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Aulas de dialeto que vêm do passado

Marcelino De Nardi e outros bisnetos dos primeiros imigrantes italianos que chegaram a São Caetano na virada do século XIX para o século XX mantinham a língua viva 30 anos atrás. E hoje?


Ademir Medici

18/01/2020 | 23:59


“Mesmo as conversações em família hoje são mais difíceis na linguagem pátria. Há pessoas que mantêm o dialeto isoladamente. Entre os mais antigos ainda se fala, mas de forma esporádica.”
Memória, 7-1-1990

“Não existem cursos de vêneto nas sociedades italianas, apesar de algumas lecionarem o italiano clássico.”
Idem.

O bergamasco, de Bergamo, na Lombardia, de tantos oriundis na região, é difícil, cantado, complicado de se entender. Mas foi muito falado na velha freguesia e no velho município de São Bernardo. Pena que não existam gravações.

Pedimos à jornalista Paula Fiorotti, da Fundação Pró-Memória de São Caetano, uma foto diferenciada do querido e saudoso Marcelino De Nardi. Paula não titubeou e enviou esta verdadeira preciosidade: “Achei esta imagem a ideal”, respondeu Paula.

Não poderia ser melhor. Ali está um jovem Marcelino no alto de uma ameixeira em quintal da Rua Rio Branco, no histórico bairro Fundação.
Marcelino tinha no bom humor a sua marca maior. E há 30 anos, quando o jornalista João Paulo de Oliveira, do Diário, nos pediu um nome que pudesse entrevistar sobre marcas linguísticas do antigo Núcleo Colonial de São Caetano, o nome de Marcelino De Nardi surgiu naturalmente. Uma bela reportagem foi escrita e publicada.

Dialeto vêneto resiste em São Caetano
Texto: João Paulo de Oliveira

Trazido para a cidade no fim do século XIX, bisnetos dos primeiros imigrantes italianos ainda mantêm o dialeto vivo.
– Como statu, bruta béstia?; (Como vai, animal?).
– Como ti (como você).

A lembrança é de Marcelino De Nardi. Ele morou na casa onde está o Museu de São Caetano.
Marcelino sente falta de amigos com quem possa praticar antigos dialetos. É difícil manter uma conversação.

“Eu mesmo já esqueci muita coisa porque parei de falar. O mais difícil é encontrar alguém que converse nossa língua”, lamentava Marcelino, em janeiro de 1990.

Outra frase relembrada por Marcelino De Nardi, ao seu estilo brincalhão – mas verossímil:
– Satu vecho, son andata al mercá com uma sporta de soldi e porti a casa tuto in man; (sabe, velho, fui à feira com uma cesta de dinheiro e o que comprei trago na mão).

A sobrevivência em Caxias do Sul

O professor Ciro Mioranza é um estudioso do vêneto:

O vêneto deixou como herança apenas o sotaque e algumas palavras.

Em Caxias do Sul ainda é a primeira língua entre pessoas com mais de 50 anos.
Mesmo no Norte da Itália – região de origem do dialeto – o vêneto se modificou bastante nos últimos 100 anos, misturando-se ao italiano tradicional.

Em Caxias do Sul a língua falada pelos descendentes é a mesma utilizada pelos primeiros imigrantes do fim do século XIX, um vêneto arcaico que, curiosamente, nem na Itália se fala mais.

CIRO MIORANZA. Autor de Filius Quondam, a Origem e o Significado dos Sobrenomes Italianos e Dicionário dos Sobrenomes Italianos, Editora Escala, 1997.

Diário há 30 anos...

Sexta-feira, 19 de janeiro de 1990 – Ano 32, edição 7280

Manchete – Matador de garoto tem casa sequestrada</CF>. Crime bárbaro na Vila Junqueira. Advogado que desferiu tiro foge com a família.

SOS Bairros – Sociedade Amigos da Cidade São Jorge, em Santo André, prepara a 3ª Festa do Padre Cícero.

Esportes – Saad EC troca São Caetano por Águas de Lindoia.

Juniores – O EC Santo André vence o Coritiba por 4 a 2 nos pênaltis e já está entre os seis melhores da Taça São Paulo, a Copinha.

Em 19 de janeiro de...

1915 – A I Guerra. Da manchete do Estadão: as temperaturas de neve dificultam as operações dos beligerantes.
A supressão do Prêmio Nobel da Paz de 1914.
Fala-se sobre a emigração belga para o Brasil.
Bernardino de Campos é sepultado no Cemitério da Consolação, em São Paulo.

1920 – Futebol em Paranapiacaba. O Serrano recebe em seu campo o Clube Atlético Papéis e Artes Gráficas para dois jogos.
Nota – Isso mesmo: muitos amistosos foram jogados no campo do Serrano, hoje o mais antigo do Brasil, um dos mais antigos do mundo, que pode e deve ser preservado, pelo amor ao futebol e à sua história.

1940 – Foi assinado, na pasta da Viação, o decreto que regulamenta a taxa rodoviária, criada por decreto de abril de 1938.
A II Guerra. Do noticiário do Estadão: parte da França, para combater ao lado dos finlandeses, um corpo expedicionário de 100 mil homens.

1960 – Novo governo municipal em Santo André. O radialista Osvaldo Gimenez assume a Prefeitura. E corre notícia de que o professor Nelson Zanotti, diretor da Faculdade de Ciências Econômicas e Administrativas, seria removido.
Uma comissão do Centro Acadêmico VIII de Abril é formada em defesa da permanência do diretor no cargo.
Integram a comissão: Carlos Szabados Bocsko, Boris Szmoisz, Odinaldo Amavel da Silva, Eduardo Vitor Suppion e Felício Padula Benatti.

Hoje

Dia Nacional do Cabeleireiro, Barbeiro, Esteticista, Manicure, Pedicure, Depilador e Maquiador (cf. lei de 18-1-2012).

Santos do dia

Odilo (França 962-1049). Arcebispo de Lion.

Canuto

Mário

Municípios brasileiros

Celebram aniversários em 19 de janeiro:

Em São Paulo, Praia Grande. Do tupi-guarani, Peabuçu. Separa-se de São Vicente e é instalado em 19 de janeiro de 1967.

No Rio Grande do Norte, Caiçara do Rio do Vento e Pedra Preta.

No Piauí, Fartura do Piauí.

No Maranhão, Guimarães.

 Em Minas Gerais, Tiradentes. Fonte: IBGE


 



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Aulas de dialeto que vêm do passado

Marcelino De Nardi e outros bisnetos dos primeiros imigrantes italianos que chegaram a São Caetano na virada do século XIX para o século XX mantinham a língua viva 30 anos atrás. E hoje?

Ademir Medici

18/01/2020 | 23:59


“Mesmo as conversações em família hoje são mais difíceis na linguagem pátria. Há pessoas que mantêm o dialeto isoladamente. Entre os mais antigos ainda se fala, mas de forma esporádica.”
Memória, 7-1-1990

“Não existem cursos de vêneto nas sociedades italianas, apesar de algumas lecionarem o italiano clássico.”
Idem.

O bergamasco, de Bergamo, na Lombardia, de tantos oriundis na região, é difícil, cantado, complicado de se entender. Mas foi muito falado na velha freguesia e no velho município de São Bernardo. Pena que não existam gravações.

Pedimos à jornalista Paula Fiorotti, da Fundação Pró-Memória de São Caetano, uma foto diferenciada do querido e saudoso Marcelino De Nardi. Paula não titubeou e enviou esta verdadeira preciosidade: “Achei esta imagem a ideal”, respondeu Paula.

Não poderia ser melhor. Ali está um jovem Marcelino no alto de uma ameixeira em quintal da Rua Rio Branco, no histórico bairro Fundação.
Marcelino tinha no bom humor a sua marca maior. E há 30 anos, quando o jornalista João Paulo de Oliveira, do Diário, nos pediu um nome que pudesse entrevistar sobre marcas linguísticas do antigo Núcleo Colonial de São Caetano, o nome de Marcelino De Nardi surgiu naturalmente. Uma bela reportagem foi escrita e publicada.

Dialeto vêneto resiste em São Caetano
Texto: João Paulo de Oliveira

Trazido para a cidade no fim do século XIX, bisnetos dos primeiros imigrantes italianos ainda mantêm o dialeto vivo.
– Como statu, bruta béstia?; (Como vai, animal?).
– Como ti (como você).

A lembrança é de Marcelino De Nardi. Ele morou na casa onde está o Museu de São Caetano.
Marcelino sente falta de amigos com quem possa praticar antigos dialetos. É difícil manter uma conversação.

“Eu mesmo já esqueci muita coisa porque parei de falar. O mais difícil é encontrar alguém que converse nossa língua”, lamentava Marcelino, em janeiro de 1990.

Outra frase relembrada por Marcelino De Nardi, ao seu estilo brincalhão – mas verossímil:
– Satu vecho, son andata al mercá com uma sporta de soldi e porti a casa tuto in man; (sabe, velho, fui à feira com uma cesta de dinheiro e o que comprei trago na mão).

A sobrevivência em Caxias do Sul

O professor Ciro Mioranza é um estudioso do vêneto:

O vêneto deixou como herança apenas o sotaque e algumas palavras.

Em Caxias do Sul ainda é a primeira língua entre pessoas com mais de 50 anos.
Mesmo no Norte da Itália – região de origem do dialeto – o vêneto se modificou bastante nos últimos 100 anos, misturando-se ao italiano tradicional.

Em Caxias do Sul a língua falada pelos descendentes é a mesma utilizada pelos primeiros imigrantes do fim do século XIX, um vêneto arcaico que, curiosamente, nem na Itália se fala mais.

CIRO MIORANZA. Autor de Filius Quondam, a Origem e o Significado dos Sobrenomes Italianos e Dicionário dos Sobrenomes Italianos, Editora Escala, 1997.

Diário há 30 anos...

Sexta-feira, 19 de janeiro de 1990 – Ano 32, edição 7280

Manchete – Matador de garoto tem casa sequestrada</CF>. Crime bárbaro na Vila Junqueira. Advogado que desferiu tiro foge com a família.

SOS Bairros – Sociedade Amigos da Cidade São Jorge, em Santo André, prepara a 3ª Festa do Padre Cícero.

Esportes – Saad EC troca São Caetano por Águas de Lindoia.

Juniores – O EC Santo André vence o Coritiba por 4 a 2 nos pênaltis e já está entre os seis melhores da Taça São Paulo, a Copinha.

Em 19 de janeiro de...

1915 – A I Guerra. Da manchete do Estadão: as temperaturas de neve dificultam as operações dos beligerantes.
A supressão do Prêmio Nobel da Paz de 1914.
Fala-se sobre a emigração belga para o Brasil.
Bernardino de Campos é sepultado no Cemitério da Consolação, em São Paulo.

1920 – Futebol em Paranapiacaba. O Serrano recebe em seu campo o Clube Atlético Papéis e Artes Gráficas para dois jogos.
Nota – Isso mesmo: muitos amistosos foram jogados no campo do Serrano, hoje o mais antigo do Brasil, um dos mais antigos do mundo, que pode e deve ser preservado, pelo amor ao futebol e à sua história.

1940 – Foi assinado, na pasta da Viação, o decreto que regulamenta a taxa rodoviária, criada por decreto de abril de 1938.
A II Guerra. Do noticiário do Estadão: parte da França, para combater ao lado dos finlandeses, um corpo expedicionário de 100 mil homens.

1960 – Novo governo municipal em Santo André. O radialista Osvaldo Gimenez assume a Prefeitura. E corre notícia de que o professor Nelson Zanotti, diretor da Faculdade de Ciências Econômicas e Administrativas, seria removido.
Uma comissão do Centro Acadêmico VIII de Abril é formada em defesa da permanência do diretor no cargo.
Integram a comissão: Carlos Szabados Bocsko, Boris Szmoisz, Odinaldo Amavel da Silva, Eduardo Vitor Suppion e Felício Padula Benatti.

Hoje

Dia Nacional do Cabeleireiro, Barbeiro, Esteticista, Manicure, Pedicure, Depilador e Maquiador (cf. lei de 18-1-2012).

Santos do dia

Odilo (França 962-1049). Arcebispo de Lion.

Canuto

Mário

Municípios brasileiros

Celebram aniversários em 19 de janeiro:

Em São Paulo, Praia Grande. Do tupi-guarani, Peabuçu. Separa-se de São Vicente e é instalado em 19 de janeiro de 1967.

No Rio Grande do Norte, Caiçara do Rio do Vento e Pedra Preta.

No Piauí, Fartura do Piauí.

No Maranhão, Guimarães.

 Em Minas Gerais, Tiradentes. Fonte: IBGE


 

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