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Egresso da Fundação Casa Diadema ministra oficina de palhaçaria para internos


Miriam Gimenes

12/01/2020 | 07:16


“Você lembra deste garoto aqui?”, questiona uma das funcionárias da Fundação Casa em Diadema. “Sim, é claro. Ele é um exemplo”, responde outro profissional do local, abraçando efusivamente o rapaz para quem abre as grades da instituição. O exemplo em questão tem 19 anos e atende pelo nome de Fernando da Silva Soares, que, em 2017 passou em medida socioeducativa no espaço, que foi ‘seu endereço’ durante 11 meses e 19 dias.

Mas na visita recente feita à Fundação, acompanhada pelo Diário, o motivo era outro. Fê, como é chamado carinhosamente por lá, foi ministrar oficina de palhaçaria para os internos, que estão com programação especial de férias. Quando ainda cumpria sua pena, o talento para fazer rir foi identificado e sua vida ganhou novo rumo. “Uma psicóloga que trabalhava aqui viu que tinha aberto processo seletivo do Programa de Formação de Palhaço para Jovens, da Escola dos Doutores da Alegria, e fez a inscrição dele, porque durante o período em que Fernando esteve aqui divertia os outros meninos. Todos ríamos com ele”, lembra a encarregada da área técnica da Casa, Ana Paula Almeida Isidorio.

Tanto tinha talento que Fernando está prestes a se formar, falta apenas o espetáculo final, já realiza apresentações – em trio ou solo – e quer fazer disso sua profissão. “Tudo que tenho foi das oportunidades que surgiram aqui (na Fundação). Hoje vejo que fui um privilegiado em ter passado por esse lugar”, diz o rapaz.
E, desde o momento em que atravessou as grades para encontrar os garotos em uma sala, fez questão de mostrar o quanto era grato por tudo que aprendeu lá.

Conversou de igual para igual. “Aqui dentro passa um monte de coisas na nossa cabeça e só cabe a nós mudar o nosso destino lá fora”, aconselhou.
Encontrou 16 meninos – dos 60 internos –, ainda tímidos, com olhares desconfiados. Aos poucos, ao contar sua história e a começar a realizar exercícios, foi encontrando talentos. Dos rostos baixos, que por detrás de um número de identificação da camiseta carregam suas histórias, conseguiu arrancar sorrisos.

Deu exemplos de cascatas (quedas), claques (tapas falsos de palhaço) – o preferido dos meninos, diga-se –, interpretação e ficou a promessa de voltar, para com eles e outros que passarão pelas oficinas, com duração até o fim do mês, realizar um espetáculo final.

Ao fim da aula de mais de duas horas, os meninos já se o chamavam pelo nome, o abraçaram efusivamente – assim como o funcionário da Casa que o reviu – e pediram até para que ele cantasse um rap de sua autoria. “Passou muito rápido. Ficou uma sensação de que podíamos ter ficado mais. Me senti muito bem, com o coração aliviado, porque a gente (ele e os meninos) sai daquele ambiente tóxico e vai para outro mundo. Fiquei maravilhado com tudo isso. Assim como a Ana (Paula Almeida Isidorio) diz, que eu sou o pontinho de luz dela, (fazer o que fiz hoje) é o que me acende”, analisa Fernando, com sensação de dever cumprido. Ele provou em ‘carne e osso’ o que sempre é dito lá dentro para os internos: a mente – e o sonho – não tem grade.  



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Egresso da Fundação Casa Diadema ministra oficina de palhaçaria para internos

Miriam Gimenes

12/01/2020 | 07:16


“Você lembra deste garoto aqui?”, questiona uma das funcionárias da Fundação Casa em Diadema. “Sim, é claro. Ele é um exemplo”, responde outro profissional do local, abraçando efusivamente o rapaz para quem abre as grades da instituição. O exemplo em questão tem 19 anos e atende pelo nome de Fernando da Silva Soares, que, em 2017 passou em medida socioeducativa no espaço, que foi ‘seu endereço’ durante 11 meses e 19 dias.

Mas na visita recente feita à Fundação, acompanhada pelo Diário, o motivo era outro. Fê, como é chamado carinhosamente por lá, foi ministrar oficina de palhaçaria para os internos, que estão com programação especial de férias. Quando ainda cumpria sua pena, o talento para fazer rir foi identificado e sua vida ganhou novo rumo. “Uma psicóloga que trabalhava aqui viu que tinha aberto processo seletivo do Programa de Formação de Palhaço para Jovens, da Escola dos Doutores da Alegria, e fez a inscrição dele, porque durante o período em que Fernando esteve aqui divertia os outros meninos. Todos ríamos com ele”, lembra a encarregada da área técnica da Casa, Ana Paula Almeida Isidorio.

Tanto tinha talento que Fernando está prestes a se formar, falta apenas o espetáculo final, já realiza apresentações – em trio ou solo – e quer fazer disso sua profissão. “Tudo que tenho foi das oportunidades que surgiram aqui (na Fundação). Hoje vejo que fui um privilegiado em ter passado por esse lugar”, diz o rapaz.
E, desde o momento em que atravessou as grades para encontrar os garotos em uma sala, fez questão de mostrar o quanto era grato por tudo que aprendeu lá.

Conversou de igual para igual. “Aqui dentro passa um monte de coisas na nossa cabeça e só cabe a nós mudar o nosso destino lá fora”, aconselhou.
Encontrou 16 meninos – dos 60 internos –, ainda tímidos, com olhares desconfiados. Aos poucos, ao contar sua história e a começar a realizar exercícios, foi encontrando talentos. Dos rostos baixos, que por detrás de um número de identificação da camiseta carregam suas histórias, conseguiu arrancar sorrisos.

Deu exemplos de cascatas (quedas), claques (tapas falsos de palhaço) – o preferido dos meninos, diga-se –, interpretação e ficou a promessa de voltar, para com eles e outros que passarão pelas oficinas, com duração até o fim do mês, realizar um espetáculo final.

Ao fim da aula de mais de duas horas, os meninos já se o chamavam pelo nome, o abraçaram efusivamente – assim como o funcionário da Casa que o reviu – e pediram até para que ele cantasse um rap de sua autoria. “Passou muito rápido. Ficou uma sensação de que podíamos ter ficado mais. Me senti muito bem, com o coração aliviado, porque a gente (ele e os meninos) sai daquele ambiente tóxico e vai para outro mundo. Fiquei maravilhado com tudo isso. Assim como a Ana (Paula Almeida Isidorio) diz, que eu sou o pontinho de luz dela, (fazer o que fiz hoje) é o que me acende”, analisa Fernando, com sensação de dever cumprido. Ele provou em ‘carne e osso’ o que sempre é dito lá dentro para os internos: a mente – e o sonho – não tem grade.  

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