sobre ser mulher e com textos que manifestam um componente de humor.

Já Agrippina aborda as angústias, medos e lutas de uma mulher transexual que vive as intempéries do dia a dia em um País que mais se mata transexuais no mundo, em seu trabalho cujo luminoso percorre a frase ‘só o desejo não basta’, que revela a urgência de se discutir e compreender a dissidência no mundo.

Freitas diz que convidou também uma amiga sua, a autora e pesquisadora Mariana Cobuci, para colocar pequenas inserções textuais entre as obras. “Nós, juntos, pensamos como organizá-las, quais seriam as conexões possíveis entre elas e transformamos isso em textos, que respostas aos nossos próprios sentimentos em relação às obras”, explica.

Suave Coisa Nenhuma – Exposição. Na Oma Galeria – Rua Carlos Gomes, 69, em São Bernardo. Até 20 de março. Terça a sexta-feira, das. 13h às 19h; sábados, das 10h às 15h. Grátis.  

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