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Ano-Novo, feliz?


Dom Pedro Cipollini

06/01/2020 | 07:00


 Ainda com o Natal no coração, nos voltamos para o novo ano recém-iniciado. Feliz Ano-Novo, ou próspero Ano-Novo, desejamos. O que seria um feliz e próspero Ano-Novo? Os anseios do coração humano são tantos, mas nada supera o desejo de comunicação.

Apesar dos excelentes meios de comunicação existentes, encontramos dificuldades na comunicação com o próximo, pois aproximar-se de nossos semelhantes não é tarefa fácil.

Chegamos ao tempo em que o planeta se transformou em uma ‘aldeia global’, os meios de comunicação encurtam todas as distâncias, tudo se torna instantâneo. Somente não conseguem encurtar o espaço e o tempo que vão de um coração ao outro. Assim, nada mais comum que a solidão: viver no deserto em meio à multidão.

E aqui, penso eu, entra o feliz Ano-Novo com o significado de realização pessoal, felicidade e paz, objetivo que somente torna possível quando as pessoas se comunicam de verdade, “se acolhem mutuamente” no dizer do apóstolo São Paulo (Cl 3, 16). Foi para tornar possível este amor ao próximo que o Filho de Deus se fez humano. O amor se humanizou para que, ensinando as pessoas a amar, elas se divinizassem!

O amor é o desejo mais secreto que habita o íntimo do coração dos seres humanos. Mas hoje há a descrença com a possibilidade de amar. A humanidade parece contentar-se com o prazer, a ausência de sentimento de culpa ou satisfação passageira de escassos momentos de altruísmo.

Mas isso não é amor, o amor é muito mais, e Jesus nos ensinou o caminho. O amor se manifesta na misericórdia capaz de criar solidariedade.

Jesus nos mostra a face compassiva de Deus especialmente na parábola do Filho Pródigo (Lc 15, 11-32). A compaixão do pai com o filho pecador move ao amor, que é perdão e comunhão de vida. A misericórdia vai além da justiça, pois renuncia à punição; vai além da clemência, pois supõe reconciliação; vai além da piedade e comiseração, pois não precisa do espetáculo da miséria para comover-se. A misericórdia é o segredo mais íntimo do amor de Deus, escreveu São Vicente de Paulo.

A misericórdia é nosso coração que se abre à miséria do outro, grande ou pequena, material ou moral, se abre para compreender e acolher e não para condenar. É assim que Deus age e nos convida a agir. Outra parábola de Jesus, a do Bom Samaritano (Lc 10, 29-37) nos indica que a misericórdia é fonte de solidariedade.

Em nossa realidade, na qual predomina uma economia sem coração, que abarrota os cofres e esvazia a dignidade das pessoa, em especial das pessoas mais pobres, é necessária uma ética da misericórdia, nos ensina o papa Francisco.

Sem compaixão e misericórdia (inclusive misericórdia com a natureza) não haverá feliz ano novo, continuaremos incomunicáveis. Porque não haverá compreensão de Deus nem do ser humano, nem de salvação, e muito menos compreensão dos rumos a seguir em uma mais que necessária transformação social.

Ano-Novo feliz é renovar a compreensão do sentido positivo da vida, e lutar por ela.



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Ano-Novo, feliz?

Dom Pedro Cipollini

06/01/2020 | 07:00


 Ainda com o Natal no coração, nos voltamos para o novo ano recém-iniciado. Feliz Ano-Novo, ou próspero Ano-Novo, desejamos. O que seria um feliz e próspero Ano-Novo? Os anseios do coração humano são tantos, mas nada supera o desejo de comunicação.

Apesar dos excelentes meios de comunicação existentes, encontramos dificuldades na comunicação com o próximo, pois aproximar-se de nossos semelhantes não é tarefa fácil.

Chegamos ao tempo em que o planeta se transformou em uma ‘aldeia global’, os meios de comunicação encurtam todas as distâncias, tudo se torna instantâneo. Somente não conseguem encurtar o espaço e o tempo que vão de um coração ao outro. Assim, nada mais comum que a solidão: viver no deserto em meio à multidão.

E aqui, penso eu, entra o feliz Ano-Novo com o significado de realização pessoal, felicidade e paz, objetivo que somente torna possível quando as pessoas se comunicam de verdade, “se acolhem mutuamente” no dizer do apóstolo São Paulo (Cl 3, 16). Foi para tornar possível este amor ao próximo que o Filho de Deus se fez humano. O amor se humanizou para que, ensinando as pessoas a amar, elas se divinizassem!

O amor é o desejo mais secreto que habita o íntimo do coração dos seres humanos. Mas hoje há a descrença com a possibilidade de amar. A humanidade parece contentar-se com o prazer, a ausência de sentimento de culpa ou satisfação passageira de escassos momentos de altruísmo.

Mas isso não é amor, o amor é muito mais, e Jesus nos ensinou o caminho. O amor se manifesta na misericórdia capaz de criar solidariedade.

Jesus nos mostra a face compassiva de Deus especialmente na parábola do Filho Pródigo (Lc 15, 11-32). A compaixão do pai com o filho pecador move ao amor, que é perdão e comunhão de vida. A misericórdia vai além da justiça, pois renuncia à punição; vai além da clemência, pois supõe reconciliação; vai além da piedade e comiseração, pois não precisa do espetáculo da miséria para comover-se. A misericórdia é o segredo mais íntimo do amor de Deus, escreveu São Vicente de Paulo.

A misericórdia é nosso coração que se abre à miséria do outro, grande ou pequena, material ou moral, se abre para compreender e acolher e não para condenar. É assim que Deus age e nos convida a agir. Outra parábola de Jesus, a do Bom Samaritano (Lc 10, 29-37) nos indica que a misericórdia é fonte de solidariedade.

Em nossa realidade, na qual predomina uma economia sem coração, que abarrota os cofres e esvazia a dignidade das pessoa, em especial das pessoas mais pobres, é necessária uma ética da misericórdia, nos ensina o papa Francisco.

Sem compaixão e misericórdia (inclusive misericórdia com a natureza) não haverá feliz ano novo, continuaremos incomunicáveis. Porque não haverá compreensão de Deus nem do ser humano, nem de salvação, e muito menos compreensão dos rumos a seguir em uma mais que necessária transformação social.

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