Fechar
Publicidade

Sábado, 18 de Janeiro

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

Esportes

esportes@dgabc.com.br | 4435-8384

Nadador supera leucemia e conquista medalhas

Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Morador de Sâo Caetano, Rodrigo Machado descobriu Olimpíada para Transplantados há 3 anos e já é maior da história


Dérek Bittencourt
do Diário do Grande ABC

09/12/2019 | 07:04


Encerrar uma temporada esportiva com cinco medalhas mundiais e mais cinco nacionais não é para qualquer atleta. E se ele tem um agravante de estar desfrutando de sua segunda ou terceira vida, pode ser considerado quase como uma lenda. Este é o caso do bancário Rodrigo Machado, 47 anos, morador de São Caetano, que conquistou um ouro, uma prata e três bronzes nos Jogos Mundiais de Transplantados, em agosto, na Inglaterra, e cinco ouros no Campeonato Brasileiro de Transplantados, em novembro, em Curitiba, no Paraná.

O esporte sempre correu nas veias do paulistano. Na juventude, se tornou atleta federado pelo CA Pirelli, em Santo André. Porém, aos 17 anos, decidiu parar de competir e, três anos depois, aos 20, passou a trabalhar no banco – onde segue –, mas sem deixar a prática esportiva de lado. Tanto que passou a se dedicar à corrida de rua e completou sua primeira meia maratona em 2012. Passado pouco tempo, porém, cansaço e fadiga o levaram ao médico e a uma descoberta: foi diagnosticado com leucemia.

Ingressou na quimioterapia e descobriu que a única irmã, Renata Cristina, era 100% compatível. Então, em abril de 2013, realizou o transplante de medula óssea alogênico no IBCC (Instituto Brasileiro de Controle do Câncer). Passou por processo de reabilitação completo que tinha o esporte como parte fundamental e, em 2015, voltou a disputar uma meia maratona. Mas quase que como um replay, meses depois passou a sentir dores abdominais e... sarcoma granulocítico, tumor sólido extramedular, associado à leucemia. Voltou às sessões quimioterápicas, mais fortes do que as do tratamento anterior e, desta vez, sem o esporte como suporte. Mas, após três meses de internação e mais células doadas por Renata, Rodrigo se reabilitou.

Durante este segundo processo, ele ficou sabendo sobre os Jogos Mundiais de Transplantados, voltado tanto para pessoas que receberam transplante quanto doaram. E foi assim que partiu em busca de realizar o sonho de infância de disputar uma Olimpíada, mesmo que diferente.

Em abril de 2017, Rodrigo recebeu liberação médica para competir. Passou a treinar com o técnico Walter Rodrigues Júnior e ainda naquele ano embarcou para sua primeira participação olímpica em Málaga, na Espanha. “Voltei de lá com cinco medalhas (dois ouros e três pratas)”, recorda. Foi o start para reacender tudo o que planejou durante a juventude. “De lá para cá, comecei a treinar com maior intensidade e frequência. Em 2018 participei de mais duas competições internacionais e conquistei mais 11 medalhas no total, sendo nove ouros individuais e duas pratas em revezamentos pelo Brasil”, Além disso, garantiu vaga no Mundial deste ano.

Veio a temporada 2019 e, em agosto, seria realizada mais uma edição do Mundial de Transplantados, desta vez em Newcastle, na Inglaterra. E com as cinco medalhas citadas no início, Rodrigo se tornou o maior medalhista brasileiro na história da competição – que acontece a cada dois anos desde 1978. “Foram mais de 2.200 atletas, de 59 países, e todos lá já são vitoriosos, pois conseguiram superar uma doença grave e um transplante. Estão lá competindo e levando as bandeiras do seu país e da doação para o mundo inteiro ver”, exalta.

Em novembro, Curitiba recebeu a primeira edição do Brasileiro para Transplantados, com quatro modalidades e 60 atletas. E o nadador teve grande desempenho: cinco ouros, sendo o maior medalhista da competição. “O nível técnico não foi tão elevado, mas o resultado mostra possível crescimento no número de participantes em outras edições. Os jogos buscam divulgar, incentiva e mostrar com exemplos vivos a importância da doação de órgãos e medula óssea.”

Conciliar o tempo entre o banco, a família e os treinos não é fácil, mas acha que Rodrigo reclama? “O importante é conseguir viver e fazer tudo o que podemos e sempre da melhor maneira possível”, finaliza. 



Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.

Nadador supera leucemia e conquista medalhas

Morador de Sâo Caetano, Rodrigo Machado descobriu Olimpíada para Transplantados há 3 anos e já é maior da história

Dérek Bittencourt
do Diário do Grande ABC

09/12/2019 | 07:04


Encerrar uma temporada esportiva com cinco medalhas mundiais e mais cinco nacionais não é para qualquer atleta. E se ele tem um agravante de estar desfrutando de sua segunda ou terceira vida, pode ser considerado quase como uma lenda. Este é o caso do bancário Rodrigo Machado, 47 anos, morador de São Caetano, que conquistou um ouro, uma prata e três bronzes nos Jogos Mundiais de Transplantados, em agosto, na Inglaterra, e cinco ouros no Campeonato Brasileiro de Transplantados, em novembro, em Curitiba, no Paraná.

O esporte sempre correu nas veias do paulistano. Na juventude, se tornou atleta federado pelo CA Pirelli, em Santo André. Porém, aos 17 anos, decidiu parar de competir e, três anos depois, aos 20, passou a trabalhar no banco – onde segue –, mas sem deixar a prática esportiva de lado. Tanto que passou a se dedicar à corrida de rua e completou sua primeira meia maratona em 2012. Passado pouco tempo, porém, cansaço e fadiga o levaram ao médico e a uma descoberta: foi diagnosticado com leucemia.

Ingressou na quimioterapia e descobriu que a única irmã, Renata Cristina, era 100% compatível. Então, em abril de 2013, realizou o transplante de medula óssea alogênico no IBCC (Instituto Brasileiro de Controle do Câncer). Passou por processo de reabilitação completo que tinha o esporte como parte fundamental e, em 2015, voltou a disputar uma meia maratona. Mas quase que como um replay, meses depois passou a sentir dores abdominais e... sarcoma granulocítico, tumor sólido extramedular, associado à leucemia. Voltou às sessões quimioterápicas, mais fortes do que as do tratamento anterior e, desta vez, sem o esporte como suporte. Mas, após três meses de internação e mais células doadas por Renata, Rodrigo se reabilitou.

Durante este segundo processo, ele ficou sabendo sobre os Jogos Mundiais de Transplantados, voltado tanto para pessoas que receberam transplante quanto doaram. E foi assim que partiu em busca de realizar o sonho de infância de disputar uma Olimpíada, mesmo que diferente.

Em abril de 2017, Rodrigo recebeu liberação médica para competir. Passou a treinar com o técnico Walter Rodrigues Júnior e ainda naquele ano embarcou para sua primeira participação olímpica em Málaga, na Espanha. “Voltei de lá com cinco medalhas (dois ouros e três pratas)”, recorda. Foi o start para reacender tudo o que planejou durante a juventude. “De lá para cá, comecei a treinar com maior intensidade e frequência. Em 2018 participei de mais duas competições internacionais e conquistei mais 11 medalhas no total, sendo nove ouros individuais e duas pratas em revezamentos pelo Brasil”, Além disso, garantiu vaga no Mundial deste ano.

Veio a temporada 2019 e, em agosto, seria realizada mais uma edição do Mundial de Transplantados, desta vez em Newcastle, na Inglaterra. E com as cinco medalhas citadas no início, Rodrigo se tornou o maior medalhista brasileiro na história da competição – que acontece a cada dois anos desde 1978. “Foram mais de 2.200 atletas, de 59 países, e todos lá já são vitoriosos, pois conseguiram superar uma doença grave e um transplante. Estão lá competindo e levando as bandeiras do seu país e da doação para o mundo inteiro ver”, exalta.

Em novembro, Curitiba recebeu a primeira edição do Brasileiro para Transplantados, com quatro modalidades e 60 atletas. E o nadador teve grande desempenho: cinco ouros, sendo o maior medalhista da competição. “O nível técnico não foi tão elevado, mas o resultado mostra possível crescimento no número de participantes em outras edições. Os jogos buscam divulgar, incentiva e mostrar com exemplos vivos a importância da doação de órgãos e medula óssea.”

Conciliar o tempo entre o banco, a família e os treinos não é fácil, mas acha que Rodrigo reclama? “O importante é conseguir viver e fazer tudo o que podemos e sempre da melhor maneira possível”, finaliza. 

Ao acessar você concorda com a nossa Política de Privacidade.


Para continuar, faça o seu login:


  • Aceito receber novidades e ofertas do Diário do Grande ABC e parceiros por
    correio eletrônico, mala direta, SMS ou outros meios de comunicação.


Ou acesse todo o conteúdo de forma ilimitada:

Veja como ter acesso a todo o conteúdo de forma ilimitada:

Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;