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Forte cheiro e fumaça do Polo Petroquímico preocupam moradores

Claudinei Plaza/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Comunidade do bairro Capuava, divisa entre Santo André e Mauá, relata agravo em problemas respiratórios devido à poluição


Yasmin Assagra
Do Diário do Grande ABC

27/01/2020 | 23:30


 Moradores do bairro Parque Capuava, na divisa entre Santo André e Mauá, reclamam de transtornos causados pelas chamas emitidas pelo flare (chaminé) das indústrias que compõem o Polo Petroquímico. Segundo os munícipes, entre quinta-feira e sábado da semana passada, forte odor e fumaça preta oriunda da queima de gases estiveram acima do considerado “normal” e pioraram a qualidade de vida dos vizinhos que têm algum tipo de doença respiratória.

A aposentada Jalmiria Alves, 68, moradora do bairro há dez anos, comenta que o cheiro “estava insuportável” e só não foi pior por causa das chuvas. “Isso sempre aconteceu por aqui (cheiro forte e fumaça escura). Teve uma época que melhorou, mas nestes últimos dias foi horrível”, conta. 

A autônoma Érica Dias, 40, comenta que o odor incomoda o filho, o estudante Felipe Viana, 18, que sofre com asma. “O uso da bombinha aumenta praticamente o dobro quando isso acontece. É muito difícil”, comenta. Érica ainda diz que nos cinco anos em que reside no bairro, nunca recebeu aviso sobre as operações realizadas no local. “Seria melhor se soubéssemos o que está acontecendo”, avalia. 

A família da dona de casa Andréia Martins, 41, também sofre com o mau cheiro e poluição. Os filhos Gabriel Roberto, 12, e Guilherme Martins, 5, têm bronquite. “O umidificador fica ligado direto, fazemos aplicação de soro em pano úmido, usamos máscaras e fazemos inalação durante o dia”, observa Andréia. 

Advogado ambientalista e integrante do MDV (Movimento em Defesa da Vida) do Grande ABC, Virgílio Alcides de Farias considera que a Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) precisa ouvir a população antes de renovar as licenças de funcionamento das empresas e buscar saber “se o polo está tomando as devidas providências”.

Em 2018, o Diário mostrou que conjunto de estudos, realizado pela FMABC (Faculdade de Medicina do ABC) e FMUSP (Faculdade de Medicina da USP), a pedido do MP (Ministério Público) de Santo André, indicou que a poluição registrada no entorno do Polo Petroquímico de Capuava potencializa o desenvolvimento de doenças, entre elas o mal de Hashimoto, problema na tireoide.

A Braskem informou que no dia 18 de janeiro, em razão de falha em um transformador do sistema elétrico interno, a produção foi paralisada e, por isso, foi acionado o sistema flare. “Este processo de queima não oferece risco aos moradores do entorno da fábrica. Tais odores, contudo, não representam descumprimento das normas de qualidade”, garante. 

A Cetesb não se pronunciou até o fechamento desta edição. 



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Forte cheiro e fumaça do Polo Petroquímico preocupam moradores

Comunidade do bairro Capuava, divisa entre Santo André e Mauá, relata agravo em problemas respiratórios devido à poluição

Yasmin Assagra
Do Diário do Grande ABC

27/01/2020 | 23:30


 Moradores do bairro Parque Capuava, na divisa entre Santo André e Mauá, reclamam de transtornos causados pelas chamas emitidas pelo flare (chaminé) das indústrias que compõem o Polo Petroquímico. Segundo os munícipes, entre quinta-feira e sábado da semana passada, forte odor e fumaça preta oriunda da queima de gases estiveram acima do considerado “normal” e pioraram a qualidade de vida dos vizinhos que têm algum tipo de doença respiratória.

A aposentada Jalmiria Alves, 68, moradora do bairro há dez anos, comenta que o cheiro “estava insuportável” e só não foi pior por causa das chuvas. “Isso sempre aconteceu por aqui (cheiro forte e fumaça escura). Teve uma época que melhorou, mas nestes últimos dias foi horrível”, conta. 

A autônoma Érica Dias, 40, comenta que o odor incomoda o filho, o estudante Felipe Viana, 18, que sofre com asma. “O uso da bombinha aumenta praticamente o dobro quando isso acontece. É muito difícil”, comenta. Érica ainda diz que nos cinco anos em que reside no bairro, nunca recebeu aviso sobre as operações realizadas no local. “Seria melhor se soubéssemos o que está acontecendo”, avalia. 

A família da dona de casa Andréia Martins, 41, também sofre com o mau cheiro e poluição. Os filhos Gabriel Roberto, 12, e Guilherme Martins, 5, têm bronquite. “O umidificador fica ligado direto, fazemos aplicação de soro em pano úmido, usamos máscaras e fazemos inalação durante o dia”, observa Andréia. 

Advogado ambientalista e integrante do MDV (Movimento em Defesa da Vida) do Grande ABC, Virgílio Alcides de Farias considera que a Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) precisa ouvir a população antes de renovar as licenças de funcionamento das empresas e buscar saber “se o polo está tomando as devidas providências”.

Em 2018, o Diário mostrou que conjunto de estudos, realizado pela FMABC (Faculdade de Medicina do ABC) e FMUSP (Faculdade de Medicina da USP), a pedido do MP (Ministério Público) de Santo André, indicou que a poluição registrada no entorno do Polo Petroquímico de Capuava potencializa o desenvolvimento de doenças, entre elas o mal de Hashimoto, problema na tireoide.

A Braskem informou que no dia 18 de janeiro, em razão de falha em um transformador do sistema elétrico interno, a produção foi paralisada e, por isso, foi acionado o sistema flare. “Este processo de queima não oferece risco aos moradores do entorno da fábrica. Tais odores, contudo, não representam descumprimento das normas de qualidade”, garante. 

A Cetesb não se pronunciou até o fechamento desta edição. 

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