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Trabalhador da UCI-Farma entra em greve

Com dívidas de R$ 5 mi, fábrica deve salários e benefícios e pode entrar em recuperação judicial


Soraia Abreu Pedrozo
Do Diário do Grande ABC

21/01/2020 | 00:01


Os 115 trabalhadores da UCI-Farma, indústria farmacêutica da Vila Duzi, em São Bernardo, cruzaram os braços ontem por tempo indeterminado. A empresa, que transferiu sua sede da Capital para a região há cerca de três décadas, acumula dívidas trabalhistas e débitos com fornecedores que passam dos R$ 5 milhões, de acordo com o Sindicato dos Químicos do ABC.

Dentre os direitos trabalhistas em haver, destacam-se: pagamento do 13º salário de 2019 e 2018; não recolhimento do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) há três anos; desconto em folha de pagamento, porém, ausência do repasse dos valores ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) há um ano e meio; pagamento da PLR (Participação nos Lucros e Resultados) do ano passado; pagamento de férias há quatro anos – segundo trabalhadores, 90% deles têm, desde então, usufruído do descanso, porém, sem a remuneração.

Adicionalmente, os salários têm sido depositados com atrasos recorrentes tanto no dia 15, quando é pago o vale, como no dia 30, em que o restante é remunerado. O vencimento do dia 15, por exemplo, até ontem não havia sido depositado. “Enquanto a empresa não acertar os salários, a greve continua”, sentenciou Lucimar Rodrigues, diretora do sindicato.

MÁ GESTÃO

Foi realizada assembleia ontem pela manhã, na porta da empresa e, à tarde, houve reunião com o Sindusfarma (Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos). “Mas nada foi solucionado. Queremos conversar com um dos sócios, Airton Ritondaro Sanchez, que está no Rio Grande do Sul, mas ele ainda não nos atendeu. Esperamos que na quarta-feira (amanhã) consigamos falar com ele”, contou. O outro proprietário, Elízio Veiga Giraldez, embora esteja na região, não detém o poder de decisão.

Segundo trabalhadores que pediram para não ser identificados, os dois vivem se desentendendo quanto aos rumos da companhia, que acumula dívidas e, no que depender de Sanchez, deve ingressar com pedido de recuperação judicial. “Temos muitos pedidos na fábrica. Trabalho não falta. Não conseguimos entender porque a empresa não nos paga em dia”, disse um deles.

De fato, conforme Lucimar, o carro-chefe dos medicamentos produzidos no local, o pyrpam, usado para combater vermes, por ser muito vendido para o Nordeste, acabou de confeccionar lote faturado em R$ 800 mil. “Não entendemos para onde vai o dinheiro, se nem pagar as dívidas eles pagam, Hoje, a fábrica fatura em torno de R$ 1 milhão por mês, mas já chegou a contabilizar R$ 3,5 milhões mensais, isso na época em que havia 220 funcionários”, diz a sindicalista, referindo-se a período de três anos atrás.

Ela alerta, ainda, que mais um item pode se somar à lista de prejuízos, uma vez que outro medicamento, o rilan, usado por quem tem rinite, será contaminado e terá de ser descartado se não for embalado até hoje. “Haverá prejuízo de R$ 300 mil”, afirma.

MEDO

De acordo com o presidente do sindicato, Raimundo Suzart, a UCI tem um problema crônico. Paga aluguel em torno de R$ 300 mil dos dois galpões. “É uma empresa que não tem patrimônio, tem maquinário defasado para o setor farmacêutico. Ela não investiu. Só tem a patente dos medicamentos para vender. Nossa esperança é que a empresa seja vendida. Mas isso, infelizmente, significará o desemprego de muitos trabalhadores. Felizmente, por outro lado, é a garantia de receber os direitos, muitos com até 30 anos de empresa. Porque nós não temos outra solução. Essa empresa não tem crédito no mercado.”

O Diário tentou contato com a UCI-Farma, porém, foi informado de que às 16h30 já não havia mais ninguém na fábrica devido à paralisação. 



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Trabalhador da UCI-Farma entra em greve

Com dívidas de R$ 5 mi, fábrica deve salários e benefícios e pode entrar em recuperação judicial

Soraia Abreu Pedrozo
Do Diário do Grande ABC

21/01/2020 | 00:01


Os 115 trabalhadores da UCI-Farma, indústria farmacêutica da Vila Duzi, em São Bernardo, cruzaram os braços ontem por tempo indeterminado. A empresa, que transferiu sua sede da Capital para a região há cerca de três décadas, acumula dívidas trabalhistas e débitos com fornecedores que passam dos R$ 5 milhões, de acordo com o Sindicato dos Químicos do ABC.

Dentre os direitos trabalhistas em haver, destacam-se: pagamento do 13º salário de 2019 e 2018; não recolhimento do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) há três anos; desconto em folha de pagamento, porém, ausência do repasse dos valores ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) há um ano e meio; pagamento da PLR (Participação nos Lucros e Resultados) do ano passado; pagamento de férias há quatro anos – segundo trabalhadores, 90% deles têm, desde então, usufruído do descanso, porém, sem a remuneração.

Adicionalmente, os salários têm sido depositados com atrasos recorrentes tanto no dia 15, quando é pago o vale, como no dia 30, em que o restante é remunerado. O vencimento do dia 15, por exemplo, até ontem não havia sido depositado. “Enquanto a empresa não acertar os salários, a greve continua”, sentenciou Lucimar Rodrigues, diretora do sindicato.

MÁ GESTÃO

Foi realizada assembleia ontem pela manhã, na porta da empresa e, à tarde, houve reunião com o Sindusfarma (Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos). “Mas nada foi solucionado. Queremos conversar com um dos sócios, Airton Ritondaro Sanchez, que está no Rio Grande do Sul, mas ele ainda não nos atendeu. Esperamos que na quarta-feira (amanhã) consigamos falar com ele”, contou. O outro proprietário, Elízio Veiga Giraldez, embora esteja na região, não detém o poder de decisão.

Segundo trabalhadores que pediram para não ser identificados, os dois vivem se desentendendo quanto aos rumos da companhia, que acumula dívidas e, no que depender de Sanchez, deve ingressar com pedido de recuperação judicial. “Temos muitos pedidos na fábrica. Trabalho não falta. Não conseguimos entender porque a empresa não nos paga em dia”, disse um deles.

De fato, conforme Lucimar, o carro-chefe dos medicamentos produzidos no local, o pyrpam, usado para combater vermes, por ser muito vendido para o Nordeste, acabou de confeccionar lote faturado em R$ 800 mil. “Não entendemos para onde vai o dinheiro, se nem pagar as dívidas eles pagam, Hoje, a fábrica fatura em torno de R$ 1 milhão por mês, mas já chegou a contabilizar R$ 3,5 milhões mensais, isso na época em que havia 220 funcionários”, diz a sindicalista, referindo-se a período de três anos atrás.

Ela alerta, ainda, que mais um item pode se somar à lista de prejuízos, uma vez que outro medicamento, o rilan, usado por quem tem rinite, será contaminado e terá de ser descartado se não for embalado até hoje. “Haverá prejuízo de R$ 300 mil”, afirma.

MEDO

De acordo com o presidente do sindicato, Raimundo Suzart, a UCI tem um problema crônico. Paga aluguel em torno de R$ 300 mil dos dois galpões. “É uma empresa que não tem patrimônio, tem maquinário defasado para o setor farmacêutico. Ela não investiu. Só tem a patente dos medicamentos para vender. Nossa esperança é que a empresa seja vendida. Mas isso, infelizmente, significará o desemprego de muitos trabalhadores. Felizmente, por outro lado, é a garantia de receber os direitos, muitos com até 30 anos de empresa. Porque nós não temos outra solução. Essa empresa não tem crédito no mercado.”

O Diário tentou contato com a UCI-Farma, porém, foi informado de que às 16h30 já não havia mais ninguém na fábrica devido à paralisação. 

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