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Diante de risco, Grana tenta evitar revés de Lincoln Grillo

DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Ex-prefeito busca ser vereador, algo que o gestor de Santo André nos anos 1970 não conseguiu


Fabio Martins
Do Diário do Grande ABC

17/11/2019 | 07:00


Com a iminente candidatura a vereador no pleito de 2020, o ex-prefeito de Santo André Carlos Grana (PT) entra na disputa com o desafio de ser puxador de votos do partido e, paradoxalmente, diante de risco, tentará evitar revés eleitoral na cidade enfrentado pelo ex-gestor Lincoln Grillo (morto em 2013 e que governou o município entre 1977 a 1983). São raros os casos em solo andreense de figuras que buscaram vaga na Câmara local após deixar o Executivo. Apesar de histórico de boas votações anteriores a deputado pelo MDB, Grillo postulou sem sucesso retornar ao Paço em 1988 e no páreo seguinte, em 1992, brigou por assento no Legislativo, pelo PDT. Saiu novamente derrotado, com pouco mais de 1.600 votos.

Mesmo conhecido por ser realizador de obras, o que inclui viadutos, Cesas (Centros Educacionais) e a Craisa (Companhia Regional de Abastecimento Integrado de Santo André), Grillo não conseguiu repetir êxito nas urnas. Antes de exercer o cargo, ele foi vereador na década de 1960, deputado estadual entre 1967 e 1975 e parlamentar federal de 1975 a 1977, ano em que renunciou ao posto para assumir a cadeira de prefeito de Santo André. Depois disso, colecionou fracassos junto ao eleitorado. Em entrevista ao Diário, concedida em 2001, disse que político sem mandato é tão limitado “quanto um general sem tropas ou um padre sem paróquia”.

Grana pode ser o primeiro prefeito eleito de Santo André a concorrer na empreitada subsequente municipal e tornar-se vereador. Por outro lado, internamente, há ciência sobre riscos da campanha. Possível frustração eleitoral colocaria em xeque força por candidatura para deputado na eleição de 2022. O petista já exerceu cargo de parlamentar estadual, quando venceu corrida em 2010, com apoio do meio sindical. Registrou 126,9 mil votos na oportunidade, cenário que o credenciou para o páreo majoritário de 2012. Em 2016, já em outro panorama, com instabilidade do petismo, foi derrotado por Paulo Serra (PSDB) em resultado significativo: 78,21% do tucano contra 21,79% do petista.

“Com a experiência que adquiri, eu não podia me omitir neste projeto (do PT, com a parlamentar Bete Siraque como pré-candidata a prefeita). Agora é me movimentar e buscar apoios. Cada eleição é separada da outra, não se vincula. Nem a de 2016 nem a de 2022. Me convenceram que tenho potencial. O que quero é somar, ajudar o PT na cidade, região e no País”, alegou Grana, que deve formalizar sua inscrição na terça-feira. Desconsiderou que irá enfrentar resistência interna por esbarrar em fatia dos correligionários Willians Bezerra e Alemão Duarte.

O histórico enxuto em Santo André reforça o cenário inusitado e fica ainda mais restrito considerando que Grillo foi eleito pelo voto. Isso porque na lista de ex-prefeito que viabilizou pleito de vereador também há Alfredo Maluf, porém ele foi nomeado chefe do Executivo em 1947 pelo interventor Adhemar de Barros – foi, aliás, o último dentro destas circunstâncias. Ao fim do seu mandato, candidatou-se à vereança, sendo um dos mais votados da cidade. Morreu jovem, aos 48 anos, em 1951.

Na região, maioria registrou fracasso na aposta rumo ao Legislativo

Embora em Santo André o feito de Carlos Grana (PT) possa ser apresentado como inédito, em outras cidades a situação já foi experimentada. Ex-prefeito de Diadema, José Augusto da Silva Ramos (PSDB), por exemplo, viveu os dois lados. Exerceu mandato de prefeito entre 1989 e 1992, pelo PT. Em 2012, foi eleito vereador mais votado da história, pelo PSDB, com 7.254 votos, e em 2016, depois de quatro anos como secretário de Saúde, registrou meros 2.420 sufrágios, e ficou fora da casa.

Primeiro prefeito do PT no País, Gilson Menezes geriu Diadema entre 1983 e 1988 e, depois, governou a cidade entre 1997 e 2000, Em 2016, tentou vaga de vereador. Pelo PDT, recebeu 360 votos.

Prefeita de Ribeirão Pires por dois mandatos (1997-2004), Maria Inês Soares (PT) amargou saldo desfavorável. Logo após deixar a administração, na eleição seguinte, em 2006, perdeu na concorrência a estadual e, em 2008, sofreu derrota no pleito a vereadora.

Diniz Lopes (PSB-Mauá), Aarão Teixeira (Rio Grande da Serra) e José Teixeira (Rio Grande) reforçam a lista de fracassos. 



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Diante de risco, Grana tenta evitar revés de Lincoln Grillo

Ex-prefeito busca ser vereador, algo que o gestor de Santo André nos anos 1970 não conseguiu

Fabio Martins
Do Diário do Grande ABC

17/11/2019 | 07:00


Com a iminente candidatura a vereador no pleito de 2020, o ex-prefeito de Santo André Carlos Grana (PT) entra na disputa com o desafio de ser puxador de votos do partido e, paradoxalmente, diante de risco, tentará evitar revés eleitoral na cidade enfrentado pelo ex-gestor Lincoln Grillo (morto em 2013 e que governou o município entre 1977 a 1983). São raros os casos em solo andreense de figuras que buscaram vaga na Câmara local após deixar o Executivo. Apesar de histórico de boas votações anteriores a deputado pelo MDB, Grillo postulou sem sucesso retornar ao Paço em 1988 e no páreo seguinte, em 1992, brigou por assento no Legislativo, pelo PDT. Saiu novamente derrotado, com pouco mais de 1.600 votos.

Mesmo conhecido por ser realizador de obras, o que inclui viadutos, Cesas (Centros Educacionais) e a Craisa (Companhia Regional de Abastecimento Integrado de Santo André), Grillo não conseguiu repetir êxito nas urnas. Antes de exercer o cargo, ele foi vereador na década de 1960, deputado estadual entre 1967 e 1975 e parlamentar federal de 1975 a 1977, ano em que renunciou ao posto para assumir a cadeira de prefeito de Santo André. Depois disso, colecionou fracassos junto ao eleitorado. Em entrevista ao Diário, concedida em 2001, disse que político sem mandato é tão limitado “quanto um general sem tropas ou um padre sem paróquia”.

Grana pode ser o primeiro prefeito eleito de Santo André a concorrer na empreitada subsequente municipal e tornar-se vereador. Por outro lado, internamente, há ciência sobre riscos da campanha. Possível frustração eleitoral colocaria em xeque força por candidatura para deputado na eleição de 2022. O petista já exerceu cargo de parlamentar estadual, quando venceu corrida em 2010, com apoio do meio sindical. Registrou 126,9 mil votos na oportunidade, cenário que o credenciou para o páreo majoritário de 2012. Em 2016, já em outro panorama, com instabilidade do petismo, foi derrotado por Paulo Serra (PSDB) em resultado significativo: 78,21% do tucano contra 21,79% do petista.

“Com a experiência que adquiri, eu não podia me omitir neste projeto (do PT, com a parlamentar Bete Siraque como pré-candidata a prefeita). Agora é me movimentar e buscar apoios. Cada eleição é separada da outra, não se vincula. Nem a de 2016 nem a de 2022. Me convenceram que tenho potencial. O que quero é somar, ajudar o PT na cidade, região e no País”, alegou Grana, que deve formalizar sua inscrição na terça-feira. Desconsiderou que irá enfrentar resistência interna por esbarrar em fatia dos correligionários Willians Bezerra e Alemão Duarte.

O histórico enxuto em Santo André reforça o cenário inusitado e fica ainda mais restrito considerando que Grillo foi eleito pelo voto. Isso porque na lista de ex-prefeito que viabilizou pleito de vereador também há Alfredo Maluf, porém ele foi nomeado chefe do Executivo em 1947 pelo interventor Adhemar de Barros – foi, aliás, o último dentro destas circunstâncias. Ao fim do seu mandato, candidatou-se à vereança, sendo um dos mais votados da cidade. Morreu jovem, aos 48 anos, em 1951.

Na região, maioria registrou fracasso na aposta rumo ao Legislativo

Embora em Santo André o feito de Carlos Grana (PT) possa ser apresentado como inédito, em outras cidades a situação já foi experimentada. Ex-prefeito de Diadema, José Augusto da Silva Ramos (PSDB), por exemplo, viveu os dois lados. Exerceu mandato de prefeito entre 1989 e 1992, pelo PT. Em 2012, foi eleito vereador mais votado da história, pelo PSDB, com 7.254 votos, e em 2016, depois de quatro anos como secretário de Saúde, registrou meros 2.420 sufrágios, e ficou fora da casa.

Primeiro prefeito do PT no País, Gilson Menezes geriu Diadema entre 1983 e 1988 e, depois, governou a cidade entre 1997 e 2000, Em 2016, tentou vaga de vereador. Pelo PDT, recebeu 360 votos.

Prefeita de Ribeirão Pires por dois mandatos (1997-2004), Maria Inês Soares (PT) amargou saldo desfavorável. Logo após deixar a administração, na eleição seguinte, em 2006, perdeu na concorrência a estadual e, em 2008, sofreu derrota no pleito a vereadora.

Diniz Lopes (PSB-Mauá), Aarão Teixeira (Rio Grande da Serra) e José Teixeira (Rio Grande) reforçam a lista de fracassos. 

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