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Juristas propõem soluções contra a violência



24/01/2002 | 01:22


A luta contra a violência e o crescimento descontrolado dos seqüestros passam necessariamente pela reformulação da polícia e pelo combate aos diversos níveis de corrupção que alimentam o crime organizado no Brasil, de acordo com juristas, políticos e pesquisadores que participaram nesta quarta-feira do Debate sobre Seqüestro promovido pela Comissão dos Direitos Humanos da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). "O crime organizado se infiltrou na polícia, criando uma inversão naquilo que deveria efetivamente ocorrer, ou seja, a polícia estar infiltrada no crime organizado", afirmou o criminalista Luiz Flávio Gomes, integrante da comissão de reforma do Código Penal da OAB.

Para Gomes, o crime organizado capitalizou-se pelas principais instituições e adquiriu poder político no país. "Ele domina as periferias e disputa poder político nas cidades", afirmou. O deputado José Genoíno (PT) atribuiu ao crescimento do crime organizado a violência política no Brasil. "Todos os que contrariam interesses destes grupos entram na linha de fogo", disse o deputado. "E a questão não se resume apenas ao PT, uma vez que políticos do PFL e do PSDB também vêm sendo ameaçados."

De acordo com o coronel José Vicente da Silva, pesquisador do Instituto Fernando Braudel, os órgãos policiais e de inteligência já têm o perfil de funcionamento do crime organizado no país. "O crime organizado violento, que vem da periferia, enriquece com o tráfico e está se misturando com o crime organizado do colarinho branco", afirmou Gomes.

Ele defendeu uma reformulação profunda na polícia, que de acordo com ele deveria ser unificada e comandada pelo MP (Ministério Público). "Esta é a instituição mais independente que existe hoje no Brasil, por não estar atrelada ao Executivo e ter condições de criar um modelo de inteligência que centralize as informações da investigação policial", disse.

Carlos Miguel Aidar, presidente da OAB, disse que a polícia sabe "até no cotidiano" como deve agir para enfrentar os criminosos. "O cruzamento das avenidas Rebouças e Faria Lima, em São Paulo, é ponto de roubo de relógios. Bastaria um policial lá para inibir os ladrões, como aconteceu no Rio de Janeiro, onde se pode andar nesta quinta-feira por Copacabana com um Rolex no pulso, sem problemas", afirmou.

Aidar e Gomes defenderam as novas medidas de segurança anunciadas nesta quarta-feira pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB). "Representaram pelo menos um avanço com relação às primeiras, que foram meramente cosméticas", disse Gomes. Para Aidar, um plano de segurança eficiente depende apenas de vontade política. "E, como estamos num ano eleitoral, pressionados pelo clamor popular depois do assassinato do prefeito de Santo André, pode ser que isso ocorra agora", avaliou.

Visitas íntimas – A secretária nacional de Justiça, Elizabeth Sussekind, afirmou nesta quarta-feira que o governo estuda acabar com as visitas íntimas em presídios brasileiros. A proibição ajudaria a evitar o ingresso de armas, celulares e drogas nas penitenciárias.



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