Fechar
Publicidade

Sábado, 14 de Dezembro

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

Economia

soraiapedrozo@dgabc.com.br | 4435-8057

Indústria da região tem pior outubro em 4 anos

Agência Brasil Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Foram 550 demissões no mês passado, dado impulsionado pelo setor de veículos e autopeças


Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

15/11/2019 | 07:00


O emprego no setor industrial da região registrou o pior saldo – diferença entre admissões e demissões – para o mês de outubro desde 2015, com 550 dispensas. Quatro anos atrás, na esteira da crise econômica, o Grande ABC contabilizou 4.800 desligamentos no mês.

O resultado decorreu da queda de exportações na Argentina e dos efeitos de fechamento da planta da Ford em São Bernardo, e foi puxado para baixo pelo setor de veículos e autopeças. Nos dez primeiros meses do ano, o Grande ABC computou 6.450 demissões.

Os dados foram compilados pelo Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) e divulgados pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). No Estado, o número de postos de trabalho fechados chegou a 3.000 no último mês e 12,5 mil no ano.

Na região, a cidade que registrou mais dispensas na indústria foi São Bernardo, com 400 vagas encerradas em outubro e 2.700 no ano. De acordo com o coordenador do curso de administração do Instituto Mauá de Tecnologia, Ricardo Balistiero, os números do município mostram que “o fator Ford foi mais importante do que a questão da Argentina”. “Até porque é um número que destoa das outras cidades”, disse (veja quadro acima). Segundo ele, os resultados ainda estão ruins, mas a tendência é de melhora. “Estamos em trajetória de elevação de muito ruim para ruim, vai demorar um tempo razoável para chegar até o bom”, afirmou.

O coordenador de estudos do Observatório Econômico da Universidade Metodista de São Paulo, Sandro Maskio, também citou o fim das atividades da montadora norte-americana, que encerrou definitivamente a produção de caminhões no dia 30 após 52 anos no bairro Taboão.

“Sem dúvida o fechamento da Ford impactou tanto em empregos diretos como indiretos. Mas deve-se somar à retração da Argentina, com impacto negativo nas exportações, além do lento ritmo de crescimento nacional”, comentou.

Para o segundo vice-diretor do Ciesp de São Bernardo, Mauro Miaguti, o setor automotivo já “começa a reagir ao encerramento da montadora”.

Como os últimos 650 funcionários do chão de fábrica da Ford foram desligados na primeira semana deste mês, os reflexos da saída da empresa da região ainda devem ser sentidos no próximo indicador. Atualmente, há negociações para a compra da unidade pela Caoa. Porém, ainda não houve oficialização do acordo.

DEMAIS CIDADES
São Caetano registrou 200 demissões em outubro e 600 no ano. Santo André – a diretoria do Ciesp da cidade também inclui Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra – teve 100 vagas fechadas no último mês e 2.700 no ano.

A única cidade com resultado positivo foi Diadema, com 150 contratações. Mesmo assim, o diretor do Ciesp na cidade, Anuar Dequech Júnior, pontuou que o aumento é sazonal, já que em setembro a cidade fechou no negativo. “Está dando uma ajustada, mas ainda é aquele movimento (de contratação) que não temos uma base certa para saber se é uma tendência ou não. Tudo indica que, para o ano que vem, as coisas vão mudar um pouco, mas no último mês foi mais um ajuste de contratação.”

Miaguti destacou que a expectativa é de recuperação do mercado interno em 2020, o que não aconteceu neste ano. “Estive em um encontro com o setor da construção civil que está bem otimista. Eles são a ponta. Isso demonstra certo aquecimento em relação à indústria”. 



Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.

Indústria da região tem pior outubro em 4 anos

Foram 550 demissões no mês passado, dado impulsionado pelo setor de veículos e autopeças

Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

15/11/2019 | 07:00


O emprego no setor industrial da região registrou o pior saldo – diferença entre admissões e demissões – para o mês de outubro desde 2015, com 550 dispensas. Quatro anos atrás, na esteira da crise econômica, o Grande ABC contabilizou 4.800 desligamentos no mês.

O resultado decorreu da queda de exportações na Argentina e dos efeitos de fechamento da planta da Ford em São Bernardo, e foi puxado para baixo pelo setor de veículos e autopeças. Nos dez primeiros meses do ano, o Grande ABC computou 6.450 demissões.

Os dados foram compilados pelo Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) e divulgados pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). No Estado, o número de postos de trabalho fechados chegou a 3.000 no último mês e 12,5 mil no ano.

Na região, a cidade que registrou mais dispensas na indústria foi São Bernardo, com 400 vagas encerradas em outubro e 2.700 no ano. De acordo com o coordenador do curso de administração do Instituto Mauá de Tecnologia, Ricardo Balistiero, os números do município mostram que “o fator Ford foi mais importante do que a questão da Argentina”. “Até porque é um número que destoa das outras cidades”, disse (veja quadro acima). Segundo ele, os resultados ainda estão ruins, mas a tendência é de melhora. “Estamos em trajetória de elevação de muito ruim para ruim, vai demorar um tempo razoável para chegar até o bom”, afirmou.

O coordenador de estudos do Observatório Econômico da Universidade Metodista de São Paulo, Sandro Maskio, também citou o fim das atividades da montadora norte-americana, que encerrou definitivamente a produção de caminhões no dia 30 após 52 anos no bairro Taboão.

“Sem dúvida o fechamento da Ford impactou tanto em empregos diretos como indiretos. Mas deve-se somar à retração da Argentina, com impacto negativo nas exportações, além do lento ritmo de crescimento nacional”, comentou.

Para o segundo vice-diretor do Ciesp de São Bernardo, Mauro Miaguti, o setor automotivo já “começa a reagir ao encerramento da montadora”.

Como os últimos 650 funcionários do chão de fábrica da Ford foram desligados na primeira semana deste mês, os reflexos da saída da empresa da região ainda devem ser sentidos no próximo indicador. Atualmente, há negociações para a compra da unidade pela Caoa. Porém, ainda não houve oficialização do acordo.

DEMAIS CIDADES
São Caetano registrou 200 demissões em outubro e 600 no ano. Santo André – a diretoria do Ciesp da cidade também inclui Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra – teve 100 vagas fechadas no último mês e 2.700 no ano.

A única cidade com resultado positivo foi Diadema, com 150 contratações. Mesmo assim, o diretor do Ciesp na cidade, Anuar Dequech Júnior, pontuou que o aumento é sazonal, já que em setembro a cidade fechou no negativo. “Está dando uma ajustada, mas ainda é aquele movimento (de contratação) que não temos uma base certa para saber se é uma tendência ou não. Tudo indica que, para o ano que vem, as coisas vão mudar um pouco, mas no último mês foi mais um ajuste de contratação.”

Miaguti destacou que a expectativa é de recuperação do mercado interno em 2020, o que não aconteceu neste ano. “Estive em um encontro com o setor da construção civil que está bem otimista. Eles são a ponta. Isso demonstra certo aquecimento em relação à indústria”. 

Ao acessar você concorda com a nossa Política de Privacidade.


Para continuar, faça o seu login:


  • Aceito receber novidades e ofertas do Diário do Grande ABC e parceiros por
    correio eletrônico, mala direta, SMS ou outros meios de comunicação.


Ou acesse todo o conteúdo de forma ilimitada:

Veja como ter acesso a todo o conteúdo de forma ilimitada:

Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;