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Obras viárias vão ‘despejar’ 2,5 mil em S.Bernardo


Rodrigo Cipriano
Do Diário do Grande ABC

24/02/2006 | 08:23


Pouco mais de 2,5 mil moradores de São Bernardo terão de abandonar suas casas para que o programa de reestruturação da malha viária do município possa ser implantado. Levantamento feito pela Prefeitura de São Bernardo mostrou que 704 casas estão dentro do canteiro de obras previstas no projeto. Grande parte dos imóveis está localizada em áreas irregulares, favelas formadas há décadas. Outras áreas, como entroncamento da avenida Lions com o km 16 da via Anchieta, estão cravadas em áreas nobres de São Bernardo.

A retirada das famílias deve começar em março. De acordo com o cronograma de obras do programa, as desapropriações se estendem até o fim de 2008. Donos de casas de alto padrão serão ressarcidos em dinheiro. Os médios também receberão dinheiro e terão à disposição o apoio do município para aquisição de linhas de crédito para financiamento de um novo imóvel. Já os moradores de áreas irregulares serão realojados em conjuntos habitacionais que estão em fase de construção pela Prefeitura.

Serão dois prédios, um em São Bernardo e outro em Diadema, com capacidade para abrigar até 405 famílias. Um acordo entre o município e o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), obriga a Prefeitura de São Bernardo a só iniciar uma obra quando todas as famílias afetadas no trecho em questão forem realocadas. O BID é financiador do programa de reestruturação da malha viária de São Bernardo, orçado em US$ 254 milhões, pouco mais de meio bilhão de reais.

A exigência pode travar algumas das principais obras aguardadas na cidade, como a abertura de uma avenida sobre o ribeirão dos Couros, entre a Robert Kennedy e a 31 de Março. O trecho corta de uma ponta a outra a Favela Naval, na divisa de São Bernardo com Diadema, e que ganhou as manchetes dos jornais no final da década de 90 após ter servido de palco para uma série de abusos de policiais militares contra moradores. As investidas, que foram registradas por um cinegrafista, culminaram na morte de um rapaz.

Exatos 1.239 moradores da favela terão de deixar suas casas. A maioria mora de forma precária, em barracos equilibrados sobre o ribeirão dos Couros. "Isso aqui não é vida para ninguém. Qualquer lugar é melhor que esse", afirma a dona-de-casa Silvana Ramos do Nascimento, 27 anos, que há um ano mora no local com os três filhos. Há cerca de 15 dias Silvana viu o barraco vizinho ao seu desabar sobre o ribeirão após uma forte chuva. "Foi um terror. Já estava tudo escuro. Sorte que ninguém se machucou", afirma.

Outros bairros já começaram a ser realocados. Em dezembro do ano passado, a Prefeitura de São Bernardo iniciou o processo de desapropriação da favela do Robertão, na estrada dos Alvarenga, próximo à divisa com Diadema. O terreno onde ficavam as moradias será transformado em um parque ecológico. Outra área que terá o mesmo destino é antiga favela do Jardim Falcão, onde, em 1998, 180 casas foram demolidas. Na desapropriação, comandada pela Tropa de Choque, 17 pessoas – entre PMs e moradores – ficaram feridas.

Os dois parques que serão construídos no Jardim Falcão e no morro do Robertão estão imbutidos no programa de reestruturação viária de São Bernardo na forma de compensação ambiental pelos danos causados pelas obras. Está previsto ainda o reflorestamento de uma área de manancial às margens da Represa Billings, entre os bairros Poney Clube e Canaã. O terreno pertence à Emae (Empresa Metropolitana de Águas e Energia) e já teria sido cedido para a Prefeitura de São Bernardo fazer o replantio.

Onde haverá desapropriação

Obra: abertura de avenida sobre o Ribeirão dos Couros entre a Robert Kennedy e a 31 de Março

desapropriação: 323 moradias irregulares na favela Naval, onde moram 1239 pessoas.

Obra: alça no km 16 da Via Anchieta que permitirá o acesso a av. Lions no sentido Diadema para o motorista que segue pela rodovia em direção a São Paulo

desapropriação: 17 moradias regulares na avenida Lions, onde moram 53 pessoas.

Obra: Duplicação de 3,25 quilômetros da estrada Galvão Bueno com duas faixas por sentido até o entroncamento com a rodovia dos Imigrantes

desapropriação: 20 moradias regulares na estrada galvão bueno, onde moram 71 pessoas

Obra: Duplicação da avenida Pery Ronchetti sobre o córrego do Saracantan

desapropriação: 22 moradias na avenida Pery Ronchetti, onde moram 72 pessoas

Obra: Nova pista interliga as estradas Samuel Aizemberg e dos Alvarenga.

desapropriação: 13 moradias regulares na marginal córrego linha camargo, onde moram 51 pessoas; 61 moradias irregulares na Favela Rosa Cruz, onde moram 261 pessoas; 75 moradias irregulares na Vila São José, onde moram 285 pessoas.

Obra: Reestrututação viária das ruas próximas a sede do novo paço municipal, próximo da avenida Kennedy.

desapropriação: 3 moradias regulares no Jardim Hollywood, onde moram 11 pessoas

Obra: Duplicação de 1,9 quilômetros da estrada dos Alvarenga com três faixas por sentido até a rodovia dos Imigrantes

desapropriação: 21 moradias irregulares na Vila Falcão, onde moram 74 pessoas; 2 moradias regulares na avenida Presidente Café Filho, onde moram 7 pessoas; 21 moradias na ocupação Jorge Filho, onde moram 71 pessoas

Obra: Alargamento da avenida Pereira Barreto

desapropriação: 59 moradias irregulares nas favelas Império e favela Pereira Barreto, onde moram 221 pessoas

Obra: Duplicação da estrada Samuel Aizemberg, complementação do complexo viário Mário Covas, no km 20,7 da Anchieta e duplicação da avenida Newton Monteiro de Andrade e sua conexão com a avenida Brigadeiro Faria Lima

desapropriação: 61 moradias regulares da estrada Samuel Aizemberg, onde moram 207 pessoas; 3 moradias regulares na avenida Newton Monteiro de Andrade, onde moram 11 pessoas; 3 morarias regulares na Vila Dulzzi, Centro e Jurubatuba, onde moram 13 pessoas



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Obras viárias vão ‘despejar’ 2,5 mil em S.Bernardo

Rodrigo Cipriano
Do Diário do Grande ABC

24/02/2006 | 08:23


Pouco mais de 2,5 mil moradores de São Bernardo terão de abandonar suas casas para que o programa de reestruturação da malha viária do município possa ser implantado. Levantamento feito pela Prefeitura de São Bernardo mostrou que 704 casas estão dentro do canteiro de obras previstas no projeto. Grande parte dos imóveis está localizada em áreas irregulares, favelas formadas há décadas. Outras áreas, como entroncamento da avenida Lions com o km 16 da via Anchieta, estão cravadas em áreas nobres de São Bernardo.

A retirada das famílias deve começar em março. De acordo com o cronograma de obras do programa, as desapropriações se estendem até o fim de 2008. Donos de casas de alto padrão serão ressarcidos em dinheiro. Os médios também receberão dinheiro e terão à disposição o apoio do município para aquisição de linhas de crédito para financiamento de um novo imóvel. Já os moradores de áreas irregulares serão realojados em conjuntos habitacionais que estão em fase de construção pela Prefeitura.

Serão dois prédios, um em São Bernardo e outro em Diadema, com capacidade para abrigar até 405 famílias. Um acordo entre o município e o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), obriga a Prefeitura de São Bernardo a só iniciar uma obra quando todas as famílias afetadas no trecho em questão forem realocadas. O BID é financiador do programa de reestruturação da malha viária de São Bernardo, orçado em US$ 254 milhões, pouco mais de meio bilhão de reais.

A exigência pode travar algumas das principais obras aguardadas na cidade, como a abertura de uma avenida sobre o ribeirão dos Couros, entre a Robert Kennedy e a 31 de Março. O trecho corta de uma ponta a outra a Favela Naval, na divisa de São Bernardo com Diadema, e que ganhou as manchetes dos jornais no final da década de 90 após ter servido de palco para uma série de abusos de policiais militares contra moradores. As investidas, que foram registradas por um cinegrafista, culminaram na morte de um rapaz.

Exatos 1.239 moradores da favela terão de deixar suas casas. A maioria mora de forma precária, em barracos equilibrados sobre o ribeirão dos Couros. "Isso aqui não é vida para ninguém. Qualquer lugar é melhor que esse", afirma a dona-de-casa Silvana Ramos do Nascimento, 27 anos, que há um ano mora no local com os três filhos. Há cerca de 15 dias Silvana viu o barraco vizinho ao seu desabar sobre o ribeirão após uma forte chuva. "Foi um terror. Já estava tudo escuro. Sorte que ninguém se machucou", afirma.

Outros bairros já começaram a ser realocados. Em dezembro do ano passado, a Prefeitura de São Bernardo iniciou o processo de desapropriação da favela do Robertão, na estrada dos Alvarenga, próximo à divisa com Diadema. O terreno onde ficavam as moradias será transformado em um parque ecológico. Outra área que terá o mesmo destino é antiga favela do Jardim Falcão, onde, em 1998, 180 casas foram demolidas. Na desapropriação, comandada pela Tropa de Choque, 17 pessoas – entre PMs e moradores – ficaram feridas.

Os dois parques que serão construídos no Jardim Falcão e no morro do Robertão estão imbutidos no programa de reestruturação viária de São Bernardo na forma de compensação ambiental pelos danos causados pelas obras. Está previsto ainda o reflorestamento de uma área de manancial às margens da Represa Billings, entre os bairros Poney Clube e Canaã. O terreno pertence à Emae (Empresa Metropolitana de Águas e Energia) e já teria sido cedido para a Prefeitura de São Bernardo fazer o replantio.

Onde haverá desapropriação

Obra: abertura de avenida sobre o Ribeirão dos Couros entre a Robert Kennedy e a 31 de Março

desapropriação: 323 moradias irregulares na favela Naval, onde moram 1239 pessoas.

Obra: alça no km 16 da Via Anchieta que permitirá o acesso a av. Lions no sentido Diadema para o motorista que segue pela rodovia em direção a São Paulo

desapropriação: 17 moradias regulares na avenida Lions, onde moram 53 pessoas.

Obra: Duplicação de 3,25 quilômetros da estrada Galvão Bueno com duas faixas por sentido até o entroncamento com a rodovia dos Imigrantes

desapropriação: 20 moradias regulares na estrada galvão bueno, onde moram 71 pessoas

Obra: Duplicação da avenida Pery Ronchetti sobre o córrego do Saracantan

desapropriação: 22 moradias na avenida Pery Ronchetti, onde moram 72 pessoas

Obra: Nova pista interliga as estradas Samuel Aizemberg e dos Alvarenga.

desapropriação: 13 moradias regulares na marginal córrego linha camargo, onde moram 51 pessoas; 61 moradias irregulares na Favela Rosa Cruz, onde moram 261 pessoas; 75 moradias irregulares na Vila São José, onde moram 285 pessoas.

Obra: Reestrututação viária das ruas próximas a sede do novo paço municipal, próximo da avenida Kennedy.

desapropriação: 3 moradias regulares no Jardim Hollywood, onde moram 11 pessoas

Obra: Duplicação de 1,9 quilômetros da estrada dos Alvarenga com três faixas por sentido até a rodovia dos Imigrantes

desapropriação: 21 moradias irregulares na Vila Falcão, onde moram 74 pessoas; 2 moradias regulares na avenida Presidente Café Filho, onde moram 7 pessoas; 21 moradias na ocupação Jorge Filho, onde moram 71 pessoas

Obra: Alargamento da avenida Pereira Barreto

desapropriação: 59 moradias irregulares nas favelas Império e favela Pereira Barreto, onde moram 221 pessoas

Obra: Duplicação da estrada Samuel Aizemberg, complementação do complexo viário Mário Covas, no km 20,7 da Anchieta e duplicação da avenida Newton Monteiro de Andrade e sua conexão com a avenida Brigadeiro Faria Lima

desapropriação: 61 moradias regulares da estrada Samuel Aizemberg, onde moram 207 pessoas; 3 moradias regulares na avenida Newton Monteiro de Andrade, onde moram 11 pessoas; 3 morarias regulares na Vila Dulzzi, Centro e Jurubatuba, onde moram 13 pessoas

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