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Vale a pena viajar para o Nordeste?

Fotos Públicas Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Antes de decidir, veja os riscos de se expor ao petróleo que já vazou por 229 praias da região


Soraia Abreu Pedrozo
Do Diário do Grande ABC

24/10/2019 | 07:49


Quem já estava contando os dias para a tão sonhada viagem ao Nordeste, mas recebeu um ‘balde de água fria’ com as frequentes notícias sobre número cada vez maior de praias atingidas pelo vazamento de óleo, deve estar se perguntando sobre o que fazer, se embarcar mesmo assim, cancelar o passeio ou deixá-lo para depois.

Ao todo, de acordo com o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), 229 praias em nove Estados já foram atingidas desde o início de setembro.

Abaixo, segue lista completa das localidades que apresentam grandes manchas, das que têm vestígios de óleo, sob a forma de pequenos pontos pretos espalhados pela água ou pela areia, que logo viram piche, mas que grudam no pé e são difíceis de sair, e das que não têm nem sinal dele no momento, mas anteriormente já tiveram manchas ou vestígios.

A última relação foi feita pelo Ibama na terça-feira, dia 22, no entanto, vale acessar o link https://www.ibama.gov.br/notas/2047-manchas-de-oleo-no-litoral-do-nordeste, onde o órgão governamental faz atualizações de tempos em tempos para tirar dúvidas. Além disso, é bom ficar de olho no noticiário, já que a movimentação do petróleo pelo mar é muito dinâmica, e às vezes a informação chega antes aos jornais do que ao Ibama, caso de Morro de São Paulo, Garapuá e Boipeba (Bahia), que foram atingidas na terça. Vale também ligar para o hotel antes de ir para verificar como está a situação por lá.

CONTATO COM ÓLEO

Antes de tomar a decisão a respeito da viagem é preciso, primeiro, entender os riscos aos quais se corre ao entrar em contato com esse óleo, que na verdade é petróleo cru.

Questionado, o Ibama respondeu que o contato pode causar danos principalmente em plantas e animais, sendo uma substância tóxica à saúde humana. “O óleo adere à pele e é de difícil remoção. Em caso de contato com os olhos ou de inalação, o produto pode causar irritação. Para mais informações, recomendamos contato com os órgãos de vigilância sanitária”, informou.

A pesquisadora do projeto IPH (Índice de Poluentes Hídricos) da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), Marta Marcondes, faz uma comparação, dizendo que é como se entrássemos em contato com o óleo diesel, mas numa quantidade milhões de vezes maior. “Ele é muito espesso e possui alta concentração de substâncias químicas, por isso é bom evitar o contato. Se houver óleo na praia em que visitar, mesmo que sejam resquícios, o recomendável é não entrar na água. Nem pisar descalço na areia.”

Em entrevista coletiva, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, admitiu que sua pasta fará monitoramento das pessoas que entraram em contato com o óleo por dez a 20 anos, tal qual em Brumadinho (Minas Gerais), onde houve o rompimento da barragem do Córrego do Feijão, da Vale. “Isso porque o óleo faz mal para o sistema imunológico. Mas será que pode causar câncer? Não sabemos. É diferente de uma epidemia. Envolve uma geração inteira, nós vamos monitorar também peixes e comidas do mar”, afirmou Mandetta.

Marta alerta, inclusive, para aqueles que estiverem em local afetado e quiserem ajudar na limpeza, que antes entrem em contato com grupos responsáveis para se proteger com luva e bota. Uma das entidades que estão organizando mutirões é a ONG Atados (www.atados.com.br). Outra forma é preencher cadastramento por meio do link https://docs.google.com/forms/d/19Q0I77KBbUv7rYmWjcrT2fRnotwphv-26s_p_jwEwVs/edit.

Caso haja contato sem proteção, por exemplo, enquanto estiver nadando, se houver irritação da pele, a orientação é buscar posto médico ou hospital para pronto atendimento. “E se a localidade em que estiver ainda não constar da lista do Ibama, é fundamental avisar os órgãos ambientais.”

Quanto ao receio de comer peixes dessas regiões, a bióloga diz que se o animal entrou em contato com o óleo, ele estará muito debilitado e terá chances de morrer. “O óleo ficará no estômago e no intestino do peixe, e o que se come é a musculatura. Além disso, o pescado do Nordeste é de alto-mar, então dificilmente ele estará contaminado, porque o petróleo tem atingido a costa litorânea.”


Consumidor pode cancelar passeio sem qualquer ônus

Se a decisão do viajante for por cancelar ou adiar sua ida ao Nordeste, ele tem o direito de fazê-lo sem ônus – diferentemente, por exemplo, se não houvesse uma razão de força maior para isso e, neste caso, ele pagaria multa.

De acordo com o especialista em direito do consumidor Jairo Guimarães, do escritório Leite e Guimarães, no caso de remanejar ou desistir da viagem por causa do vazamento de óleo, o turista tem esse direito sem pagar nada a mais por isso e deve receber de volta valores pagos, porque ele não é obrigado a se expor ao risco. “Trata-se de um acidente ambiental, em que a exposição a esse petróleo traz danos à saúde. Embora a operadora de turismo também não seja responsável pelo cenário, é uma forma de fazer com que elas cobrem das autoridades que acelerem a intervenção ao problema, a fim de saná-lo. Afinal, já faz um mês e meio que o vazamento começou e ele só cresce”, assinala.

Para Guimarães, mesmo que tenha sido contratada hospedagem com tarifa menor, sem a opção de cancelamento, é direito do consumidor cancelar, uma vez que o fato era desconhecido no momento da contratação. Se a viagem é de férias, e, portanto, já havia programação para fazer passeio, é possível, ainda negociar com a empresa a mudança do destino.

Caso a companhia que vendeu o pacote ou a hospedagem e a passagem aérea não acate a decisão do consumidor em um primeiro contato por telefone, e-mail ou pessoalmente, é preciso reclamar na ouvidoria ou no SAC. Se não der resultado, o próximo passo é registrar a queixa no Procon ou na Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça.

Segundo o diretor executivo do Procon-SP, Fernando Capez, não existe o dever de indenização por parte dos fornecedores, uma vez que não há nexo de causalidade, já que não foram eles que provocaram o derramamento de óleo. “Mesmo assim, o consumidor deve procurar o fornecedor para que as partes busquem entendimento com base nos princípios da boa-fé objetiva e harmonia nas relações de consumo. Os fornecedores deverão buscar atenuar o prejuízo dos consumidores, considerando sua vulnerabilidade, seja remarcando novas datas dentro de sua disponibilidade, seja restituindo os valores a quem não desejar mais o serviço.”

Capez diz também que o Procon-SP considera inadequada a postura dos fornecedores de ignorar os prejuízos gerados aos consumidores, e que a entidade invocará os princípios e direitos básicos previstos no CDC (Código de Defesa do Consumidor), artigos 4º e 6º, caso isso ocorra. “O turista não pode ser prejudicado, pois o ônus não cabe a ele, já que a culpa não é dele. Mesmo que a empresa também não tenha culpa, trata-se de um risco do negócio”, endossa.

Se não houver solução, a última cartada é ingressar com ação na Justiça para reaver os valores pagos.

Agora, se a opção for manter os planos de viagem, a dica é garantir que no hotel tenha piscina, ao menos, para se refrescar do calor caso não possa entrar na água do mar.


Com viagem marcada desde janeiro, família decidiu ir

“Chegamos em Maracaípe, Pernambuco (extensão da Praia de Porto de Galinhas – a praia do Centro, onde há piscinas naturais, foi uma das poucas que passaram ilesas), no dia 12. Como a viagem já estava planejada desde o início do ano, e era com toda a minha família, sete pessoas, ao todo, não pensamos em cancelar. Na verdade, cinco dias antes de embarcarmos, liguei na pousada e disseram que lá estava tudo limpo, que o óleo estava longe. Antes de o petróleo atingir praias paradisíacas, como a Praia dos Carneiros, em Pernambuco, e Maragogi, em Alagoas, conseguimos conhecê-las, na terça (15) e na quarta (16). Assim que voltamos de Maragogi, soubemos pelo noticiário que resgataram uma tartaruga cheia de óleo, o que deu muita dó. O vazamento atingiu a praia exatamente no dia seguinte que a visitamos. A gente deu sorte, mas dá um aperto no peito de ver tudo isso acontecendo. O pessoal que trabalha com turismo está muito indignado, até porque dependem 100% do local em boas condições para sobreviver. Bom que estão todos mobilizados para ajudar. No fim de semana passado já montaram redes de contenção e força-tarefa para fazer a limpeza em Maracaípe. Até o dia em que voltamos (19), as agências estavam vendendo passeios normalmente. Falaram que em Carneiros o óleo chegou na madrugada de quinta e, de manhã, já foi um mutirão para o local. Disseram que no fim de semana já estava tudo limpo, mas, embora tivessem limpado a praia, acreditamos que a areia das dunas mais afastadas e os corais pudessem ter óleo ainda, pois não daria tempo de limpar tudo.”

Giovana Guimarães, 33 anos, economista


Para evitar contato com óleo, trio só entrou na água em lagoas

“Logo que chegamos e pegamos o transfer para o hotel, o guia que estava nos acompanhando já foi falando que o que estava sendo transmitido pelos jornais do País tinha um ‘Q’ de sensacionalismo. Estranhei logo de cara, confesso. Pois já sabia que a situação estava complicada. Mas não passou pela minha cabeça, ou na dos meus pais, que vieram comigo, de cancelar a viagem para Natal (Rio Grande do Norte). Minha primeira impressão foi que boa parte dos moradores daqui tem posicionamento político carregado pela história militar da cidade. Eles têm muito orgulho disso e, ao meu ver, essa situação distorcia um pouco do absurdo que é esse vazamento de óleo e a pouca ajuda que o governo está dando. Mas os guias sempre falavam que, se tivesse algum óleo nas praias, seria pouca coisa, pois já havia sido feita limpeza delas. Juro que não acreditei, mas quando fomos até Porto Mirim, em Jenipabu, não encontrei nada na água em si, mas gotas pequenas de óleo da areia que, quanto mais andávamos, mais se intensificavam. Optamos por não entrar na água por causa disso, e nem tirar o chinelo nessa praia. Os guias reforçavam que, se houvesse algum contato com o óleo na pele, era para avisá-los, pois eles saberiam como limpar. Na Ponta Negra e Praia da Pipa não encontramos nada. Em Baía Formosa, fomos até a divisa com a Paraíba e ali encontramos pequenas gotas também. Para tomar banho, optamos pelas lagoas, como a Lagoa de Coca-Cola. Por preocupação nossa, não tomamos banho no mar, somente admiramos e tiramos fotos. Sobre a alimentação, ninguém aqui falou sobre isso. Tudo o que perguntávamos em relação ao óleo, diziam estar tudo sob controle. Senti que, em relação aos outros Estados do Nordeste, o Rio Grande do Norte não quer tocar nesse assunto, não quer que o turismo local seja afetado ou por algum motivo não quer reclamar da gestão política atual.”

Karine Manchini, 25 anos, jornalista


 



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Vale a pena viajar para o Nordeste?

Antes de decidir, veja os riscos de se expor ao petróleo que já vazou por 229 praias da região

Soraia Abreu Pedrozo
Do Diário do Grande ABC

24/10/2019 | 07:49


Quem já estava contando os dias para a tão sonhada viagem ao Nordeste, mas recebeu um ‘balde de água fria’ com as frequentes notícias sobre número cada vez maior de praias atingidas pelo vazamento de óleo, deve estar se perguntando sobre o que fazer, se embarcar mesmo assim, cancelar o passeio ou deixá-lo para depois.

Ao todo, de acordo com o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), 229 praias em nove Estados já foram atingidas desde o início de setembro.

Abaixo, segue lista completa das localidades que apresentam grandes manchas, das que têm vestígios de óleo, sob a forma de pequenos pontos pretos espalhados pela água ou pela areia, que logo viram piche, mas que grudam no pé e são difíceis de sair, e das que não têm nem sinal dele no momento, mas anteriormente já tiveram manchas ou vestígios.

A última relação foi feita pelo Ibama na terça-feira, dia 22, no entanto, vale acessar o link https://www.ibama.gov.br/notas/2047-manchas-de-oleo-no-litoral-do-nordeste, onde o órgão governamental faz atualizações de tempos em tempos para tirar dúvidas. Além disso, é bom ficar de olho no noticiário, já que a movimentação do petróleo pelo mar é muito dinâmica, e às vezes a informação chega antes aos jornais do que ao Ibama, caso de Morro de São Paulo, Garapuá e Boipeba (Bahia), que foram atingidas na terça. Vale também ligar para o hotel antes de ir para verificar como está a situação por lá.

CONTATO COM ÓLEO

Antes de tomar a decisão a respeito da viagem é preciso, primeiro, entender os riscos aos quais se corre ao entrar em contato com esse óleo, que na verdade é petróleo cru.

Questionado, o Ibama respondeu que o contato pode causar danos principalmente em plantas e animais, sendo uma substância tóxica à saúde humana. “O óleo adere à pele e é de difícil remoção. Em caso de contato com os olhos ou de inalação, o produto pode causar irritação. Para mais informações, recomendamos contato com os órgãos de vigilância sanitária”, informou.

A pesquisadora do projeto IPH (Índice de Poluentes Hídricos) da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), Marta Marcondes, faz uma comparação, dizendo que é como se entrássemos em contato com o óleo diesel, mas numa quantidade milhões de vezes maior. “Ele é muito espesso e possui alta concentração de substâncias químicas, por isso é bom evitar o contato. Se houver óleo na praia em que visitar, mesmo que sejam resquícios, o recomendável é não entrar na água. Nem pisar descalço na areia.”

Em entrevista coletiva, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, admitiu que sua pasta fará monitoramento das pessoas que entraram em contato com o óleo por dez a 20 anos, tal qual em Brumadinho (Minas Gerais), onde houve o rompimento da barragem do Córrego do Feijão, da Vale. “Isso porque o óleo faz mal para o sistema imunológico. Mas será que pode causar câncer? Não sabemos. É diferente de uma epidemia. Envolve uma geração inteira, nós vamos monitorar também peixes e comidas do mar”, afirmou Mandetta.

Marta alerta, inclusive, para aqueles que estiverem em local afetado e quiserem ajudar na limpeza, que antes entrem em contato com grupos responsáveis para se proteger com luva e bota. Uma das entidades que estão organizando mutirões é a ONG Atados (www.atados.com.br). Outra forma é preencher cadastramento por meio do link https://docs.google.com/forms/d/19Q0I77KBbUv7rYmWjcrT2fRnotwphv-26s_p_jwEwVs/edit.

Caso haja contato sem proteção, por exemplo, enquanto estiver nadando, se houver irritação da pele, a orientação é buscar posto médico ou hospital para pronto atendimento. “E se a localidade em que estiver ainda não constar da lista do Ibama, é fundamental avisar os órgãos ambientais.”

Quanto ao receio de comer peixes dessas regiões, a bióloga diz que se o animal entrou em contato com o óleo, ele estará muito debilitado e terá chances de morrer. “O óleo ficará no estômago e no intestino do peixe, e o que se come é a musculatura. Além disso, o pescado do Nordeste é de alto-mar, então dificilmente ele estará contaminado, porque o petróleo tem atingido a costa litorânea.”


Consumidor pode cancelar passeio sem qualquer ônus

Se a decisão do viajante for por cancelar ou adiar sua ida ao Nordeste, ele tem o direito de fazê-lo sem ônus – diferentemente, por exemplo, se não houvesse uma razão de força maior para isso e, neste caso, ele pagaria multa.

De acordo com o especialista em direito do consumidor Jairo Guimarães, do escritório Leite e Guimarães, no caso de remanejar ou desistir da viagem por causa do vazamento de óleo, o turista tem esse direito sem pagar nada a mais por isso e deve receber de volta valores pagos, porque ele não é obrigado a se expor ao risco. “Trata-se de um acidente ambiental, em que a exposição a esse petróleo traz danos à saúde. Embora a operadora de turismo também não seja responsável pelo cenário, é uma forma de fazer com que elas cobrem das autoridades que acelerem a intervenção ao problema, a fim de saná-lo. Afinal, já faz um mês e meio que o vazamento começou e ele só cresce”, assinala.

Para Guimarães, mesmo que tenha sido contratada hospedagem com tarifa menor, sem a opção de cancelamento, é direito do consumidor cancelar, uma vez que o fato era desconhecido no momento da contratação. Se a viagem é de férias, e, portanto, já havia programação para fazer passeio, é possível, ainda negociar com a empresa a mudança do destino.

Caso a companhia que vendeu o pacote ou a hospedagem e a passagem aérea não acate a decisão do consumidor em um primeiro contato por telefone, e-mail ou pessoalmente, é preciso reclamar na ouvidoria ou no SAC. Se não der resultado, o próximo passo é registrar a queixa no Procon ou na Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça.

Segundo o diretor executivo do Procon-SP, Fernando Capez, não existe o dever de indenização por parte dos fornecedores, uma vez que não há nexo de causalidade, já que não foram eles que provocaram o derramamento de óleo. “Mesmo assim, o consumidor deve procurar o fornecedor para que as partes busquem entendimento com base nos princípios da boa-fé objetiva e harmonia nas relações de consumo. Os fornecedores deverão buscar atenuar o prejuízo dos consumidores, considerando sua vulnerabilidade, seja remarcando novas datas dentro de sua disponibilidade, seja restituindo os valores a quem não desejar mais o serviço.”

Capez diz também que o Procon-SP considera inadequada a postura dos fornecedores de ignorar os prejuízos gerados aos consumidores, e que a entidade invocará os princípios e direitos básicos previstos no CDC (Código de Defesa do Consumidor), artigos 4º e 6º, caso isso ocorra. “O turista não pode ser prejudicado, pois o ônus não cabe a ele, já que a culpa não é dele. Mesmo que a empresa também não tenha culpa, trata-se de um risco do negócio”, endossa.

Se não houver solução, a última cartada é ingressar com ação na Justiça para reaver os valores pagos.

Agora, se a opção for manter os planos de viagem, a dica é garantir que no hotel tenha piscina, ao menos, para se refrescar do calor caso não possa entrar na água do mar.


Com viagem marcada desde janeiro, família decidiu ir

“Chegamos em Maracaípe, Pernambuco (extensão da Praia de Porto de Galinhas – a praia do Centro, onde há piscinas naturais, foi uma das poucas que passaram ilesas), no dia 12. Como a viagem já estava planejada desde o início do ano, e era com toda a minha família, sete pessoas, ao todo, não pensamos em cancelar. Na verdade, cinco dias antes de embarcarmos, liguei na pousada e disseram que lá estava tudo limpo, que o óleo estava longe. Antes de o petróleo atingir praias paradisíacas, como a Praia dos Carneiros, em Pernambuco, e Maragogi, em Alagoas, conseguimos conhecê-las, na terça (15) e na quarta (16). Assim que voltamos de Maragogi, soubemos pelo noticiário que resgataram uma tartaruga cheia de óleo, o que deu muita dó. O vazamento atingiu a praia exatamente no dia seguinte que a visitamos. A gente deu sorte, mas dá um aperto no peito de ver tudo isso acontecendo. O pessoal que trabalha com turismo está muito indignado, até porque dependem 100% do local em boas condições para sobreviver. Bom que estão todos mobilizados para ajudar. No fim de semana passado já montaram redes de contenção e força-tarefa para fazer a limpeza em Maracaípe. Até o dia em que voltamos (19), as agências estavam vendendo passeios normalmente. Falaram que em Carneiros o óleo chegou na madrugada de quinta e, de manhã, já foi um mutirão para o local. Disseram que no fim de semana já estava tudo limpo, mas, embora tivessem limpado a praia, acreditamos que a areia das dunas mais afastadas e os corais pudessem ter óleo ainda, pois não daria tempo de limpar tudo.”

Giovana Guimarães, 33 anos, economista


Para evitar contato com óleo, trio só entrou na água em lagoas

“Logo que chegamos e pegamos o transfer para o hotel, o guia que estava nos acompanhando já foi falando que o que estava sendo transmitido pelos jornais do País tinha um ‘Q’ de sensacionalismo. Estranhei logo de cara, confesso. Pois já sabia que a situação estava complicada. Mas não passou pela minha cabeça, ou na dos meus pais, que vieram comigo, de cancelar a viagem para Natal (Rio Grande do Norte). Minha primeira impressão foi que boa parte dos moradores daqui tem posicionamento político carregado pela história militar da cidade. Eles têm muito orgulho disso e, ao meu ver, essa situação distorcia um pouco do absurdo que é esse vazamento de óleo e a pouca ajuda que o governo está dando. Mas os guias sempre falavam que, se tivesse algum óleo nas praias, seria pouca coisa, pois já havia sido feita limpeza delas. Juro que não acreditei, mas quando fomos até Porto Mirim, em Jenipabu, não encontrei nada na água em si, mas gotas pequenas de óleo da areia que, quanto mais andávamos, mais se intensificavam. Optamos por não entrar na água por causa disso, e nem tirar o chinelo nessa praia. Os guias reforçavam que, se houvesse algum contato com o óleo na pele, era para avisá-los, pois eles saberiam como limpar. Na Ponta Negra e Praia da Pipa não encontramos nada. Em Baía Formosa, fomos até a divisa com a Paraíba e ali encontramos pequenas gotas também. Para tomar banho, optamos pelas lagoas, como a Lagoa de Coca-Cola. Por preocupação nossa, não tomamos banho no mar, somente admiramos e tiramos fotos. Sobre a alimentação, ninguém aqui falou sobre isso. Tudo o que perguntávamos em relação ao óleo, diziam estar tudo sob controle. Senti que, em relação aos outros Estados do Nordeste, o Rio Grande do Norte não quer tocar nesse assunto, não quer que o turismo local seja afetado ou por algum motivo não quer reclamar da gestão política atual.”

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