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Fuga dos nazistas e recomeço no Brasil



26/01/2020 | 10:14


Lá se vão 63 anos desde que Gyorgy Galfi cruzou o Atlântico em um navio, deixando para trás a família e os horrores da guerra. Mais de seis décadas depois, ainda é difícil para esse húngaro de 88 anos conter a emoção ao falar da gratidão que sente por ter sido recebido no Brasil, após escapar da perseguição nazista e da morte quase certa.

Ao lado da mulher Yvette - com quem está casado há 60 anos, tem dois filhos e uma neta -, ele relembra os anos cinzentos que viveu na Hungria tomada pelos nazistas. Várias circunstâncias, e às vezes o acaso, permitiram que o casal escapasse dos campos de concentração. A mesma sorte não tiveram suas famílias, que perderam membros em campos de extermínio como o de Auschwitz, cuja libertação completa 75 anos amanhã.

Em 1944, quando as deportações para os campos se intensificaram, alguns judeus húngaros conseguiram salvo-conduto da Suíça para ficar confinados em determinados prédios de Budapeste. Mas ali eles não estavam totalmente a salvo e, de madrugada, grupos inteiros eram levados à beira do Rio Danúbio para serem metralhados.

"Por duas vezes, nazistas húngaros vieram de madrugada nos buscar e nos levar (para o rio). Alguém avisou o embaixador suíço, que correu e nos salvou", contou Gyorgy, em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, lembrando que de sua janela ele assistia às execuções.

No caso de Yvette, seus pais sabiam que não podiam continuar em Belgrado, na antiga Iugoslávia, principalmente depois que começaram os bombardeios. As imagens daquele dia, quando tinha 5 anos, não saem de sua memória.

"Eu me lembro bem de pularmos corpos pelo meio da rua. Havia um carrinho de bebê e não sabia se estava vivo, porque em volta só havia mortos", conta Yvette, nome que adotou durante a fuga. O de batismo, não faz nenhuma questão de se lembrar.

Ela se recorda que ninguém imaginava o que viria, mas seus pais sempre diziam não confiar nos alemães. Quando houve a convocação dos judeus, muitos de seus parentes se apresentaram acreditando que se tratava de uma formalidade. "Minha avó fez geleia para levar (para os campos)", conta. Muitos acabaram mortos em câmaras de gás improvisadas nas carrocerias de caminhões.

Yvette, sua mãe, pai e irmão viveram uma odisseia até chegar ao Brasil, passando por Albânia, Itália, França, Espanha e Bolívia. Sempre com eles, havia uma boneca onde as joias da família ficavam escondidas e eram usadas para pagar por favores. A boneca nunca mais saiu do seu lado.

Com histórias semelhantes, Yvette e Gyorgy se conheceram e recomeçaram a vida no Brasil. "Graças a uma conspiração", diz Gyorgy, também um antigo diretor do Playcenter. Os dois estarão entre os homenageados deste domingo, 26, na cerimônia pelas Vítimas do Holocausto da Confederação Israelita do Brasil (Conib), Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp) e Congregação Israelita Paulista (CIP), na Sinagoga Etz Chaim, em São Paulo, às 18h30. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



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Fuga dos nazistas e recomeço no Brasil


26/01/2020 | 10:14


Lá se vão 63 anos desde que Gyorgy Galfi cruzou o Atlântico em um navio, deixando para trás a família e os horrores da guerra. Mais de seis décadas depois, ainda é difícil para esse húngaro de 88 anos conter a emoção ao falar da gratidão que sente por ter sido recebido no Brasil, após escapar da perseguição nazista e da morte quase certa.

Ao lado da mulher Yvette - com quem está casado há 60 anos, tem dois filhos e uma neta -, ele relembra os anos cinzentos que viveu na Hungria tomada pelos nazistas. Várias circunstâncias, e às vezes o acaso, permitiram que o casal escapasse dos campos de concentração. A mesma sorte não tiveram suas famílias, que perderam membros em campos de extermínio como o de Auschwitz, cuja libertação completa 75 anos amanhã.

Em 1944, quando as deportações para os campos se intensificaram, alguns judeus húngaros conseguiram salvo-conduto da Suíça para ficar confinados em determinados prédios de Budapeste. Mas ali eles não estavam totalmente a salvo e, de madrugada, grupos inteiros eram levados à beira do Rio Danúbio para serem metralhados.

"Por duas vezes, nazistas húngaros vieram de madrugada nos buscar e nos levar (para o rio). Alguém avisou o embaixador suíço, que correu e nos salvou", contou Gyorgy, em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, lembrando que de sua janela ele assistia às execuções.

No caso de Yvette, seus pais sabiam que não podiam continuar em Belgrado, na antiga Iugoslávia, principalmente depois que começaram os bombardeios. As imagens daquele dia, quando tinha 5 anos, não saem de sua memória.

"Eu me lembro bem de pularmos corpos pelo meio da rua. Havia um carrinho de bebê e não sabia se estava vivo, porque em volta só havia mortos", conta Yvette, nome que adotou durante a fuga. O de batismo, não faz nenhuma questão de se lembrar.

Ela se recorda que ninguém imaginava o que viria, mas seus pais sempre diziam não confiar nos alemães. Quando houve a convocação dos judeus, muitos de seus parentes se apresentaram acreditando que se tratava de uma formalidade. "Minha avó fez geleia para levar (para os campos)", conta. Muitos acabaram mortos em câmaras de gás improvisadas nas carrocerias de caminhões.

Yvette, sua mãe, pai e irmão viveram uma odisseia até chegar ao Brasil, passando por Albânia, Itália, França, Espanha e Bolívia. Sempre com eles, havia uma boneca onde as joias da família ficavam escondidas e eram usadas para pagar por favores. A boneca nunca mais saiu do seu lado.

Com histórias semelhantes, Yvette e Gyorgy se conheceram e recomeçaram a vida no Brasil. "Graças a uma conspiração", diz Gyorgy, também um antigo diretor do Playcenter. Os dois estarão entre os homenageados deste domingo, 26, na cerimônia pelas Vítimas do Holocausto da Confederação Israelita do Brasil (Conib), Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp) e Congregação Israelita Paulista (CIP), na Sinagoga Etz Chaim, em São Paulo, às 18h30. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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