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Anna Karina fez história como ícone da Nouvelle Vague



15/12/2019 | 15:37


Conta a lenda que Jean-Luc Godard, ao iniciar a produção de Uma Mulher É Uma Mulher, publicou um anúncio dizendo que procurava uma atriz que também o satisfizesse como amante. Anna Karina, em entrevista ao Estado, negou que fosse verdade, mas, pelo sim, pelo não, a colaboração artística virou casamento e eles viveram juntos por vários anos, fazendo vários filmes juntos. Anna Karina! Na verdade, seu nome era Hanna Karin Blarke Bayer e ela nasceu em 22 de setembro de 1940, em Solberg, na Dinamarca. Modelo, em Paris, transformou-se em atriz por sortilégio do gênio de Godard.

Foram sete filmes juntos, e ela virou ícone da Nouvelle Vague, o movimento que renovou o cinema francês no final dos anos 1950 e, como uma onda, espalhou-se pelo mundo. Na trilha de Une Femme Est Une Femme, de 1961, vieram Viver a Vida, O Pequeno Soldado, Alphaville - Uma Estranha Aventura de Lémmy Caution, Bando à Parte, O Demônio das Onze Horas/Pierrot le Fou e Made in USA. Sete filmes e meio, porque houve o episódio de O Amor Através dosa Séculos, ou Le Plus Vieux Métier du Monde. A mais velha profissão do mundo ela exerceu para Godard como a Naná de Viver a Vida. A prostituta que não tinha consciência da própria miséria e chorava no cinema, assistindo a O Martírio de Joana DArc, de Carl Theodor Dreyer.

Em Uma Mulher É Uma Mulher, ela é Angelá. Quer ter um filho, e seu amante, Jean-Claude Brialy, não tem vocação para pai. Entra em cena Jean-Paul Belmondo, que deseja Angelá e satisfaz sua vontade. Como? Fazendo um filho com ela. Em Pierrot le Fou, é Marianne, que embarca numa jornada de transgressão com Pierrot/Belmondo. Cena famosa cada um na direção de um carro, sem sentidos contrários, trocam um beijo. Sete vezes e meia Godard, mas Anna Karina também fez história quando A Religiosa, que Jacques Rivette adaptou de Diderot, foi proibido na França. Escândalo! Filmou também com Michel Deville (Ce Soir ou Jamais), Valerio Zurlini (Mulheres no Front), Luchino Visconti (O Estrangeiro), Volker Schlondorff (O Tirano da Aldeia), George Cukor (Justine) e Rainer Werner Fassbinder (Roleta Chinesa). Serge Gainsbourg dedicou-lhe um musical. Dirigiu Vivre Ensemble, de 1973. O filme reflete o espírito da época, em ruas de cidades da Europa e dos EUA.

Anna Karina foi sempre muito discreta. Sobre viver com Godard dizia que foi complicado. "Ele saía para comprar cigarros e sumia por semanas. Voltava como se não tivesse ocorrido nada." Seu agente informou que ela morreu de câncer, num hospital parisiense, no sábado, 14. "Era uma artista livre e única", acrescentou. Acompanhou-a, no fim, o atual marido, Dennis Berry.



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Anna Karina fez história como ícone da Nouvelle Vague


15/12/2019 | 15:37


Conta a lenda que Jean-Luc Godard, ao iniciar a produção de Uma Mulher É Uma Mulher, publicou um anúncio dizendo que procurava uma atriz que também o satisfizesse como amante. Anna Karina, em entrevista ao Estado, negou que fosse verdade, mas, pelo sim, pelo não, a colaboração artística virou casamento e eles viveram juntos por vários anos, fazendo vários filmes juntos. Anna Karina! Na verdade, seu nome era Hanna Karin Blarke Bayer e ela nasceu em 22 de setembro de 1940, em Solberg, na Dinamarca. Modelo, em Paris, transformou-se em atriz por sortilégio do gênio de Godard.

Foram sete filmes juntos, e ela virou ícone da Nouvelle Vague, o movimento que renovou o cinema francês no final dos anos 1950 e, como uma onda, espalhou-se pelo mundo. Na trilha de Une Femme Est Une Femme, de 1961, vieram Viver a Vida, O Pequeno Soldado, Alphaville - Uma Estranha Aventura de Lémmy Caution, Bando à Parte, O Demônio das Onze Horas/Pierrot le Fou e Made in USA. Sete filmes e meio, porque houve o episódio de O Amor Através dosa Séculos, ou Le Plus Vieux Métier du Monde. A mais velha profissão do mundo ela exerceu para Godard como a Naná de Viver a Vida. A prostituta que não tinha consciência da própria miséria e chorava no cinema, assistindo a O Martírio de Joana DArc, de Carl Theodor Dreyer.

Em Uma Mulher É Uma Mulher, ela é Angelá. Quer ter um filho, e seu amante, Jean-Claude Brialy, não tem vocação para pai. Entra em cena Jean-Paul Belmondo, que deseja Angelá e satisfaz sua vontade. Como? Fazendo um filho com ela. Em Pierrot le Fou, é Marianne, que embarca numa jornada de transgressão com Pierrot/Belmondo. Cena famosa cada um na direção de um carro, sem sentidos contrários, trocam um beijo. Sete vezes e meia Godard, mas Anna Karina também fez história quando A Religiosa, que Jacques Rivette adaptou de Diderot, foi proibido na França. Escândalo! Filmou também com Michel Deville (Ce Soir ou Jamais), Valerio Zurlini (Mulheres no Front), Luchino Visconti (O Estrangeiro), Volker Schlondorff (O Tirano da Aldeia), George Cukor (Justine) e Rainer Werner Fassbinder (Roleta Chinesa). Serge Gainsbourg dedicou-lhe um musical. Dirigiu Vivre Ensemble, de 1973. O filme reflete o espírito da época, em ruas de cidades da Europa e dos EUA.

Anna Karina foi sempre muito discreta. Sobre viver com Godard dizia que foi complicado. "Ele saía para comprar cigarros e sumia por semanas. Voltava como se não tivesse ocorrido nada." Seu agente informou que ela morreu de câncer, num hospital parisiense, no sábado, 14. "Era uma artista livre e única", acrescentou. Acompanhou-a, no fim, o atual marido, Dennis Berry.

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