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Atriz da região vive cuidadora de idosos

Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Em primeira peça solo, Nicole Marangoni traz emoções a flor da pele


Vinícius Castelli
Do Diário do Grande ABC

30/10/2019 | 01:16


Afeto, memórias, saudade, morte e relação entre as pessoas. Essas são algumas das questões que a atriz de São Caetano Nicole Marangoni, coloca no palco com o espetáculo teatral Eu|Telma, que será apresentado sexta-feira, a partir das 20h, no Sesc de sua cidade (Rua Piauí, 554). A entrada é gratuita e os bilhetes devem ser retirados uma horta antes do início da peça.

A atriz, que iniciou a caminhada teatral na Fundação das Artes de São Caetano, usa a ação performativa para viver uma cuidadora de idosos e aproveita para colocar ‘na mesa’ sentimentos e ideias sobre o cuidar nos processos de fim de vida das pessoas. Ela também aborda a temática da morte de maneira afetiva.

Para a criação da obra, Nicole colocou suas experiências particulares. “Cuidei do meu pai, mas a cuidadora principal dele era minha mãe, que dividia o cuidado com profissionais”, explica. Segundo a atriz, a narrativa dessa cuidadora de idosos é ficcional. “Tive outras experiências, como palhaça em um Núcleo Hospitalar de Cuidados Paliativos e voluntária em um Centro de atendimento telefônico para valorizar a vida.”

Além disso, Eu|Telma é resultado de muita pesquisa. Ela consumiu livros, filmes, peças e foi à exposições. Nicole explica que fazer esse trabalho exigiu mergulho profundo e só se concretizou por um grande consumo de obras de arte. “É preciso entender a fila do pão antes de ser o padeiro. Quando a gente vai criar algo tem de pesquisar muito, tentar acessar o máximo de coisas possíveis dentro daquela linguagem para termos referência, sabermos o que estamos fazendo, quem fez cada coisa, o que realmente é novo dentro da nossa pesquisa, e descobrir nossa linguagem.”

Ela conta que o ponto de partida para a criação do solo foi uma oficina de atuação que participou em 2013, enquanto passava pelo processo de luto do seu pai. Na ocasião, foi sugerido como estímulo de pesquisa o desenvolvimento de uma personagem cuidadora de idosos. E isso de maneira aleatória, pois a pessoa que conduzia o exercício não sabia de nada da minha vida da atriz.

Falar sobre morte é algo que a atriz acha importante. Ela acredita que as pessoas ainda sofrem muito ao encarar a despedida. “Não deveria ser dessa maneira, uma vez que é a nossa única certeza durante a vida”, diz. Para ela, aceitar e entender a gravidade, pensar na melhor maneira daquela pessoa viver com qualidade de vida o máximo de tempo possível, é algo de suma importância. “O espetáculo fala sobre como é estar ao lado de quem está indo. O quão doloroso e belo pode ser. É importante falarmos sobre a morte, discutirmos mais, pois é um tema polêmico que envolve a cultura, fé, crença e religiosidade”, afirma.

Nicole leva todas essas emoções e pensamentos para o palco sozinha. E afirma que não é tarefa fácil, principalmente durante o processo criativo. Em certos momentos algumas mulheres assistiam sua proposta e lhe davam um retorno. E elas a encorajaram a seguir em frente com sua proposta. “Quando você entra na sala de ensaio, com um texto que é seu na mão e fica lá durante oito horas por dia, sozinha, sem nada, alguma hora, alguma coisa, doa o que doer, tem que sair”, diz.

A sugestão é fazer com que o público não só assista, mas que saia com alguma reflexão. “O espetáculo é recheado de memórias e se trata de uma narrativa e direção bastante imagéticas, que pretende levar o público as suas próprias memórias e vivências, a partir da minha história e a da Telma. A ideia é que publico reflita em como pensar sobre a morte”, encerra. 



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Atriz da região vive cuidadora de idosos

Em primeira peça solo, Nicole Marangoni traz emoções a flor da pele

Vinícius Castelli
Do Diário do Grande ABC

30/10/2019 | 01:16


Afeto, memórias, saudade, morte e relação entre as pessoas. Essas são algumas das questões que a atriz de São Caetano Nicole Marangoni, coloca no palco com o espetáculo teatral Eu|Telma, que será apresentado sexta-feira, a partir das 20h, no Sesc de sua cidade (Rua Piauí, 554). A entrada é gratuita e os bilhetes devem ser retirados uma horta antes do início da peça.

A atriz, que iniciou a caminhada teatral na Fundação das Artes de São Caetano, usa a ação performativa para viver uma cuidadora de idosos e aproveita para colocar ‘na mesa’ sentimentos e ideias sobre o cuidar nos processos de fim de vida das pessoas. Ela também aborda a temática da morte de maneira afetiva.

Para a criação da obra, Nicole colocou suas experiências particulares. “Cuidei do meu pai, mas a cuidadora principal dele era minha mãe, que dividia o cuidado com profissionais”, explica. Segundo a atriz, a narrativa dessa cuidadora de idosos é ficcional. “Tive outras experiências, como palhaça em um Núcleo Hospitalar de Cuidados Paliativos e voluntária em um Centro de atendimento telefônico para valorizar a vida.”

Além disso, Eu|Telma é resultado de muita pesquisa. Ela consumiu livros, filmes, peças e foi à exposições. Nicole explica que fazer esse trabalho exigiu mergulho profundo e só se concretizou por um grande consumo de obras de arte. “É preciso entender a fila do pão antes de ser o padeiro. Quando a gente vai criar algo tem de pesquisar muito, tentar acessar o máximo de coisas possíveis dentro daquela linguagem para termos referência, sabermos o que estamos fazendo, quem fez cada coisa, o que realmente é novo dentro da nossa pesquisa, e descobrir nossa linguagem.”

Ela conta que o ponto de partida para a criação do solo foi uma oficina de atuação que participou em 2013, enquanto passava pelo processo de luto do seu pai. Na ocasião, foi sugerido como estímulo de pesquisa o desenvolvimento de uma personagem cuidadora de idosos. E isso de maneira aleatória, pois a pessoa que conduzia o exercício não sabia de nada da minha vida da atriz.

Falar sobre morte é algo que a atriz acha importante. Ela acredita que as pessoas ainda sofrem muito ao encarar a despedida. “Não deveria ser dessa maneira, uma vez que é a nossa única certeza durante a vida”, diz. Para ela, aceitar e entender a gravidade, pensar na melhor maneira daquela pessoa viver com qualidade de vida o máximo de tempo possível, é algo de suma importância. “O espetáculo fala sobre como é estar ao lado de quem está indo. O quão doloroso e belo pode ser. É importante falarmos sobre a morte, discutirmos mais, pois é um tema polêmico que envolve a cultura, fé, crença e religiosidade”, afirma.

Nicole leva todas essas emoções e pensamentos para o palco sozinha. E afirma que não é tarefa fácil, principalmente durante o processo criativo. Em certos momentos algumas mulheres assistiam sua proposta e lhe davam um retorno. E elas a encorajaram a seguir em frente com sua proposta. “Quando você entra na sala de ensaio, com um texto que é seu na mão e fica lá durante oito horas por dia, sozinha, sem nada, alguma hora, alguma coisa, doa o que doer, tem que sair”, diz.

A sugestão é fazer com que o público não só assista, mas que saia com alguma reflexão. “O espetáculo é recheado de memórias e se trata de uma narrativa e direção bastante imagéticas, que pretende levar o público as suas próprias memórias e vivências, a partir da minha história e a da Telma. A ideia é que publico reflita em como pensar sobre a morte”, encerra. 

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