Fechar
Publicidade

Domingo, 16 de Fevereiro

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

Setecidades

setecidades@dgabc.com.br | 4435-8319

Hospitais têm 4.906 na fila por cirurgia eletiva

Claudinei Plaza/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Tempo de espera por procedimentos chega a sete anos na região; recomendação é até três meses


Natália Fernandjes
do Diário do Grande ABC

26/01/2020 | 23:31


Os dois hospitais estaduais localizados no Grande ABC – Mário Covas, em Santo André, e Serraria, em Diadema – concentram, juntos, fila de espera de 4.906 pessoas por cirurgias eletivas, aquelas que não precisam ser realizadas em caráter de urgência e emergência e podem ser agendadas. Apesar de a OMS (Organização Mundial da Saúde) indicar que os procedimentos devem ser realizadas em período de até três meses, na região, moradores esperam por até sete anos.

Listagem disponibilizada pelo Mário Covas em seu portal mostra que algumas pessoas foram incluídas na fila de eletivas em novembro de 2013. Neste caso, morador (a) de São Bernardo aguarda por cirurgia ortopédica na coluna para o tratamento de escoliose. Outro exemplo é indivíduo de Mauá, cuja data de entrada na lista de espera para cirurgia de quadril foi em outubro de 2014.

A maior parte da demanda reprimida está concentrada no Hospital Serraria, 3.594 pessoas. Entre os procedimentos mais requisitados estão otorrino (1.163), plástica (940), correção de hérnia abdominal (470) e remoção da vesícula biliar (354). Já no Hospital Mário Covas são 1.312 pacientes à espera de procedimentos cirúrgicos.

O número, obtido pelo Diário com base na Lei de Acesso à Informação, representa desequilíbrio entre a procura e a oferta por procedimentos, consequência de problemas de gestão e de baixo financiamento pelo SUS (Sistema Único de Saúde), dizem especialistas.

No caso da enfermeira Eliane Henrique da Silva, 40 anos, a espera por uma cirurgia para corrigir problema de endometriose e remoção parcial do ovário só não está sendo maior porque ela é conhecedora do sistema de saúde público. “O que percebi é que há dificuldade para referenciar o paciente para o serviço correto. Fui em três hospitais por agendamento errado da Cross (Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde), até que liguei na ouvidoria geral do SUS e me informaram que a única referência no Estado para essa cirurgia é o Hospital Mário Covas”, destaca a paciente, que está sendo submetida aos exames preparatórios para passar pelo procedimento. “Muitas vezes o usuário não sabe para onde ir e fica numa fila imensa.”

Professor de medicina geral da Faculdade Evangélica Mackenzie do Paraná e gestor de saúde do município de Curitiba, Matheos Chomatas observa que a defasagem da tabela de repasse por parte do governo federal aos Estados e municípios precisa ser revista. Levantamento mais recente, feito pelo CFM (Conselho Federal de Medicina) mostra que entre 2000 e 2013, enquanto Estados e municípios saíram de um patamar de 40% para 57% de participação no financiamento do SUS, a União apresentou decréscimo de 60% para 43%. “Esses valores precisam ser atualizados e é preciso discutir também o financiamento por mérito.”

Outro ponto abordado por Chomatas é a necessidade de se qualificar o atendimento básico. “Às vezes, os municípios encaminham um paciente para passar por procedimento cirúrgico sem ele precisar e acaba tirando o lugar de uma pessoa que necessita”, diz. Segundo o especialista, a gestão hospitalar precisa ser mais eficiente e, para tanto, deve ser feita por profissionais técnicos e capacitados. “Isso é pouco ensinado nos cursos de medicina”, critica. 

Lista de espera deve ter gestão inteligente

Para garantir que os pacientes idosos e com maior dificuldade de manter a rotina sejam priorizados no atendimento da fila de espera por cirurgias eletivas é necessário que seja realizada gestão inteligente do cadastro. Isso é o que considera a médica sanitarista e docente da USCS (Universidade Municipal de São Caetano) Jocelene Batista Pereira. “É preciso avaliar quem é essa pessoa e quem deve ser passado na frente”, diz.

Por outro lado, o tempo de espera não deve interferir no avanço da doença a ponto de prejudicar o paciente. “Se a pessoa for idosa, pode morrer na fila. Ou, nos casos de hérnia e vesícula, os problemas podem piorar e demandar cirurgias de urgência”, observa Jocelene.

Diretora regional de Saúde da Grande São Paulo, Vania Soares Tardelli alega que a fila é resultado de “competição” entre as cirurgias eletivas e emergenciais – que devem ser realizadas imediatamente, casos de fraturas e acidentes, por exemplo. “Esses procedimentos de emergência têm prioridade e acabam passando na frente, obrigando a remarcar as cirurgias eletivas.”

Em relação ao tempo de espera, ela garante que o Estado tem se preocupado e buscado solucionar o problema por meio de mutirões e do uso dos chamados hospitais dia para procedimentos que não necessitam de internação. No caso dos registros datados de 2013 e 2014 na fila de espera do Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André, Vania observa que a situação acontece porque o sistema de gerenciamento da lista não é informatizado. “Como não existe uma qualificação da fila de espera, temos esse atraso em atualizar os dados”, observa. <TL>NF



Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.

Hospitais têm 4.906 na fila por cirurgia eletiva

Tempo de espera por procedimentos chega a sete anos na região; recomendação é até três meses

Natália Fernandjes
do Diário do Grande ABC

26/01/2020 | 23:31


Os dois hospitais estaduais localizados no Grande ABC – Mário Covas, em Santo André, e Serraria, em Diadema – concentram, juntos, fila de espera de 4.906 pessoas por cirurgias eletivas, aquelas que não precisam ser realizadas em caráter de urgência e emergência e podem ser agendadas. Apesar de a OMS (Organização Mundial da Saúde) indicar que os procedimentos devem ser realizadas em período de até três meses, na região, moradores esperam por até sete anos.

Listagem disponibilizada pelo Mário Covas em seu portal mostra que algumas pessoas foram incluídas na fila de eletivas em novembro de 2013. Neste caso, morador (a) de São Bernardo aguarda por cirurgia ortopédica na coluna para o tratamento de escoliose. Outro exemplo é indivíduo de Mauá, cuja data de entrada na lista de espera para cirurgia de quadril foi em outubro de 2014.

A maior parte da demanda reprimida está concentrada no Hospital Serraria, 3.594 pessoas. Entre os procedimentos mais requisitados estão otorrino (1.163), plástica (940), correção de hérnia abdominal (470) e remoção da vesícula biliar (354). Já no Hospital Mário Covas são 1.312 pacientes à espera de procedimentos cirúrgicos.

O número, obtido pelo Diário com base na Lei de Acesso à Informação, representa desequilíbrio entre a procura e a oferta por procedimentos, consequência de problemas de gestão e de baixo financiamento pelo SUS (Sistema Único de Saúde), dizem especialistas.

No caso da enfermeira Eliane Henrique da Silva, 40 anos, a espera por uma cirurgia para corrigir problema de endometriose e remoção parcial do ovário só não está sendo maior porque ela é conhecedora do sistema de saúde público. “O que percebi é que há dificuldade para referenciar o paciente para o serviço correto. Fui em três hospitais por agendamento errado da Cross (Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde), até que liguei na ouvidoria geral do SUS e me informaram que a única referência no Estado para essa cirurgia é o Hospital Mário Covas”, destaca a paciente, que está sendo submetida aos exames preparatórios para passar pelo procedimento. “Muitas vezes o usuário não sabe para onde ir e fica numa fila imensa.”

Professor de medicina geral da Faculdade Evangélica Mackenzie do Paraná e gestor de saúde do município de Curitiba, Matheos Chomatas observa que a defasagem da tabela de repasse por parte do governo federal aos Estados e municípios precisa ser revista. Levantamento mais recente, feito pelo CFM (Conselho Federal de Medicina) mostra que entre 2000 e 2013, enquanto Estados e municípios saíram de um patamar de 40% para 57% de participação no financiamento do SUS, a União apresentou decréscimo de 60% para 43%. “Esses valores precisam ser atualizados e é preciso discutir também o financiamento por mérito.”

Outro ponto abordado por Chomatas é a necessidade de se qualificar o atendimento básico. “Às vezes, os municípios encaminham um paciente para passar por procedimento cirúrgico sem ele precisar e acaba tirando o lugar de uma pessoa que necessita”, diz. Segundo o especialista, a gestão hospitalar precisa ser mais eficiente e, para tanto, deve ser feita por profissionais técnicos e capacitados. “Isso é pouco ensinado nos cursos de medicina”, critica. 

Lista de espera deve ter gestão inteligente

Para garantir que os pacientes idosos e com maior dificuldade de manter a rotina sejam priorizados no atendimento da fila de espera por cirurgias eletivas é necessário que seja realizada gestão inteligente do cadastro. Isso é o que considera a médica sanitarista e docente da USCS (Universidade Municipal de São Caetano) Jocelene Batista Pereira. “É preciso avaliar quem é essa pessoa e quem deve ser passado na frente”, diz.

Por outro lado, o tempo de espera não deve interferir no avanço da doença a ponto de prejudicar o paciente. “Se a pessoa for idosa, pode morrer na fila. Ou, nos casos de hérnia e vesícula, os problemas podem piorar e demandar cirurgias de urgência”, observa Jocelene.

Diretora regional de Saúde da Grande São Paulo, Vania Soares Tardelli alega que a fila é resultado de “competição” entre as cirurgias eletivas e emergenciais – que devem ser realizadas imediatamente, casos de fraturas e acidentes, por exemplo. “Esses procedimentos de emergência têm prioridade e acabam passando na frente, obrigando a remarcar as cirurgias eletivas.”

Em relação ao tempo de espera, ela garante que o Estado tem se preocupado e buscado solucionar o problema por meio de mutirões e do uso dos chamados hospitais dia para procedimentos que não necessitam de internação. No caso dos registros datados de 2013 e 2014 na fila de espera do Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André, Vania observa que a situação acontece porque o sistema de gerenciamento da lista não é informatizado. “Como não existe uma qualificação da fila de espera, temos esse atraso em atualizar os dados”, observa. <TL>NF

Ao acessar você concorda com a nossa Política de Privacidade.


Para continuar, faça o seu login:


  • Aceito receber novidades e ofertas do Diário do Grande ABC e parceiros por
    correio eletrônico, mala direta, SMS ou outros meios de comunicação.


Ou acesse todo o conteúdo de forma ilimitada:

Veja como ter acesso a todo o conteúdo de forma ilimitada:

Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;