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Eleito na Argentina preocupa indústria

EBC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Na região, diretores do Ciesp têm receio de que vitória da esquerda possa atrapalhar economia


Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

29/10/2019 | 07:20


O resultado da eleição presidencial da Argentina foi definido no primeiro turno, realizado no domingo, com a vitória do candidato da esquerda Alberto Fernández, rival do atual chefe de Estado Maurício Macri. A chapa eleita também tem como vice a antecessora do cargo, Cristina Kirchner. Para a indústria do Grande ABC, o cenário político do país tido como principal parceiro comercial da região é de cautela, e ainda traz preocupação sobre a possibilidade de recuperação da crise em 2020.

Impactada pela crise econômica na Argentina, a balança comercial dos sete municípios neste ano (de janeiro a setembro) está deficitária – quando há mais importações (US$ 2,9 bilhões) do que exportações (US$ 2,7 bilhões) – em US$ 200 milhões. Os dados são do Ministério da Economia e foram levantados pelo Diário.

Se considerarmos somente o montante que era destinado aos hermanos, em comparação com o mesmo período de 2018, a redução chegou a 58,36%, o que significa perda de aproximadamente US$ 816,3 milhões, totalizando US$ 583,6 milhões. Percentualmente, as maiores quedas foram em São Bernardo e São Caetano, o que demonstra a forte dependência do setor automotivo nas exportações para o país vizinho. Prova disso é que empresas como a Volkswagen e a Scania anunciaram férias coletivas para o chão de fábrica e a GM (General Motors) negocia mecanismos com o Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano para amenizar a queda na produção.

Para o diretor do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) Diadema, Anuar Dequech Júnior, o maior receio se dá em relação à postura que o novo governo deve adotar. “O grande problema na Argentina é se voltar a linha do populismo. Se isso acontecer, o governo vai continuar gastando desenfreadamente e as contas públicas com certeza não vão se equilibrar. Isso porque, na atual situação, demonstra ser necessário ajustar impostos e contas do governo”, afirmou. “Sabemos que existe um mercado importante lá e, se isso continuar assim, a tendência é diminuir ainda mais o volume (de exportações)”, completou.

“Acredito que a Argentina deva empobrecer num primeiro momento. No ano que vem, eles têm uma dívida grande (empréstimo de US$ 57 bilhões) para pagar com o FMI (Fundo Monetário Internacional). Foi ela que acabou tirando a eleição do Macri, porque a agenda que precisa ser cumprida com o fundo é ruim na questão social, então o povo sentiu isso. Não vejo num primeiro momento (em 2020) capacidade de a economia argentina reagir”, analisou o diretor titular do Ciesp de São Bernardo, Cláudio Barberini Junior.

Outro ponto de preocupação também é a relação com o presidente Jair Bolsonaro (PSL). Ontem, ele afirmou que não ia cumprimentar o presidente argentino pela vitória (leia mais abaixo). “Independentemente da linha ideológica do país, a parte comercial é outra coisa. Não é porque você é católico que não vai vender para um muçulmano, por exemplo”, afirmou Barberini. “A princípio isso preocupa, mas acredito em um bom- senso entre as partes. A nossa indústria automobilística é muito interligada à Argentina, e isso não pode ficar travado.”

Para tentar reduzir o impacto, as empresas buscam outros parceiros comerciais. “Estamos pulverizando. Por causa da proximidade com países da América Latina, além do México e dos Estados Unidos. É uma questão de estratégia de negócios”, disse Dequech Júnior.


Bolsonaro fala em afronta à democracia

Em visita oficial ao Catar, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) não gostou do gesto ‘Lula livre’ protagonizado pelo presidente eleito da Argentina, Alberto Fernández. “É uma afronta à democracia brasileira. Ao sistema judiciário brasileiro. Uma pessoa condenada em duas instâncias. Outras condenações a caminho. Ele está afrontando o Brasil de graça, no meu entender. Nós estamos aguardando seus passos para, talvez no futuro, tomar alguma decisão em defesa do Brasil. Decisões em defesa do Brasil.”

Apesar da crítica, Bolsonaro reiterou que não pretende romper relações com o país vizinho, destacando que irá optar pelo diálogo. “Pretendo dialogar, sim. Não vamos fechar as portas. Agora, estamos preocupados e receosos tendo em vista até pelo gesto que ele fez de ‘Lula livre’”, complementando que “muita gente do PT (segundo informes que recebeu) estaria na Argentina para comemorar a vitória dele”.

Indagado sobre como ficará a posição no Brasil no Mercosul com a vitória de Fernández, Bolsonaro destacou: “Nós estamos preocupados, não há dúvida. A Argentina, em grande parte, faz comércio graças ao Brasil. Nós não queremos romper nada. Agora, eu digo aos meus ministros, cada um na sua pasta, nós temos de ter capacidade de nos antecipar aos problemas. Obviamente, se tiver algo mais contundente, nós buscaremos conversar com a Argentina para, de fato, saber qual é a posição deles. Em função disso, nós tomaremos a nossa posição”.

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo, também comentou o assunto pelo Twitter. O chanceler disse não ter a ilusão “de que o fernande-kirchnerismo possa ser diferente do kirchnerismo clássico” e que os sinais feitos até o momento pelo argentino “são os piores possíveis”.

“Fechamento comercial, modelo econômico retrógrado e apoio às ditaduras parecem ser o que vêm por aí”, tuitou Araújo, para quem “as forças do mal estão celebrando” e “as forças da democracia estão lamentando” a eleição de Fernández. (do Estadão Conteúdo)
 



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Eleito na Argentina preocupa indústria

Na região, diretores do Ciesp têm receio de que vitória da esquerda possa atrapalhar economia

Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

29/10/2019 | 07:20


O resultado da eleição presidencial da Argentina foi definido no primeiro turno, realizado no domingo, com a vitória do candidato da esquerda Alberto Fernández, rival do atual chefe de Estado Maurício Macri. A chapa eleita também tem como vice a antecessora do cargo, Cristina Kirchner. Para a indústria do Grande ABC, o cenário político do país tido como principal parceiro comercial da região é de cautela, e ainda traz preocupação sobre a possibilidade de recuperação da crise em 2020.

Impactada pela crise econômica na Argentina, a balança comercial dos sete municípios neste ano (de janeiro a setembro) está deficitária – quando há mais importações (US$ 2,9 bilhões) do que exportações (US$ 2,7 bilhões) – em US$ 200 milhões. Os dados são do Ministério da Economia e foram levantados pelo Diário.

Se considerarmos somente o montante que era destinado aos hermanos, em comparação com o mesmo período de 2018, a redução chegou a 58,36%, o que significa perda de aproximadamente US$ 816,3 milhões, totalizando US$ 583,6 milhões. Percentualmente, as maiores quedas foram em São Bernardo e São Caetano, o que demonstra a forte dependência do setor automotivo nas exportações para o país vizinho. Prova disso é que empresas como a Volkswagen e a Scania anunciaram férias coletivas para o chão de fábrica e a GM (General Motors) negocia mecanismos com o Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano para amenizar a queda na produção.

Para o diretor do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) Diadema, Anuar Dequech Júnior, o maior receio se dá em relação à postura que o novo governo deve adotar. “O grande problema na Argentina é se voltar a linha do populismo. Se isso acontecer, o governo vai continuar gastando desenfreadamente e as contas públicas com certeza não vão se equilibrar. Isso porque, na atual situação, demonstra ser necessário ajustar impostos e contas do governo”, afirmou. “Sabemos que existe um mercado importante lá e, se isso continuar assim, a tendência é diminuir ainda mais o volume (de exportações)”, completou.

“Acredito que a Argentina deva empobrecer num primeiro momento. No ano que vem, eles têm uma dívida grande (empréstimo de US$ 57 bilhões) para pagar com o FMI (Fundo Monetário Internacional). Foi ela que acabou tirando a eleição do Macri, porque a agenda que precisa ser cumprida com o fundo é ruim na questão social, então o povo sentiu isso. Não vejo num primeiro momento (em 2020) capacidade de a economia argentina reagir”, analisou o diretor titular do Ciesp de São Bernardo, Cláudio Barberini Junior.

Outro ponto de preocupação também é a relação com o presidente Jair Bolsonaro (PSL). Ontem, ele afirmou que não ia cumprimentar o presidente argentino pela vitória (leia mais abaixo). “Independentemente da linha ideológica do país, a parte comercial é outra coisa. Não é porque você é católico que não vai vender para um muçulmano, por exemplo”, afirmou Barberini. “A princípio isso preocupa, mas acredito em um bom- senso entre as partes. A nossa indústria automobilística é muito interligada à Argentina, e isso não pode ficar travado.”

Para tentar reduzir o impacto, as empresas buscam outros parceiros comerciais. “Estamos pulverizando. Por causa da proximidade com países da América Latina, além do México e dos Estados Unidos. É uma questão de estratégia de negócios”, disse Dequech Júnior.


Bolsonaro fala em afronta à democracia

Em visita oficial ao Catar, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) não gostou do gesto ‘Lula livre’ protagonizado pelo presidente eleito da Argentina, Alberto Fernández. “É uma afronta à democracia brasileira. Ao sistema judiciário brasileiro. Uma pessoa condenada em duas instâncias. Outras condenações a caminho. Ele está afrontando o Brasil de graça, no meu entender. Nós estamos aguardando seus passos para, talvez no futuro, tomar alguma decisão em defesa do Brasil. Decisões em defesa do Brasil.”

Apesar da crítica, Bolsonaro reiterou que não pretende romper relações com o país vizinho, destacando que irá optar pelo diálogo. “Pretendo dialogar, sim. Não vamos fechar as portas. Agora, estamos preocupados e receosos tendo em vista até pelo gesto que ele fez de ‘Lula livre’”, complementando que “muita gente do PT (segundo informes que recebeu) estaria na Argentina para comemorar a vitória dele”.

Indagado sobre como ficará a posição no Brasil no Mercosul com a vitória de Fernández, Bolsonaro destacou: “Nós estamos preocupados, não há dúvida. A Argentina, em grande parte, faz comércio graças ao Brasil. Nós não queremos romper nada. Agora, eu digo aos meus ministros, cada um na sua pasta, nós temos de ter capacidade de nos antecipar aos problemas. Obviamente, se tiver algo mais contundente, nós buscaremos conversar com a Argentina para, de fato, saber qual é a posição deles. Em função disso, nós tomaremos a nossa posição”.

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo, também comentou o assunto pelo Twitter. O chanceler disse não ter a ilusão “de que o fernande-kirchnerismo possa ser diferente do kirchnerismo clássico” e que os sinais feitos até o momento pelo argentino “são os piores possíveis”.

“Fechamento comercial, modelo econômico retrógrado e apoio às ditaduras parecem ser o que vêm por aí”, tuitou Araújo, para quem “as forças do mal estão celebrando” e “as forças da democracia estão lamentando” a eleição de Fernández. (do Estadão Conteúdo)
 

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