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Sobre a extensão universitária


Stefanie Sussai*

01/11/2019 | 07:19


Prevista no artigo 207 da Constituição Federal, a extensão universitária é um dos pilares da educação universitária brasileira, sendo eles a pesquisa, o ensino e a extensão. A extensão universitária corresponde às ações da universidade junto à comunidade que predispõem a troca de conhecimentos técnicos e científicos adquiridos durante a formação acadêmica e pesquisa dos universitários, com os conhecimentos populares da comunidade local, onde docentes e discentes enfrentam, na prática, realidades diferentes do mundo em que estão habituados, que têm demandas já pré-definidas e outras que poderão ser levantada de acordo com a vivência, os diálogos e os olhares dos universitários.

A extensão pode servir como oportunidade de solução dos problemas recorrentes das sete cidades do Grande ABC, em que os universitários poderão aprender, pesquisar e colocar em prática conhecimentos, desde os mais tradicionais até os mais modernos, para questões popularmente reconhecidas e que até mesmo tenham outros profissionais trabalhando em busca de respostas, como nos casos das prefeituras. Há pelo menos 18 instituições de ensino superior distribuídas em cinco das sete cidades do Grande ABC, sendo os dois municípios não contemplados aqueles que possuem os menores números de habitantes.

Um exemplo de extensão universitária é o Projeto Rondon SP, que trouxe universitários de diversas áreas e IES (Instituto de Educação Superior) para atuar em três operações em Diadema, com a parceria da Prefeitura municipal. Os universitários desenvolveram em Diadema atividades que envolveram servidores e munícipes sobre saúde, direitos humanos, empregabilidade, gestão e educação ambiental. O Grande ABC já recebeu três operações do Instituto Projeto Rondon SP, na cidade de Diadema. As operações têm duração de cerca de uma semana e além da interação com os munícipes para o reconhecimento das necessidades locais, visam o diálogo e a capacitação de funcionários das prefeituras para que as mudanças possam ocorrem além do período das operações. A função do projeto não é apenas assistencialista, mas sim de inspirar e capacitar a comunidade para que ela possibilite o seu desenvolvimento regional, ao mesmo tempo que os voluntários (graduandos e professores), aprendem com a comunidade sobre as diferenças do mundo real e do ideal dos livros e teorias.

Fica evidente a importância da extensão universitária na formação dos graduandos e pós-graduandos. Reforçando a inclusão da extensão como obrigatória na graduação e pós-graduação, determinada pelo PNE (Plano Nacional de Educação) de 2014, conforme a meta 23 prevista no PNE de 2001, o MEC (Ministério da Educação) formulou a resolução número 7, de 18 de dezembro de 2018, que estabelece diretrizes para a extensão na educação superior brasileira, preconizando que, no mínimo, 10% do total de créditos curriculares exigidos para a graduação estejam em programas e projetos de extensão, orientados, prioritariamente para áreas de grande pertinência social (Brasil, 2018). Essa proposta de curricularização da extensão universitária pode ser interpretada como uma valorização desse tipo de atividade, pois, atualmente, docentes e discentes que participam de projetos e programas de extensão não recebem pontuação em seus departamentos ou currículos.

Cabe também, a cada IES promover a valorização da extensão, não apenas porque deve cumprir o previsto por lei no caso das universidades, mas, principalmente, por compreender a importância de estimular a participação de graduandos, pós-graduandos e professores para a construção de uma sociedade melhor, ainda durante o decorrer do curso, onde novas ideias e perspectivas podem ser pesquisas, além de colocar em prática o aprendizado de sala de aula e exercitar a discussão e a tomada de decisões interprofissionalmente.

Além do desenvolvimento profissional, que promove desafios aos graduandos dos quais muitas vezes só vivenciariam apenas depois de formados ou até mesmo não teriam a oportunidade de atuarem em áreas críticas - pois a realidade da academia, de muitos estágios ou empregos é bem diferente da realidade brasileira, em que muitos cidadãos sobrevivem em situação de vulnerabilidade –, uma característica única da extensão universitária é, sem dúvida, o desenvolvimento pessoal, que transforma as pessoas e abre os olhares, formando profissionais mais humanizados, independente da área de atuação, qualificados para o mundo real e aptos para auxiliarem no desenvolvimento regional.


* Médica veterinária, mestranda da USP (Universidade de São Paulo) e pesquisadora do Observatório Políticas Públicas, Empreendedorismo e Conjuntura da USCS (Universidade Municipal de São Caetano). 



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Sobre a extensão universitária

Stefanie Sussai*

01/11/2019 | 07:19


Prevista no artigo 207 da Constituição Federal, a extensão universitária é um dos pilares da educação universitária brasileira, sendo eles a pesquisa, o ensino e a extensão. A extensão universitária corresponde às ações da universidade junto à comunidade que predispõem a troca de conhecimentos técnicos e científicos adquiridos durante a formação acadêmica e pesquisa dos universitários, com os conhecimentos populares da comunidade local, onde docentes e discentes enfrentam, na prática, realidades diferentes do mundo em que estão habituados, que têm demandas já pré-definidas e outras que poderão ser levantada de acordo com a vivência, os diálogos e os olhares dos universitários.

A extensão pode servir como oportunidade de solução dos problemas recorrentes das sete cidades do Grande ABC, em que os universitários poderão aprender, pesquisar e colocar em prática conhecimentos, desde os mais tradicionais até os mais modernos, para questões popularmente reconhecidas e que até mesmo tenham outros profissionais trabalhando em busca de respostas, como nos casos das prefeituras. Há pelo menos 18 instituições de ensino superior distribuídas em cinco das sete cidades do Grande ABC, sendo os dois municípios não contemplados aqueles que possuem os menores números de habitantes.

Um exemplo de extensão universitária é o Projeto Rondon SP, que trouxe universitários de diversas áreas e IES (Instituto de Educação Superior) para atuar em três operações em Diadema, com a parceria da Prefeitura municipal. Os universitários desenvolveram em Diadema atividades que envolveram servidores e munícipes sobre saúde, direitos humanos, empregabilidade, gestão e educação ambiental. O Grande ABC já recebeu três operações do Instituto Projeto Rondon SP, na cidade de Diadema. As operações têm duração de cerca de uma semana e além da interação com os munícipes para o reconhecimento das necessidades locais, visam o diálogo e a capacitação de funcionários das prefeituras para que as mudanças possam ocorrem além do período das operações. A função do projeto não é apenas assistencialista, mas sim de inspirar e capacitar a comunidade para que ela possibilite o seu desenvolvimento regional, ao mesmo tempo que os voluntários (graduandos e professores), aprendem com a comunidade sobre as diferenças do mundo real e do ideal dos livros e teorias.

Fica evidente a importância da extensão universitária na formação dos graduandos e pós-graduandos. Reforçando a inclusão da extensão como obrigatória na graduação e pós-graduação, determinada pelo PNE (Plano Nacional de Educação) de 2014, conforme a meta 23 prevista no PNE de 2001, o MEC (Ministério da Educação) formulou a resolução número 7, de 18 de dezembro de 2018, que estabelece diretrizes para a extensão na educação superior brasileira, preconizando que, no mínimo, 10% do total de créditos curriculares exigidos para a graduação estejam em programas e projetos de extensão, orientados, prioritariamente para áreas de grande pertinência social (Brasil, 2018). Essa proposta de curricularização da extensão universitária pode ser interpretada como uma valorização desse tipo de atividade, pois, atualmente, docentes e discentes que participam de projetos e programas de extensão não recebem pontuação em seus departamentos ou currículos.

Cabe também, a cada IES promover a valorização da extensão, não apenas porque deve cumprir o previsto por lei no caso das universidades, mas, principalmente, por compreender a importância de estimular a participação de graduandos, pós-graduandos e professores para a construção de uma sociedade melhor, ainda durante o decorrer do curso, onde novas ideias e perspectivas podem ser pesquisas, além de colocar em prática o aprendizado de sala de aula e exercitar a discussão e a tomada de decisões interprofissionalmente.

Além do desenvolvimento profissional, que promove desafios aos graduandos dos quais muitas vezes só vivenciariam apenas depois de formados ou até mesmo não teriam a oportunidade de atuarem em áreas críticas - pois a realidade da academia, de muitos estágios ou empregos é bem diferente da realidade brasileira, em que muitos cidadãos sobrevivem em situação de vulnerabilidade –, uma característica única da extensão universitária é, sem dúvida, o desenvolvimento pessoal, que transforma as pessoas e abre os olhares, formando profissionais mais humanizados, independente da área de atuação, qualificados para o mundo real e aptos para auxiliarem no desenvolvimento regional.


* Médica veterinária, mestranda da USP (Universidade de São Paulo) e pesquisadora do Observatório Políticas Públicas, Empreendedorismo e Conjuntura da USCS (Universidade Municipal de São Caetano). 

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