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Outra chatice virótica


Rodolfo de Souza

06/02/2020 | 00:02


 E o vírus chegou para espalhar terror, como é a função de qualquer vírus, diga-se de passagem. Dizem até que o danado é mutante. Eu, como escriba de coisas miúdas, como dizia o bom Machado, não procuro me aprofundar muito na questão, tendo em vista as mutações que sofrem as verdades espalhadas por este mundo desde que sapiens se tornou o homo.

Mas fato é que não se fala em outra coisa ultimamente. Muitos países já anunciam pessoas contaminadas e temem pelos que chegam do oriente, lá onde a molécula anda causando transtornos e mortes. Apesar de que considero aquele povo um tanto porreta e capaz de tirar de letra o problema. Até um baita hospital construíram em dez dias! Fico arrepiado só de pensar na possibilidade de aporrinhação do tipo baixar bem aqui debaixo desta imensa lona. Certamente que não poderia contar com a ajuda do poder, que só tem olhos para a sociedade mais abastada, aquela que finge não saber que este imenso circo é feito de gente humilde.

Logicamente que não vem ao caso agora elaborar crítica ferrenha a respeito de quem quer que seja neste picadeiro. Mas desanima andar pelas ruas e ver a miséria a cuspir na nossa cara toda a sua revolta diante da nossa impotência. É sintoma de economia doente a pobreza extrema do povo de um país. E todos os planos que ora se apresentam não visam erradicar a fome dessa gente. Isso deveria ser prioridade, embora os sorrisos, abraços e comentários irônicos denotem vontade nenhuma de livrar esse povo do castigo que lhe fora impingido por ter errado feio na escolha de seus governantes.

Mas lá tem vírus, aqui não. Claro que tem enchente de água e de lama; policial truculento que rende mulher grávida, por ser mais fácil do que bandido; balas perdidas; desemprego; extinção de leis que protegiam o trabalhador da voracidade do patrão; aposentadoria só depois de morto; educação agonizante... É, acho bom parar por aqui. Certamente que, diante de tudo isso, vírus para dizimar a população é o que não precisamos. Aliás, é bom que se saiba que pobreza de espírito é um mal epidêmico aqui nestas paragens. E é justamente ela que leva à miséria, ao desalento e à vontade de não pensar no assunto.

Diga-se de passagem, bom mesmo é combater o desânimo com um bom programinha ordinário de TV aberta. Sim, quando se senta diante dela para ver toda a inutilidade que ela oferece, assim como o telejornal pouco comprometido com a informação, a imagem que nos chega de pronto é a de que tudo vai muito bem, obrigado. De que tudo corre dentro de uma normalidade que sugere calma, porque a situação está sob controle. É bom até que, volta e meia, um vírus chato apareça bem longe de terras Tupinambás para que o olhar cabisbaixo de seu povo sofrido se volte para um lugar distante em que a morte por atacado lhe faça parecer que vive num paraíso. 



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Outra chatice virótica

Rodolfo de Souza

06/02/2020 | 00:02


 E o vírus chegou para espalhar terror, como é a função de qualquer vírus, diga-se de passagem. Dizem até que o danado é mutante. Eu, como escriba de coisas miúdas, como dizia o bom Machado, não procuro me aprofundar muito na questão, tendo em vista as mutações que sofrem as verdades espalhadas por este mundo desde que sapiens se tornou o homo.

Mas fato é que não se fala em outra coisa ultimamente. Muitos países já anunciam pessoas contaminadas e temem pelos que chegam do oriente, lá onde a molécula anda causando transtornos e mortes. Apesar de que considero aquele povo um tanto porreta e capaz de tirar de letra o problema. Até um baita hospital construíram em dez dias! Fico arrepiado só de pensar na possibilidade de aporrinhação do tipo baixar bem aqui debaixo desta imensa lona. Certamente que não poderia contar com a ajuda do poder, que só tem olhos para a sociedade mais abastada, aquela que finge não saber que este imenso circo é feito de gente humilde.

Logicamente que não vem ao caso agora elaborar crítica ferrenha a respeito de quem quer que seja neste picadeiro. Mas desanima andar pelas ruas e ver a miséria a cuspir na nossa cara toda a sua revolta diante da nossa impotência. É sintoma de economia doente a pobreza extrema do povo de um país. E todos os planos que ora se apresentam não visam erradicar a fome dessa gente. Isso deveria ser prioridade, embora os sorrisos, abraços e comentários irônicos denotem vontade nenhuma de livrar esse povo do castigo que lhe fora impingido por ter errado feio na escolha de seus governantes.

Mas lá tem vírus, aqui não. Claro que tem enchente de água e de lama; policial truculento que rende mulher grávida, por ser mais fácil do que bandido; balas perdidas; desemprego; extinção de leis que protegiam o trabalhador da voracidade do patrão; aposentadoria só depois de morto; educação agonizante... É, acho bom parar por aqui. Certamente que, diante de tudo isso, vírus para dizimar a população é o que não precisamos. Aliás, é bom que se saiba que pobreza de espírito é um mal epidêmico aqui nestas paragens. E é justamente ela que leva à miséria, ao desalento e à vontade de não pensar no assunto.

Diga-se de passagem, bom mesmo é combater o desânimo com um bom programinha ordinário de TV aberta. Sim, quando se senta diante dela para ver toda a inutilidade que ela oferece, assim como o telejornal pouco comprometido com a informação, a imagem que nos chega de pronto é a de que tudo vai muito bem, obrigado. De que tudo corre dentro de uma normalidade que sugere calma, porque a situação está sob controle. É bom até que, volta e meia, um vírus chato apareça bem longe de terras Tupinambás para que o olhar cabisbaixo de seu povo sofrido se volte para um lugar distante em que a morte por atacado lhe faça parecer que vive num paraíso. 

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