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Preço da carne dispara e puxa alta da inflação

Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Insumo encarece de 10% a 18% na região; cenário se deve ao dólar e às exportações para a China


Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

06/12/2019 | 23:59


 O consumidor já percebeu que a carne bovina está custando mais nos açougues, supermercados e, até mesmo, em restaurantes da região. A mistura foi a principal responsável pela aceleração da inflação em novembro ao registrar alta de 8%, sendo 12% no ano.

Os preços dos cortes dispararam por causa do impacto da alta do dólar (R$ 4,14) e também devido ao aumento das exportações brasileiras para a China, que ampliou as compras do insumo em virtude da peste suína que atinge o país. “A questão da desvalorização do real sobre o dólar impacta porque os preços são tabelados em dólar (o boi gordo é uma commodity, ou seja, é cotado na moeda norte-americana)”, afirmou o coordenador de cursos de pós-graduação da Fipecafi Estevão Garcia de Oliveira Alexandre. “Além disso, a venda da carne para a China aumentou muito e acabou forçando os preços lá fora, que é o que acontece quando você tem uma demanda maior que a oferta”, explicou.

Na região, a proteína variou ainda mais na comparação com outubro, ficando 12,6% mais cara, conforme publicado pelo Diário na última semana, com base na pesquisa da cesta básica da Craisa (Companhia Regional de Abastecimento Integrado de Santo André).

Mesmo com a alta dos preços, o consumidor tende a manter os hábitos de consumo nas refeições. De acordo com o representante comercial do frigorífico Tudo em Carnes, localizado em Santo André, Carlos Abnel Paciência, mesmo com a alta de preços, de 15% a 18%, o consumidor procura outras opções. “A tendência é trocar cortes nobres como o contrafilé e o filé-mignon por opções de menor preço”, exemplificou.

É o caso da estudante Lívia Santos Silva, 17 anos, moradora do bairro Recreio da Borda do Campo, na mesma cidade. “Até diminuímos a porção, mas aqui em casa não tem como ficar sem carne. Até mesmo o frango e a carne de porco estão mais caros, mas a bovina é a preferida”, afirmou. As outras opções também tiveram alta por conta do preço do milho e de rações, que também são cotadas em dólar, além da maior procura por eles.

A especialidade do Tudo em Carnes são os espetinhos, que devido aos churrascos, comuns nesta época do ano, acabam sendo ainda mais procurados. “Nós temos opções de espetos que custavam R$ 22 e foram a R$ 26. As opções mais baratas são alguns tipos de carne, além da linguiça e do frango. Os mais caros, que custavam R$ 26, foram a R$ 30”, afirmou Paciência.

RESTAURANTES - De acordo com o presidente do Sehal (Sindicato das Empresas de Hospedagem e Alimentação), Beto Moreira, as churrascarias também já estão repassando o preço do insumo, sendo que houve, na média, acréscimo de 10% nos valores cobrados pelo rodízio na região. “Não tem outra alternativa, a não ser repassar os preços. Ainda mais porque os restaurantes não trabalham com estoque, somente com perecível. Ou seja, se o proprietário não faz isso, ele acaba tendo prejuízo”, destacou.

Para Alexandre, é difícil prever quando a situação vai mudar, porque isso depende muito da China. “Se a demanda continuar alta, o preço vai continuar subindo. O que precisa acontecer é o dólar ficar mais estável”, disse o professor da Fipecafi. “No curto prazo esta situação não vai mudar, acredito que deve durar ainda entre cinco e seis meses em patamar com preços mais altos”, assinalou.


IPCA de novembro tem o maior resultado desde 2015

O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que mede a inflação oficial do País, teve alta de 0,51% em novembro. Este é o maior resultado para o mês desde 2015, quando o índice ficou em 1,01%.

Os dados foram divulgados ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Com isso, o acumulado do ano foi para 3,12% e, o dos últimos 12 meses, para 3,27% – acima dos 2,54% registrados nos 12 meses anteriores, porém, ainda abaixo do centro da meta do Banco Central, de 4,5% ao ano. Em novembro de 2018, houve deflação de 0,21%.

O principal fator para o aumento da inflação foi a aceleração do grupo de alimentos e bebidas (0,72%), por conta da alta das carnes em 8,09%. O impacto individual foi de 0,22 ponto percentual.

Com isso, a alimentação no domicílio, que havia deflacionado 0,03% em outubro, subiu 1,01% no último mês. “O estrago só não foi maior porque tivemos redução na batata (-14,27%), no tomate (-12,71%) e na cebola (-12,48%). Todos eles haviam passado por período de alta anteriormente”, afirmou o coordenador de cursos de pós-graduação da Faculdade Fipecafi Estevão Garcia de Oliveira Alexandre. “Não fossem as carnes, o resultado do grupo de alimentação e bebidas seria negativo, com deflação de 0,18%”, comentou o gerente do IPCA, Pedro Kislanov.

Outro grupo que teve destaque foi o de habitação, que passou de deflação de 0,61% em outubro para alta de 0,71% em novembro, com impacto de 0,11 ponto percentual, devido ao aumento no valor nas bandeiras tarifárias e à bandeira vermelha vigente. Despesas pessoais avançaram 1,24% devido à disparada dos jogos de azar (24,35%), em razão dos reajustes nos preços das loterias federais. Juntos, os três grupos corresponderam a 82% de todo o IPCA de novembro.

Segundo Alexandre, para quem quer economizar, a dica é consumir outro alimento. “Além disso, o consumidor deve pesquisar bastante antes de fazer a compra. Tem a opção do pescado, que não teve aumento significativo, mas como a gente exporta bastante, deve subir. Se a opção for o bacalhau, que é um peixe importado, o dólar influencia. Insumos do agronegócio são cotados em dólar e é tendência que as commodities aumentem o preço também”, afirmou.



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Preço da carne dispara e puxa alta da inflação

Insumo encarece de 10% a 18% na região; cenário se deve ao dólar e às exportações para a China

Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

06/12/2019 | 23:59


 O consumidor já percebeu que a carne bovina está custando mais nos açougues, supermercados e, até mesmo, em restaurantes da região. A mistura foi a principal responsável pela aceleração da inflação em novembro ao registrar alta de 8%, sendo 12% no ano.

Os preços dos cortes dispararam por causa do impacto da alta do dólar (R$ 4,14) e também devido ao aumento das exportações brasileiras para a China, que ampliou as compras do insumo em virtude da peste suína que atinge o país. “A questão da desvalorização do real sobre o dólar impacta porque os preços são tabelados em dólar (o boi gordo é uma commodity, ou seja, é cotado na moeda norte-americana)”, afirmou o coordenador de cursos de pós-graduação da Fipecafi Estevão Garcia de Oliveira Alexandre. “Além disso, a venda da carne para a China aumentou muito e acabou forçando os preços lá fora, que é o que acontece quando você tem uma demanda maior que a oferta”, explicou.

Na região, a proteína variou ainda mais na comparação com outubro, ficando 12,6% mais cara, conforme publicado pelo Diário na última semana, com base na pesquisa da cesta básica da Craisa (Companhia Regional de Abastecimento Integrado de Santo André).

Mesmo com a alta dos preços, o consumidor tende a manter os hábitos de consumo nas refeições. De acordo com o representante comercial do frigorífico Tudo em Carnes, localizado em Santo André, Carlos Abnel Paciência, mesmo com a alta de preços, de 15% a 18%, o consumidor procura outras opções. “A tendência é trocar cortes nobres como o contrafilé e o filé-mignon por opções de menor preço”, exemplificou.

É o caso da estudante Lívia Santos Silva, 17 anos, moradora do bairro Recreio da Borda do Campo, na mesma cidade. “Até diminuímos a porção, mas aqui em casa não tem como ficar sem carne. Até mesmo o frango e a carne de porco estão mais caros, mas a bovina é a preferida”, afirmou. As outras opções também tiveram alta por conta do preço do milho e de rações, que também são cotadas em dólar, além da maior procura por eles.

A especialidade do Tudo em Carnes são os espetinhos, que devido aos churrascos, comuns nesta época do ano, acabam sendo ainda mais procurados. “Nós temos opções de espetos que custavam R$ 22 e foram a R$ 26. As opções mais baratas são alguns tipos de carne, além da linguiça e do frango. Os mais caros, que custavam R$ 26, foram a R$ 30”, afirmou Paciência.

RESTAURANTES - De acordo com o presidente do Sehal (Sindicato das Empresas de Hospedagem e Alimentação), Beto Moreira, as churrascarias também já estão repassando o preço do insumo, sendo que houve, na média, acréscimo de 10% nos valores cobrados pelo rodízio na região. “Não tem outra alternativa, a não ser repassar os preços. Ainda mais porque os restaurantes não trabalham com estoque, somente com perecível. Ou seja, se o proprietário não faz isso, ele acaba tendo prejuízo”, destacou.

Para Alexandre, é difícil prever quando a situação vai mudar, porque isso depende muito da China. “Se a demanda continuar alta, o preço vai continuar subindo. O que precisa acontecer é o dólar ficar mais estável”, disse o professor da Fipecafi. “No curto prazo esta situação não vai mudar, acredito que deve durar ainda entre cinco e seis meses em patamar com preços mais altos”, assinalou.


IPCA de novembro tem o maior resultado desde 2015

O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que mede a inflação oficial do País, teve alta de 0,51% em novembro. Este é o maior resultado para o mês desde 2015, quando o índice ficou em 1,01%.

Os dados foram divulgados ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Com isso, o acumulado do ano foi para 3,12% e, o dos últimos 12 meses, para 3,27% – acima dos 2,54% registrados nos 12 meses anteriores, porém, ainda abaixo do centro da meta do Banco Central, de 4,5% ao ano. Em novembro de 2018, houve deflação de 0,21%.

O principal fator para o aumento da inflação foi a aceleração do grupo de alimentos e bebidas (0,72%), por conta da alta das carnes em 8,09%. O impacto individual foi de 0,22 ponto percentual.

Com isso, a alimentação no domicílio, que havia deflacionado 0,03% em outubro, subiu 1,01% no último mês. “O estrago só não foi maior porque tivemos redução na batata (-14,27%), no tomate (-12,71%) e na cebola (-12,48%). Todos eles haviam passado por período de alta anteriormente”, afirmou o coordenador de cursos de pós-graduação da Faculdade Fipecafi Estevão Garcia de Oliveira Alexandre. “Não fossem as carnes, o resultado do grupo de alimentação e bebidas seria negativo, com deflação de 0,18%”, comentou o gerente do IPCA, Pedro Kislanov.

Outro grupo que teve destaque foi o de habitação, que passou de deflação de 0,61% em outubro para alta de 0,71% em novembro, com impacto de 0,11 ponto percentual, devido ao aumento no valor nas bandeiras tarifárias e à bandeira vermelha vigente. Despesas pessoais avançaram 1,24% devido à disparada dos jogos de azar (24,35%), em razão dos reajustes nos preços das loterias federais. Juntos, os três grupos corresponderam a 82% de todo o IPCA de novembro.

Segundo Alexandre, para quem quer economizar, a dica é consumir outro alimento. “Além disso, o consumidor deve pesquisar bastante antes de fazer a compra. Tem a opção do pescado, que não teve aumento significativo, mas como a gente exporta bastante, deve subir. Se a opção for o bacalhau, que é um peixe importado, o dólar influencia. Insumos do agronegócio são cotados em dólar e é tendência que as commodities aumentem o preço também”, afirmou.

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