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Livro será lançado hoje joga luz à história
das primeiras-damas do Brasil

Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

No início da publicação fala-se sobre aquela que inaugurou o cargo de primeira-dama, Mariana Cecília de Sousa Meireles


Miriam Gimenes

10/02/2020 | 23:57


Existe um ditado que prega que ‘atrás de um grande homem há sempre uma grande mulher’. Ao longo da história, a figura feminina geralmente é colocada como uma sombra, alguém ofuscada pela imagem do marido. A fim de jogar luz aos feitos daquelas que sempre estiveram junto aos chefes de Estado brasileiros, ou melhor, ‘ao lado’, os jornalistas e escritores Ciça Guedes e Murilo Fiuza de Melo foram atrás da trajetória das primeiras-damas do Brasil desde o início da República e a pesquisa se transformou no livro Todas as Mulheres dos Presidentes (Máquina de Livros, 336 páginas, R$ 54,90), que será lançado hoje, às 19h, na Livraria da Vila (Alameda Lorena, 1.731), em São Paulo.

No retrospecto histórico estão perfiladas as primeiras-damas – cujas fotos ilustram essa página –, que passaram pela República velha, a era Vargas, a redemocratização, a ditadura militar e a nova República. O livro tem um capítulo extra, com personagens que, embora não tenham desempenhado o papel de primeira-dama, se destacaram como tal. É o caso de Risoleta Neves, mulher de Tancredo, que morreu antes da posse, ou de Antonieta, filha de Castelo Branco, primeiro presidente da ditadura militar, que exercia as tarefas do cargo, já que o pai ficara viúvo um ano antes.

“Chama a atenção o fato de apenas três das 34 primeiras-damas terem curso superior. E destas, só Ruth Cardoso desenvolveu uma carreira independente. Já entre os presidentes, quase todos cursaram universidade ou equivalente na formação, com exceção do Lula. Isso diz muito sobre a situação da mulher em nossa sociedade”, observa Ciça.

Ainda no início da publicação fala-se sobre aquela que inaugurou o cargo de primeira-dama no Brasil, Mariana Cecília de Sousa Meireles (1826-1905), casada com o Marechal Deodoro da Fonseca (1827-1892). Para tanto, é descrita e mostrada uma imagem feita pelo pintor espanhol Gustavo Hastoy, que retrata a ocasião da assinatura da Constituição da República do Brasil, em 1890. Nela, o Marechal Deodoro aparece sentado em uma mesa, rodeado por ministros e auxiliares, e recebe a pena de ouro do sobrinho, Hermes Rodrigues da Fonseca. O garoto fixa olhar na única mulher da imagem, a primeira-dama, como se buscasse proteção maternal.

E o que chama atenção é o fato de ela ser a única figura de costas na pintura, o que denota a maneira que a mulher foi tratada ao longo da história: alguém sem rosto, sem sentimentos, sem notoriedade, embora muitas tenham desempenhado papéis de destaque ao lado dos maridos. “No início da república velha as primeiras-damas não tinham nem a obrigação de trabalho social, mas a Mariana, por exemplo, sempre esteve ao lado do Marechal, o apoiou, e, além disso, inaugurou uma escola destinada a meninas pobres e órfãs, porque acreditava que a mulher tinha de se libertar pela educação”, ressalta Murilo Fiuza.
Mas estas histórias sempre ficaram esquecidas. Tanto que os autores tiveram muita dificuldade de pesquisa. “Os jornais da época apenas noticiavam quando era aniversário delas, se estavam em alguma festa, no papel de ‘anfitrião do Palácio’, ou quando morriam”, diz Fiuza. Bastante do que encontraram foi ‘nas entrelinhas’ das biografias dos presidentes e no Arquivo Nacional.

Mas, como já mencionado, muitas fugiram do estereótipo de anfitriã apenas. Uma delas foi Darcy Vargas que, por exemplo, criou a LBA (Legião Brasileira de Assistência), em 1942, que nasceu para ajudar as famílias dos soldados brasileiros enviados à Segunda Guerra Mundial, mas, com o tempo, a entidade ampliou sua atuação e passou a realizar ações de caridade aos necessitados. “Ela realmente se preocupava com a situação de pobreza da maioria da população brasileira. Foi ela quem trouxe para dentro do Estado como responsabilidade a questão da assistência social. Antes era feito apenas caridade”, lembra Ciça. Entre as outras ocupantes do cargo – nunca remunerado, diga-se – que tiveram destaque os autores citam Sarah Kubitschek, que fez grande trabalho para prevenção do câncer ginecológico no Brasil, e Ruth Cardoso, que transformou o assistencialismo em uma política de inclusão de fato. “São mulheres que deveriam ser homenageadas sempre, lembradas como pessoas que fizeram muito pelo País”, finaliza a autora. O cargo, no entanto, não existe nem na Constituição.



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Livro será lançado hoje joga luz à história
das primeiras-damas do Brasil

No início da publicação fala-se sobre aquela que inaugurou o cargo de primeira-dama, Mariana Cecília de Sousa Meireles

Miriam Gimenes

10/02/2020 | 23:57


Existe um ditado que prega que ‘atrás de um grande homem há sempre uma grande mulher’. Ao longo da história, a figura feminina geralmente é colocada como uma sombra, alguém ofuscada pela imagem do marido. A fim de jogar luz aos feitos daquelas que sempre estiveram junto aos chefes de Estado brasileiros, ou melhor, ‘ao lado’, os jornalistas e escritores Ciça Guedes e Murilo Fiuza de Melo foram atrás da trajetória das primeiras-damas do Brasil desde o início da República e a pesquisa se transformou no livro Todas as Mulheres dos Presidentes (Máquina de Livros, 336 páginas, R$ 54,90), que será lançado hoje, às 19h, na Livraria da Vila (Alameda Lorena, 1.731), em São Paulo.

No retrospecto histórico estão perfiladas as primeiras-damas – cujas fotos ilustram essa página –, que passaram pela República velha, a era Vargas, a redemocratização, a ditadura militar e a nova República. O livro tem um capítulo extra, com personagens que, embora não tenham desempenhado o papel de primeira-dama, se destacaram como tal. É o caso de Risoleta Neves, mulher de Tancredo, que morreu antes da posse, ou de Antonieta, filha de Castelo Branco, primeiro presidente da ditadura militar, que exercia as tarefas do cargo, já que o pai ficara viúvo um ano antes.

“Chama a atenção o fato de apenas três das 34 primeiras-damas terem curso superior. E destas, só Ruth Cardoso desenvolveu uma carreira independente. Já entre os presidentes, quase todos cursaram universidade ou equivalente na formação, com exceção do Lula. Isso diz muito sobre a situação da mulher em nossa sociedade”, observa Ciça.

Ainda no início da publicação fala-se sobre aquela que inaugurou o cargo de primeira-dama no Brasil, Mariana Cecília de Sousa Meireles (1826-1905), casada com o Marechal Deodoro da Fonseca (1827-1892). Para tanto, é descrita e mostrada uma imagem feita pelo pintor espanhol Gustavo Hastoy, que retrata a ocasião da assinatura da Constituição da República do Brasil, em 1890. Nela, o Marechal Deodoro aparece sentado em uma mesa, rodeado por ministros e auxiliares, e recebe a pena de ouro do sobrinho, Hermes Rodrigues da Fonseca. O garoto fixa olhar na única mulher da imagem, a primeira-dama, como se buscasse proteção maternal.

E o que chama atenção é o fato de ela ser a única figura de costas na pintura, o que denota a maneira que a mulher foi tratada ao longo da história: alguém sem rosto, sem sentimentos, sem notoriedade, embora muitas tenham desempenhado papéis de destaque ao lado dos maridos. “No início da república velha as primeiras-damas não tinham nem a obrigação de trabalho social, mas a Mariana, por exemplo, sempre esteve ao lado do Marechal, o apoiou, e, além disso, inaugurou uma escola destinada a meninas pobres e órfãs, porque acreditava que a mulher tinha de se libertar pela educação”, ressalta Murilo Fiuza.
Mas estas histórias sempre ficaram esquecidas. Tanto que os autores tiveram muita dificuldade de pesquisa. “Os jornais da época apenas noticiavam quando era aniversário delas, se estavam em alguma festa, no papel de ‘anfitrião do Palácio’, ou quando morriam”, diz Fiuza. Bastante do que encontraram foi ‘nas entrelinhas’ das biografias dos presidentes e no Arquivo Nacional.

Mas, como já mencionado, muitas fugiram do estereótipo de anfitriã apenas. Uma delas foi Darcy Vargas que, por exemplo, criou a LBA (Legião Brasileira de Assistência), em 1942, que nasceu para ajudar as famílias dos soldados brasileiros enviados à Segunda Guerra Mundial, mas, com o tempo, a entidade ampliou sua atuação e passou a realizar ações de caridade aos necessitados. “Ela realmente se preocupava com a situação de pobreza da maioria da população brasileira. Foi ela quem trouxe para dentro do Estado como responsabilidade a questão da assistência social. Antes era feito apenas caridade”, lembra Ciça. Entre as outras ocupantes do cargo – nunca remunerado, diga-se – que tiveram destaque os autores citam Sarah Kubitschek, que fez grande trabalho para prevenção do câncer ginecológico no Brasil, e Ruth Cardoso, que transformou o assistencialismo em uma política de inclusão de fato. “São mulheres que deveriam ser homenageadas sempre, lembradas como pessoas que fizeram muito pelo País”, finaliza a autora. O cargo, no entanto, não existe nem na Constituição.

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