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São Bernardo perde a sede da Mangels

Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

CNPJ da firma será transferido para Minas Gerais; região fica com seis empresas de capital aberto


Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

18/01/2020 | 00:01


Após assembleia com os acionistas realizada ontem, a Mangels confirmou a mudança da sede de São Bernardo, após 52 anos, para a cidade de Três Corações, em Minas Gerais, onde mantém uma fábrica. A empresa justificou a alteração por questões estratégica e tributária. Com a transferência do CNPJ, portanto, a região perde uma companhia de capital aberto, totalizando agora seis (Bombril, Fibam e Tegma, na mesma cidade; CVC Brasil em Santo André; Via Varejo e Gafisa em São Caetano), potencial de negócios e até mesmo receita.

Segundo a Mangels, o objetivo da mudança é ter “melhores condições de atendimento junto à Receita Federal e à Junta Comercial da região, onde temos as nossas principais operações de fabricação de rodas de alumínio, botijões de GLP, eixo traseiro e tanques de ar”, disse em nota.

A empresa destacou que a decisão não deve alterar as atividades administrativas do atual escritório da Mangels nem afetar os funcionários que ficam em São Bernardo, onde mantém diretoria, área comercial, jurídico, financeiro, auditoria interna, parte do RH e TI. Estamos certos de que esta ação confirma que estamos no caminho certo e continuaremos com excelentes resultados financeiros e operacionais. Seguimos sendo case de sucesso em todos os negócios de atuamos”, afirmou.

Apesar das garantias, o coordenador do Conjuscs (Observatório de Políticas Públicas, Empreendedorismo e Conjuntura da Universidade Municipal de São Caetano), Jefferson José da Conceição, alerta para outras questões. “Quando você transfere a sede da empresa para outra localidade, há série de consequências, e a fiscal é uma delas. Com a matriz em outro lugar, as decisões sobre a empresa passam a valer para lá, pois a cidade será priorizada. Para conversar sobre a situação da firma, eles devem também negociar com a prefeitura de lá. Isso sem falar em um fluxo maior de negócios onde está a sede.”

O especialista também lamentou a decisão baseada em questões tributárias, que deveriam ser neutras, segundo ele. “Estamos entrando em momento de reforma tributária. Com essa questão da guerra fiscal, nós como região somos muito atingidos, porque há alíquotas diferenciadas, permitindo esse remanejamento. Os secretários da Fazenda deveriam conversar com o Paulo Guedes (ministro da Economia) sobre isso.”

A Mangels abriu as portas em São Bernardo em 1968 e, em 2013, mantinha cerca de 380 funcionários quando decidiu parar a produção. Entrou com pedido de recuperação judicial em 2014, encerrado em 2017. Em 2016, registrou lucro de R$ 4,5 milhões, porém, em 2017 e 2018 obteve prejuízos de R$ 24,3 milhões e R$ 46,3 milhões. Caso houvesse lucro, seria taxado em São Bernardo.


Prefeitura se nega a dar resposta aos questionamentos sobre a mudança

Ao ser indagada pelo Diário sobre a mudança do registro de sede da Mangels de São Bernardo para a cidade mineira, a Prefeitura de São Bernardo se limitou a informar que os questionamentos deveriam ser encaminhados à própria empresa.

Quando o Diário publicou reportagem sobre a empresa na última semana, aventando a possibilidade de transferência, o Paço havia afirmado que o fechamento do escritório administrativo já tinha sido determinado anteriormente, porém, só poderia ser concluído agora devido ao processo de recuperação judicial da empresa encerrado em 2017.

A Mangels garantiu que não deve haver mudanças no escritório da cidade. 



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São Bernardo perde a sede da Mangels

CNPJ da firma será transferido para Minas Gerais; região fica com seis empresas de capital aberto

Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

18/01/2020 | 00:01


Após assembleia com os acionistas realizada ontem, a Mangels confirmou a mudança da sede de São Bernardo, após 52 anos, para a cidade de Três Corações, em Minas Gerais, onde mantém uma fábrica. A empresa justificou a alteração por questões estratégica e tributária. Com a transferência do CNPJ, portanto, a região perde uma companhia de capital aberto, totalizando agora seis (Bombril, Fibam e Tegma, na mesma cidade; CVC Brasil em Santo André; Via Varejo e Gafisa em São Caetano), potencial de negócios e até mesmo receita.

Segundo a Mangels, o objetivo da mudança é ter “melhores condições de atendimento junto à Receita Federal e à Junta Comercial da região, onde temos as nossas principais operações de fabricação de rodas de alumínio, botijões de GLP, eixo traseiro e tanques de ar”, disse em nota.

A empresa destacou que a decisão não deve alterar as atividades administrativas do atual escritório da Mangels nem afetar os funcionários que ficam em São Bernardo, onde mantém diretoria, área comercial, jurídico, financeiro, auditoria interna, parte do RH e TI. Estamos certos de que esta ação confirma que estamos no caminho certo e continuaremos com excelentes resultados financeiros e operacionais. Seguimos sendo case de sucesso em todos os negócios de atuamos”, afirmou.

Apesar das garantias, o coordenador do Conjuscs (Observatório de Políticas Públicas, Empreendedorismo e Conjuntura da Universidade Municipal de São Caetano), Jefferson José da Conceição, alerta para outras questões. “Quando você transfere a sede da empresa para outra localidade, há série de consequências, e a fiscal é uma delas. Com a matriz em outro lugar, as decisões sobre a empresa passam a valer para lá, pois a cidade será priorizada. Para conversar sobre a situação da firma, eles devem também negociar com a prefeitura de lá. Isso sem falar em um fluxo maior de negócios onde está a sede.”

O especialista também lamentou a decisão baseada em questões tributárias, que deveriam ser neutras, segundo ele. “Estamos entrando em momento de reforma tributária. Com essa questão da guerra fiscal, nós como região somos muito atingidos, porque há alíquotas diferenciadas, permitindo esse remanejamento. Os secretários da Fazenda deveriam conversar com o Paulo Guedes (ministro da Economia) sobre isso.”

A Mangels abriu as portas em São Bernardo em 1968 e, em 2013, mantinha cerca de 380 funcionários quando decidiu parar a produção. Entrou com pedido de recuperação judicial em 2014, encerrado em 2017. Em 2016, registrou lucro de R$ 4,5 milhões, porém, em 2017 e 2018 obteve prejuízos de R$ 24,3 milhões e R$ 46,3 milhões. Caso houvesse lucro, seria taxado em São Bernardo.


Prefeitura se nega a dar resposta aos questionamentos sobre a mudança

Ao ser indagada pelo Diário sobre a mudança do registro de sede da Mangels de São Bernardo para a cidade mineira, a Prefeitura de São Bernardo se limitou a informar que os questionamentos deveriam ser encaminhados à própria empresa.

Quando o Diário publicou reportagem sobre a empresa na última semana, aventando a possibilidade de transferência, o Paço havia afirmado que o fechamento do escritório administrativo já tinha sido determinado anteriormente, porém, só poderia ser concluído agora devido ao processo de recuperação judicial da empresa encerrado em 2017.

A Mangels garantiu que não deve haver mudanças no escritório da cidade. 

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