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São Bernardo espera
interessados em usina
Renan Fonseca
Do Diário do Grande ABC
21/07/2011 | 07:37
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Termina dia 30 de agosto o prazo para interessados em participar do processo de construção da usina de incineração de lixo em São Bernardo. Por enquanto, nenhuma empresa ou consórcio se inscreveu no certame de Parceria-Público-Privada, lançado há mais de um mês.

O projeto está em discussão desde o ano passado, e prevê ampliar a coleta seletiva de lixo na cidade, além de remediar o terreno de 30 mil metros quadrados onde funcionou o Lixão do Alvarenga. A expectativa é que a usina opere a partir de 2015.

A avaliação da Prefeitura é de que as obras custem entre R$ 200 milhões e R$ 400 milhões - o valor pode variar por conta da tecnologia adotada. O empreendedor que assumir a parceria com o poder público também terá de construir e equipar seis galpões para seleção do lixo. Nesse caso, o objetivo é aumentar o número de coletores de recicláveis dos atuais 80 para cerca de 1.000.

A remoção do chorume (liquido gerado pela decomposição do lixo) e gases tóxicos na área do Alvarenga também ficará por conta da empresa que vencer o edital, que será finalizado dia 30 de agosto. "Mas muitas empresas já demonstraram interesse na iniciativa e agora devem estar estudando as exigências", avaliou o secretário de Coordenação Governamental, Tarcísio Secoli.

Pelas consultas feitas na Europa pela Prefeitura, a iniciativa aponta ser a mais avançada no ramo de destinação final para os resíduos urbanos. O papel da usina vai ser queimar o lixo devidamente selecionado, gerando energia, que pode ser comercializada pela empresa.

A queima dos materiais será feita por equipamentos avançados, contendo catalizadores e filtros, que vão impedir a emissão de gases e poluentes ao meio ambiente. Países avançados como Alemanha já utilizam a incineração como alternativa para aterros sanitários.

O município produz, em média, 700 toneladas de lixo mensais. Quase 50% desse volume é composto por material orgânico, que será queimado e convertido em energia. "A usina vai seguir os parâmetros exigidos pela Cetesb (Companhia Estadual de Tecnologia de Saneamento Ambiental), que são os mesmos adotados pela Europa", afirmou o secretário.

Secoli explicou ainda que a instalação da usina não se contrapõe à Lei Específica da Billings, que impede o funcionamento de empreendimentos emissores de poluição. "Se houver emissão, será em níveis muito abaixo do exigido pelas normas ambientais. A recuperação energética é a tecnologia mais avançada para a eliminação correta do lixo."

COLETA
Conforme Secoli, que é especialista em gestão e manejo ambiental, o projeto vai obedecer também à nova Política Nacional de Resíduos. "A legislação prioriza a reciclagem dos materiais. Portanto, o edital exige que a empresa construa galpões para as cooperativas de reciclagem", garantiu o secretário. "Além disso, a queima não será total. Ou seja, o lixo será separado pelos catadores e também dentro da usina", reforçou.

O funcionamento da usina assusta catadores da cidade, que temem perder a função. "O material reciclável será separado pelos coletores, que vão ficar com o lucro", afirmou Secoli. Sobre o assunto, a Cetesb informou que concedeu parecer garantindo a viabilidade da usina e agora aguarda o pedido de instalação.




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